Canção para Hal


Sou um fã da banda irlandesa U2 desde o álbum The Joshua Tree, lá por 1987, que talvez coincida com o tempo em que a banda se tornou uma “mega” banda, isto é, de sucesso estrondoso. Na época em que ainda se comprava álbuns em mídia física, adquiri The Joshua Tree, Achtung Baby, Zooropa, All That You Can’t Leave Behind e How to Dismantle an Atomic Bomb. Não são todos os álbuns entre 1987 e 2004, mas a maioria deles. 

E então passei por uma fase de afastamento. Mais ou menos como acontece às vezes quando a gente, por um motivo ou outro, se afasta de um amigo. 

Depois os serviços de áudio por demanda, também conhecidos como streaming, me deram a oportunidade de retomar, digamos, intimidade com as canções da banda. Pude escutar as canções de No Line On the Horizon, Songs of Innocence e Songs of Experience. E enquanto eu lia as memórias de Bono em Surrender, pude ouvir canções dos álbuns Boy ou War. 

Enfim, só para dizer que sou um fã. 

Depois do álbum Songs of Surrender, de 2023, em que o U2 faz reinterpretações de suas canções (ou seja faz cover de si mesmo), este ano eles lançaram dois Eps. 

Em fevereiro lançaram Days of Ash, uma coleção de canções de forte conteúdo político.

E agora em abril, na Páscoa, lançaram Easter Lily, que acho que poderia ser traduzido como “Lírio de Páscoa”. Esta, uma coleção de canções que me remetem à religião e à nostalgia. Religião: Resurrection Song; Easter Parade; Coexist. Nostalgia: In a Life; Song for Hal. Há ainda a canção Scars, que acho mais complicada de classificar. 

Song for Hal…

Song for Hal foi (é) a canção que mais me tocou. Ela me foi sugerida via algoritmo do saite de vídeos, na época do lançamento do EP. É uma música que homenageia o produtor musical Hal Willner, falecido de decorrência de covid-19, um dia após completar 54 anos, em 7 de abril de 2020. O clipe musical inicia com uma foto de Hal junto a alguém que pensei que poderia ser Adam Clayton, mas, de fato, é o cantor Lou Reed. A foto teria sido feita nos anos 1990. Na sequência o clipe mostra uma série de objetos colecionáveis, presumivelmente pertencentes a Hal. Colecionáveis esses que nos lembram que agora Hal era ausência. Não mais um sujeito, mas objeto dos sentimentos daqueles que conviveram com ele e lamentaram sua partida precoce, levado pela peste que varreu o mundo naqueles dias. 

Eu não sabia quem era Hal Willner, mas fiquei comovido que uma canção tenha sido feita em sua homenagem. Saber de sua morte ocorrida durante a pandemia, em um período em que o mundo entrou em quarentena, e ocorrida em consequência da pandemia, traz à memória tudo que ocorreu naqueles dias. Tantas mortes de pessoas queridas e/ou conhecidas. Tantas pessoas que sofreram por conta do vírus; algumas com sequelas que se prorrogaram no tempo. Vidas que poderiam ter durado mais; nos enriquecido com o potencial que tinham, como Hal. 

Que bom que a arte nos comove. Faz com que nos apropriemos dos atos de lembrar e homenagear mesmo alguém desconhecido. Que bom que a arte nos comove!

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Hal Willner (de óculos) com o cantor Lou Reed, semelhante à que abre o videoclipe de Song for Hal do U2. Foto copiada do Imdb.

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20, 21/04/2026. 

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