XXI, o primeiro quarto do século se passou
Um pensamento que me ocorreu nesses primeiros dias de janeiro de 2026 foi que um quarto do século XXI já se encerrou. Para quem, como eu, nasceu na segunda metade do século XX, isso é um pouco espantoso.
Um pouco espantoso…
Uma das mais antigas lembranças de minha infância é sobre um álbum de figurinhas sobre a Corrida Espacial, aquela que se desenrolou entre o final dos anos 1960 e início da década seguinte, quando os Estados Unidos levaram astronautas a caminhar sobre a Lua.
E foi também nessa época que alguém me disse (quem?) que eu teria pouco mais de trinta anos no ano 2000. Obviamente para uma criança em fase de alfabetização, pensar nela mesma com trinta anos era uma grande abstração, algo inimaginável. Mas essa informação ficou na minha cabeça.
Alguns anos mais tarde, no final da infância, passou pela minhas mãos um livro direcionado ao público infanto-juvenil. Uma publicação do final dos anos 1960. Não lembro o nome. Um livro grande, de capa dura e ilustrado. A única lembrança que me ficou desse livro foi a especulação de que haveria viagens turísticas da Terra a Marte no ano 2000. Uma viagem em três estágios, um deles da Terra à Lua. Na Lua haveria uma conexão para uma das luas de Marte. E então outra conexão para o Planeta Vermelho propriamente dito. Talvez não fosse exatamente assim, mas é como me lembro. No final dos anos 1960 se especulava que em cerca de trinta anos o espaço estaria colonizado e passearíamos pelo Sistema Solar. Pelo menos os mais afortunados de nós, seres humanos. Talvez o texto pensasse nos futuros turistas espaciais como os turistas que podiam viajar de avião nos anos 1960.
Mais tarde, adolescente e jovem, e evangélico fundamentalista (e talvez dispensacionalista. Quem quiser pode consultar esses conceitos), o ano 2000 se tornou da esperança do retorno de Jesus à Terra para o juízo final. Eram os anos 1980. E a maçaroca desse imaginário misturava profecias bíblicas, escritos de Nostradamus e a corrida armamentista entre Estados Unidos e a então União Soviética.
É, então o ano 2000 estava posto como o tempo do fim do mundo.
Mas no final daquela mesma década de 1980 o muro de Berlim caiu, a Alemanha foi unificada (pode-se alternativamente dizer que a Alemanha Ocidental absorveu a Alemanha Oriental, mas deixemos essa discussão para especialistas), o comunismo acabou (basicamente), a própria União Soviética, baluarte desse tipo de comunismo, extinguiu-se.
Vieram os anos 1990 com a difusão de um novo liberalismo econômico e esperanças na democracia representativa. Os acordos de Oslo e da Sexta-Feira Santa pareciam indicar a paz na Palestina e na Irlanda.
Talvez o ano 2000 não marcasse o fim do mundo afinal.
Às vésperas do ano 2000 fomos informados da ameaça do “bug do milênio”, segundo o qual os computadores pelo mundo inteiro iriam entrar em colapso porque velhos sistemas de computação criados nos anos 1950 continuavam funcionando e contavam datas sem a indicação do século, ou seja, quando a data 31/12/1999 virasse para 01/01/2000, esses sistemas pensariam que estariam entrando em 01/01/1900, porque as datas desses sistemas foram montadas da seguinte maneira: 01/01/00. Houve até um episódio da série Simpsons dedicado a isso. Hoje as pessoas tendem a pensar que essa ameaça foi algo superdimensionado, pois basicamente nada aconteceu. Mas algo aconteceu. Muitos profissionais dedicaram horas de trabalho para erradicar ou diminuir o risco da ameaça.
E assim, o mundo de primeiro de janeiro de 2000 não foi muito diferente daquele de 30 de dezembro de 1999.
Escritas todas essas lembranças, mais de 25 anos já se passaram desde o ano 2000. Crianças nascidas no ano 2000, aliás, um ano do dragão, segundo a astrologia chinesa, hoje são adultas.
A escritora Avelina Gastal também escreveu uma crônica sobre o primeiro quarto deste século XXI, e ela fez um estonteante inventário de fatos históricos pelos quais passamos nesses anos, dos ataques aos Estados Unidos, em especial ao World Trade Center, à invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão e ao Iraque, e à retomada do Afeganistão pelo Talibã. Ou do Governo Lula ao Governo Lula no Brasil, passando por Dilma, Temer e Bolsonaro. Vale conferir e rememorar o que ela lista.
E aqui estamos. 2026. Pensando um pouco, me é um pouco espantoso. É muito tempo. É pouco tempo. Depende da perspectiva.
Estarei por aqui daqui a 25 anos, quando o século XXI chegar à sua metade? Talvez. Talvez não…
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Imagem feita com a IA Whisk
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10, 11, 12/01/2026.
Perfeito!
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