Postagens

Mostrando postagens de 2026

Futebol americano no Brasil em 2026: acabou a fissura?

Imagem
Porto Alegre, agosto de 2026 Filho, No próximo dia 27 de setembro, um domingo, o Brasil deve receber sua terceira partida de futebol americano, o futebol da bola oval como dizem os especialistas. Cowboys x Ravens. O Brasil continua sendo o único país do hemisfério sul a receber esses jogos (será que a Austrália, que carrega o sul no próprio nome, não vai entrar nessa onda?). Pois é. Lá se vão quase vinte anos em que temos acompanhado esse esporte. Já é o terceiro ano em que uma partida acontece no Brasil. Como já comentei em 2024  e em 2025 . Contudo, este ano há uma diferença. Ou duas. A mais trivial é que o jogo acontecerá no Rio de Janeiro, nossa Cidade Maravilhosa, após dois anos em São Paulo. Sai o estádio do Corinthians, entra o Maracanã. A segunda é que, a pouco mais de um mês do jogo, ainda há ingressos disponíveis à venda. Coisa que não aconteceu nos anos anteriores, quando os tíquetes se esgotavam em poucos minutos após serem colocados à venda na bilheteria virtual. Acabo...

Diário – show – Big Floyd no Grezz

Imagem
No dia 1º de maio passado, estive no Grezz, espécie de jazz club aqui em Porto Alegre, para assistir o Big Floyd. O Big Floyd é um projeto cover do Pink Floyd, composto por João Ortácio , Fabricio Braga , Felipe Wilke  e Otavio Moura . Além deles um outro músico, cujo nome me escapa, com cordas e sopros. O repertório incluiu músicas dos álbuns Wish You Were Here, Dark Side of the Moon e The Wall.  Foi um bom show que levou umas sessenta pessoas para o Grezz em uma noite de chuva forte, mais  afeita a fazer com que as pessoas ficassem em suas casas.  O projeto Big Floyd entrega uma boa experiência das músicas do Pink Floyd.  . Big Floyd no Grezz em registro do blogueiro . 02/06/2026, 19/08/2026.

Quem nunca conseguiu ir a um show do U2 original pode se divertir com um show de um dos U2 Covers

Imagem
Porto Alegre, agosto de 2026. Filho, Acho que já ouviste minhas lamentações por não conseguir ingressos para a última turnê brasileira da banda U2. Foi lá em 2017. Quatro noites de plantão diante do computador para a bilheteria eletrônica; quatro fracassos em adquirir ingressos. Vida que seguiu. Por um tempo eu devaneei em ir a um show deles na Europa. Acompanhava pela internet os shows que faziam em estádios por lá. Sempre pareceu mais devaneio do que realidade. Também na Europa eles lotavam estádios. E então veio a pandemia. E o mundo parou. Depois Bono lançou seu livro de memórias e fez pequenas apresentações solo pelo chamado primeiro mundo. Depois a banda fez shows em Las Vegas. Quarenta shows na Esfera (“Sphere”), em Las Vegas. Não. Não fui a Las Vegas. Nunca consegui ir a um show do U2. E então no Dia de São Patrício de 2026 fomos àquele pub temático irlandês ali na Benjamin, e ali se apresentou a banda U2 Cover Zooropa . Que achado! Infelizmente não te sentiste muito bem naquel...

11/08/2026: sem publicação

Quando o blogueiro metido a cronista se deu conta, já era terça-feira e ele não tinha escrito nada.  Talvez o texto semanal retorne em 18 de agosto de 2026. Talvez.

