Diário – leituras – Os anos
Annie Ernaux é a escritora francesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2022. E isso me levou a adquirir o livro Os anos há três anos. Os anos há três anos.
Concluí a leitura na primeira quinzena de dezembro passado.
Os anos é um trabalho de memória da autora. É como se ela visitasse seu álbum de fotografias, com imagens que vêm desde sua infância, e isso servisse de estímulo para suas lembranças. As lembranças iniciais são do período logo após o final da Segunda Guerra Mundial, na França. Depois seguem o ciclo de uma vida. A adolescência, a juventude, a vida adulta incluindo a vida profissional, casamento, filhos. Divórcio. Aposentadoria.
Junto com as lembranças pessoais há toda uma rememoração social. Desde a falta de saneamento básico na infância, passando pelo surgimento dos diversos aparelhos elétricos criados para facilitar o trabalhos doméstico, passando também pelos ciclos políticos, da França e do Mundo, passando ainda pelos produtos de consumo.
Não é um trabalho de História Social. Todas essas lembranças são recriações do que ficou na mente da autora em seus mais de oitenta anos de vida. Ou por volta de seus sessenta, época que presumo que o livro foi escrito. Por isso pode ser mesmo conceituado como literatura, inclusive mesmo ficção. Aprendi coisas novas do livro.
Achei esse inventário de lembranças apoiadas em fotografia cansativo em alguns momentos. Gostei mais quando o livro se aproximou do final e a autora refletiu sobre tudo o que escreveu e sobre seu método de escrita.
ERNAUX, Annie. Os anos. São Paulo: Fósforo, 2021. Tradução de Marília Garcia.
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15/03/2026, 11/04/2026.
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