Cara Maria – XXI – É outubro de 2026
Cara Maria,
Aqui pela zona norte de Porto Alegre já vejo flores nos jacarandás. E, veja só, alguns ipês amarelos florescendo. Como eu já havia falado das flores dos ipês amarelos lá pelo final de agosto e início de setembro passados, não sei se chamo de temporã a floração de agora, ou se deveria ter chamado desta maneira àquela do final do inverno.
Vai saber. Pra mim, temporão era sempre o que vinha depois do tempo considerado próprio, como eu mesmo, filho temporão. Mas descobri que temporão pode ser o que vem antes do tempo considerado próprio. Digamos, o apressado.
As flores da primavera são sempre algo que podemos apreciar. Assim como o canto do sabiá. Esta semana em minhas caminhadas passei duas tardes seguidas por uma rua, e ali um sabiá cantava seu canto característico de um galho de uma extremosa. A mesma extremosa nos dois dias. Fiquei me perguntando se era o mesmo bicho.
Enfim…
Semana passada não escrevi. Fiquei paralisado na expectativa das eleições. E as eleições vieram muito piores do que a expectativa.
Há uns anos escrevi sobre outubro e as pessoas queridas que nasceram no mês. Publiquei no blogue no início desta década e repeti a publicação uma e outra vez.
Agora temos outubro de 2026 que parece um outubro de 2018. Sensação de “déjà vu”. Sensação de que coisas piores do que se seguiram a outubro de 2018 acontecerão. Parafraseando o humorista JoséSimão, canibais no Senado e na Câmara Federal. Canibais no Governo do Estado e na Assembleia Legislativa.
Lembras da canção O que foi feito devera? Pois é. “Outros outubros virão, outras manhãs plenas de Sol e de luz”. Só não sabemos em quantos outubros.
Por enquanto podemos olhar para cima e ver as flores do jacarandá.
11, 13/10/2026.
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