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Auto-Escritor

"Amanhã tenho que passar na editora". São mais ou menos essas as palavras de Paulo, personagem de Carlos Heitor Cony, no livro "Pessach, A Travessia". Um escritor tendo um escritor como personagem é quase metalinguagem.  Mas frase veio recorrentemente à minha mente neste final de 2018.  Um motivo era que a Editora Metamorfose me pediu para retirar os volumes a que teria direito, por conta da antologia "Palavras de Quinta", publicada num sistema de compartilhamento de custos.  Quase simultaneamente, tinham acabado os volumes que eu tinha comigo, de outra antologia em que participei, a "Santa Sede 7, Crônicas de Botequim" (2016) , e entrei em contato com a Editora Buqui, para adquirir mais, já que os autores participantes da antologia podem comprá-los com um bom desconto.  E, de repente, no meio dessas necessidades, acabei realmente por me sentir um escritor. Alguém que já teve textos publicados em livro. Foram três antologias até agora. A...

A Copa do Mundo 2026 vai começar e eu não sinto nada

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“... e eu não sinto nada / não sinto nada, não sinto nada” AnaVitória A Copa do Mundo de Futebol de 2026 vai começar e eu não sinto nada. Sim, começa na próxima quinta-feira, dia 11 de junho. Mas por enquanto não me emociono. Aliás, não só eu. Recentemente a Tati Bernardi publicou um texto em que ela relata sua indiferença com a competição que se aproxima . Uma pessoa das minhas relações que costumava comprar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo a cada Copa do Mundo, me disse que neste ano não se dedicaria ao hobby. No meu caso há alguns fatores. Acho que a idade está me fazendo ficar emocionalmente desapegado desse futebol que aí está. Talvez eu deva pensar também que uma seleção basicamente de jogadores que não jogam no Brasil me deixe desapegado. Não gosto do Flamengo nem do Palmeiras, mas acho que seria melhor uma seleção brasileira em que a maioria dos jogadores jogasse no Brasil, mesmo no Flamengo ou no Palmeiras. Não é o caso. No capitalismo tardio sob o qual vivemos os jogado...

Sessão de autógrafos: Aventuras e desventuras de um pai bem passado

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O tempo não para. Repito o chavão para comentar que hoje já faz um mês que o livro Aventuras e desventuras de um pai bem passado, de Rubem Penz, foi lançado e teve sessão de autógrafos. Foi em 24 de abril de 2026. E só agora paro para escrever. Sei lá quando publicarei.  Aventuras e desventuras de um pai bem passado é uma coletânea de crônicas escritas pelo Rubem, abordando a experiência de ser pai, em especial um pai sessentão de uma bebê. Um pai bem passado como diz o título.  O lançamento foi no restaurante Sabor de Luna, na Rua Freire Alemão, ali no Mont Serrat. O local foi escolhido porque também ali se realizam encontros da oficina literária do Rubem, a Santa Sede.  Minha passagem pelo evento foi breve. Apenas para adquirir um exemplar autografado e felicitar o autor.  Estou lendo o livro. Talvez eu publique um registro da leitura em algum momento do futuro.  . Rubem Penz e eu no clique de Carlos Hirschmann . 24/05/2026, 02/06/2026.

As extremosas no outono de Porto Alegre em 2026

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Dizem que Rubem Braga falava tanto em sabiás em suas crônicas que era comum que amigos lhe presenteassem com exemplares do bicho. Parece que naquele tempo não era de mau tom dar passarinhos enjaulados de presente. E parece que houve um momento em que Rubem Braga teve tantos sabiás em seu apartamento em Ipanema que ficava aborrecido com a algazarra, digo, o canto dos bichos engaiolados ao seu redor. Não sei se a história é verdadeira mas é verossímil.  As três ou quatro pessoas que acompanham os meus textos sabem que vez por outra eu comento sobre as extremosas (Lagerstroemia indica), essa arvorezinha que está espalhada por boa parte das ruas de Porto Alegre. Ou, pelo menos, pelas ruas por onde caminho, aqui na zona norte da cidade. Aquela arvorezinha não muito alta – eu diria que, em média, costuma ter uns dois metros e meio de altura –, e que produz flores cor de rosa no verão.  Para dar razão aos textos que escrevíamos no ensino primário – chamávamos esses textos de composiç...

