2026: 25 anos esta semana


Quem diria que 25 anos se passariam tão rápido?

Pois é. Era uma vez uma manhã, talvez fria, em Porto Alegre. 11 de setembro de 2001. Eu estava na firma com meus colegas, quando a irmã da chefe telefonou para dizer que um avião havia batido em uma das Torres Gêmeas, isto é, em uma das torres do World Trade Center, em Nova York. Achamos estranho um tal acidente em 2001 com toda a tecnologia de que os aviões dispunham, mas seguimos como se um acidente fosse.

Minutos depois a irmã da chefe telefonou novamente para dizer que outro avião havia batido no World Trade Center. Um avião poderia ter sido acidente. Dois aviões era alguma outra coisa. E assim passamos aquela manhã voltados para a internet, que era um meio de comunicação algo recente então.

E foi assim que soubemos de outro avião jogado contra o Pentágono (e foi assim que descobri, espantado, que na época não havia restrição de voos civis próximos ao comando militar dos Estados Unidos). E foi assim que soubemos que um avião caiu em algum local quando possivelmente era dirigido a ser lançado contra a Casa Branca, a sede do governo dos Estados Unidos.

Foi um dia de perplexidade. Dia de sentimento de fim do mundo. Dia de celebração para alguns poucos – o império tinha sido atacado em seu próprio território.

Dia de perplexidade. Dia de sentimento de fim do mundo. Dia em que, depois descobri, meu filho, na época ainda criança, havia inventado uma dor de barriga para não ir à aula e acabou acompanhando, espantado, os acontecimentos pela televisão.

E então soubemos, ou fomos relembrados, que naquele dia fazia 28 anos que o golpe de estado liderado por Augusto Pinochet derrubara o governo de Salvador Allende no Chile. 

Na década de 1980, talvez em 1985, em outra vida, eu era aluno de um curso de Teologia. Tive aula com um professor inglês, então missionário em Porto Alegre. Roy Deller, acho que esse era o nome dele. Não lembro em que circunstância, mas, em uma aula, ele trouxe a nós, alunos, a referência ao assassinato do então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em 22 de novembro de 1963. E declarou que quem estava vivendo naquela época lembrava o que fazia quando recebeu a notícia. No caso de Roy Deller acho que foi pelo rádio. Lembrando de meu antigo professor, o ataque às Torres Gêmeas e ao Pentágono foi um equivalente geracional para o assassinato de JFK ocorrido quase quarenta anos antes. 

Pois é. 25 anos se passaram muito rápido.

“Conta-se que depois do último levante gaúcho, o levante de Leonel pelo rádio, criou-se um estranho ritual. De cinco em cinco anos, um jornalista, como se estivesse tendo a mais original das ideias, faz uma lista de nomes de remanescentes, elimina com pesar os falecidos, e vai ao encontro dos sobreviventes para colher, com entusiasmo, seus depoimentos já dados outras vezes com maior ou menor entusiasmo. Cada data redonda parece, no entanto, reanimar as memórias esburacadas pelo tempo fazendo-as reviver os episódios com as mesmas piadas, um novo brilho no olhar e algum esquecimento ou uma pequena imprecisão, o que imediatamente se torna uma sensacional descoberta.” São palavras de Juremir Machado da Silva a respeito da Cadeia da Legalidade, disparada por Leonel Brizola em agosto de 1961. No caso pela efeméride dos 65 anos da Legalidade.

São 25 anos desde o ataque às Torres Gêmeas. A cada cinco anos relembraremos o ataque.

Depois tivemos a reação do presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, também apelidado de Bush II. Primeiro atacando o Afeganistão, onde deveriam estar os organizadores dos atentados. Depois com o ataque ao Iraque. Por que mesmo o Iraque? Provavelmente porque Bush II quis. Os Estados Unidos ficaram vinte anos no Afeganistão antes de abandonar o país aos Talibãs, contra quem eles lutaram nesses vinte anos, sem conseguir vencê-los. Tornaram a Base de Guantánamo em Cuba um similar das masmorras do antigo Gulag soviético. Praticaram a tortura em prisões no Iraque.

Achávamos então Bush II algo como um autocrata. Não esperávamos que os eleitores estadunidenses fossem eleger Donald Trump em 2016, e novamente em 2024. 

São 25 anos desde o ataque às Torres Gêmeas. Certamente muita tinta de jornal e muitos bytes de informação relembrarão a efeméride esta semana.

O mundo mudou bastante desde então. Está muito pior. 


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07, 08/09/2026.

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