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Ontem choveu o dia todo

Hoje é sábado, é noite, e chove Ontem, sexta, choveu o dia todo Esta semana choveu todos os dias Não o dia todo todos os dias Mas todo dia choveu Começando pela segunda Chuviscos na terça Mais chuviscos na quarta E outros chuviscos na quinta E na sexta choveu o dia todo Mais ou menos intensamente Mas sempre chovendo Amanhã deve chover mais E a semana se completará Neste outono em Porto Alegre 06/05/2023.

Diário – leituras – Os versos satânicos

Simplificadamente, Os versos satânicos conta as aventuras e desventuras de dois atores anglo-indianos, Gibreel Farishta e Saladin Chamcha, que, incrivelmente, sobrevivem a queda de um avião por conta de um atentado, e lutam para retomar suas vidas após terem sido tomados como vítimas desse atentado.  Mas obviamente a história não é tão simples. De fato, são múltiplas histórias dentro desse livro.  Por exemplo, as relações das pessoas das antigas colônias do ex-Império Britânico, que resolvem ir viver na antiga metrópole colonial, como é o caso dos nossos protagonistas.  Também a vida em bairros onde se concentram esses moradores vindos das antigas colônias. Além de Paquistão, Índia e Bangladesh, pessoas vindas de ilhas no Caribe, ou de países africanos, como a Nigéria.  A violência policial sob o governo de Margareth Thatcher naquela Inglaterra dos anos 1980.  Ou a vida na Índia daqueles mesmos anos.  Quando comecei a ler o livro tive sentimentos de estar l...

Nós, nossos livros, e coincidências felizes

Dia 12 de abril passado, eu ganhei o livro A trégua, de Mario Benedetti. Foi presente da Carol.  Publicado originalmente em 1960, A trégua fala do relacionamento de Martin Santomé, um viúvo de cerca de cinquenta anos de idade, às vésperas da aposentadoria, e Laura Avellaneda, uma nova funcionária na empresa, e que, a princípio, vai trabalhar sob as ordens de Santomé.  Estou no início da leitura, e até a parte em que leio, nenhum relacionamento amoroso começou.  Quando falei para um amigo que estava lendo esse livro, ele me comentou que era mais uma coisa sobre o Uruguai, talvez um sinal do quanto eu gosto do “paisito”.  Sem dúvida. Desde minha primeira ida até lá, foram talvez uns cinco passeios. Não tenho certeza. O primeiro provavelmente em fevereiro ou março de 2011, o mais recente em outubro de 2022. Outubro de 2022, dias frios de primavera, após um inverno bastante frio, no sul da América do Sul.  Desde a primeira vez que vi Montevidéu me encantei com a cid...

Hebdomadário boêmio masterclássico stanislawiano – capítulo VIII

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A nova masterclass da Oficina Literária Santa Sede, a edição de 2023, começou dia 9 de março.  Relatei isso antes. A edição deste ano homenageia Stanislaw Ponte Preta, alter ego, por assim dizer, do jornalista Sergio Porto. No dia 26 de abril continuaram as leituras das crônicas que irão compor um livro e um saite (ou blogue). Quando cheguei ao Apolinário naquela noite o quórum estava reduzido. Estavam à mesa, além do Rubem, o Gian, o Tiago, e a Vivi. Em seguida chegaria a Carol, adiantada em relação a ela mesma. Quando comentei sobre o quórum reduzido, alguém respondeu que, apesar de reduzido, o quórum era bastante qualificado. Talvez tenha sido o Tiago a dizer isso. Concordei. As leituras seguiram. O Tiago trouxe um texto em que o personagem Ambrósio parte em viagem de ônibus. O meu texto era sobre subordinados da Néctar em um intervalo para o cafezinho. O texto da Carol, também sobre a Néctar, fala de machismo e preconceito.  Terminado o momento das leituras, a oficina teve...

Uma manhã de domingo de outono qualquer, 23 de abril de 2023

É uma manhã de domingo de outono. Uma manhã de sol.  Se a temperatura está fresca, talvez mesmo fria para alguns, 16 ºC, para mim ela está agradável. E como diria qualquer meteorologista, ela, a temperatura, está em elevação.  Saio a caminhar.  Na igreja protestante, que fica entre duas praças, uma mãe é fotografada por um fotógrafo com potente máquina fotográfica, junto com suas filhas. O fotógrafo com câmera profissional, ou quase, é sinal de algum evento especial? Um batizado talvez? Ou talvez não? Vejo outras pessoas com outras crianças. O culto deve ter terminado recentemente. Pode ser. Um batizado. Em um domingo ensolarado de outono. Sigo meu caminho.  Mais duas quadras e o padre parece estar se despedindo de seu rebanho ao fim de uma missa. Sim, ali devia ser fim da missa. O pregador devidamente paramentado, com uma batina branca e uma estola também branca, com detalhes dourados. As pessoas aos poucos se dispersando.  Domingo pela manhã é dia de exercitar...

Hebdomadário boêmio masterclássico stanislawiano – capítulo VII

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A nova masterclass da Oficina Literária Santa Sede, a edição de 2023, começou dia 9 de março.  Relatei isso antes. A edição deste ano homenageia Stanislaw Ponte Preta, alter ego, por assim dizer, do jornalista Sergio Porto. No dia 19 de abril continuaram as leituras das crônicas que irão compor um livro e um saite (ou blog). Quando cheguei ao Apolinário naquela noite estavam a mesa, além do Rubem, o André, o Felipe, o Gian, o Tiago, o Kauer, a Vivi e o Magnus. Mas eu nem cheguei a sentar, e o Felipe já estava partindo. Depois chegou a Carol. Depois ainda chegou o Altino, trazendo consigo exemplares do livro de poesias da Dio, Palabra: maldita sea, para serem distribuídos a quem os havia comprado. As leituras seguiram. Começaram os textos com uma nova personagem, a Néctar, mulher, profissional de TI, aí pelos seus trinta e tantos anos, que usa parte de seu privilégio estético para vencer na profissão. Assim, o Rubem (com a colaboração da Vanessa?) trouxe um texto que é mais ou menos...

Boris Fausto (1930-2023)

Gostando de História desde a infância, e tendo feito graduação em História, sempre sinto uma perda quando historiadores se vão.  Nesta semana se foi Boris Fausto, na provecta idade de 92 anos. Não é pouca coisa, mas não significa que a vida não continue sendo curta. A vida é sempre breve. Em meus anos de graduação, não me parecia que Boris Fausto fosse muito querido pelos meus professores, na UFRGS. Na minha cabeça ele não estava em muitas bibliografias recomendadas (se é que estava em alguma. Não lembro) nas tantas disciplinas que, de alguma maneira, abordavam a História do Brasil.  De qualquer maneira, acabei por adquirir seu manualzão, de História do Brasil, justamente chamado de História do Brasil, publicado pela EDUSP para ter um livro de referência sobre o assunto. O livro deve estar perdido aqui por casa.  Vez por outra era possível ler algum artigo seu publicado na Folha de São Paulo. O jornal também resenhou seus livros mais recentemente publicados.  Enfim. ...