Uma flor de pata de vaca em 5 de agosto de 2026

Imagem

Ipês amarelos em 4 de agosto de 2026

Imagem

Pensando em dois ciclos em 2026

Imagem
Eu não sei você, prezada leitora, prezado leitor, prezade leitore. Eu vivo nesta periferia do mundo chamada Porto Alegre. Quando escrevo é 3 de agosto, e praticamente estamos na metade do inverno meridional. Estamos na metade do inverno, mas os ipês amarelos estão florescendo aqui pela zona norte da cidade. O que me indica que estas árvores já estão sentindo a chegada da primavera. Se é que existe alguma coisa como uma subjetividade para as árvores. Questão para biólogos. Inverno, primavera. El Niño. Há toda uma história para o Menino, o aquecimento da superfície marinha do Oceano Pacífico na região do Equador. E o que se costuma dizer é que, entre outras variações climáticas, o Niño gera mais chuvas no sul do Brasil. Bem, este ano a meteorologia fala de um “Super El Niño”, o que pode assustar. Inclusive porque somos uma população novamente traumatizada por conta da enchente de 2024. Foi em 2015 que o então prefeito José Fortunati mandou que as comportas de prevenção contra cheias em P...

A Copa do Mundo 2026 terminou

Imagem
Sim, a Copa do Mundo de Futebol de 2026 terminou. Já faz duas semanas. E eu só estou escrevendo isso para registrar minhas impressões. Acho que é o que todo mundo faz. Faz com mais ou menos precisão, mais ou menos inteligência, mais ou menos viés. Enfim… Já faz duas semanas, como eu disse. Em Porto Alegre, era um final de tarde nublado, com alguns chuviscos. A partida final, entre Argentina e Espanha, foi a única partida que vi inteira, com exceção das partidas da seleção do Brasil. Foi a décima quarta Copa do Mundo de Futebol Masculino que, de alguma maneira, testemunhei. A primeira foi a de 1974, acontecida na Alemanha Ocidental, num tempo em que havia duas Alemanhas. Eu já era nascido na Copa de 1970 mas não lembro de nada que tenha acontecido naquela disputa, em que o Brasil se sagrou campeão pela terceira vez. A Copa de 1974 foi a primeira em que o Brasil disputou sem Pelé, após o triunfo no torneio anterior. Pensando nisso, o Brasil sem Pelé, lembrei de um cronista que gostava de...

21/07/2026: sem publicação

Quando o blogueiro metido a cronista se deu conta, já era terça-feira e ele não tinha escrito nada.  Talvez o texto semanal retorne em 28 de julho de 2026. Talvez.

João Antônio Garcia, JAG

Imagem
Há momentos em que a vida vem lembrar da outra vida que você já teve. Ou, pelo menos, eu fico com essa impressão. Semana passada o amigo Cláudio me passou a informação de que o amigo João Antônio havia sofrido um AVC e estava em condições muito difíceis, em uma UTI, em um hospital em Canoas. João Antônio… Conheci o João Antônio na minha adolescência, nos anos 1980. Mais exatamente, devo tê-lo conhecido em 1982 ou 1983. A adolescência costuma ser associada à rebeldia, mas, veja só, conheci João em meio a uma busca através da religião. Religiões institucionalizadas costumam ser coisas extremamente hierárquicas, por vezes, reacionárias; por outro lado, também costumam ser meios de submissão. Bem, a busca começou primeiro como católico. Depois em busca da “verdadeira” religião (desde que fosse cristã). Por fim, uma passagem à fé evangélica. Outros amigos estiveram envolvidos nisso. Além do Claudio, já citado, havia o Paulo, o Marco, o Carlos. Uma turma que vivia na Vila Cefer. E que gostav...

Para o Brasil a Copa 2026 acabou no primeiro domingo de julho

Imagem
Quer dizer, não que a Copa tenha acabado. Nem que tenha necessariamente acabado para o Brasil, afinal o Brasil é composto de muita gente e boa parte dessa muita gente vai continuar acompanhando a Copa do Mundo. Mas certo é que a seleção que representa o Brasil foi eliminada no domingo, 5 de julho de 2026, pelo time da Noruega. Agora já foram, são e serão dezenas de debates esportivos a comentar a derrota e as razões da derrota. No rádio, na TV, na internet. Mais dezenas de reportagens relatando a derrota e artigos jornalísticos analisando os motivos da derrota. Certo é que o Brasil foi derrotado porque levou mais gols do que fez. Simples assim. Em um jogo de duas equipes medianas venceu quem foi mais efetivo. Jogos decisivos entre equipes mais ou menos equivalentes se definem nos detalhes, e nos detalhes o Brasil perdeu um pênalti quando o jogo ainda estava empatado, e perdeu uma grande chance de gol, com Endrick, também ainda quando o jogo estava empatado. E aí veio um dos chavões do ...

