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Mostrando postagens com o rótulo Carnaval

Um longo Carnaval para Porto Alegre

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  Na anedótica citação de José Simão, o Carnaval na Bahia não termina. Ou termina. Quando um Carnaval termina, imediatamente começa o próximo. Ou talvez ele não tenha dito isso e a minha imaginação esteja inventando. Vai saber. Meu colega Bruno, por outro lado, dizia, talvez ainda diga, que Montevidéu tem o mais longo Carnaval do mundo (vejam como as pessoas são capazes de expressões hiperbólicas). Os montevideanos passam o mês de fevereiro celebrando o Carnaval, com murga e candombe. Mas, em geral, apenas nos finais de semana e em lugares fechados, como parques, praças, ginásios.  E Porto Alegre?  Já se vão vários anos desde que o desfile de escolas de samba de Porto Alegre foi tirado da região central da cidade e levado para a periferia da zona norte, na região do Porto Seco.  Ano passado, o Carnaval foi proibido na Cidade Baixa, justamente o bairro mais boêmio do município. Quem tentou celebrar, em tentativa de resistência, foi violentamente reprimido.  Pois ...

Junto e misturado: Dia de São Patrício e o Carnaval Extemporâneo de Porto Alegre em 2025

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Neste ano de 2025 aconteceu essa coincidência no calendário de eventos de Porto Alegre. Depois de o prefeito – aquele sob o qual Porto Alegre foi afogada no ano passado – ter proibido o Carnaval, durante o período de Carnaval, sob a orientação do Ministério Público, no bairro boêmio da Cidade Baixa – relatos dão conta que a Brigada Militar reprimiu com violência tentativas de celebração na madrugada de sábado, 1º de março passado  – , as escolas de samba e outras entidades porto-alegrense realizaram seus desfiles nas noites de 14 e 15 de março, na passarela do Porto Seco, na zona norte da cidade.  Bem, aconteceu que esse final de semana é o final de semana que antecede o Dia de São Patrício, ou, em bom português, o Saint Patrick’s Day, o santo padroeiro da Irlanda. E o Saint Patrick’s Day costuma ser um evento que tem sido celebrado em Porto Alegre, mais ou menos desde o início desse século XXI. A data é aproveitada pelas pequenas cervejarias e pubs temáticos, que usam a celeb...

Teve Carnaval no Carnaval de 2025

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E o Carnaval no Carnaval de 2025 nem foi por causa do Carnaval em si.  Acontece que uma produção brasileira, pela primeira vez, ganhou o Oscar de filme estrangeiro. E casualmente coincidiu que a data da Festa do Oscar ficou junto com o nosso Carnaval. Ainda Estou Aqui foi o primeiro filme brasileiro a vencer na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Ele também concorria nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. Dificilmente uma produção ganharia como Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro na mesma premiação, embora não me pareça impossível, nem incoerente. E Fernanda Torres perdeu, mas só a indicação já consagrou-a. De qualquer maneira Torres já foi melhor atriz em Cannes, há quase quarenta anos; e já venceu o Globo de Ouro por melhor atuação dramática, justamente com Ainda Estou Aqui.  Eu, no meu melhor espírito carnavalesco, não acompanhei a premiação do Oscar. De fato, apesar de recentes aberturas como a vitória do sul-coreano Parasita na categoria d...

Se fantasiar de índio?

Não pode! Não podia. Nunca pôde.  Quer dizer, não é que não pode. Não convêm propor regra (devo dizer que originalmente pensei em escrever cagar regra, mas então achei obsceno, e a seguir me dei conta que cagar regra já virou citação clichê nas redes sociais telemáticas, assim seguimos com propor regra), para depois muitos transgredirem-na. Então, não é que não pode, mas não é de bom tom para pessoas esclarecidas.  É Carnaval, mas não convém colocar fantasia de índio.  Aliás, como temos evoluído, talvez seja melhor nem chamar de índio. Tenho lido muito os termos “povos originários”. Povos originários da América. Os descendentes dos que por aqui habitavam antes da invasão europeia. Na escola aprendíamos essa invasão como colonização.  Assim como não costumamos chamar europeus de europeus, mas de portugueses, espanhóis, italianos, etc, porque cada um com suas peculiaridades e, sim, seus clichês (segunda vez que uso clichê em três parágrafos). Talvez devêssemos chamar d...

