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Crônicas de Mosaico – X

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Coisas da boemia: antes de chegar no Apolinário tive oportunidade de “fazer um aquecimento” em outro estabelecimento. Mas, nesse caso, nem era possível dizer que eu estivesse quimicamente alterado. Tanto que comecei pedindo um chope no Apolinário. Quando cheguei ao Apolinário, lá estavam posicionados para a oficina, o Rubem, o Marcel, e a Luca.  Larguei minha bolsa junto à mesa e fui ao banheiro.  Quando eu estava saindo do banheiro, fui “interceptado” pelo Gian. Em sua fala clássica, ele disse “deixam entrar qualquer um nesse bar”. Fato. Quando voltei à mesa, lá estavam o Tiago Maria e o Ed Aristimunho. O Mosaico tinha novas visitas. Repeti as palavras do Gian, “Pois é. Deixam entrar qualquer um nesse bar”. Ed comentou de seu projeto literário, 22 Goleiros .  E Ed foi o primeiro a sair. Um homem de família. Queria falar com o filho, que ora estuda no Rio de Janeiro.  A foto desta semana retratava uma mulher, supostamente uma mulher, com o rosto coberto, roupas como ...

Dona Nadir, eu, Iris e Paul Hewson

Cara doutora, Eu queria falar da leitura de Surrender, o livro de memórias do Bono, do U2. Nome civil: Paul Hewson.  Estou no início da leitura. Três capítulos até agora.  Talvez o Emanuel fosse gostar do livro, com suas descrições de Dublin. As ruas de Dublin. O que uma família de classe média dublinense tinha em casa nos anos 1970. A influência dos meios de comunicação do vizinho Reino Unido na Irlanda. E, inclusive, um atentado com carros-bomba em Dublin, perpetrado por unionistas do norte.  Em nossa mais recente sessão de terapia a minha mãe, Dona Nadir, foi citada novamente. Muito por conta da possibilidade de minha aposentadoria estar próxima, e dos conselhos que ela me deu quando eu era adolescente e começava a trabalhar. Então a sessão foi sobre a talvez severidade da Dona Nadir, as expectativas dela para seu filho, meu pai como uma régua ou um alvo. E por aí conversamos. Inclusive estávamos próximos do aniversário de morte da Dona Nadir, efeméride que havia me pa...

Um panorama das leituras em 26 de novembro de 2022

Acho que não é ostentação. É mais algo como falta de direção, ou distração. E este texto começa com um monte de ão.  Estou tentando ler paralelamente sete títulos. Sete livros. Cada um com a sua razão.  Talvez o que eu esteja lendo há mais tempo seja Diário Selvagem. De fato é a publicação de diários do jornalista e escritor José Carlos Oliveira (1934-1986). Comecei a ler, meio por indicação de Edgar Aristimunho, escritor, contista, cronista porto-alegrense. É um diário com poucos filtros, onde o autor reúne impressões pessoais, reflete sobre escrever e ser publicado, relata o que comeu e o que excretou (ou não. São recorrentes as prisões de ventre), com quem fez sexo. No máximo esconde nomes, fornecendo iniciais.  O segundo é Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie. Comecei a ler depois do mais recente atentado ao autor, em Nova York. É um livro denso, onde o avanço da leitura é lento. Até agora uma fantasia sobre um ator indiano que vai viver na Inglaterra. Mas volta à Í...

Perdas nessa quarta semana de novembro de 2022

De fato o calor chegou com tudo nesse final de novembro.  Infelizmente também chegaram as notícias tristes.  Na manhã de terça-feira, 22 de novembro, saiu a notícia da morte do cantautor Pablo Milanés. O cubano faleceu aos 79 anos em decorrência de um câncer.  Minhas lembranças de Pablo Milanés, como não poderia deixar de ser, vêm da música. Em especial do Disco Clube da Esquina 2, em que Milton e Chico cantam uma versão de Canción por la Unidad Latinoamericana. Depois um amigo me mostrou a versão original da música. Tempos depois, eu trabalhava em um escritório, em que uma colega deixava o rádio ligado durante o expediente. Em minhas recordações, parece que diariamente a rádio tocava a canção Iolanda, de Chico Buarque. E a Iolanda de Chico era uma versão da Yolanda, canção de Pablo Milanés.  No final da manhã da mesma terça-feira, saiu a notícia da morte de Erasmo Carlos, o Tremendão. Tremenda perda. Estava com 83 anos. Erasmo Carlos era uma figura da música brasile...

Diário – leituras – Entre o rio e a montanha

Entre o rio e a montanha conta a história de dois crimes acontecidos na fictícia cidade de Andorinhas. Andorinhas fica em algum lugar do Rio Grande do Sul que, como diz o título, deve estar entre um rio e uma cadeia de montanhas. Como se trata do Rio Grande do Sul, eu fico imaginando entre um rio e uma serra. Nesse lugar, aconteceu um crime no passado, e, depois um crime no presente da história.  Como a cidade aparentemente é dominada por uma grande indústria, essa indústria também é uma personagem da história. E há ainda os inacreditáveis diários do Padre Eurico, onde o vigário fazia observações sobre os paroquianos, incluindo algumas confissões.  Li essa história com facilidade.  Imaginei inclusive que serviria como uma sinopse de trama para uma telenovela no horário das 18 h. Quem sabe alguém do audiovisual concorda comigo? BERRIEL, Ezequiel. Entre o rio e a montanha. Porto Alegre: Metamorfose, 2018.  30/05/2022, 26/11/2022. 

Crônicas de Mosaico – IX

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Coisas da boemia: antes de chegar no Apolinário tive oportunidade de “fazer um aquecimento” em outro estabelecimento. O que fez com que eu chegasse quimicamente alterado, de uma maneira leve, à oficina. Contrariamente à semana anterior, em vez de pedir chope, pedi uma água com gás. Quando cheguei ao Apolinário, lá estavam posicionados para a oficina, o Rubem, e a Luciana, a “Luca”. Desta vez ela conseguiu chegar. O Marcel estava de saída. Não ficaria à mesa naquela noite. O Gian não pôde ir. Carol era esperada para mais tarde, como é costume. Luca levou dois textos. Textos que ficaram entre a crônica, a reflexão e a poesia. Textos sobre terra, ar, água, a partir de uma foto com sol e água.  Rubem levou o texto da foto dos pés com uma garrafa de vinho. Pra mim uma quebra de expectativas. Pra ele um abuso. Acho que Luca também ficou com a tese do abuso. Me senti um tanto ogro. Tudo isso a respeito do texto do Rubem.  O meu texto envolveu sol, calor, água e geografia. As leituras...

20 de novembro de 2022

1 Se novembro começou frio , nesta sua segunda quinzena já temos temperaturas de verão. Na última semana tivemos vários dias com temperatura acima de trinta graus. Foi como se passássemos direto do inverno ao verão, sem muitos dos dias amenos de primavera.  Hoje se celebra o Dia da Consciência Negra. Em outras capitais é feriado. Não que hoje isso faça diferença. Hoje é domingo. Ano que vem vai fazer. Diferença. No início deste século as prefeituras de Porto Alegre e Pelotas quiseram decretar feriado neste dia 20 de novembro. Foram proibidos porque a Fecomércio entrou com processo alegando que prefeituras não podem decretar feriados cívicos, apenas feriados religiosos. E o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou o argumento. Deve ter sido apenas coincidência que o processo tenha sido movido por um sindicato patronal dirigido em sua maioria por homens brancos, e que o Tribunal de Justiça do Estado também tenha em sua maioria juízes homens e brancos.  A cobertura do jorn...