Pensando em dois ciclos em 2026
Eu não sei você, prezada leitora, prezado leitor, prezade leitore. Eu vivo nesta periferia do mundo chamada Porto Alegre. Quando escrevo é 3 de agosto, e praticamente estamos na metade do inverno meridional. Estamos na metade do inverno, mas os ipês amarelos estão florescendo aqui pela zona norte da cidade. O que me indica que estas árvores já estão sentindo a chegada da primavera. Se é que existe alguma coisa como uma subjetividade para as árvores. Questão para biólogos.
Inverno, primavera. El Niño. Há toda uma história para o Menino, o aquecimento da superfície marinha do Oceano Pacífico na região do Equador. E o que se costuma dizer é que, entre outras variações climáticas, o Niño gera mais chuvas no sul do Brasil. Bem, este ano a meteorologia fala de um “Super El Niño”, o que pode assustar. Inclusive porque somos uma população novamente traumatizada por conta da enchente de 2024.
Foi em 2015 que o então prefeito José Fortunati mandou que as comportas de prevenção contra cheias em Porto Alegre fossem fechadas. Algo que não acontecia havia muito tempo. Em 2015, que me lembre, as águas não chegaram a avançar sobre o terreno do porto, mas talvez aquilo já sinalizasse uma mudança.
E tivemos enchentes em setembro e em novembro de 2023. Essas enchentes devastaram a região do Vale do Rio Taquari e assustaram os moradores de Porto Alegre. Felizmente, então, o sistema de proteção contra cheias resistiu, embora tenha apresentado fragilidades.
Foi como se a natureza tivesse dado um aviso.
As fragilidades não foram consertadas. No final de abril e início de maio de 2024 a chuva veio em volume maior do que nunca. E, talvez, um terço do território de Porto Alegre ficou sob as águas. Eis o trauma de 1941 renovado.
Acho que a nossa relação com o rio lago ficou diferente. Agora, a cada sequência maior de chuvas somos postos sob uma ameaça. Passamos a prestar mais atenção nas medições do Guaíba.
E temos o Super El Niño. E temos as águas do Guaíba subindo. Ou temos as águas do Guaíba que subiram. Felizmente refluíram. Mas, como eu disse, agora prestamos mais atenção às medições do rio lago. Estamos mais tensos.
Felizmente também temos a floração dos ipês amarelos. Desfrutemo-la enquanto podemos.
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03, 04/08/2026.
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