Postagens

Mostrando postagens com o rótulo leituras

Diário – leituras – Os anos

Imagem
Annie Ernaux é a escritora francesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2022. E isso me levou a adquirir o livro Os anos há três anos. Os anos há três anos.  Concluí a leitura na primeira quinzena de dezembro passado.  Os anos é um trabalho de memória da autora. É como se ela visitasse seu álbum de fotografias, com imagens que vêm desde sua infância, e isso servisse de estímulo para suas lembranças. As lembranças iniciais são do período logo após o final da Segunda Guerra Mundial, na França. Depois seguem o ciclo de uma vida. A adolescência, a juventude, a vida adulta incluindo a vida profissional, casamento, filhos. Divórcio. Aposentadoria.  Junto com as lembranças pessoais há toda uma rememoração social. Desde a falta de saneamento básico na infância, passando pelo surgimento dos diversos aparelhos elétricos criados para facilitar o trabalhos doméstico, passando também pelos ciclos políticos, da França e do Mundo, passando ainda pelos produtos de consumo.  ...

Diário – leituras – Hospitalares

Imagem
Edgar Aristimunho é conhecido nos meus registros. Há um texto sobre minha leitura de seu livro O Homem Perplexo . Há referências ao seu Diário do Confinamento nos textos que compõem o meu Diário da Peste . Além disso participei junto com ele na coletânea de crônicas conto Histórias Stanislawianas publicada em 2023 . Edgar Aristimunho distribuía o Diário do Confinamento via aplicativo de mensagens, como se fosse uma newsletter. O confinamento acabou e ele iniciou os Diários Ocasionais pelo mesmo veículo de comunicação. Então parei de receber os Diários Ocasionais. Imagino que ele os tenha parado de escrever.  Agora ele publicou pela Santa Sede Editorial este livro chamado Hospitalares. Ou com um subtítulo, Hospitalares (fragmentos). Para mim ler esse livro foi como ouvir a voz de Aristimunho, como quando eu ouvia em minha cabeça cada vez que lia algum capítulo dos Diários do Confinamento ou dos Diários Ocasionais. Contudo, se é a mesma voz, as circunstâncias são diferentes. Se nos ...

Início de 2026, um balanço de leituras

Imagem
Início de ano é sempre época de balanços e avaliações.  Primeiros dias de janeiro de 2026 e retornei ao começo do livro Diário Estoico, escrito por Ryan Holiday e Stephen Hanselman. Se trata de um livro de reflexões a partir de citações de filósofos estoicos da Antiguidade, em especial Sêneca e Epíteto. Sendo este um livro de reflexões diárias, retornar ao início significa que voltei para janeiro, depois de tê-lo lido de janeiro a dezembro de 2025. Ué? Mas já não leu? Sim, li e esqueci a maior parte do que li nos 365 dias de 2025. Retornando, como eu disse no ano passado , e agora há pouco, é um livro de reflexões filosóficas. Muitas pessoas religiosas se dedicam a ler livros de reflexões religiosas. Para as pessoas religiosas, estes livros são chamados de devocionais. Quando eu era jovem e crente havia um livro assim, chamado Mananciais no Deserto, escrito por Lettie Cowman. Eu nunca o li (li outros devocionais), mas muitas pessoas passavam, e possivelmente ainda passem, o ano len...

Diário – leituras – O rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino

Imagem
O título é relativamente autoexplicativo. Este livro junta várias e várias cartas que o jornalista e escritor Otto Lara Resende enviou ao também jornalista e escritor Fernando Sabino ao longo de vários anos. Otto Lara era um missivista compulsivo. Não à toa, os Correios lançaram um selo em homenagem a ele pouco tempo após a sua morte.  As cartas são apresentadas em ordem cronológica, agrupadas pelas cidades de onde Resende escrevia. São cartas a partir de Belo Horizonte, na década de 1940; de Bruxelas, na década de 1950; do Rio de Janeiro, em meados da década de 1960; de Lisboa no final da década de 1960 e início da década seguinte.  Os assuntos são variados, mas principalmente impressões sobre livros, dele Otto, de Sabino e de amigos de ambos; manifestações de saudades; questionamentos sobre o tempo e o clima; combinações de viagens. Entre as cartas de Lisboa, em alguns momentos, transparece o clima anuviado do regime militar no Brasil, com prisões arbitrárias e vida na cland...

