Cara Maria – XIX – O Rio sempre merece uma nova vez


Cara Maria,


Assim chegamos à décima nona mensagem. 

Como podes ver, gostei das tuas palavras, “o Rio sempre merece uma nova vez”. Acho que o Rio tem alguma coisa do estereótipo de “ame-o ou odeie-o”. Acho que vale tanto para os moradores quanto para os turistas. 

Tuas palavras vieram a propósito da tua sugestão de um passeio ao Jardim Botânico de lá, ao qual não fui. E cogitei de uma próxima vez. 

“O Rio sempre merece uma nova vez”.

Neste passeio mais recente também tínhamos o propósito, eu e o filho, de visitar o Palácio Guanabara. Os cinco dias de chuvas intermitentes e chuviscos fizeram com que desistíssemos. Eis mais um motivo para sempre retornar ao Rio: sua história. Na viagem anterior nosso foco foi o Palácio do Catete, que virou o Museu da República sob o Governo JK. O local onde Getúlio Vargas se suicidou. E, por sinal, um palácio acanhado, pequeno em área construída. Mas com ampla área verde ao redor e muito próximo da Praia do Flamengo. O Palácio Guanabara guarda a memória do Getúlio nos anos 1930 e 1940 e a tentativa dos integralistas de deporem-no através de um assalto armado. Eis um motivo para sempre retornar ao Rio: sua história.

Aliás, algo que pensamos foi que uma cidade com tanta história, capital da colônia de Portugal, capital da monarquia e capital da república não deveria ter tido praticamente todos os órgãos do Governo Federal retirados dali. Mas foram retirados. Infelizmente.

Além da história, é uma cidade em meio a uma natureza exuberante, de uma beleza espantosa. Isso se vê nas fotos e se sente estando lá.

E é uma cidade cosmopolita. Pelo menos nas áreas de turistas que frequentamos é possível ouvir pessoas falando espanhol, inglês, francês, chinês e outros idiomas que não conseguimos identificar. 

Em dias de chuvas e chuviscos fomos ao Museu de Arte Moderna, quase todo ocupado com obras do acervo que pertenceu ao colecionador Gilberto Chateubriand. Por sinal um acervo muito representativo da arte brasileira desde meados do início do século XX, Fomos ao AquaRio, o aquário, que achamos uma armadilha para turistas. E fomos a um desses prédios que os geógrafos e sociólogos chamam de não-lugar, um shopping center, o Shopping Rio Sul, no bairro de Botafogo. Em dias de chuvas e chuvisco fomos a lugares fechados. 

Também aproveitamos um pouco da variada culinária que a cidade oferece, e os preços da lá são equiparáveis aos de Porto Alegre. Não houve um susto olhando os cardápios. 

Foi o que foi possível fazer.

Em meados do ano passado escrevi à amiga Viviane que o Rio continuava lindo. Continua. A canção de Gilberto Gil permanece atual. E deverá sempre permanecer. A menos, claro, que se cumpra a “profecia” de Chico Buarque em Futuros Amantes. 

Sim, cara Maria, o Rio sempre merece uma nova vez. Pelo menos para nós que o amamos.


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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ, em registro feito pelo blogueiro

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28/01/2026, 06, 10/02/2026. 

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