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Crônicas de Mosaico – VI

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Quando cheguei ao Apolinário dia 26 de outubro, o Rodrigo, garçom do estabelecimento, estava à porta. Talvez aguardando a chegada de mais clientes, como seria com o meu caso. Talvez prestando atenção aos desejos dos clientes às mesas na calçada.  O cumprimentei, pedi para abrir uma comanda (as comandas do apolinário são eletrônicas, com cartões chipados), e já pedi um chope.  Junto à mesa da Santa Sede, no fundo do bar, apenas o Rubem e o Marcel.  Havia a possibilidade da presença da Luciana “Luca”, mas, no final ela não pôde ir. Também o Gian não pôde ir, nem a Zulmara. É possível que Sílvia tenha desistido por uma série de contratempos pessoais.  Pelo momento, só havia dois textos a serem lidos. O meu e o do Rubem.  O retrato do dia era de uma cachorra (diz o Rubem que é uma cachorra. Pelo ângulo é impossível saber) com ar meio entediado, fotografada por Ana Marisa.  A crônica do Rubem fez homenagem à Lua, uma cachorra que o acompanhou até há alguns anos,...

Esta semana eu não vou poder visitar a minha tia

Esta semana eu não vou poder visitar a minha tia.  Sabe como é, ela é a favor do presidente da república. E domingo passado, o ex-deputado Bob Jeff resolveu receber a balas os agentes da Polícia Federal enviados para detê-lo (a acusação é que ele teria violado as condições do regime de prisão domiciliar que ele cumpria. Pelo que pude entender, uma das condições impostas para a prisão domiciliar era que ele não usasse redes sociais na internet. Ele usou para chamar uma juíza de “prostituta arrombada”).  Minha tia nem é tão mais velha que eu. Ela é temporã. Nossa diferença é só de treze anos.  Ela era tri minha amiga. Eu era bem moleca, e ela, em geral, brincava comigo e me apoiava até o fim da adolescência dela.  Depois ela começou a trabalhar, e depois eu é que me tornei uma adolescente meio rebelde.  Quando eu me tornei adulta, casei, tive filho, descasei, nós meio que voltamos às boas. Trocando mensagens. Se encontrando uma ou duas vezes por mês para tomar um ...

Crônicas de Mosaico – V

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Depois de um feriado, a oficina foi retomada nesta quarta-feira, 19 de outubro.  Quando cheguei ao Apolinário lá estavam o Rubem e o Gian. Também estava o Marcel que participa da oficina às 18 horas, e costumeiramente permanece com a turma das 20. Além deles tínhamos visitas: Jorge Bledow e Tiago Maria.  Depois chegariam a Carol e a Zulmara. Junto com a Zulmara veio sua irmã, Magda, outra visita. Rubem, eu e Gian trouxemos textos. Carol trouxe dois textos, compensando ausências passadas. Zulmara não trouxe.  A foto desta semana era de uma trabalhadora, com aspecto indígena, com um cesto às costas à moda de mochila, mas atado à testa. Também portava um facão. Segundo lembrava o Rubem, a foto teria sido tirada pela Iara Tonidandel na Amazônia.  Coincidentemente essa foto inspirou textos em formato de poesia, tanto da parte do Rubem, como da minha. Poema crônico ou crônica poesia? Um dos textos da Carol foi sobre a reprodução de um retrato três por quatro da semana pass...

