Postagens

Mostrando postagens com o rótulo reflexões

2026, sexagésimo ano, ano do Cavalo do Fogo

Imagem
E assim chego ao sexagésimo ano. Novamente um cavalo de fogo, sessenta anos após o ano em que nasci.  O que pode significar plenitude, um ciclo completo.  Ou simplesmente velhice.  Não reclamo. Apenas constato. Comento.  Não há do que reclamar. Tem sido mais bom do que mau.  Talvez mesmo uma vida acima da expectativa que se tinha quando nasci em 1966. Ano da Graça do Senhor de 1966. Ano do Cavalo de Fogo.  Passando por um cavalo de terra em 1978, um cavalo de metal em 1990, um cavalo de água em 2002 (e lembrando que em 2002 foi o último ano em que a seleçao brasileira de futebol masculino ganhou a Copa do Mundo da categoria), um cavalo de madeira em 2014 (ano do infame 7 a 1, que deixou um tanto de gente traumatizada. Mas o meu trauma em futebol havia sido superado com a conquista de 1994. 1994 não foi ano do cavalo). Agora são tempos de balanços. Já dá para olhar para trás e avaliar perdas e ganhos.  É tempo de se distrair e esquecer pequenas coisas a...

Presença e ausência

Imagem
De repente a presença vira ausência E a ausência vira presença E a presença da ausência gera um grande estranhamento  Depois de seis anos . . Quinta-feira, 27 de março de 2025, por conta da partida do Gatinho para ir morar em outro lar 31/03/2025.

2022 ainda não tinha terminado (II)

Ontem, dia 30 eu publiquei um comentário breve , dizendo que me enganei em pensar que encerraria o ano de 2022 no blogue com uma crônica publicada no dia 27. A tal crônica de balanço do ano .  Então, no dia 29 surgiram dois fatos que achei relevantes colocar como anotação por aqui.  Um o encontro o colega blogueiro Emilio Pacheco.  Outro, algo inescapável, o falecimento, ou a coroação final, de Pelé.  Pois bem.  Na tarde de 30 de dezembro vi as notícias do falecimento de Vivienne Westwood. E a notícia do falecimento nos faz observar um pouco mais as pessoas que partem. No caso de Westwood, foi possível ler sobre sua rebeldia contra a monarquia, seu engajamento no início do punk britânico, seu ativismo. E pensar que, em tese, ela seria uma estilista, uma fashionista. Ela era bem mais que isso. Também coincidiu de eu estar lendo as memórias do Bono, do U2, e ele estar por Londres tentando cavar o primeiro contrato para a banda, mais ou menos na mesma época em que ...

Perdas e perdas e algum ganho

Hoje, ao acessar as notícias, fui surpreendido pelo falecimento da atriz Françoise Forton. Ela estava com 64 anos e morreu em decorrência de um câncer. Em relação à média nacional, se foi cedo. É uma pena.  Como referi em outra crônica , com o passar dos anos, as perdas vão se acumulando. Como tenho mais de cinquenta, se parar para pensar, elas se tornam opressivas. Mais para o início do mês, perdemos o professor Voltaire Schilling. Ele era um historiador pop de Porto Alegre. Quando não havia internet, e nos informávamos basicamente por rádio, TV e jornais, Voltaire Schilling era figura carimbada. Sempre estava nesses meios, com um comentário iluminador, sobre o passado recente, ou as causas históricas de algum novo conflito. Tinha 77 anos e faleceu em decorrência de embolia pulmonar. Falei há dias na Dalva(na mesma crônica do segundo parágrafo).  Falei no Marcelo , falecido talvez muito em decorrência da lentidão do governo federal em vacinar a população.  Perdas e perda...

A vida segue

Esta semana, não sei exatamente em qual dia, minha colega de trabalho, Dalva, faleceu. Pouco tempo antes ela havia sido diagnosticada com um câncer cerebral.  Quando eu soube da notícia da enfermidade, e pelas manifestações em redes sociais, pensei que a sobrevida poderia ser relativamente longa. Um ano, dois. Não. Foram dois meses, se chegou a isso.  Só posso lamentar. Mesmo eu não sendo próximo, sei que ela era colega estimada, amiga, mãe, ... Lembro de alguma velha crônica de Michel Laub comentando que, aos quarenta anos, carregamos uns tantos mortos nas nossas costas. Passando dos cinquenta então (meu caso), já estamos vendo a nossa própria cova ali adiante.  Contudo neste dia 11 de janeiro de 2022 fui surpreendido por duas notícias alvissareiras. Só eu mesmo para usar o adjetivo alvissareira nesses dias.  Pela manhã, a prima Lúcia, de Rio Grande, pelo aplicativo de mensagens, informava do nascimento recente de sua neta, Alice. Presumo que filha do Júnior, que vi...

