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Auto-Escritor

"Amanhã tenho que passar na editora". São mais ou menos essas as palavras de Paulo, personagem de Carlos Heitor Cony, no livro "Pessach, A Travessia". Um escritor tendo um escritor como personagem é quase metalinguagem.  Mas frase veio recorrentemente à minha mente neste final de 2018.  Um motivo era que a Editora Metamorfose me pediu para retirar os volumes a que teria direito, por conta da antologia "Palavras de Quinta", publicada num sistema de compartilhamento de custos.  Quase simultaneamente, tinham acabado os volumes que eu tinha comigo, de outra antologia em que participei, a "Santa Sede 7, Crônicas de Botequim" (2016) , e entrei em contato com a Editora Buqui, para adquirir mais, já que os autores participantes da antologia podem comprá-los com um bom desconto.  E, de repente, no meio dessas necessidades, acabei realmente por me sentir um escritor. Alguém que já teve textos publicados em livro. Foram três antologias até agora. A...

Diário – leituras – A Era dos Novos Horizontes

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Como disse anteriormente, li os livros desta série de Justo L. González lá por meados dos anos 1980, quando eu era jovem, e um crente evangélico engajado. A série de livros se propõe a contar a História do Cristianismo desde o tempo dos apóstolos de Jesus até meados do século XX. O autor tem um estilo fluente, e os volumes contam com diversas ilustrações. A leitura deste volume 9, se segue à do volume 8, realizada no ano passado, e registrada por aqui .  Este volume 9 fala sobre a evolução do cristianismo do final do século XVIII até o início do XX. Neste caso o autor abre o foco para além de Europa e Estados Unidos. Esse período histórico abarca o que chamamos de Revolução Industrial e o auge do que foram o colonialismo e o imperialismo, quando países europeus, e posteriormente os Estados Unidos e o Japão, colonizaram vastas porções da Ásia e da África. Nos cerca de 150 anos de história narrados, o autor fala do cristianismo nas Américas libertas do jugo espanhol e português. E fa...

O final do inverno de 2026 em Porto Alegre ainda é inverno

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Eu estava errado. Ou talvez não. Há poucas semanas eu falava que Porto Alegre respirava ares de primavera, quando ainda faltava quase um mês para o início da nova estação . Sei lá. Talvez a natureza seja caprichosa. Talvez seja a crise climática. Tivemos ipês amarelos e ipês cor-de-rosa florindo. E então as florações se foram. Mas então tivemos dias nublados, dias de chuva fina, garoa, névoa. Nada que fizesse tremer (de frio). Algo de inverno. Nuvens cor de chumbo. Dias cinzas. Sei lá. Patas de vaca ainda florescem. Depois das flores cor-de-rosa, as flores brancas. Os sabiás continuam quietos. Pelo menos onde moro. Não creio que eles resolvam cantar enquanto durmo para que eu os ignore. Bem, pelo menos não tivemos nova catástrofe no Himalaia. Ou em qualquer parte do mundo naquelas proporções. Continuam as guerras. No leste da Europa. No Oriente Próximo. No nordeste da África. Um ruído que não me deixa esquecer da bestialidade humana. E teremos eleições no Brasil em menos de duas semana...

Diário – cinema – Michael

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Em maio passado fui assistir o filme Michael, dirigido por Antoine Fuqua. Trata-se de uma cinebiografia de Michael Jackson, desde sua infância até, talvez, o pico de seu estrelato em meados dos anos 1980. É uma história que mostra Michael como uma criança prodígio, que, talvez, estivesse mesmo destinada a ser uma estrela. Duas coisas foram ressaltadas no filme: o talento de Michael e o papel de seu pai Joseph Jackson. Joseph Jackson é alguém que tanto estimula os filhos na carreira musical, com o intuito de fugir da pobreza, quanto também é um abusador. Como trinta anos de vida tem que ficar reduzidos em duas horas de filme, primeiro vemos o menino que canta e dança com extrema graça, depois o artista que vai desabrochando com a gravação de seu álbum solo, Off The Wall, e alcançando um auge com as gravações do álbum Thriller. Na época do lançamento do filme, alguns questionaram por que a obra não mostrava os alegados abusos que Michael Jackson praticou. A resposta geral é que a históri...