30/06/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista resolveu dar um tempo esta semana.  Talvez o texto semanal retorne em 7 de julho de 2026. Talvez.

Passeando no Museu do Paço

Imagem
Porto Alegre, junho de 2026. Filho, Na quinta-feira passada, uma quinta-feira de junho de 2026, entre uma consulta e outra, antes de almoçar, me surgiu a oportunidade de visitar o Museu de Arte do Paço. Sabes? O Museu que está funcionando na antiga sede da Prefeitura, o antigo Paço Municipal de Porto Alegre. Parece que o prefeito se mudou para um prédio na esquina da João Manoel com a Siqueira Campos, a umas cinco quadras do antigo paço. O prefeito ir embora e deixar o antigo prédio à arte? Achei bom. Como é sabido, o prédio é antigo, se pensarmos em termos e tempos de Porto Alegre. É do final do século XIX. No saguão há uma breve história dele, inclusive informando que no tempo da monarquia, o governo da cidade era feito pela câmara de vereadores, no que imagino que deveria ser um, digamos, pequeno parlamentarismo. Depois veio a república, e com ela os intendentes, que com o tempo passaram a ser chamados de prefeitos. Um museu de arte. Inclusive chamado de Museu de Arte do Paço. Naque...

É 2026 e tem Copa do Mundo de novo, pai

Imagem
Pai, Estamos em 2026 e é Copa do Mundo de novo. Como aconteceu em 1966, em 1986 e em 2006. É, não teve Copa do Mundo em 1946. O mundo ainda ia se recuperando da Segunda Guerra Mundial. É Copa do Mundo de novo neste ano em que hipoteticamente farias 110 anos. Desde 1916. Sabes, pai, na semana passada eu disse que a Copa do Mundo ia começar e eu não sentia nada . Me sentia alheio. Mas desde que a bola começou a rolar, é praticamente impossível ficar alheio. Só se a pessoa se isolar em algum canto do mundo sem rádio, TV ou internet. Ou for totalmente indiferente ao futebol. Quem sabe? Apesar de tudo, pai. A Copa ocorre em três países, Canadá, Estados Unidos e México. A maioria das partidas ocorrerá nos Estados Unidos. E os Estados Unidos têm cometido todo tipo de arbitrariedade. Bombardearam o Irã, que está participando da Copa. Não permitiram que os jogadores do Irã ficassem hospedados em solo estadunidense. Barraram um árbitro somali. Interrogaram por horas um atleta iraquiano. ...

A Copa do Mundo 2026 vai começar e eu não sinto nada

Imagem
“... e eu não sinto nada / não sinto nada, não sinto nada” AnaVitória A Copa do Mundo de Futebol de 2026 vai começar e eu não sinto nada. Sim, começa na próxima quinta-feira, dia 11 de junho. Mas por enquanto não me emociono. Aliás, não só eu. Recentemente a Tati Bernardi publicou um texto em que ela relata sua indiferença com a competição que se aproxima . Uma pessoa das minhas relações que costumava comprar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo a cada Copa do Mundo, me disse que neste ano não se dedicaria ao hobby. No meu caso há alguns fatores. Acho que a idade está me fazendo ficar emocionalmente desapegado desse futebol que aí está. Talvez eu deva pensar também que uma seleção basicamente de jogadores que não jogam no Brasil me deixe desapegado. Não gosto do Flamengo nem do Palmeiras, mas acho que seria melhor uma seleção brasileira em que a maioria dos jogadores jogasse no Brasil, mesmo no Flamengo ou no Palmeiras. Não é o caso. No capitalismo tardio sob o qual vivemos os jogado...