A doce voz de Marisa Monte

Eu nunca pude estar próximo de Marisa Monte.  Mas tenho certeza que se pudesse, de perto, ao ouvi-la cantar, sua voz emanaria um aroma de mel e leite condensado.  28/10/2021. 

Alfredos

Ontem, 7 de abril de 2021, faleceu o professor, escritor e crítico literário Alfredo Bosi, aos 84 anos. Mais uma vítima da covid-19.  Faleceu no dia em que se comemora o Dia do Jornalista no Brasil.  O professor se chamava Alfredo. Um dos obituários revela que ele deixa dois filhos, isto é, uma filha, Viviana, e um filho, José Alfredo.  José Alfredo, o Comendador, é um personagem da telenovela Império, que a TV Globo vai reprisando por agora, também por conta da pandemia.  Alfredo sou eu, por conta de meus pais, de alguns amigos ao longo da vida, e até por uma amante.  Comendador me tornei ao participar na oficina de criação literária Santa Sede.  Talvez se torne um meu heterônimo.  08/04/2021.

A Quarentena Acabou

Ou não. Ou talvez sim. O que quero dizer? Vamos começar pelo paradoxo do sucesso, ou "o sucesso que cultiva o fracasso", nas palavras do biólogo Átila Iamarino.  Porto Alegre, e mesmo o Rio Grande do Sul, ao contrário de outras regiões do Brasil, têm mantido a epidemia sob relativo controle. Controle significa que nossas UTI's e emergências não estão superlotadas com doentes da covid-19. Infelizmente, sim, pessoas têm morrido, mas com o colapso do atendimento médico a situação seria muito pior, porque muito mais pessoas morreriam simplesmente porque não haveria condições de serem atendidas, como pode estar acontecendo no Amazonas, e aconteceu, certamente, em Guayaquil, Equador.  As iniciativas precoces do governador Eduardo Leite, e do prefeito Nelson Marchezan, de suspender aulas, fechar comércio, e enviar o que fosse possível para tele-trabalho ("home office"), conseguiu fazer com que a taxa de contágio diminuísse muito.  O sucesso dessa iniciativa fa...

Fantasmas e sonhos

Vez por outra nossos fantasmas vêm nos visitar. Nos lembrar que ainda vivem em nós.  Reflexão trazida por crônica de Tiago Maria .   24/03/2020.

Início de Fevereiro de 2020

Início de fevereiro é sempre dia de lembranças. Lembranças familiares. Ainda no rescaldo do segundo aniversário do falecimento de minha irmã, em 22 de janeiro, sou confrontado com essas outras efemérides familiares. 3 de fevereiro, aniversário de minha mãe. Se fosse viva, não tivesse nos deixado em 1995, completaria 95 anos. 4 de fevereiro, aniversário de falecimento de meu pai. O velho foi misericordioso com a mãe. Não morreu no dia do aniversário dela, mas no dia seguinte. Lá se vão 30 anos. parece que foi ontem.  Sinto falta de todos eles. Me sinto como que abandonado. Sei que não é assim, mas é assim que me parece.  Sentimentos.  10/02/2020.

Rompendo minha própria tradição: Santa Sede em 2019

Segunda-feira, 5 de agosto, foi o sarau de lançamento da "safra" 2019 da publicação da coletânea de crônicas da Santa Sede. O tema deste ano foi "família". Desde que participei da safra 2016, tenho estado nos saraus da Santa Sede. Como participante em 2016, como espectador em 2017 e 2018. Em 2017 eu me considerava "veterano" da turma daquela turma, embora eu não esteja certo que os participantes tinham essa noção a meu respeito. E o tema daquele ano me era muito caro, "Tempo". Quis até participar de novo, mas não era possível/permitido.  Em 2018 havia a amiga Jane Ulbrich.  E sempre há o Rubem, o bar, a boemia.  Me atrapalhei, e não pude comparecer. Fiquei um pouquinho chateado.  Meu parceiro de "masterclass' este ano, Tom Saldanha, esteve presente.  Há de haver quem diga que três anos não chegam a formar uma tradição. Na minha cabeça estavam formando.  Mas faltei por uma boa razão. Razão do coração.  07/08/2019.

