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Mostrando postagens com o rótulo violência

2026: 25 anos esta semana

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Quem diria que 25 anos se passariam tão rápido? Pois é. Era uma vez uma manhã, talvez fria, em Porto Alegre. 11 de setembro de 2001. Eu estava na firma com meus colegas, quando a irmã da chefe telefonou para dizer que um avião havia batido em uma das Torres Gêmeas, isto é, em uma das torres do World Trade Center, em Nova York. Achamos estranho um tal acidente em 2001 com toda a tecnologia de que os aviões dispunham, mas seguimos como se um acidente fosse. Minutos depois a irmã da chefe telefonou novamente para dizer que outro avião havia batido no World Trade Center. Um avião poderia ter sido acidente. Dois aviões era alguma outra coisa. E assim passamos aquela manhã voltados para a internet, que era um meio de comunicação algo recente então. E foi assim que soubemos de outro avião jogado contra o Pentágono (e foi assim que descobri, espantado, que na época não havia restrição de voos civis próximos ao comando militar dos Estados Unidos). E foi assim que soubemos que um avião caiu em a...

Cara Vivi (II), nem tudo é tão lindo no Rio de Janeiro

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Porto Alegre, abril de 2026. Cara Vivi,  Amamos o Rio de Janeiro, principalmente aqueles de nós que podem desfrutar suas áreas mais turísticas. E em minhas mensagens com loas à exuberante cidade, vinha evitando falar das suas mazelas. Sim, obviamente as há, e obviamente são muitas. Acho que a prosa que mais me tocou sobre as mazelas do Rio de Janeiro é a que me vem através das crônicas da genial Fernanda Torres. Fernandinha (sim, Fernandinha. Fernanda Torres é tão genial e tornada tão ícone do Brasil que a gente se acha no direito de se declarar íntimo) consegue falar sobre os recorrentes problemas do Rio de Janeiro entre a denúncia e a ironia, nos suscitando mais o riso amargo que o rancor. Se não “nos suscitando”, pelo menos “suscitando-me”.  Enfim… Me chamaram a atenção dois textos recentemente publicados. Recente é de fevereiro para cá.  Um foi um relato do repórter Danilo Marques na edição de fevereiro de 2026 (edição 233) da revista Piauí  (infelizmente disponí...

Cara Maria – I

Cara Maria, Não sei se gostas de ser chamada de Maria. Espero que gostes ou terei que alterar a maneira como te chamo nestas mensagens abertas. Minha irmã também tinha o nome de Maria, Maria Lúcia, mas não gostava de ser chamada de Maria. Concessões a Maria Lúcia (não era apenas a mãe que a chamava assim, quando estava brava. Aliás, não me lembro de minha mãe brava com minha irmã. Apenas decepcionada uma ou outra vez), ou, Malu (Malú?), como acabou conhecida quando morou no Rio de Janeiro. Mas assim, eu não sabia o que escrever, então decidi enviar esta mensagem aberta, talvez comentando os eventos que nos têm acontecido.  Comecemos pelo clima. Que tal a semana que passou em Porto Alegre? Parecia que chuva e sol se revezaram. Chuva na segunda, sol na terça, chuva na quarta, um sol encabulado na quinta. Inverno estranho. Talvez seja a tal crise climática. Talvez o tal el niño. Repetindo a frase de um conhecido, que era carioca, “o gaúcho é um forte, especialmente aqueles que sobrevi...

“Idosa é furtada pela segunda vez na rodoviária”

“Idosa é furtada pela segunda vez na rodoviária” “Foi a segunda vez em um ano que ela passou pelo dissabor” A Crônica, 25 de outubro de 2022 – Parece que o autor resolveu nos aproveitar para além daquele livro do ano passado. – Hein? – Nada. Digamos que é um exercício de metalinguagem.  – Hein? – Nada, nada.  – Divagações falaciosas? – Não. Digamos que são reflexões. Alguém pode achar que é brincadeira – Ok. Melhor deixar assim então.  – Mudando de assunto, faz algum tempo que eu queria falar nisso, mas nunca havia oportunidade. Soubeste que a sogra do professor foi roubada na rodoviária? – Sim, sim. Quem da turma naquela época não soube? Muitos comentaram. Mas não ficou claro para mim se foi tecnicamente roubo ou furto.  – Acho que foi furto. Mas que importa a definição técnica? O triste é que a senhora foi vítima.  Esse tipo de larápio parece que tem um “modus operandi”. Em geral ataca a vítima no início da manhã, na área de desembarque. Foi assim que um desse...