Diário – leituras – O Crepúsculo da Águia

Imagem
Tudo começou em um balaio de ofertas na Feira do Livro de Porto Alegre de 2024. Não lembro de qual livraria. Certamente um sebo. Vi nesse balaio alguns volumes dessa saga, que conta de maneira romantizada, as vidas e as cortes da casa real inglesa, os Plantagenetas, a partir de meados do século XII, na chamada Baixa Idade Média.  Este livro, O Crepúsculo da Águia, é de fato o primeiro dos que encontrei no balaio do qual falei no parágrafo anterior. Há uma diferença de trinta anos entre as edições dele (de 1977) e a de Prelúdio de Sangue sobre o qual escrevi antes (de 2007).  Neste segundo capítulo da saga a autora continua narrando a vida de Henrique II Plantageneta, agora na sua maturidade. Os conflitos com a esposa Eleanor de Aquitânia, e com os filhos, Henrique, Ricardo e João. E também a relação conflituosa com o rei da França, de que Henrique II é, ao mesmo tempo, vassalo e adversário.  Como eu já disse essa série de livros é baseada em fatos históricos acontecidos ...

Diário – leituras – Semvergonho

Imagem
Como é meu costume, meses se passaram entre o fim da leitura do livro Semvergonho e a minha disposição de fazer o registro da leitura. Nesse caso, foram mais de três meses.  Semvergonho: crônicas com e sem noção é o livro de estreia do escritor Tiago Maria. Tiago Maria é cronista e também já se arriscou em uma ficção folhetinesca (Inferninho, que aguarda na pilha de livros, sua vez de ser lido). Trabalha mais com a prosa, mas uma prosa que em alguns momentos toma ares de poesia.  São pouco menos de cem crônicas, agrupadas por temas. O forte do livro são as reminiscências do autor, sejam elas reais ou imaginadas. Em geral são crônicas bem humoradas. Algumas com uma pimentinha, em especial aquelas agrupadas sob o tema “sexualidade”.  E embora o bom humor compareça vigorosamente, também há seriedade e denúncia social, caso crônica Iphome, dentro da temática “nonsense”. Ainda no nonsense, eu destaco Intervenção, tipo de oração torta. Eu falei que o autor é bem humorado? ...

Diário – leituras – Prelúdio de Sangue

Imagem
Tudo começou em um balaio de ofertas na Feira do Livro de Porto Alegre de 2024. Não lembro de qual livraria. Certamente um sebo. Vi nesse balaio alguns volumes dessa saga, que conta de maneira romantizada, as vidas e as cortes da casa real inglesa, os Plantagenetas, a partir de meados do século XII, na chamada Baixa Idade Média.  Contudo o livro se inicia com Eleonore de Aquitânia. A Aquitânia era um ducado que ficava no sudoeste de onde atualmente é a França. E o livro vai terminar com o rei Henrique II, da Inglaterra, o primeiro rei Plantageneta.  O livro, de fato, essa série de livros, é baseada em fatos históricos acontecidos há quase novecentos anos. Mas acho que não devemos tomar o que é narrado ali como História, pois, afinal é vendido como ficção, romantização.  Pensando em termos técnicos de literatura, o narrador, ou a narradora, é onisciente. Quem conta a história sabe o que acontece dentro da cabeça das personagens.  A autora usa muito diálogos para conta...

Diário – leituras – Embarque imediato

Imagem
Tenho o costume de ler um livro e, depois, comentar sobre a leitura, fazer um registro. Também tenho o costume de demorar algum tempo entre o final da leitura e escrever o registro. No caso deste livro é ainda um pouco mais complicado.  Este livro, Embarque imediato, é uma coletânea de seis relatos de viagem, feitos pelos autores, após participarem de uma oficina literária para criar relatos de viagem. A oficina foi organizada por Zizo Asnis. As autoras e autores são Cris Ribeiro Marques, Isabella Guerra, Lígia Rosso, Marcel Souza, Sônia Friedrich Maus e Wesley Faraó Klimpel.  Adquiri o livro do meu colega de inúmeras oficinas literárias de crônicas, e amigo, Marcel Souza. E isso foi lá por fins de 2022. Logo que comprei o livro, li o relato que ele escreveu sobre suas andanças pela Rússia durante a Copa do Mundo de Futebol de 2018.  Depois o livro ficou encostado na pilha de livros a serem lidos.  Acho que resolvi retomar a leitura e ler os outros relatos, impulsion...

