segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Uma lista feita em 16/01/2023 de várias leituras que ficaram para trás


Eu costumo fazer um registro daqueles livros que termino de ler. Muitas vezes dá certo. Às vezes eu me atrapalho. 

Entre as vezes em que me atrapalhei, abaixo vai uma lista de leituras realizadas que ficaram órfãs de registro, com uma ou duas linhas, informando do que se trata o livro.

1. A microjornada do herói, de Jairo Back: um livro fisicamente pequeno, com diversos microcontos. Aqueles contos bem curtos, em que se diz pouco, e se deixa o leitor pensando, às vezes, muito. Por exemplo, para o microconto intitulado “Ansiedade”: -- Céus! Acabou o Rivotril! 

2. A cor do outro, de Marcelo Spalding: um livro destinado ao público juvenil, decifrando o nosso racismo estrutural, sutil. Com o detalhe que é um livro que foi escrito antes do termo / conceito “racismo estrutural” entrar em uso corrente, como ocorre nesta primeira metade da terceira década do século XXI. 

3. Quase memória, de Carlos Heitor Cony: o livro em que Carlos Heitor Cony faz uma homenagem a seu pai, recriando literariamente a vida do progenitor, no Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. 

4. Raidman, de Gilmar Delvan: neste livro o autor recria uma jornada de uma família que saiu do Rio Grande do Sul para ir ao Rio de Janeiro, dentro de um tonel, na década de 1930. Fascinante jornada. 

5. A lua e as duas estrelas, de Miriam Ribeiro Taurines: uma jornada através do século XX, com a história de Eva Levi, que foge do nazismo, no final da década de 1930, para viver oprimida no Brasil, e, depois, buscar nova libertação. 

6. Prisioneiro das Amazonas, de Helio Alberto Heinrich: um homem viaja pela Amazônia, na busca por enriquecer garimpando. Milhas e milhas de rios, Amazônia adentro e ele descobre povos não contactados, e daí resultará conflito e aprisionamento como diz o título. Me lembrou vagamente as aventuras juvenis de Francisco Marins.

7. Escuta essa voz, de Cleo de Oliveira: este livro é uma coletânea de contos. Eu me lembro de ter gostado por serem histórias muito humanas, muitas pinçadas do cotidiano, como o conto que abre o livro, em que o protagonista, um menino, relembra as interações do pai com ele e seus amigos na infância. 

8. O legado: as fantásticas histórias de J. Corellon, de Jacira Fagundes: Uma coletânea de contos de horror, destinados ao público juvenil, com temas entrelaçados. As histórias do Corellon do título. 


16/01/2023.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A orquídea morreu



E parece que a orquídea morreu mesmo

Apesar de eu continuar a regá-la, e apesar de minhas orações em favor dela. 

O que me fez pensar em tantas pessoas que partiram nos últimos dias, e sobre como elas nos influenciaram e influenciam. Ou não. E não necessariamente na ordem em que se foram. 

Por exemplo, Roberto Dinamite. O eterno atacante do Vasco nos deixou no dia 8 desse mês, precocemente, aos 68, em decorrência de um câncer. Como não torço para o Vasco, minha principal lembrança de Dinamite foi nos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Aquela que o Brasil ficou em terceiro lugar, sem ter perdido nenhuma partida. Ele foi convocado para a Copa seguinte, de 1982, mas não jogou. Ficou na reserva de Serginho. Eu achava Dinamite um atacante melhor. Assim como achava que o goleiro não poderia ser Valdir Peres, mas essa é outra história. 

Outra que nos deixou foi Gina Lollobrigida. A atriz, de fato uma multi-artista, se foi dia 16, aos 95. Bom, 95 é uma idade rica. Não muitos seres humanos chegam a tanto. Lollo não foi tão marcante na minha vida. Possivelmente foi mais importante na vida de minha irmã. No caso, o auge da carreira de Gina como atriz foi entre os anos 1950 e 1960. Época de infância e juventude de minha irmã. Se essa possibilidade que levanto é verdadeira, agora ambas podem se comunicar no “outro lado”.

Jeff Beck, um dos maiores guitarristas da história do Rock, se foi aos 78. Conheci pouco de sua obra. Também me parece um caso de artista que teve o auge do sucesso entre o final dos anos 1960 e 1970. 

