Diário – cinema – O Agente Secreto
Em meados de janeiro passado fui assistir o filme O Agente Secreto, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, e estrelado por Wagner Moura. Eu já havia escrito antes sobre o filme, comemorando suas premiações no Festival de Cinema de Cannes, lá por maio do ano passado. Agora pude assisti-lo.
Um filme com muitas camadas, como talvez diriam especialistas em cinema e em literatura. Uma espécie de thriller político talvez, ou um drama, sendo que em um momento se transforma em horror trash. Difícil dizer. Difícil dizer inclusive o que o diretor quis com tantas tramas. Para mim, a mensagem que ficou é sobre um país violento, onde a morte é banalizada: ponto ilustrado nas cenas iniciais do filme em que o personagem delegado Euclides, lendo a manchete de jornal que informava que até aquele momento no Carnaval de 1977 no Recife 93 pessoas já haviam morrido, comenta que as mortes iriam a mais de 100. Ou ilustrado também na cena inicial do filme, de um cadáver largado junto a um posto de gasolina de beira de estrada e que ficará ali até o fim do Carnaval, dali a alguns dias. Contudo também se pode dizer que é um filme em que, nos anos pesados do regime militar brasileiro (1964-1985), um pai, Marcelo, papel de Wagner Moura, vai em busca de seu filho, para que ambos saiam do país.
O filme tem uma fantástica recriação de época daquele Recife dos anos 1970. Além disso um elenco de pessoas não muito providas de beleza, com exceção do próprio Wagner Moura, que faz o papel principal, e de Gabriel Leone, que interpreta o matador Bobbi. Até a deslumbrante Maria Fernanda Cândido aparece caracterizada sem que sua aparência seja bem valorizada. Um alento para a maioria de nós não muito providos de beleza.
Falei da recriação do Recife de 1977? Os recifenses costumam chamar a cidade de Recife, de “o” Recife. Ali está ele, o Recife, ou ela, a cidade. Quente e abafada e bela e charmosa.
Gostei bastante do filme. Valeu a pena ter visto.
Devo estar indo ao cinema uma vez por ano. Eu que já gostei tanto de cinema a ponto de ir a duas sessões em um mesmo dia, em salas diferentes. A gente envelhece e muda. Ou muda e envelhece.
.
Reprodução do cartaz de divulgação do filme visto na Wikipédia
.
28/01/2026, 06, 18/02/2026.
-via_Wikip%C3%A9dia.jpg)
Comentários
Postar um comentário