Diário – leituras – On the road, Pé na Estrada – Fim de leitura

Imagem
Já se vão alguns dias desde que, afinal, terminei de ler On the road, ou Pé na estrada; o clássico livro da  geração beatnik estadunidense, traduzido ao português brasileiro por Eduardo Bueno.  Antes, há relativamente pouco tempo, eu havia escrito um comentário sobre opções de tradução .  Agora, terminada a leitura, dá para escrever esse breve registro, como costumo fazer de uns tempos para cá. On the road, escrito nos anos 1950, narra as aventuras, chamemo-las aventuras, de Sal Paradise, um candidato a escritor e Dean Moriarty, seu amigo, por quem Sal tem certa veneração. As histórias narradas no livro acontecem no final dos anos 1940. Sal e Dean passam a maior parte da narrativa cruzando os Estados Unidos de leste a oeste, e vice-versa. As principais cidades, pontos de partida e chegada costumam ser Nova York e San Francisco, ou San Francisco e Nova York. Outra cidade bastante citada no livro é Denver. Também há passagens por Chicago e Nova Orleans. Várias outras cidade...

Diário – leituras – Talvez você deva conversar com alguém

Imagem
Talvez você deva conversar com alguém. Eis um livro interessante. Ele tem um subtítulo assim: Uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida de todos nós. Poderíamos dizer que é um relato que uma terapeuta, a autora, faz de uma série de casos de seus pacientes, e também o relato que ela faz sobre como ela mesma precisou procurar um psicoterapeuta. Mas há um grande porém aí. Uma psicoterapeuta não pode escrever livros relatando os casos de seus pacientes. Seria uma quebra de sigilo ético. Dessa forma, ela precisou trocar nomes, por exemplo. Além disso, ela mesma relata na, digamos, metodologia para a escrita do livro, que ela juntou alguns casos em uma mesma pessoa. Então também podemos pensar que este é um bom livro para refletirmos sobre as questões de fato e de ficção, ou de literatura e de história. Acho que devemos pensar que Lori Gottlieb conta histórias mais ou menos baseadas em fatos reais. Falar nisso me faz pensar na escritora Svetlana Alexievich, Nobel de Literatura. Contudo os rel...

Diário – leituras – A Era dos Dogmas e das Dúvidas

Imagem
Para mim, ler esse livro foi um pouco como voltar ao passado. Li os livros anteriores desta série de Justo L. González lá por meados dos anos 1980, quando eu era jovem, e um crente evangélico engajado. A série de livros se propõe a contar a História do Cristianismo desde o tempo dos apóstolos de Jesus até meados do século XX. O autor tem um estilo fluente, e os volumes contam com diversas ilustrações.  Este volume 8 fala sobre a evolução do cristianismo durante os séculos XVII e XVIII. O foco está na Europa e Estados Unidos. Falar sobre 200 anos de história em 200 páginas é sempre fazer muitas escolhas. Por exemplo, ao falar das agitações na Inglaterra que levaram à execução do rei Charles I, na metade do século XVII, o autor dedica apenas uma página ao líder puritano Oliver Cromwell. Cromwell é uma figura importante da história inglesa; há biografias e biografias sobre ele. Mas, como eu disse, um historiador precisa fazer escolhas sobre o que contar, e González faz.  Este liv...

Diário – leituras – Manual Prático de Mindfulness

Imagem
Este livro, como o nome diz, é um um manual para o aprendizado de mindfulness. Mindfulness tem sido traduzido como atenção plena. São técnicas de meditação, cujo intuito é aliviar o sofrimento psíquico e viver uma vida melhor.  Li a primeira parte, onde os autores explicam a técnica.  Acabei por encerrar prematuramente a leitura porque achei a primeira meditação excessivamente longa (39 minutos).  Troquei pelo livro Atenção Plena, escrito pelo mesmo Mark Williams e por Danny Penman. Quando der, devo registrar a leitura desse outro livro.  TEASDALE, John; WILLIAMS, Mark; SEGAL, Zindel. Manual Prático de Mindfulness. São Paulo: Pensamento, 2016. Tradução de Claudia Gerpe Duarte e Eduardo Gerpe Duarte. . . 18/06/2025, 15h, 15/07/2025.