Jeff Beck nos remete para David Crosby. Crosby nos deixou dia 18, aos 81. Lenda dos anos 1960. Todo mundo deve ter ouvido alguma vez na vida “Turn! Turn! Turn!”, interpretada pelos The Byrds. Nem que tenha sido na trilha sonora de Forrest Gump. Lenda, como comentou um amigo, e repito. Além do The Byrds, formou um grupo com Stephen Stills e Graham Nash, grupo muito bem chamado de “Crosby, Stills & Nash”. Em determinado momento, Neil Young se juntou ao grupo e passaram a se chamar “Crosby, Stills, Nash & Young”. Repetindo outra vez, lenda. 

A orquídea se foi. Ficará na minha memória. Meu sucesso efêmero, meu pequeno fracasso. 

Estes artistas, da bola, da interpretação, da música, se foram. Acho que suas obras ficarão. 

“Arte longeva, vida breve”.


21,23,24/01/2023.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Diário – Leitura – Um piano dentro da noite


“Honra teu pai e tua mãe”. Está na Bíblia. Livro de Êxodo, capítulo 20, verso 12. Um dos Dez Mandamentos.

É isso que Marcelo Villas-Bôas procura fazer em seu novo livro (publicado em 2021), onde traz uma mistura das histórias de sua família e de suas próprias memórias. Para tanto, além de suas memórias como já dito, ele deve ter se amparado em pesquisas, tanto junto a parentes, como em periódicos dos anos narrados no livro (desde a década de 1940 até este século XXI). 

Também é uma história de como as pessoas lutam pela sobrevivência e buscam meios para melhorar de vida. Do pai, que tem sua trajetória de músico a advogado. Da mãe, de estudante de internato até administradora. E de Marcelo, desde o primeiro emprego, até jornalista, e, por que não? Escritor. 

E também há um foco na cidade de Porto Alegre. E visões sobre como a família e a cidade passaram, entre outros eventos, pela Enchente de 1941, pela Campanha da Legalidade de 1961 e pelo Golpe de 1964.

De Marcelo Villas-Bôas eu já havia lido seus Contos de Porto Alegre

E é isso. Quem ler o livro saberá um pouco mais dos dias e das noites de Porto Alegre e da família Villas-Bôas.


VILLAS-BÔAS, Marcelo. Um piano dentro da noite: a história de amor de Noêmia e Aristides Villas-Bôas. Porto Alegre: Editora Escuna, 2021. 


16/01/2023.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Uma noite de boemia literária em 11 de janeiro de 2023


Coisas da boemia: antes de chegar no Apolinário tive oportunidade de “fazer um aquecimento” em outro estabelecimento. No caso o Boteco Andradas, no centro da cidade. 

Quando cheguei ao Apolinário, lá estavam posicionados para a oficina, o Rubem e o Marcel. Se bem que ambos deveriam estar ali desde as 18 h (nosso horário é às 20 h). E também, olhando a mesa, e seguindo o sentido horário, o Luciano, a Silvia e a Marcia. Novos colegas, e, por que não? amigos de copo e escrita. Ou escrita e copo, cada um decide como achar melhor. 

E aí começamos com esse novo projeto, de escrever crônicas inspiradas em músicas instrumentais. A primeira música a nos inspirar foi Sertão Alagoano, de Hermeto Pascoal.

Nessa primeira noite as crônicas foram variadas. Com o Rubem refletindo sobre a especulação imobiliária em Capão da Canoa. O Marcel estabelecendo propósitos para o ano. O Luciano escreveu, fascinado, sobre o filho pequeno. A Silvia fez uma crônica-poema (ou um poema-crônica? Ou um poema-crônico?) sobre um rio; que na minha cabeça só pode ser o São Francisco. Eu falei sobre outros sertões, em Minas, na Bahia. E Marcia falou sobre os pássaros que habitam o sertão alagoano. 

A horas tantas chegou a Vanessa, para resgatar o Rubem de nós e levá-lo para casa. 

Nesse momento uma pessoa da mesa nos surpreendeu quando informou que a música Palhaço, de Egberto Gismonti, e que faz parte do rol que nos inspirará, está programada para ser tocada no funeral de uma pessoa conhecida nossa. 

Terminadas as leituras, se foram o Rubem e a Vanessa, a Silvia, a Marcia. 

Ficamos conversando, eu, o Marcel e o Luciano. Conversa profícua. Cultura judaica, viagens, tecnologia da informação. 

E quando vimos o Apolinário estava fechando. Não me foi possível nem tomar a saideira. 

Fechado o Apolinário, seguimos a República no rumo norte, em direção à Lima e Silva.

Na esquina da Lima e Silva nos separamos. Acredito que Luciano e Marcel tenham ido para suas casas. 