Os novos golpes do celular

"Nas grandes cidades de um país tão violento Os muros e as grades nos protegem de quase tudo" Continuam os golpes contra nossos telefones celulares(e contra nós, obviamente).  Foram-se os tempos em que nossos aparelhos eram tomados por descuidistas ou trombadões e depois iam aparecer nas mãos de algum camelô ou em algum saite de compras de produtos usados na internet.  Agora há dois golpes medonhos que, parece, já se tornaram moda em São Paulo. E logo se espalharão pelo resto do país.  O primeiro golpe consiste no roubo do aparelho, mas não para revendê-lo. Agora quadrilhas especializados trocam o chip de aparelho, descobrem o número, vasculham redes sociais a procura de dados do(a) proprietário(a), e partem para instalar aplicativos bancários, e sacar dinheiro das contas, ou, eventualmente, fazer empréstimos e depois sacar o empréstimo feito em nome da vítima, transferindo o dinheiro via pix. As notícias falam em golpes com prejuízos de milhares de reais. O segundo é ain...

Diário da Peste (XXI) - Some days are better than others

  "Some days are dry, some days are leaky Some days come clean, other days are sneaky Some days take less, but most days take more Some slip through your fingers and onto the floor (...) Some days are better than others" Vão passando os dias da peste, e os dias da peste parecem intermináveis.  E vamos vivendo nossas vidas, aqueles que sobrevivem, como um cálice que vai se enchendo por gotas, uma após a outra. Hoje é um dia em que o cálice transbordou.  Algum maníaco, resolveu pegar um facão, e matou três crianças quase bebês, e duas mulheres, cuidadoras das crianças, no oeste de Santa Catarina. Uma coincidência maligna talvez, o nome da cidade onde o massacre ocorreu se chama Saudades. Anestesiados por 400 mil mortes, somos chamados à chamados a comoção pelo assassinato de três crianças com menos de três anos de idade. No país mais violento do mundo, as crianças também sucumbem.  No país do racismo cordial, o fato do assassino ser chamado de jovem ou adolescente (o a...

Porto Alegre está menos ansiosa

Porto Alegre está menos ansiosa Porto Alegre está menos ansiosa por estes dias, menos temerosa. Os rumores de assaltos e arrastões diminuíram. De quebra não tem havido nenhuma revolta em bairros pobres, como aconteceu na semana passada. A cidade vive dias de menos insegurança. Ou seja, voltamos ao normal estranho. Tivemos pico de insegurança por conta do parcelamento de salários dos policiais do estado. A polícia civil resolveu parar, e a polícia militar anunciou aquartelamento. Na prática, o que a população pensou sentir foi uma diminuição do policiamento ostensivo nas ruas, com um súbito aparente incremento dos assaltos à mão armada. O comércio fechou mais cedo em alguns dias, e as pessoas procuravam não sair de casa, inclusive cursos noturnos liberaram alunos mais cedo. Agora voltamos ao normal estranho, como eu disse. Continuam os assaltos. Há notícias de assassinatos, principalmente na periferia, que a polícia frequentemente diz que são assoc...

Medo, tristeza, angústia

Medo, tristeza, angústia Medo! Tristeza! Angústia! Ontem assaltaram dois colegas na Rua da Praia. Dizem que foi arrastão. Intimidaram com uma pistola. Ontem a polícia militar matou um rapaz no Bairro Santa Tereza. Alegaram que houve tiroteio. Os moradores da região negam. O tiro foi nas costas. A morte gerou revolta e os policiais ficaram sitiados. O batalhão de choque teve que vir resgatar os policiais. Um ônibus foi incendiado. A fumaça podia ser vista de longe. Ontem houve notícias de arrastões na Rua Voluntários da Pátria, uma rua de comércio popular, e muito movimento de pedestres, próxima de pontos de ônibus. As notícias dão contam de mais de dez meliantes juntos fazendo o arrastão, levando carteiras e celulares. Dizem que demorou até a polícia aparecer. A polícia sofre com o parcelamento de salários. De maneira que a população fica na incerteza do policiamento. Estamos com mais medo. Estamos com mais medo que normalmente temos, quando os polici...

Pequena crônica de mais um dia de medo

Pequena crônica de mais um dia de medo Dizem que a cidade, em especial a cidade grande, é como uma selva. Ninguém sabe o que vai encontrar se resolver sair de casa. A frase é um chavão antigo. Não lembro onde li, ou de quem ouvi (ouvi ou li?). Claro, é diferente, pegar o ônibus é ir ao centro de uma cidade, e vagar numa selva real. Acho que eu teria mais medo numa floresta habitada por predadores, que numa grande cidade. A grande cidade não se define por seu grande território, mas por sua grande população. Porto Alegre é uma grande cidade. Um e meio milhão de habitantes. Três milhões na sua região metropolitana. Gente pra caramba. Porto Alegre é a capital do Rio Grande do Sul, um estado onde as pessoas gostam de invocar tradições, e prezar um certo separatismo, que muitos pensam que faria dos gaúchos melhores, ou mais cultos, ou seja lá o que for que os demais brasileiros. Claro. Qualquer um gosta de achar que é o bom, que é o melhor. É sempre necessário um choque de r...