Pra não dizer que não falei de outubro de 2022

Escrevo em 23 de outubro de 2022, e nesta última semana, finalmente a primavera deu o ar da sua graça.  Outubro ainda estava com jeitão de agosto. Dias nublados, temperaturas baixas. Sim, um frio tardio que atravessou setembro. Quer dizer, não um frio, frio! Mas um tempo em que esperaríamos estar de camisetas, mas ainda estávamos de moletom.  O que parece meio irônico com as questões do aquecimento global. De um planeta se aquecendo. Nos últimos tempos temos ouvido os passarinhos cantar nas madrugadas de agosto. E neste ano da graça de 2022, até estes bichinhos cantaram menos por aqui.  Então, é outubro e a primavera, afinal, parece primavera.  São várias as florescências. Mas não vale contar os hibiscos, que florescem o ano inteiro.  No futebol, o Internacional de Porto Alegre segue em segundo lugar no campeonato brasileiro, e o Grêmio vai se encaminhando para retornar à primeira divisão do campeonato no ano que vem.  Da política nem é bom falar. Nisso, na...

Um sonho na manhã de 23 de outubro de 2022

No mais recente álbum de Jorge Drexler há uma canção chamada Duermevela, e, me parece, fala daquele momento do sono leve que precede o despertar.  O sono que permite que nos lembremos do que sonhamos. Sonhei que estava na casa da Cefer. E minha mãe estava lá. Mas a Cefer não estava lá. Para quem não conhece, o conjunto residencial financiado pela Caixa Econômica Federal no final dos anos 1960 (daí o nome “Cefer”, lembrando a Caixa Federal) fica morro acima, um morro em frente ao Morro Santana, não muito longe dos limites entre Porto Alegre e Alvorada e Viamão. A Avenida Antônio de Carvalho, a principal ali, fica em um vale, ligando as Avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves.  Nossa casa ficava lá, em um ponto elevado do morro onde está a Cefer. No meu sonho era como se toda a vila entre a casa e a Antônio de Carvalho não existisse. No sonho havia apenas a descida, como um campo, lomba abaixo, para a avenida que continuava lá.  E na verdade essa paisagem me remeteu à cid...

Leituras na Piauí – junho de 2022 – Shakespeare na Fronteira

Já faz algum tempo que não comento algo a respeito da revista Piauí aqui no blogue. O texto mais recente é de agosto de 2020 , quando comentei a respeito de poesias publicadas nas edições de abril e maio daquele ano.  Agora (agora?), em junho passado, a revista abriu suas páginas, dentro do tema de “questões literárias”, para apresentar o trabalho de José Francisco Botelho, tradutor de Shakespeare, nascido em Bagé, no sul do estado.  A longa reportagem de Jerônimo Teixeira comenta como o primeiro contato de Botelho com Shakespeare foi com uma adaptação portuguesa para os quadrinhos. Fala também de como Botelho está trabalhando para que toda obra de Shakespeare seja novamente traduzida ao português. Sua competição/colaboração com o professor Lawrence Flores Pereira, que também traduz Shakespeare. Conta ainda que a poesia campeira gaúcha influencia o trabalho do tradutor. Também aborda questões de método: usar de prosa ou de poesia? No caso de poesia, qual a métrica mais adequad...

Quem nos deixou na saudade neste início de outubro: Sergio da Costa Franco e Robbie Coltrane

Se em setembro eu havia comentado o falecimento de algumas pessoas que me marcaram, outubro vinha leve.  Infelizmente na semana passada nos deixaram duas pessoas que estiveram em minha vida, como leitor e como espectador.  No dia 13 foi noticiada a morte do historiador Sergio da Costa Franco. Ele era conhecido como um especialista na história da cidade de Porto Alegre, embora tenha ganhado a vida como promotor de justiça. Faz muito tempo eu costumava ler seus textos sobre a cidade no jornal Zero Hora. Sempre aprendia mais um pouco. Tenho livros dele. Se foi aos 94 anos. Curiosamente faleceu no ano em que a cidade comemora 250 anos.  No dia seguinte, 14, foi noticiada a morte do ator Robbie Coltrane, aos 72 anos. Robbie Coltrane ficou imortalizado no personagem Rubeo Hagrid na série de filmes de Harry Potter. Eu tive a feliz coincidência de ter o filho crescendo junto com Harry Potter, nos livros. O primeiro livro da série que dei ao meu filho, e também li, foi em alguma F...