Eu entrei no Pinguim para tomar a saideira.

Senti falta da Carol e do Gian. Se bem que nem a Carol nem o Gian participam desta oficina.


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15, 16/01/2023.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Diário – Leitura – As Meninas


As Meninas é um livro que aborda a vida de três jovens mulheres, universitárias, que vivem em um internato na cidade de São Paulo, em um período que fica entre o final dos anos 1960 e início dos 1970. Foi publicado originalmente em 1973.

As meninas são Lorena, a filha da burguesia do interior do estado; Lia, a menina baiana, filha de classe média que vem estudar em São Paulo; e Ana, a moça pobre que sonha em se casar com um homem rico. 

No decorrer da história vemos que Lorena enfrenta dificuldades em um relacionamento amoroso; Lia se envolve com a política estudantil e com a luta armada contra o regime; e Ana tem muitas dificuldades à medida que se torna usuária de drogas. 

Me pergunto como o livro foi recebido por público e crítica naquela segunda metade do século XX. 

Apesar de sabermos que a trama é ambientada na cidade de São Paulo, no Brasil daquele tempo, o que temos são universos de três mulheres vistos por dentro (nas mentes das personagens) e por fora (quando um narrador descreve o que vai acontecendo). Não sei se é um clichê dizer que é um universo feminino, descrito por uma escritora mulher. 

Lendo o livro cerca de cinquenta anos após ele ter sido publicado pela primeira vez, acho que ele envelheceu bem. Mas isso sou eu, que tenho quase sessenta anos. O que pensará do livro um leitor ou uma leitora de seus vinte e poucos anos? 

O livro estava por aqui, na pilha, aguardando sua vez de ser lido. Essa ocasião chegou por conta do falecimento da autora, em abril de 2022. 


TELLES, Lygia Fagundes. As Meninas. São Paulo: MediaFashion, 2012. Coleção Folha de Literatura Íbero-Americana.


06,16/01/2023. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Tia Olívia (1930-2023)


Devia ser um sábado como quase qualquer outro. A única coisa menos comum foi que na manhã desse sábado eu resolvi ir a um laboratório realizar os exames que se tornam rotina na vida da gente depois dos quarenta, quando a gente tenta cuidar da saúde. 

Do laboratório para casa, resolvi realizar a caminhada diária, recomendada pela médica, aproveitando a falta de pressa e a temperatura amena do início da manhã. 

Passei a manhã entre leituras. 

No início da tarde, saí para almoçar em um restaurante perto de casa. 

Depois do almoço, nova caminhada, até um shopping próximo. Nos dias de verão é bom caminhar sob o ar condicionado do shopping. 

De tantas caminhadas, um par de tênis está se entregando. Comprei um novo par de tênis. 

Quando eu ia me encaminhando lentamente para a saída do shopping, uma mensagem do Emanuel me interceptou. Tia Olívia, tia-avó dele, tia da Linda havia falecido. Caiu sobre mim o sentimento de luto. 

Tia Olívia, a irmã gêmea da Dona Dyva, minha falecida sogra. 

Faz quase um ano que escrevi sobre um sonho que a envolvia

Olívia estava naquele lugar de pessoas que são queridas, mas são algo distantes. Não sabemos bem como estão, mas pensamos que estão bem. Sabemos que são velhinhas, mas estão bem. 

Então, um dia, nos sobrevêm esse tipo de notícia. 

Talvez uma das primeiras visitas que fiz com Linda a seus parentes na área rural de Cachoeira do Sul e arredores tenha sido à casa da Tia Olívia. 

Éramos recém-casados e chegamos na época da colheita do arroz. Linda havia me prevenido para um lugar sem água encanada, nem luz elétrica. Mas a Linda estava enganada. Quando chegamos lá, a luz elétrica havia chegado bem antes. Ou seja, havia eletricidade. E por conta disso, havia motor elétrico no poço, que puxava água para a caixa d'água instalada na casa, e, portanto, havia água encanada. A hospitalidade foi menos rústica, mas tão divertida como poderia ser em qualquer circunstância. 

Poucos anos depois, voltamos. Mais ou menos na mesma época. Época de colheita de arroz. Final de março ou início de abril. O Emanuel bebê. Da entrada da propriedade, junto à estrada vicinal, até a casa da tia Olívia ganhamos carona numa espécie de caçamba puxada por um trator. Não tinha amortecedor, sacudia pra caramba, mas nos poupou uns três quilômetros de caminhada com bebê e bagagem. 

Depois os encontros ficaram mais esporádicos. 

