Passeando no Museu do Paço


Porto Alegre, junho de 2026.


Filho,


Na quinta-feira passada, uma quinta-feira de junho de 2026, entre uma consulta e outra, antes de almoçar, me surgiu a oportunidade de visitar o Museu de Arte do Paço. Sabes? O Museu que está funcionando na antiga sede da Prefeitura, o antigo Paço Municipal de Porto Alegre.

Parece que o prefeito se mudou para um prédio na esquina da João Manoel com a Siqueira Campos, a umas cinco quadras do antigo paço. O prefeito ir embora e deixar o antigo prédio à arte? Achei bom.

Como é sabido, o prédio é antigo, se pensarmos em termos e tempos de Porto Alegre. É do final do século XIX. No saguão há uma breve história dele, inclusive informando que no tempo da monarquia, o governo da cidade era feito pela câmara de vereadores, no que imagino que deveria ser um, digamos, pequeno parlamentarismo. Depois veio a república, e com ela os intendentes, que com o tempo passaram a ser chamados de prefeitos.

Um museu de arte. Inclusive chamado de Museu de Arte do Paço.

Naquele final de manhã fria, ainda outono mas já com ares de inverno porto-alegrense, havia umas cinco exposições disponíveis para quem tivesse tempo e estivesse disposto a apreciar a arte ali apresentada. Entrada gratuita. Não são muitas pessoas que podem dispor de tempo para ver exposições artísticas na quinta-feira pela manhã. Deve ser por isso que as mostras estavam às moscas. Se bem que devo dizer que nenhuma mosca me incomodou enquanto estive lá. Isto é, não percebi. Na maior parte do tempo eu era o único visitante por ali.

É um espaço pequeno. Em todo caso, acho que o prédio de fato combina com exposições artísticas.

Uma delas era uma coleção que privilegiava imagens do campo, na região da campanha. O Rio Grande do Sul tem litoral, serra, planalto, tem as margens do Rio Uruguai de norte a oeste, mas é o campo que está naquele imaginário, acho que posso dizer do nosso imaginário.

Uma outra, uma mostra fotográfica apresenta fotografias em preto e branco que trazem imagens um tanto oníricas. Ou de pesadelo. O visitante pode escolher.

Uma outra mostra gravuras que vão de Porto Alegre a Roma.

E a que mais me impressionou foi a exposição do escultor Carlos Tenius. Por ali descobri que ele é o responsável pelo Monumento aos Açorianos, que está, bem, no Largo dos Açorianos. Ali entre a Praia de Belas, a Cidade Baixa e o Centro. Na exposição de Tenius há reproduções do Monumento aos Açorianos em escala reduzida. Além disso há registros da história da vida do escultor, e outros desenhos e esculturas. Pelo que vi, Carlos Tenius ainda vive. Nascido em 1939, está com 87 anos.

Além disso, em cantos escuros, dei com figuras políticas da república velha no Rio Grande do Sul. Bustos de Julio de Castilhos e de Borges de Medeiros, e um quadro de grandes dimensões representando Pinheiro Machado. Acho que essas obras já estavam por ali, antes do prédio ser convertido em museu.

Tive a impressão de que estive quase o tempo todo sozinho nas salas de exposição. Talvez haja câmeras como um dispositivo de segurança, mas achei que as obras também correm o risco de ficarem expostas ao vandalismo. Torço para que não. 

Museus. Quantos visitamos em tantos lugares? Quantos deixamos de visitar?

Arte. A reflexão sobre o belo. Mas não só isso, porque nem só de beleza vive a arte. Ou como acho que li em algum lugar que o poeta Ferreira Gullar teria dito que “temos (ou fazemos) a arte porque a vida não é suficiente”, ou algo assim. Ou talvez porque sabemos que passaremos, e a arte pode ficar um pouco mais.

Enfim, filho, é um belo e meigo museu. Entrada franca. Acho que vale uma visita. 


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Uma das esculturas aos acorianos da exposição de Tenius

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16, 24/06/2026. 

Comentários

  1. Como turista, faço e realizo planos de caminhadas pelas ruas, de visitas a museus, praças e cafés, né? Em casa, mal acompanho a programação cultural da cidade. Minto. Vou na OSPA, no Theatro São Pedro e na CCMQ. No centro, quase não vou. Depois desta leitura faço planos de almoçar no Mercado, quinta ou sexta. Vamos?

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