É 2026 e tem Copa do Mundo de novo, pai



Pai,

Estamos em 2026 e é Copa do Mundo de novo. Como aconteceu em 1966, em 1986 e em 2006. É, não teve Copa do Mundo em 1946. O mundo ainda ia se recuperando da Segunda Guerra Mundial. É Copa do Mundo de novo neste ano em que hipoteticamente farias 110 anos. Desde 1916.

Sabes, pai, na semana passada eu disse que a Copa do Mundo ia começar e eu não sentia nada. Me sentia alheio.

Mas desde que a bola começou a rolar, é praticamente impossível ficar alheio. Só se a pessoa se isolar em algum canto do mundo sem rádio, TV ou internet. Ou for totalmente indiferente ao futebol. Quem sabe?

Apesar de tudo, pai.

A Copa ocorre em três países, Canadá, Estados Unidos e México. A maioria das partidas ocorrerá nos Estados Unidos. E os Estados Unidos têm cometido todo tipo de arbitrariedade. Bombardearam o Irã, que está participando da Copa. Não permitiram que os jogadores do Irã ficassem hospedados em solo estadunidense. Barraram um árbitro somali. Interrogaram por horas um atleta iraquiano. Tudo sob o olhar cúmplice ou omisso da FIFA.

Mesmo assim, não consegui permanecer indiferente a essa celebração do futebol.

Sabes, pai, esta edição da Copa do Mundo tem 48 seleções. O dobro da quantidade de equipes que competiram em 1986, a última Copa que pudeste acompanhar por aqui.

E esta primeira semana teve um tanto de escores surpreendentes.

A Tchéquia, tipo a metade da antiga Tchecoslováquia, aquela de quem o Brasil ganhou em 1962, perdeu para a Coreia do Sul. Os Estados Unidos, sim, eles, veja só, deram um banho de bola na seleção do Paraguai. O Japão buscou um empate contra a Holanda, três vezes vice-campeã. E Cabo Verde segurou um empate contra a Espanha, campeã de 2010. Isso tudo nessa primeira semana, nesses primeiros jogos.

O Brasil? Empatou com o Marrocos. Ainda terá pela frente Escócia e Haiti. Curioso: a Escócia tem certa atração pelo Brasil. Ou vice-versa. Esteve no grupo de Brasil em 1974, talvez lembres, e em 1998, quando já não estavas por aqui.

Sobre o Brasil, outra curiosidade é que nosso técnico é italiano. Sim, italiano. Ancelotti, o nome dele.

E, bem, não estamos muito otimistas. O futebol da primeira partida, ou a falta dele, não ajudou, não nos animou. Pelo menos ainda não. Vamos ver.

Mas vou te dizer, tenho gostado de ver os compactos, os melhores momentos. Eu, de todo modo, busco apreciar o esporte. Talvez seja algo, para mim, um tipo de privilégio, decorrência de envelhecer. De já ter visto muita coisa. Inclusive o Brasil ser campeão. Inclusive o Brasil perder por anedóticos (anedóticos para mim) 7 a 1.

Pois é, pai. Dessas 48 seleções, uma se consagrará campeã. Nos Estados Unidos. Com todas as arbitrariedades do governo estadunidense.

E é isso, pai. Por aqui sigo, por enquanto. Com saudades ainda, mesmo depois de mais de 36 anos.



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Trionda, a bola da Copa de Mundo de Futebol de 2026. Imagem copiada de GKPB

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15, 16/06/2026.

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