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Auto-Escritor

"Amanhã tenho que passar na editora". São mais ou menos essas as palavras de Paulo, personagem de Carlos Heitor Cony, no livro "Pessach, A Travessia". Um escritor tendo um escritor como personagem é quase metalinguagem.  Mas frase veio recorrentemente à minha mente neste final de 2018.  Um motivo era que a Editora Metamorfose me pediu para retirar os volumes a que teria direito, por conta da antologia "Palavras de Quinta", publicada num sistema de compartilhamento de custos.  Quase simultaneamente, tinham acabado os volumes que eu tinha comigo, de outra antologia em que participei, a "Santa Sede 7, Crônicas de Botequim" (2016) , e entrei em contato com a Editora Buqui, para adquirir mais, já que os autores participantes da antologia podem comprá-los com um bom desconto.  E, de repente, no meio dessas necessidades, acabei realmente por me sentir um escritor. Alguém que já teve textos publicados em livro. Foram três antologias até agora. A...

Carlos Wagner (1958-2026)

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Na manhã deste Dia de Finados de 2026 recebi a notícia do falecimento do amigo Carlos Wagner. Fazia alguns anos que ele lutava contra um câncer e, por fim, nas primeiras horas deste 2 de novembro a indesejada das gentes o levou. No início deste século ele foi meu chefe, um chefe risonho na maior parte do tempo. Me acolheu em um período em que eu passava por algumas dificuldades profissionais. Foi um bom chefe. Tanto que depois ele mudou de área, deixou de ser meu chefe, e mantivemos algum contato. Esse contato se aproximou mais depois que ambos nos aposentamos. Ele primeiro, depois eu. Conseguimos almoçar juntos umas poucas vezes. O último happy hour junto com ex-colegas em que ele participou foi há cerca de um ano. Faz uma semana que falei com ele pela última vez. Estava bastante debilitado pelas quimioterapias que vinha fazendo, a voz um pouco mais fraca, mas mantinha o rosto risonho, o humor irônico, o sorriso característico. A notícia de seu falecimento me entristeceu muito. 68. Pa...

Benito di Paula (1941-2026)

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Houve um tempo em que eu costumava escrever sobre personalidades que nos deixavam. Na maioria das vezes atores, músicos, atletas. Eventualmente escritores. Às vezes historiadores. De uns tempos para cá não tenho conseguido mais fazer isso. Talvez estejam morrendo mais pessoas do que eu consiga escrever a respeito. Ou talvez o tempo tenha me tirado a energia para ficar escrevendo sobre pessoas que fazem parte do meu imaginário e tenham partido. São tantas recentemente, ou talvez nem tão recentemente assim. Juca de Oliveira, Oscar Schmidt. Glória Menezes, Laura Cardoso. Esses são apenas alguns/algumas que nos deixaram em 2026. Agora em outubro fomos informados da morte do músico Benito di Paula . A morte de Benito di Paula me levou para certo tempo da minha infância. Coisa de meados dos anos 1970. Éramos uma família pobre, que hoje seria chamada de classe média baixa. E aí, talvez por 1975, mas pode ser que tenha sido em 1974, minha irmã, que era adulta enquanto eu ainda era uma criança,...

Quantas comemorações cabem em um dia?

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Andando pela cidade em 31 de outubro passado vi crianças, adolescentes e jovens fantasiados, provavelmente comemorando o Halloween, ou o Dia das Bruxas, um costume dos Estados Unidos que já parece bem estabelecido por aqui. Tempos atrás eu achava que podia protestar contra modismos estrangeiros. Dizia que 31 de outubro era o Dia do Saci no Brasil.  Ou que 31 de outubro era o Dia da Reforma Protestante. Pois bem, descobri agora que no dia 31 de outubro também é o Dia Nacional da Poesia, por lei de 2015. Em 31 de outubro de 1902 nasceu o poeta Carlos Drummond de Andrade. Enfim… A 31 de outubro, segue o dia 1º de novembro, o Dia de Todos os Santos. Se o Dia é de Todos os Santos, também é o dia do anedótico São Nunca, aquele que nunca seria comemorado. Se o dia é de todos os santos, São Nunca pode ser comemorado. E neste ano recebi em forma de meme a informação que 1º de novembro é o dia do homem, ou dos homens, isto é,  de todos os “santos”. E há uma animação dos Peanuts, a turma...

27/10/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista não conseguiu publicar esta semana. Ficou, de novo, paralisado por conta das eleições no Brasil. Talvez o texto semanal retorne em 3 de novembro de 2026. Talvez.

Cara Maria – XXII – Ainda é outubro de 2026

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Cara Maria, Tu vês. Não paro de te enviar mensagens. Continuamos em outubro, nesta primavera de dias mais frios do que estamos acostumados. Semana passada falei nos jacarandás e nos ipês amarelos. E comentei de ver ipês amarelos floridos agora, depois de ver outros ipês amarelos, e também ipês cor-de-rosa, que floresceram no final de agosto, início de setembro. Pois bem, pelo menos um dos ipês, amarelos, floresceu no final de agosto e voltou a florescer agora. Lembro de algumas leituras em que biólogos alertavam para o risco da crise climática estar mudando o ritmo vital das plantas e, talvez, atrapalhando sua reprodução. Na época pensei que, talvez, atrapalhar a reprodução das plantas fosse algo que acontecesse nos bosques e florestas, e não no meio urbano, onde as árvores já são civilizadamente atrapalhadas em sua reprodução. E, bem, talvez essa dupla floração seja um sinal da capacidade de adaptação das plantas. Ou pelo menos do ipê. Bom poder falar da primavera e das plantas. Ou de...

Cara Maria – XXI – É outubro de 2026

Cara Maria, Aqui pela zona norte de Porto Alegre já vejo flores nos jacarandás. E, veja só, alguns ipês amarelos florescendo. Como eu já havia falado das flores dos ipês amarelos lá pelo final de agosto e início de setembro passados, não sei se chamo de temporã a floração de agora, ou se deveria ter chamado desta maneira àquela do final do inverno. Vai saber. Pra mim, temporão era sempre o que vinha depois do tempo considerado próprio, como eu mesmo, filho temporão. Mas descobri que temporão pode ser o que vem antes do tempo considerado próprio. Digamos, o apressado. As flores da primavera são sempre algo que podemos apreciar. Assim como o canto do sabiá. Esta semana em minhas caminhadas passei duas tardes seguidas por uma rua, e ali um sabiá cantava seu canto característico de um galho de uma extremosa. A mesma extremosa nos dois dias. Fiquei me perguntando se era o mesmo bicho. Enfim… Semana passada não escrevi. Fiquei paralisado na expectativa das eleições. E as eleições v...

06/10/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista não conseguiu publicar esta semana. Ficou paralisado por conta das eleições no Brasil. Talvez o texto semanal retorne em 13 de outubro de 2026. Talvez.