Feliz 101 anos, mãe


Feliz aniversário, mãe. Seriam 101 anos. 

Sabes? Não estava pensando muito no teu aniversário até que percebi que esta terça-feira, seria 3 de fevereiro de 2026. Me senti atropelado pelo calendário. O dia em que publico minhas crônicas e reflexões iria cair exatamente no dia do teu nascimento. 

Por esses dias pensei em falar sobre minha mais recente ida ao cinema. Fui ver um filme brasileiro, chamado O Agente Secreto. Atualmente estou indo ao cinema uma vez por ano. Muito embalado pela carreira internacional de filmes brasileiros. O filme anterior, em fevereiro de 2025, havia sido Ainda Estou Aqui. É curioso isso. Na juventude cheguei a ir a mais de uma sessão de cinema no mesmo dia, tendo de me deslocar de um cinema a outro, isto é, sem assistir aquelas matinês de dois filmes no mesmo prédio. Mas que dizer? Tu falavas dos filmes do Mazaropi que ias ver no cinema na tua juventude, e, que eu me lembre, nunca me levaste a uma sessão. Quem me iniciou no fascínio das telas grandes foi a Lúcia. E no final, pouco antes de ela se juntar a ti e ao pai, eu a convidava para ir a cinema e ela nunca aceitava. Pois é.  A gente muda. Fica impaciente, preguiçoso. Do mesmo jeito que aconteceu com vocês, também estou perdendo a paciência para as telonas e as telinhas. 

Por falar na Lúcia, me dou conta (sim, dou-me conta. A gente só percebe quando presta alguma atenção) que já se passaram oito anos desde que ela se juntou a vocês aí. 22 de janeiro de 2018. Repetindo o chavão, parece que foi ontem. E parece que foi mesmo. 

Há dois anos, por essa época do ano, escrevi um texto, chamado “3 de fevereiro de 2024. Se isso fosse um diário…” . Daria para relembrar os dois “Cs”. O Claudio que faz aniversário dia 2 e o Carlos que faz aniversário dia 3. E também do dia 4, que é aniversário da Rosane, amiga fluminense da Lúcia. E dia 4 também é aniversário da partida do pai, o seu Oswaldo; lá se vão 36 anos. 36 anos! 

Também pensei em falar sobre minha mais recente viagem ao Rio de Janeiro. Isso me faz lembrar aquela primeira viagem, lá em 1989. 24 horas em um busão de Porto Alegre para a Cidade Maravilhosa. Outras 24 horas em sentido contrário. Estávamos todos por aqui. O Emanuel era bebê. Naquela época era difícil pensar que eu poderia embarcar no Salgado Filho e uma hora e meia depois desembarcar no Galeão. Nas minhas lembranças aquele Rio de Janeiro de 1989 era mais sujo, violento e mal educado que o de hoje, não obstante o Rio de Janeiro atual ainda ter muitos problemas. Isso também é algo que vale para o Brasil; está melhor do que há 35 anos, mas quantos problemas! 

Também pensei em escrever sobre, e para, Silvia Cambará, a moça para quem Erico Verissimo era deus, que deve ter sido contemporânea tua, mãe, e que deixou um diário registrado nas páginas da epopeia de O Tempo e o Vento. 

Quando pensei em te escrever, fiquei pensando sobre o que eu poderia falar, já que já havia falado sobre muita coisa neste weblog (pensei em dizer que já falei sobre tudo, mas tudo é coisa demais), mas vês que a vida vai continuando. Tu vez por outra ainda compareces à terapia, mas muito menos do que tempos atrás. 

Enfim, mãe, chego ao meu sexagésimo ano, e isso me faz pensar, refletir. Sem querer ser mórbido sei que mais e mais se aproxima o tempo de me juntar a vocês. 

Enquanto não me junto vou vivendo da melhor maneira possível. 

Feliz aniversário, mãe. 


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28/01/2026, 03/02/2026. 

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