Sessão de autógrafos: Aventuras e desventuras de um pai bem passado

Imagem
O tempo não para. Repito o chavão para comentar que hoje já faz um mês que o livro Aventuras e desventuras de um pai bem passado, de Rubem Penz, foi lançado e teve sessão de autógrafos. Foi em 24 de abril de 2026. E só agora paro para escrever. Sei lá quando publicarei.  Aventuras e desventuras de um pai bem passado é uma coletânea de crônicas escritas pelo Rubem, abordando a experiência de ser pai, em especial um pai sessentão de uma bebê. Um pai bem passado como diz o título.  O lançamento foi no restaurante Sabor de Luna, na Rua Freire Alemão, ali no Mont Serrat. O local foi escolhido porque também ali se realizam encontros da oficina literária do Rubem, a Santa Sede.  Minha passagem pelo evento foi breve. Apenas para adquirir um exemplar autografado e felicitar o autor.  Estou lendo o livro. Talvez eu publique um registro da leitura em algum momento do futuro.  . Rubem Penz e eu no clique de Carlos Hirschmann . 24/05/2026, 02/06/2026.

As extremosas no outono de Porto Alegre em 2026

Imagem
Dizem que Rubem Braga falava tanto em sabiás em suas crônicas que era comum que amigos lhe presenteassem com exemplares do bicho. Parece que naquele tempo não era de mau tom dar passarinhos enjaulados de presente. E parece que houve um momento em que Rubem Braga teve tantos sabiás em seu apartamento em Ipanema que ficava aborrecido com a algazarra, digo, o canto dos bichos engaiolados ao seu redor. Não sei se a história é verdadeira mas é verossímil.  As três ou quatro pessoas que acompanham os meus textos sabem que vez por outra eu comento sobre as extremosas (Lagerstroemia indica), essa arvorezinha que está espalhada por boa parte das ruas de Porto Alegre. Ou, pelo menos, pelas ruas por onde caminho, aqui na zona norte da cidade. Aquela arvorezinha não muito alta – eu diria que, em média, costuma ter uns dois metros e meio de altura –, e que produz flores cor de rosa no verão.  Para dar razão aos textos que escrevíamos no ensino primário – chamávamos esses textos de composiç...

Caros João e Márcia, pongamos que hablo de gratitud

Imagem
  Porto Alegre, maio de 2026 Caros João e Márcia, Há maneiras e maneiras de escrever uma mensagem de agradecimento.  Eu poderia começar relembrando o que a Márcia me escreveu no sábado, dizendo que esperava que eu já estivesse recuperado da viagem e excessos. Lembrou-me a canção de Jorge Drexler onde a letra informa que “fuimos cerrando, uno a uno, cuatro bares” e depois fala em “otra turné por el Madrid de los excesos”. Bueno. Nem creio que fiz tantos excessos assim. Assim, assim. Poderia dizer simplesmente que já havia me recuperado da viagem e dos excessos. A viagem – treze horas em aviões, mais os tempos de conexão – é mais estressante, bem mais estressante, que conhecer lugares novos, e beber e comer na companhia de amigos que te guiam pelos melhores lugares que eles conhecem na cidade do Porto. Sobre comer e beber e caminhar e passear acho que nossos excessos foram moderados.  Eu poderia continuar relembrando justamente essas caminhadas que começaram por uma ida à r...

Tom Saldanha está gripado

Tom Saldanha - fotografia e colecionáveis. Está na placa. A loja fica no coração do Bairro Moinhos de Vento, entre a 24 de Outubro e a Florêncio Ygartua.  Por conta de minhas frequentes idas ao bairro por conta de consultas, é comum que eu faça uma breve visita vez por outra.  Segunda passada fiz isso. Passei pela loja do Tom, por volta das quatro da tarde. A loja estava fechada. Luzes apagadas. Nenhum sinal de Tom.  Entrei em contato. Tom me informou que estava gripado. Estava em casa se recuperando. Por conta disso, não pôde abrir a loja. Influenza. Claro que me lembrei de Gay Talese e sua reportagem Frank Sinatra está resfriado, a qual cito e volto a citar vez por outra. Mas ao contrário da atitude de Sinatra em relação a Talese, Tom não se recusou a falar comigo, nem tem um séquito de funcionários e agregados, aos quais eu pudesse recorrer para traçar um perfil biográfico. Inclusive eu não estive lá no Moinhos de Vento para fazer reportagem. Apenas para ver um amigo....