Diário – leituras – Nunca fomos santos: Santa Sede 15, safra 2023

Imagem
Nunca fomos santos, como diz o título completo é o 15º livro safras das oficinas de crônicas da Oficina Literária Santa Sede. Gerado a partir de uma oficina literária de crônicas, é um livro de crônicas. Crônicas, crônicas, crônicas. Decidi por lê-lo porque alguns dos autores se tornaram meus colegas em outras oficinas. É o caso de Nelson Ribas, Andréa Aquino Ferreira e Silvio Sibemberg.  Há também a peculiaridade de eu ter participado como convidado neste livro, por conta de um oficineiro que desistiu com o projeto em andamento. Mas obviamente eu não vou ler um livro apenas porque colaborei com ele.  Acho que, para quem puder, é um livro que vale a pena. Como todo livro de crônicas, vai-se lendo aos poucos.  PENZ, Rubem (Org.). Nunca fomos santos: Santa Sede 15, safra 2023. Porto Alegre: Santa Sede, 2023. . . 18/06/2025, 15/07/2025.

Diário – leituras – On the road, Pé na Estrada

Normalmente escrevo esses registros de leitura quando termino de ler um livro.  Não é o caso agora. Ainda estou em menos da metade da leitura desse livro clássico da geração beatnik estadunidense.  Esse texto é só para comentar sobre uma opção de tradução feita ao português brasileiro pelo Eduardo Bueno, o tradutor.  Na página 136 desta edição de bolso publicada pela L&PM Editora, encontrei a palavra “veranico”, e, bem, veranico parece uma palavra tão bem associada a Porto Alegre e suas temperaturas extemporâneas de calor em maio, já em pleno outono austral, que fiquei pensando sobre o que Jack Kerouac teria escrito no original. Bem, a frase na tradução é assim: “Caminhei oito quilômetros para sair de Pittsburg, e duas caronas, um caminhão carregado de maçãs e um enorme caminhão trailer, me conduziram a Harrisburg, na noite amena e chuvosa do veranico de outono.” O original, na versão da Penguin, de 1999, na página 96 é: “I walked five miles to get out of Pittsburgh, ...

Diário – leituras – Santa Sede, 15 anos de crônicas de botequim

Imagem
Este é um livro de celebração do aniversário de 15 anos da Oficina Literária Santa Sede. Como o título fala, “crônicas de botequim”. Uma oficina literária especializada na escrita de crônicas e realizada, de preferência, em botequins. E dê-lhe repetir botequim e botequins no parágrafo! O livro é composto de crônicas escritas por participantes e ex-participantes da oficina. Essas crônicas, que são como depoimentos, estão basicamente em dois formatos. Um: como encontrei a Santa Sede (ou seu organizador, o Rubem Penz). Dois: aconteceu comigo durante uma oficina da Santa Sede. A que eu escrevi é desse último tipo, sobre o que me aconteceu durante a oficina que homenageou Millôr Fernandes, em 2019. São mais de 60 crônicas que se lê com leveza. Bastante talento. Talento semiescondido nesse vasto mundo das publicações nesse Brasil de poucos leitores.  Talvez, até por eu estar participando disso, gostei bastante.  CARVALHO, Giancarlo, PENZ, Rubem e MEIRELES, Maria Lúcia. Santa Sede 15...

Diário – leituras – Terapia Cognitivo-comportamental para leigos

Imagem
Terapia Cognitivo-comportamental para leigos é um livro que se destina explicar e aplicar a terapia psicológica chamada de cognitivo-comportamental. Neste sentido é um livro de auto-ajuda, um dos bons.  Os autores mostram técnicas para ajudar os leitores em uma série de dificuldades psíquicas nas quais podem se encontrar. Essas técnicas são mais aplicadas a partir da parte 3, capítulo 9, do livro. É quando os autores falam em colocar a terapia cognitivo-comportamental em prática. Há capítulos para medo e ansiedade; adições, isto é, o que é comumente chamado de vícios; transtornos corporais e alimentares; depressão; obsessão; raiva. Acho que o livro ajuda, mas não substitui consultas com um profissional habilitado. Em um país em que a maioria das pessoas não pode investir em sua saúde mental, o livro quebra um galho, mas não é o ideal.  Está dada a dica para quem quer tentar superar problemas psíquicos, mas está curto de grana. Ou para quem quer simplesmente conhecer essa escol...

