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2026, sexagésimo ano, ano do Cavalo do Fogo

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E assim chego ao sexagésimo ano. Novamente um cavalo de fogo, sessenta anos após o ano em que nasci.  O que pode significar plenitude, um ciclo completo.  Ou simplesmente velhice.  Não reclamo. Apenas constato. Comento.  Não há do que reclamar. Tem sido mais bom do que mau.  Talvez mesmo uma vida acima da expectativa que se tinha quando nasci em 1966. Ano da Graça do Senhor de 1966. Ano do Cavalo de Fogo.  Passando por um cavalo de terra em 1978, um cavalo de metal em 1990, um cavalo de água em 2002 (e lembrando que em 2002 foi o último ano em que a seleçao brasileira de futebol masculino ganhou a Copa do Mundo da categoria), um cavalo de madeira em 2014 (ano do infame 7 a 1, que deixou um tanto de gente traumatizada. Mas o meu trauma em futebol havia sido superado com a conquista de 1994. 1994 não foi ano do cavalo). Agora são tempos de balanços. Já dá para olhar para trás e avaliar perdas e ganhos.  É tempo de se distrair e esquecer pequenas coisas a...

Presença e ausência

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De repente a presença vira ausência E a ausência vira presença E a presença da ausência gera um grande estranhamento  Depois de seis anos . . Quinta-feira, 27 de março de 2025, por conta da partida do Gatinho para ir morar em outro lar 31/03/2025.

Muchas gracias!

O que esperamos quando vamos ao médico? A cura de algum mal, provavelmente. Mas, e se não houver cura? Pelo menos se não houver cura até o momento, apesar de tudo o que a medicina evoluiu nos últimos dois séculos?  Bom, é possível a redução de danos. A diminuição da velocidade com que nos dirigimos ao abismo (sim, porque o abismo está lá, a gente vai chegar mais cedo ou mais tarde).  Foi assim que após um checape, lá pelos inícios dos meus quarenta anos, a médica clínica geral do ambulatório do plano de saúde da firma me encaminhou, com certa urgência, para uma endocrinologista.  Foi assim que me tornei paciente dessa doutora. Ela tem um nome longo. Vamos facilitar e chamá-la apenas de Dra. Denise Barros. E ela tem uma fiel escudeira, a Dona Cleusa, a recepcionista que está com ela desde a primeira vez que cheguei ao consultório, e lá se vão quase quinze anos.  Nesse período foram vários exames clínicos. Vocês sabem, não? Exames de nossas secreções e excreções. E alg...

O vazio de um vaso

Hoje eu me desfiz do vaso da orquídea . Ficou um espaço vazio na área de serviço.  Talvez eu não devesse pensar tanto em um vaso de flores cuja planta morreu, mas eu penso.  O vaso foi-me entregue na noite em que eu participava do lançamento de um livro, uma coletânea de crônicas por um coletivo de cronistas.  Noite de bebedeira, decepções, sustos, alegrias. De tudo um pouco.  Quando chegou, a planta veio com uma bela flor. Como dito, uma orquídea. Depois a flor caiu, mas a planta vinha se renovando. Renovando folhas, renovando brotos. E assim se passaram três anos.  Nesse verão, ela feneceu e morreu. Não sei se foi o calor excessivo. Ou se exagerei na quantidade de água. Foi uma pena.  Ontem fez cinco anos que minha irmã faleceu. Tinha setenta anos então. Tinha uma vida saudável até um ano antes.  Então, em sete meses, vieram as dores, a falta de diagnóstico, a peregrinação por consultas médicas e exames. E o diagnóstico. Câncer de pâncreas.  Fei...

2022 ainda não tinha terminado (II)

Ontem, dia 30 eu publiquei um comentário breve , dizendo que me enganei em pensar que encerraria o ano de 2022 no blogue com uma crônica publicada no dia 27. A tal crônica de balanço do ano .  Então, no dia 29 surgiram dois fatos que achei relevantes colocar como anotação por aqui.  Um o encontro o colega blogueiro Emilio Pacheco.  Outro, algo inescapável, o falecimento, ou a coroação final, de Pelé.  Pois bem.  Na tarde de 30 de dezembro vi as notícias do falecimento de Vivienne Westwood. E a notícia do falecimento nos faz observar um pouco mais as pessoas que partem. No caso de Westwood, foi possível ler sobre sua rebeldia contra a monarquia, seu engajamento no início do punk britânico, seu ativismo. E pensar que, em tese, ela seria uma estilista, uma fashionista. Ela era bem mais que isso. Também coincidiu de eu estar lendo as memórias do Bono, do U2, e ele estar por Londres tentando cavar o primeiro contrato para a banda, mais ou menos na mesma época em que ...

O Raul que não conheci

Caro Rubem, Só posso imaginar a dor que sentes pela perda do teu primo-irmão,  a respeito de quem escreveste  como se fosse um irmão, o Raul.  Sendo que tens um irmão e duas irmãs. E eu só sei da existência de toda essa gente pelo que escreveste a respeito deles.  Não há nenhum Raul memorável na minha infância, um amigo, um primo que marcaram minha vida.  Raul para mim era o Seixas, aquele que todos pedem para que seja tocado, e que gerou um conto no primeiro livro em que fui publicado (e que tu adquiriste, espero que tenhas lido e gostado); e aquele que foi goleiro no Cruzeiro e no Flamengo.  O Raul que conheci por ti foi galã, esportista, e, bem, parece, brigão. De qualquer maneira parceirão, amigo. Admirado.  E, bem, se foi. Precocemente. Podia ter ficado um pouco mais. Ou muito mais. Quanto é muito? (vale lembrar o vídeo que publicaste no teu aniversário sobre o teu desejo / esperança de viver mais trinta anos. Admirável! Que tal mais quarenta?)....