05/05/2026: sem publicação

  O blogueiro metido a cronista está sem inspiração.  Além disso ele estará de folga a partir da próxima semana por, talvez, duas semanas.  Talvez o texto semanal retorne em 26 de maio de 2026. Talvez.

Dias de outono meridional em 2026

Esta semana estive sem inspiração.  Não que não haja assunto, mas falar do Nero Laranja? Dos governos fascistas aqui e acolá? Não, né? O que mais me vem à cabeça é o outono. Outono no hemisfério sul. Falar nisso, eu continuo achando que mapas publicados no hemisfério sul deveriam ser representados com o hemisfério sul na parte de cima. Um mapa é uma convenção, e a convenção de quem vive no sul não precisa ser a mesma de quem vive no norte.  Divago.  Outono no hemisfério sul. Na nova volta da esfera azul em torno do Sol, nós que vivemos à altura do paralelo trinta meridional vamos mergulhando nas trevas. Perdemos várias horas de luz solar entre o início do verão e o início do inverno. E como sinto falta dessa luz. Não sinto falta do calor que oprime, mas da luz sim. E se aguentar o calor é o preço para ter a luz, eu pago.  Na escuridão uma barata pode acabar se tornando um monstro nas nossas sensibilidade e imaginação distraídas.  Outono. O Sol se põe às dezoito,...

Canção para Hal

Imagem
Sou um fã da banda irlandesa U2 desde o álbum The Joshua Tree, lá por 1987, que talvez coincida com o tempo em que a banda se tornou uma “mega” banda, isto é, de sucesso estrondoso. Na época em que ainda se comprava álbuns em mídia física, adquiri The Joshua Tree, Achtung Baby, Zooropa, All That You Can’t Leave Behind e How to Dismantle an Atomic Bomb. Não são todos os álbuns entre 1987 e 2004, mas a maioria deles.  E então passei por uma fase de afastamento. Mais ou menos como acontece às vezes quando a gente, por um motivo ou outro, se afasta de um amigo.  Depois os serviços de áudio por demanda, também conhecidos como streaming, me deram a oportunidade de retomar, digamos, intimidade com as canções da banda. Pude escutar as canções de No Line On the Horizon, Songs of Innocence e Songs of Experience. E enquanto eu lia as memórias de Bono em Surrender , pude ouvir canções dos álbuns Boy ou War.  Enfim, só para dizer que sou um fã.  Depois do álbum Songs of Surrender...

Cara Vivi (II), nem tudo é tão lindo no Rio de Janeiro

Imagem
Porto Alegre, abril de 2026. Cara Vivi,  Amamos o Rio de Janeiro, principalmente aqueles de nós que podem desfrutar suas áreas mais turísticas. E em minhas mensagens com loas à exuberante cidade, vinha evitando falar das suas mazelas. Sim, obviamente as há, e obviamente são muitas. Acho que a prosa que mais me tocou sobre as mazelas do Rio de Janeiro é a que me vem através das crônicas da genial Fernanda Torres. Fernandinha (sim, Fernandinha. Fernanda Torres é tão genial e tornada tão ícone do Brasil que a gente se acha no direito de se declarar íntimo) consegue falar sobre os recorrentes problemas do Rio de Janeiro entre a denúncia e a ironia, nos suscitando mais o riso amargo que o rancor. Se não “nos suscitando”, pelo menos “suscitando-me”.  Enfim… Me chamaram a atenção dois textos recentemente publicados. Recente é de fevereiro para cá.  Um foi um relato do repórter Danilo Marques na edição de fevereiro de 2026 (edição 233) da revista Piauí  (infelizmente disponí...