Diário – leituras – O seu terrível abraço

Imagem
Neste livro, O seu terrível abraço, Tiago Ferro conta a história de um homem de classe média, ou classe média alta, que vive, mais ou menos, como diria Caetano, a dor e a delícia de ser um homem branco de classe média ou classe média alta, na cidade de São Paulo nesses meados do século XXI.  Talvez devamos pensar mais em dor, pois essa é a ênfase que o autor coloca sobre o protagonista. A narrativa fragmentada, entrecortada, reflete sobre as questões de moradia, a educação ou a falta dela, a violência, os pequenos privilégios desse homem, que é representativo de toda uma classe brasileira.  Em geral um ser humano não é apenas sofrimento, mas neste livro parece que tudo faz o personagem sofrer. E o desconforto do personagem é transmitido para o leitor. E é representativo do desconforto de muita gente neste país. Quando terminei de ler o livro fiquei me perguntando se ele era ruim mas era bom, ou se o livro era bom mas era ruim.  Quem quiser enfrentá-lo, que tire suas própr...

Diário – leituras – Gaiola de esperar tempestades

Imagem
É comum que eu leia um livro e deixe-o sobre a mesa para escrever um registro da leitura. É comum também que se passe um tempo entre o final da leitura e a tal escrita do registro.  Neste livro, Gaiola de esperar tempestades, por exemplo, o período já se aproxima de dois meses.  Gaiola de esperar tempestades, de Gabriela Richinitti, conta a história de Charlotte e Leona. São duas jovens universitárias que se encontram nas noites de sexta-feira na Rodoviária de Porto Alegre para pegar o ônibus que as leva de volta aos seus lares no Vale do Taquari, depois de passarem a semana estudando na capital.  Anos depois, ambas já formadas, Charlotte advogada, Leona jornalista, e perdido o contato, Charlotte resolve saber o que aconteceu com a antiga parceira de viagens noturnas.  É um livro que fala de relacionamentos, caminhos tomados na vida, reflexões sobre para onde esses caminhos nos levam.  Se Charlotte é a protagonista e narradora, Leona é essa figura algo enigmátic...

Diário – leituras – Raízes do Brasil

Imagem
E lá se vão alguns dias desde que terminei de ler Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda,  um dos grandes clássicos entre livros chamados de “explicação (ou explicações) do Brasil”, publicados na primeira metade do século XX.  Os outros dois grandes clássicos seriam Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre; e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior. Na década de 1930 Sérgio Buarque de Holanda era um historiador e intelectual respeitado, e não apenas o “pai do Chico Buarque”, como acabou se tornando a partir dos anos 1960. Consegui chegar ao final da leitura na minha segunda tentativa.  :) Não me foi uma leitura super fluente, como é possível imaginar. O livro virou um clássico em seu pioneirismo de tentar explicar o Brasil a partir da análise da história do país,  e a partir de sua formação, desde que os portugueses por aqui chegaram. Além de tentar interpretar o funcionamento do país, Sérgio Buarque de Holanda ainda faz comparações com os paí...

Diário – leituras – Mad Maria

Imagem
Mad Maria é o segundo livro de Márcio Souza que leio em pouco tempo. O anterior foi Galvez, Imperador do Acre , cuja leitura foi concluída há pouco mais de um mês. Com isso, acredito que finalizo as leituras de livros desse autor que eu tinha armazenado em casa, e que resolvi ler por conta do seu relativamente recente falecimento.  Só me faltaria encontrar algum outro livro escrito por ele perdido por aqui, mas acho que não vai acontecer.  Mad Maria narra a construção de um trecho da ferrovia Madeira-Mamoré, ferrovia esta que foi construída no início do século XX, como parte de um acordo do Brasil com a Bolívia. Por meio desse acordo, o Brasil assumiu a soberania sobre o território do Acre, cedeu uma parte de terras próximas de onde hoje estão Acre e Rondônia à Bolívia e se comprometeu a construir uma ferrovia. Essa ferrovia seria construída para facilitar o escoamento da exportação de mercadorias bolivianas pela Amazônia até o Oceano Atlântico.  Mad Maria é o nome que fo...