Devo tê-la visto no velório e enterro do meu sogro, Manoel. 

E depois, numa dessas expedições que se faz em dias como Finados, para limpar e arrumar túmulos de entes queridos. 

Sendo gêmea de minha sogra, talvez fosse um caso de estudo da ciência. As duas compartilhando a mesma carga genética, desenvolveram Alzheimer. Mas tia Olívia bem depois da dona Dyva. 

Pelas minhas contas, estava com 92 anos. 

Estou aqui, sob o impacto da notícia. 

Que descanse em paz. 


07,10/01/2023. 

domingo, 8 de janeiro de 2023

Novas Voltas em Torno do Umbigo no Escrita Criativa


Depois de publicar uma meia dúzia de resenhas de livros publicados pela Editora Metamorfose aqui no blogue, o Marcelo Spalding, responsável pela editora e seu ecossistema (curso de formação de escritores e saites), fez uma breve entrevista comigo e publicou o resultado no saite Escrita Criativa

Confere .


07/01/2023.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Um repentino fluxo de visitantes no início de 2023


Ontem, 4 de janeiro de 2023, quando olhei as estatísticas deste blogue, percebi um aumento vistoso de visitantes, isto é, “views” para as mais recentes publicações. 

Das 10 ou 15 ou 20 “views” rotineiras por publicação, havia então 70 ou 90. 

Fiquei me perguntando a razão. 

Depois fui olhar o blogue do Emilio Pacheco e ele havia citado este Novas Voltas em Torno do Umbigo lá. Eis o motivo razão para o repentino aumento de visitas. 

Obrigado, Emilio! 


05,06/01/2023. 

Diário – leituras – As Quatro Cartas


Terminei de ler o divertido livro de Sérgio Schaefer ali por agosto do ano passado (2022).

Nesta novela acompanhamos as desventuras de um professor que é preso, acusado de enviar uma carta injuriosa ao presidente da federação. Esta é a primeira das quatro cartas. 

Por conta disso, ele sofre com a violência policial e com a omissão judiciária. Isso enquanto precisa lidar também com o trabalho precarizado, e sem perspectivas de aposentadoria em qualquer futuro. 

O país onde ocorrem a violência policial, a tortura, o abuso de autoridade não é nomeado. Precisa?

O gênio do autor aparece no tom satírico, e portanto leve, com que essa história, que deveria ser trágica, é contada. É o humor com que rimos das tragédias que acontecem aos outros. 

Além disso, como comenta Marcelo Spalding na apresentação do livro, o autor cria verbos, que são muito naturais. “O sol solava cálido. As pombas pombavam em grupo lá perto do chafariz que não chafarizava.”

Ainda Spalding diz na apresentação, “verdade que o texto de Schaefer mereceria os mais nobres espaços dos jornais, as melhores estantes das livrarias. Não os terá.” O que é uma pena. É uma sátira muito boa. 


03, 06/01/2023.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Diário – leituras – Aqui Dentro


Esse foi o segundo livrinho da Editora Venas Abiertas que li. O primeiro havia sido Para diminuir a febre de sentir, de Dalva Soares

Li o livro Aqui Dentro já faz algum tempo, mas estava enrolado para registrar. 

Aqui Dentro é uma coleção de crônicas muito literárias da Nathallia Protazio. São crônicas tão longas e tão literárias que fiquei muitas vezes com o sentimento que lia contos. 

Em especial Aldeia Esquina Democrática, onde depois de expor a Esquina Democrática de Porto Alegre (para quem não sabe, é a esquina da Rua dos Andradas com a Avenida Borges de Medeiros no Centro da cidade), ela passa a narrar uma crise que se forma. “Não precisa bater, ele é autista, não vai fazer nada”. Como não se emocionar com a narrativa de Nathallia para a situação? Eu me emocionei. 

Também as situações complicadas, extremamente complicadas, que uma mulher tem de enfrentar por conta de relacionamentos, que ela narra em Incisiva. 

Ou a dúvida que a afronta (a dúvida a afronta ou afronta uma personagem? Mas que importância tem isso?) em um momento de ansiedade, sentada no vaso sanitário em Dúvida. 

Além dessas três citadas há outras sete crônicas-conto.

Um bom livrinho. Não fosse pelo tamanho, 10 x 15 cm, o tamanho mais comum de quando imprimíamos fotos, seria um livrão. 


PROTAZIO, Nathallia. Aqui Dentro. Belo Horizonte: Venas Abiertas, 2020.


03, 05/01/2023.