Diário – leituras – Os anos

Imagem
Annie Ernaux é a escritora francesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2022. E isso me levou a adquirir o livro Os anos há três anos. Os anos há três anos.  Concluí a leitura na primeira quinzena de dezembro passado.  Os anos é um trabalho de memória da autora. É como se ela visitasse seu álbum de fotografias, com imagens que vêm desde sua infância, e isso servisse de estímulo para suas lembranças. As lembranças iniciais são do período logo após o final da Segunda Guerra Mundial, na França. Depois seguem o ciclo de uma vida. A adolescência, a juventude, a vida adulta incluindo a vida profissional, casamento, filhos. Divórcio. Aposentadoria.  Junto com as lembranças pessoais há toda uma rememoração social. Desde a falta de saneamento básico na infância, passando pelo surgimento dos diversos aparelhos elétricos criados para facilitar o trabalhos doméstico, passando também pelos ciclos políticos, da França e do Mundo, passando ainda pelos produtos de consumo.  ...

2026, sexagésimo ano, ano do Cavalo do Fogo

Imagem
E assim chego ao sexagésimo ano. Novamente um cavalo de fogo, sessenta anos após o ano em que nasci.  O que pode significar plenitude, um ciclo completo.  Ou simplesmente velhice.  Não reclamo. Apenas constato. Comento.  Não há do que reclamar. Tem sido mais bom do que mau.  Talvez mesmo uma vida acima da expectativa que se tinha quando nasci em 1966. Ano da Graça do Senhor de 1966. Ano do Cavalo de Fogo.  Passando por um cavalo de terra em 1978, um cavalo de metal em 1990, um cavalo de água em 2002 (e lembrando que em 2002 foi o último ano em que a seleçao brasileira de futebol masculino ganhou a Copa do Mundo da categoria), um cavalo de madeira em 2014 (ano do infame 7 a 1, que deixou um tanto de gente traumatizada. Mas o meu trauma em futebol havia sido superado com a conquista de 1994. 1994 não foi ano do cavalo). Agora são tempos de balanços. Já dá para olhar para trás e avaliar perdas e ganhos.  É tempo de se distrair e esquecer pequenas coisas a...

Um Domingo de Ramos no século XXI

Imagem
“Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” Tiago já era um homem velho.  De repente, recebeu uma mensagem de um amigo desejando-lhe um Feliz Domingo de Ramos. Surpreendeu-se. Já era o domingo que precedia a Semana Santa novamente.  Tiago pensou no que vivera e das fases que tivera na vida. E pensou no ditado que diz que “o diabo sabe mais por ser velho do que por ser diabo”. Por ser velho, Tiago achava que talvez já soubesse alguma coisa. Entretanto também sabia que nada sabia, repetindo a frase atribuída ao antigo grego chamado Sócrates.  No fim de sua adolescência, Tiago era religioso e idealista. Fervoroso. Fanático alguns poderiam dizer. Achava que se todos fossem cristãos como ele era, o mundo seria melhor. Mas a frase em epígrafe que abre esse texto o marcava. Foi ouvida em alguma pregação lembrada por algum ministro também idealista. Uma frase que era interpretada como uma profecia. Quando Jesus voltasse, talvez nem encontrasse fé em Deus. Na ...

Sobre celebrar São Patrício em 2026

Imagem
João já era oficialmente um idoso. Tinha chegado à tal provecta idade há não muito tempo.  Sobre ser idoso, pensa rasamente. Ser idoso é ter lembranças de muitas coisas. Ser idoso é ter de lidar com as crescentes limitações do corpo. Ou talvez pensasse em algo mais profundo. Ser idoso é fazer analogias entre o que ele lembrava que vivera e o que as pessoas que eram idosas quando João era jovem diziam e lembravam. E também fazer analogias sobre o que ele lembrava vivera e o que lera nos livros de História. Se é que isso é pensar mais profundo.  Nesse ano de 2026 João refletia se ele agora se sentia em um mundo como aquele em que as pessoas haviam vivido nos tempos sombrios dos anos 1930.  E João pensava que sim e não. Se a figura de Adolf Hitler era assustadora já em 1938, o ex-cabo austríaco não tinha capacidade de lançar bombardeios em qualquer parte do mundo, assassinar ou sequestrar lideranças de nações com a facilidade com que o autocrata do norte faz hoje.  João...