Alívio no Carnaval

Escrevo no sábado de Carnaval, 18 de fevereiro de 2023.  De alguma forma parece irônico que a temperatura tenha caído drasticamente, justamente em um feriado prolongado, quando boa parte da população de Porto Alegre gosta de se jogar para a praia.  Mais irônico ainda que uma bolha de calor colossal tenha precedido esta frente fria que fez com a temperatura caísse para níveis outonais (falta cerca de um mês para o início do outono). Essa bolha de calor nos trouxe temperaturas próximas de 40º C, e sensações térmicas bem além disso. Aquelas temperaturas que na Europa matam idosos desidratados sem que eles percebam. Aquelas temperaturas que fazem com a pele pareça estar fritando se ficamos expostos mais de quinze minutos ao sol. Aquelas temperaturas que fazem jus a um apelido da cidade nos dias mais quentes do verão: Forno Alegre.  Se, em geral, acho que Porto Alegre é uma cidade de temperaturas amenas, nos dias de calor extremo, tenho que discordar de mim mesmo. Nos dias de ...

Diário da Peste (LXVI) - Era Carnaval mas não tinha Carnaval, tinha Guerra

O último Carnaval devidamente celebrado no Brasil foi em fevereiro de 2020, já sob a sombra da peste, que se insinuava desde a China, e desde a Itália.  Estou escrevendo em uma segunda-feira, que deveria ser Carnaval.  Em tempos que hoje chamamos normais, antes do advento da peste, as celebrações teriam começado na semana anterior. Tipo quinta-feira. Haveria eventos, como “aquecendo tamborins”, “baile de grito de Carnaval”, “pré-Carnaval no salão”.  Em lugar disso, quinta-feira passada tivemos as notícias do início da guerra aberta entre Rússia e Ucrânia. O que gera uma, mais uma, tristeza tremenda.  E a guerra se torna inescapável, porque uma guerra na Europa ocupa as primeiras páginas nos jornais, e o topo nos saites de notícias. Sendo que nestes últimos há abundância de fotos e vídeos.  Como disse a Tati Bernardi , uma guerra na Europa, praticamente ao vivo e em cores, se junta ao nosso cotidiano de um dos países mais violentos do mundo.  Não me interess...

Parecia sábado

Era uma segunda-feira, que parecia sábado.  Eu ainda na ativa, em ritmo de aposentado.  Meio-dia de verão, calor de fevereiro. Aguardo o busu, na sombra sob o abrigo O compromisso é de almoço, num shopping O ônibus aparece, vai lentamente, Na cidade ainda preguiçosa, silente.  Vou lendo as notícias, na paisagem conhecida A viagem demora um tanto, o veículo vai preguiçoso,  Nada, nada buliçoso De repente, já perto do destino  Uma surpresa, momento supino No banco a meu lado, vinda do fundo do bus Senta, ágil, uma menina  Pele muito branca, quase transparente Sainha abaixo da metade da coxa Em cima um bustiê Tenis brancos,  Com brancas meias, Só até os tornozelos Não sei se alta de tão magra,  Ou se magra de tão alta, Será eterna vítima de bullying, uma saracura? Ou se tornará como la Bündchen, uma belezura? A idade eu não soube identificar Adolescente ou pré-adolescente De relance, ao olhar seu ...

A Musa do Carnaval

A Musa do Carnaval Cena 1: No final da tarde daquela quarta-feira Ludwig caminhava pela Rua da Praia com a intenção de voltar para casa. Quando estava na altura da esquina com a Uruguai, começou a ouvir uma batucada: "tum-dum, ski-dum, tum-dum"... Taróis, surdos, ... Normal. Era quarta-feira de vésperas dos Carnaval. neste ano o Carnaval caiu tarde, quase no outono. Ludwig pensou como tinha sido importante ler num livro sobre a Idade Média, que naquele tempo, a Idade Média, a Igreja Católica determinou que a Páscoa seria comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que surgisse após 15 de março. Determinada a data da Páscoa era só contar 40 dias antes e determinar o Carnaval. Simples. Como era quarta-feira, às vésperas do Carnaval, Ludwig pensou que talvez fosse um bloco se apresentando por ali. Estaria Porto Alegre copiando os blocos do Rio de Janeiro que desfilam e espalham a batucada por diversas partes daquela cidade no período carnavalesco? Ludwig alcanç...