15/09/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista resolveu dar um tempo esta semana. Ele pensou, pensou, mas não cometeu um texto. Talvez o texto semanal retorne em 7 de julho de 2026. Talvez.

2026: 25 anos esta semana

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Quem diria que 25 anos se passariam tão rápido? Pois é. Era uma vez uma manhã, talvez fria, em Porto Alegre. 11 de setembro de 2001. Eu estava na firma com meus colegas, quando a irmã da chefe telefonou para dizer que um avião havia batido em uma das Torres Gêmeas, isto é, em uma das torres do World Trade Center, em Nova York. Achamos estranho um tal acidente em 2001 com toda a tecnologia de que os aviões dispunham, mas seguimos como se um acidente fosse. Minutos depois a irmã da chefe telefonou novamente para dizer que outro avião havia batido no World Trade Center. Um avião poderia ter sido acidente. Dois aviões era alguma outra coisa. E assim passamos aquela manhã voltados para a internet, que era um meio de comunicação algo recente então. E foi assim que soubemos de outro avião jogado contra o Pentágono (e foi assim que descobri, espantado, que na época não havia restrição de voos civis próximos ao comando militar dos Estados Unidos). E foi assim que soubemos que um avião caiu em a...

Diário – leituras – Cassino Hotel

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Procurando pelo autor, André Takeda, na internet, deparei com um resumo do livro: “Cassino Hotel conta a história de João Pedro, um cara que chegou aos 30 anos não tendo a mínima idéia do que fez de sua vida – e do que vai fazer. João Pedro é guitarrista, já teve sua própria banda, mas hoje se sustenta tocando e produzindo canções para Mel X, uma pop star teen, filha de um famoso cantor sertanejo, algo como Wanessa Camargo e Sandy. Além da relação profissional, João também vive um romance às escondidas com Melissa. Drogas, fama, redescobrimento, família, amizades, retorno às raízes e muitas reviravoltas marcam as páginas de Cassino Hotel, que nasceu inspirado em Pulp e Wilco, e quase ganhou o nome de uma canção dos Stones. No fim, acabou levando o nome de uma praia no litoral gaúcho.”. Esse resumo está disponível no saite Scream & Yell . Muito resumidamente é isso mesmo. É um livro sobre João Pedro, o protagonista, e sua crise dos 30 anos. Até não muito tempo atrás, a chegada dos 3...

Neste final de inverno de 2026 em Porto Alegre, a cidade já respira ares de primavera

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O inverno do hemisfério meridional de 2026 vai entrando no seu terço final e Porto Alegre já respira ares de primavera. Não que isso seja novidade. Já falei por aqui sobre a floração dos ipês amarelos, ainda no início de agosto . Junto com os ipês amarelos floresciam as flores de pata-de-vaca. Bem... Depois dos ipês amarelos, tivemos a floração dos ipês cor-de-rosa. Já, já vêm o jacarandá. Ih, rimou, olha lá! E mesmo que os dias em que escrevo parecem muito com dias de inverno: nuvens, chuvisco, névoa… Não me parece que faz tanto frio assim. É cara de inverno, mas sem muita sensação de inverno. Pelo menos pra mim.  Se bem que quem costuma sinalizar mesmo a primavera são os sabiás, nas madrugadas menos frias, atiçados pela luz artificial da cidade. E aqui por onde moro, eles ainda estão quietos.  Há quem atribua essa primavera adiantada à crise climática. Pode ser. Acho inclusive que os especialistas no assunto endossam a tese. Para quem quiser ver, a crise climática está por t...