Benito di Paula (1941-2026)
Houve um tempo em que eu costumava escrever sobre personalidades que nos deixavam. Na maioria das vezes atores, músicos, atletas. Eventualmente escritores. Às vezes historiadores.
De uns tempos para cá não tenho conseguido mais fazer isso. Talvez estejam morrendo mais pessoas do que eu consiga escrever a respeito. Ou talvez o tempo tenha me tirado a energia para ficar escrevendo sobre pessoas que fazem parte do meu imaginário e tenham partido.
São tantas recentemente, ou talvez nem tão recentemente assim. Juca de Oliveira, Oscar Schmidt. Glória Menezes, Laura Cardoso. Esses são apenas alguns/algumas que nos deixaram em 2026.
Agora em outubro fomos informados da morte do músico Benito di Paula.
A morte de Benito di Paula me levou para certo tempo da minha infância. Coisa de meados dos anos 1970.
Éramos uma família pobre, que hoje seria chamada de classe média baixa. E aí, talvez por 1975, mas pode ser que tenha sido em 1974, minha irmã, que era adulta enquanto eu ainda era uma criança, comprou uma eletrola Philips. Era um toca-discos portátil no qual a base do disco e uma pequena caixa de som formavam uma maleta. Tocava discos de vinil. chamávamo-los de LPs e compactos. Na época saímos de uma casinha sem banheiro na Chácara das Pedras para primeira casa com banheiro na Vila Bom Jesus. A casa era de madeira e o banheiro e a cozinha eram em alvenaria. E essa parte de alvenaria certamente foi construída depois. Uma casa cor de laranja por fora, e verde e azul por dentro. Ou é assim que me lembro. Com muitos cupins. A casa ainda está lá. Estando a três quadras da Avenida Protásio Alves, a especulação imobiliária ainda não teve interesse em demoli-la. Gerações de cupins devem estar se sucedendo na casa. Moramos ali por pouco mais de um ano, e depois nos mudamos para a Vila Cefer 2.
Entre os primeiros discos que minha irmã comprou estavam os de Benito de Paula. Ele foi parte da trilha sonora da minha segunda infância. Acho que quatro discos. Pelo que pude pesquisar todos os discos eram chamados de “Benito di Paula”. O de 1975, que traz a canção Vai Ficar na Saudade. O de 1976 que traz Tudo Está No Seu Lugar. O de 1977 que traz Assobiar Ou Chupar Cana. O de 1978 que traz a canção Viva O Sol. Como já disse, esses discos eram de minha irmã e não sei que destino ela deu a eles. Agora estão disponíveis nos serviços de áudio sob demanda, dos quais o Spotify e o Deezer são os mais conhecidos.
Foram tempos em que meu pai e minha irmã saíam para trabalhar, e minha mãe cuidava de mim e do meu avô (pai dela).
Vai Ficar na Saudade é uma canção de amor em que um homem lamenta a perda de sua mulher amada. Mas também é um belo título. A morte de Benito di Paula me fez ficar na saudade.
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02, 05/11/2026.

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