Dia de São Patrício e sexta-feira, 13

Imagem
Quando a sexta-feira cai no décimo terceiro dia do mês isso é considerado de mau augúrio. Ou era. Não tenho certeza. Certo é que nesse ano de 2026 já tivemos duas, uma em fevereiro e outra em março. Outra nos aguarda em novembro próximo. O Dia de São Patrício, ou, em bom português, o Saint Patrick’s Day, dia do santo padroeiro da Irlanda, é 17 de março. Que nesse ano de 2026 cai em uma terça-feira.  Sobre sextas-feiras, 13, não consigo lembrar de nada de mau que tenha me acontecido, fosse em 13 de fevereiro, ou no 13 de março. Sempre dá para lembrar a grande guerra na Europa, os ataques ao Irã, e os conflitos quase esquecidos no Sudão ou no Congo. Mas esses eventos estão aí ou há anos, ou entre um dia 13 e o outro.  Como o Dia de São Patrício é dia 17, houve estabelecimentos comerciais celebrando a data desde… A sexta-feira, 13 de março. O que, se não chega a ser um bom augúrio, já é um desafogo. Assim, tenho visto gente celebrando o Dia de São Patrício na sexta-feira, 13; no ...

Um livro que chegou em fevereiro de 2026: 1985: o ano que repaginou a música brasileira

Imagem
Durante os tempos da peste, escrevi vários textos. Tantos que um livro surgiu disso. Naqueles dias as tele-entregas e os produtos para levar tiveram uma espécie de apogeu. Entre os textos que escrevi naquela época, houve uma pequena série sobre objetos que chegavam. Inclusive livros . Pois bem, estou relembrando tudo isso porque na segunda quinzena de fevereiro passado recebi o livro 1985: o ano que repaginou a música brasileira. O livro foi publicado no final de 2025, e houve uma sessão de lançamento no início de dezembro na Livraria Bamboletras, à qual não pude ir. Pedi ao colega blogueiro e escritor Emilio Pacheco  que guardasse um exemplar para mim. Nesse dia de fevereiro tivemos a oportunidade de almoçarmos juntos e ele me entregou o livro, que veio com os autógrafos dele mesmo, Emilio Pacheco, mais os autógrafos de Juarez Fonseca, Márcio Pinheiro e Zeca Azevedo, os autores gaúchos; e ainda o autógrafo do organizador, Célio Albuquerque.  O livro é um tijolo de umas quinhe...

Cara Silvia Cambará

Imagem
Porto Alegre, fevereiro de 2026 Cara Silvia Cambará Este é um texto cheio de prolegômenos. No ano da Graça de 2025 participei de uma oficina literária de criação de crônicas que homenageou o escritor Otto Lara Resende. Acredito que ele, o Otto, regule de idade contigo. Além de escritor e jornalista ele também foi adido cultural nas embaixadas brasileiras em Bruxelas e Lisboa. Nessa oficina os participantes se dedicaram a escrever crônicas em formato de mensagens. Estas mensagens podiam ser para pessoas vivas ou mortas, reais ou ficcionais. Essas crônicas-mensagem, e outras explorando a etimologia de palavras, geraram um livro.  Foi nesse contexto que primeiramente pensei em te escrever, mas há tanta gente a quem podemos endereçar mensagens, que a mensagem para ti acabou não sendo criada a tempo de ir para o livro. Digamos que foi adiada. Pois aqui vai essa mensagem (vale ressaltar que não sei como se comunicam as pessoas por aí onde estás agora. Sei que em 1946 as pessoas se comuni...