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Diário – leituras – Deu no jornal

Deu no jornal é um pequeno livro (32 páginas) com uma compilação de histórias que Moacyr Scliar escreveu a partir de notícias de jornal.  Ele não reescreve a notícia, mas inventa tramas a partir de alguma manchete.  No livro há histórias que estão acompanhadas da notícia que lhes deu origem. E há algumas outras que não estão.  São pequenas histórias que se lê como crônica de jornal, um alívio entre uma notícia e outra. Portanto, são anedóticas e leves. Como a do sem-teto que invadiu uma casinha de bonecas. Ou uma recriação da história do filho pródigo.  Scliar leve como um passatempo.  SCLIAR, Moacyr. Deu no jornal. Erechim: Edelbra, 2008. 25/01/2022, 29/04/2022. 

Cancelado

Durante a despedida de solteiro, o noivo teve um infarto. Fulminante.  28/04/2022.

Podridão nº 2

Eu queria falar dos sabiás do Rubem Braga Ou, talvez vivendo aonde vivo Eu pudesse falar em quero-queros Em lugar de sabiás Ou talvez falar dos gatinhos Nos vídeos das redes sociais eletrônicas Mas ando ansioso Angustiado Algo não cheira bem na república Algo não cheira bem não Muita coisa cheira mal Uma podridão nos cerca O cheiro nauseabundo De oitenta milhões a favor De queimar florestas De empestear rios De matar povos originários De negar gravidade de doenças De tripudiar sobre doentes e mortos De oitenta milhões  Que só enxergam corrupção em quem consideram inimigo Que se comprazem com assassinatos Que se comprazem com tortura  Bateu uma saudade do doutor Ulisses Assim como o doutor Ulisses Temos ódio e nojo à ditadura Mas parece que ela vem! 25/04/2022.

Sem proteção

Assustado com a violência, e com medo de ter o celular com aplicativos de banco roubado, João comprou um aparelho usado e outro chip. Um sábado foi ao parque. Passou a tarde lá.  Voltou ao pôr do sol. Encontrou viaturas da polícia e movimento no prédio.  Perguntou aos policiais o que aconteceu. O policial respondeu que arrombadores conseguiram entrar no condomínio e invadiram e saquearam alguns apartamentos. Segundo o policial, os ladrões teriam entrado em imóveis vazios no momento da ação. João se apressou ao seu apartamento.  Chegando lá percebeu que a porta não estava trancada.  Além de muita coisa fora do lugar, deu pela falta do laptop. E do celular que ficara em casa.   22/04/2022.

Sabor especial (III)

“Para meio quilo de feijão: põe o feijão para inchar normalmente. Cozinha na pressão por vinte minutos apenas com o loro. Então, retira umas duas ou três conchas e amassa (ou tritura com o mixer). Devolve tudo e tempera (sal, pimenta, cebola, o que foi de hábito). Cozinha mais dez minutos e, voilá!, um feijão bem consistente. Foi o que ele me afiançou.” Essa foi a dica que recebi do Rubem para engrossar o feijão, quando feito na panela de pressão elétrica. Eu tinha perguntado porque ele tinha falado sobre isso na crônica Assuntos de homem .  Quem me acompanha sabe que faz cerca de um ano e meio que comentei sobre os novos equipamentos elétricos para cozinha . Continuo usando esses equipamentos, em especial a panela de pressão elétrica. E é comum o feijão ficar aguado mesmo, pouco denso. Por isso a pergunta.  Contudo a resposta foi um pouco de tontear.  Sou adepto da lei do menor esforço. E faço menos feijão de cada vez. Como eu disse, eu encaro uma panela elétrica de pres...

Tecnologia de dormir

Pouco antes das onze da noite, ela colocou a tocar no celular, sons de chuva para relaxar. Deitou e pouco depois adormeceu. Acordou pela manhã, com o som da chuva batendo em sua janela.  13/04/2022. 

Frustrações nas Férias – II

Imagem
Então eu perdi a câmera com as fotos da viagem à Serra.  No dia seguinte eu deveria reencontrar o meu filho.  Quando peguei a bolsa tiracolo, eu a achei pesada. Mais pesada do que deveria ser.  Resolvi tatear a bolsa. E eis. Havia um formato de câmera no fundo da bolsa. Sim, a câmera havia caído em um buraco no forro, e ficou no fundo da bolsa, entre a parede e o forro. Descobri o buraco e enfiei a mão através dele. Lá estava a Nikon S9100 perdida. Agora recuperada. Por que diabos eu não percebi essa diferença de peso no dia anterior quando estava aflito e triste pela perda do aparelho? Aliás, por que diabos, ou, por que, diabos? Melhor raios. E aí acho que facilita. Por que, ó raios, não percebi isso no dia anterior? Comecei a dar gritinhos de alegria. A dar pulinhos sozinho.  Finalmente pude descarregar as fotos para o computador.  Lá estava a fonte de vinho em Bento Gonçalves. As intensas ladeiras da cidade. Algumas de suas construções centenárias.  Lá e...