Caros João e Márcia, pongamos que hablo de gratitud

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  Porto Alegre, maio de 2026 Caros João e Márcia, Há maneiras e maneiras de escrever uma mensagem de agradecimento.  Eu poderia começar relembrando o que a Márcia me escreveu no sábado, dizendo que esperava que eu já estivesse recuperado da viagem e excessos. Lembrou-me a canção de Jorge Drexler onde a letra informa que “fuimos cerrando, uno a uno, cuatro bares” e depois fala em “otra turné por el Madrid de los excesos”. Bueno. Nem creio que fiz tantos excessos assim. Assim, assim. Poderia dizer simplesmente que já havia me recuperado da viagem e dos excessos. A viagem – treze horas em aviões, mais os tempos de conexão – é mais estressante, bem mais estressante, que conhecer lugares novos, e beber e comer na companhia de amigos que te guiam pelos melhores lugares que eles conhecem na cidade do Porto. Sobre comer e beber e caminhar e passear acho que nossos excessos foram moderados.  Eu poderia continuar relembrando justamente essas caminhadas que começaram por uma ida à r...

Tom Saldanha está gripado

Tom Saldanha - fotografia e colecionáveis. Está na placa. A loja fica no coração do Bairro Moinhos de Vento, entre a 24 de Outubro e a Florêncio Ygartua.  Por conta de minhas frequentes idas ao bairro por conta de consultas, é comum que eu faça uma breve visita vez por outra.  Segunda passada fiz isso. Passei pela loja do Tom, por volta das quatro da tarde. A loja estava fechada. Luzes apagadas. Nenhum sinal de Tom.  Entrei em contato. Tom me informou que estava gripado. Estava em casa se recuperando. Por conta disso, não pôde abrir a loja. Influenza. Claro que me lembrei de Gay Talese e sua reportagem Frank Sinatra está resfriado, a qual cito e volto a citar vez por outra. Mas ao contrário da atitude de Sinatra em relação a Talese, Tom não se recusou a falar comigo, nem tem um séquito de funcionários e agregados, aos quais eu pudesse recorrer para traçar um perfil biográfico. Inclusive eu não estive lá no Moinhos de Vento para fazer reportagem. Apenas para ver um amigo....

05/05/2026: sem publicação

  O blogueiro metido a cronista está sem inspiração.  Além disso ele estará de folga a partir da próxima semana por, talvez, duas semanas.  Talvez o texto semanal retorne em 26 de maio de 2026. Talvez.

Dias de outono meridional em 2026

Esta semana estive sem inspiração.  Não que não haja assunto, mas falar do Nero Laranja? Dos governos fascistas aqui e acolá? Não, né? O que mais me vem à cabeça é o outono. Outono no hemisfério sul. Falar nisso, eu continuo achando que mapas publicados no hemisfério sul deveriam ser representados com o hemisfério sul na parte de cima. Um mapa é uma convenção, e a convenção de quem vive no sul não precisa ser a mesma de quem vive no norte.  Divago.  Outono no hemisfério sul. Na nova volta da esfera azul em torno do Sol, nós que vivemos à altura do paralelo trinta meridional vamos mergulhando nas trevas. Perdemos várias horas de luz solar entre o início do verão e o início do inverno. E como sinto falta dessa luz. Não sinto falta do calor que oprime, mas da luz sim. E se aguentar o calor é o preço para ter a luz, eu pago.  Na escuridão uma barata pode acabar se tornando um monstro nas nossas sensibilidade e imaginação distraídas.  Outono. O Sol se põe às dezoito,...