Faleceu Otavio Frias Filho

Faleceu ontem Otávio Frias Filho, diretor de redação e dono do jornal Folha de São Paulo. Segundo as notícias, ele estava com 61 anos e padeceu por conta de um câncer no pâncreas.  Muitos panegíricos para ele, com formação em direito, tido como intelectual, escritor e jornalista. Muitos panegíricos, diga-se, no jornal do qual eera dono.  Fica esse incômodo.  Já li e devo ter gostado de uns tantos textos de Otavinho (como alguns o chamam por oposição ao pai, seu xará e o empresário que adquiriu o jornal na década de 1960). Posso reconhecer a qualidade intelectual de seus escritos, assim como  fazem as pessoas que publicaram os necrológios sobre ele. Devo concordar com a delicadeza e a fineza no trato essas que pessoas descrevem.  Fica contudo o incômodo de, afinal, estarem a louvar o ex-patrão e continuarem a trabalhar no jornal, que, agora, imagino, será dirigido pela irmã do falecido. Seriam tantos os louvores "post mortem", se não fosse essa peculia...

O Avião Caiu

O Avião Caiu O avião caiu. Fui para o outro lado da vida. Claro, na esperança que haja um outro lado da vida. Tenho esperanças em Deus e em Jesus. E ainda há miríades de outras religiões celebrando essa esperança. Entretanto me preocupo com o aqui e o agora. Ou com este lado da vida. E o meu legado como fica? Aliás, eu tenho um legado? Tudo o que escrevi até hoje tem algum valor? Provavelmente não. O avião caiu e morri. Morreram junto minha mulher e meu filho. Mas mesmo eles, minha mulher e meu filho não dão a mínima importância para o que escrevo. O que talvez faça bastante sentido. Se eles não têm tempo para ler Cortázar ou Clarice Lispector, por que perder tempo com as bobagens que escrevo? Minha irmã também não liga para o que escrevo. Ou, se liga, nunca me fala nada. Um primo, uma vez, foi apresentado às coisas que escrevi. Comentou “muito talento”. E foi isso. Eu nunca mais soube nada sobre o que disse meu primo, nem exatamente qual parte era essa de muito...

Palavras de Sabedoria, ou a necessidade das coisas que nos não importantes

Uma amiga cristã, que se compraz na leitura da Bíblia, uma vez usou uma expressão que ela havia ouvido de outrem: "A Palavra de Deus se renova a cada dia." Claro que neste caso a Palavra de Deus é a Bíblia. Eu concordo com o que minha amiga disse, mas gostaria de fazer um comentário complementar. À medida em que o tempo vai acrescentando experiências à nossa vida, cada vez que nos voltamos para coisas que nos são importantes, como histórias que ajudam a moldar nosso caráter, olhamos para estas coisas com novos olhos. Nossas novas experiências renovaram o entendimento que tínhamos. Para os crentes valem as Escrituras Sagradas. Para os descrentes valem outras coisas (ou você nunca ouviu falar de alguém que leu mais de uma vez a Divina Comédia, de Dante?). É mais ou menos como o que dizem que o filósofo pré-socrático Heráclito disse sobre ser impossível que o mesmo homem banhe-se no mesmo rio duas vezes. Impossível porque com o passar do tempo muda o homem, e mudam as águ...

Bin Laden foi Morto

Bin Laden foi Morto Na noite de domingo, dia 1º de maio, eu estava prestes a dormir, quando os usuários do Twitter começaram a lançar mensagens comunicando a morte de Osama Bin Laden. Devia ser um pouco antes, ou um pouco depois da meia-noite. Primeiro de maio aqui, mas já devia estar amanhecendo nos arredores de Islamabad, Paquistão, que foi onde a execução ocorreu. Como o sono não vinha, foi possível acompanhar algumas notícias pelo rádio. Um comando especial da Marinha dos Estados Unidos teria praticado a ação, autorizada pelo presidente dos Estados Unidos. Foi no noticiário do rádio que ouvi que o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, teria dirigido um discurso aos seus cidadãos, informando da morte do líder da Al Qaeda, e afirmando que "justiça tinha sido feita". Também do rádio veio a notícia de comemorações populares em frente à Casa Branca, em Washington, D.C., e em Times Square, na cidade de Nova Iorque. Depois mais notícias, acho que aí já na ...