Postagens

Mostrando postagens com o rótulo clima

As extremosas no outono de Porto Alegre em 2026

Imagem
Dizem que Rubem Braga falava tanto em sabiás em suas crônicas que era comum que amigos lhe presenteassem com exemplares do bicho. Parece que naquele tempo não era de mau tom dar passarinhos enjaulados de presente. E parece que houve um momento em que Rubem Braga teve tantos sabiás em seu apartamento em Ipanema que ficava aborrecido com a algazarra, digo, o canto dos bichos engaiolados ao seu redor. Não sei se a história é verdadeira mas é verossímil.  As três ou quatro pessoas que acompanham os meus textos sabem que vez por outra eu comento sobre as extremosas (Lagerstroemia indica), essa arvorezinha que está espalhada por boa parte das ruas de Porto Alegre. Ou, pelo menos, pelas ruas por onde caminho, aqui na zona norte da cidade. Aquela arvorezinha não muito alta – eu diria que, em média, costuma ter uns dois metros e meio de altura –, e que produz flores cor de rosa no verão.  Para dar razão aos textos que escrevíamos no ensino primário – chamávamos esses textos de composiç...

Tom Saldanha está gripado

Tom Saldanha - fotografia e colecionáveis. Está na placa. A loja fica no coração do Bairro Moinhos de Vento, entre a 24 de Outubro e a Florêncio Ygartua.  Por conta de minhas frequentes idas ao bairro por conta de consultas, é comum que eu faça uma breve visita vez por outra.  Segunda passada fiz isso. Passei pela loja do Tom, por volta das quatro da tarde. A loja estava fechada. Luzes apagadas. Nenhum sinal de Tom.  Entrei em contato. Tom me informou que estava gripado. Estava em casa se recuperando. Por conta disso, não pôde abrir a loja. Influenza. Claro que me lembrei de Gay Talese e sua reportagem Frank Sinatra está resfriado, a qual cito e volto a citar vez por outra. Mas ao contrário da atitude de Sinatra em relação a Talese, Tom não se recusou a falar comigo, nem tem um séquito de funcionários e agregados, aos quais eu pudesse recorrer para traçar um perfil biográfico. Inclusive eu não estive lá no Moinhos de Vento para fazer reportagem. Apenas para ver um amigo....

Dias de outono meridional em 2026

Esta semana estive sem inspiração.  Não que não haja assunto, mas falar do Nero Laranja? Dos governos fascistas aqui e acolá? Não, né? O que mais me vem à cabeça é o outono. Outono no hemisfério sul. Falar nisso, eu continuo achando que mapas publicados no hemisfério sul deveriam ser representados com o hemisfério sul na parte de cima. Um mapa é uma convenção, e a convenção de quem vive no sul não precisa ser a mesma de quem vive no norte.  Divago.  Outono no hemisfério sul. Na nova volta da esfera azul em torno do Sol, nós que vivemos à altura do paralelo trinta meridional vamos mergulhando nas trevas. Perdemos várias horas de luz solar entre o início do verão e o início do inverno. E como sinto falta dessa luz. Não sinto falta do calor que oprime, mas da luz sim. E se aguentar o calor é o preço para ter a luz, eu pago.  Na escuridão uma barata pode acabar se tornando um monstro nas nossas sensibilidade e imaginação distraídas.  Outono. O Sol se põe às dezoito,...

Agora oficialmente: eis a primavera de 2025

Imagem
Pata de vaca, tá sabendo? Não, não falo das patas da bovina. Fala da planta. Da árvore de pequeno porte. Ou, pelo menos, as que tenho visto são de pequeno porte. Um metro, um metro e meio, no máximo uns quatro metros de altura. O nome é por conta do formato das folhas, que, de fato, lembram patas de vaca, ou de boi. Pois então, as patas de vaca estão em pleno florescimento por estes dias. Encontro-as com flores brancas e flores cor de rosa na região em que moro. Uma beleza. Embora os filamentos nessas flores me lembrem a boca do predador. Sim, aquele alienígena do cinema, cujo primeiro filme estreou lá por 1987, e esse predador era o antagonista de Arnold Schwarzeneger. Ainda assim as flores da pata de vaca são uma beleza. Parece elas que vão sucedendo os ipês-rosas, cujo auge da floração se deu há alguns dias. Ainda há flores de ipês-rosas por aqui, mas elas estão diminuindo. Esses ipês estão substituindo a sua floração por folhas.  Quem também parece suceder os ipês-rosas, são os...

Eis a primavera de 2025

Imagem
Os dias agradáveis do final de agosto passado, e dos primeiros dias de setembro, e as dezenas de ipês-rosas em flor, não nos deixam enganar. É a primavera se apresentando. Mesmo que alguma frente fria ainda apareça e baixe as temperaturas.  Mesmo que chuvas enjoadas umedeçam mais alguns de nossos dias.  Mesmo que oficialmente a primavera austral só se inicie no próximo dia 22 de setembro.  Sim. Mesmo com a mudança climática, ou a crise climática, ou a catástrofe climática, chamem como quiserem, Porto Alegre continua tendo quatro estações.  E depois do solstício de inverno os dias começam a ficar mais longos. E podemos desfrutar mais do sol.  Os ipês-rosas em flor não nos deixam enganar. Nem, em menor número, os ipês-amarelos.  Na rua em que moro há uma fileira de quatro ipês-rosas. Os quatro floriram. E ao olhar para eles fico pensando que parece que alguém os adornou com as flores, tal qual muitos de nós fazemos com as árvores de Natal que montamos em noss...

Cara Maria – XVIII – Estamos no inverno de 2025 em Porto Alegre

Imagem
Cara Maria, Na semana passada não publiquei o texto que costumo chamar de crônica semanal. Na semana passada não houve crônica semanal. Deveria eu chamar este texto de quinzenal? Eu estive entre a falta de inspiração, a preguiça e a expectativa e preparação de uma viagem de folga. Folga no meu caso atual, e imagino que também seja o teu caso, é sair um pouco da rotina a que nos dedicamos cotidianamente. Sabes, não? Enfim, após explicações e desculpas esfarrapadas, volto a escrever.  Se na mensagem anterior  eu comentava naquele início de junho que fazia frio como se o inverno já tivesse começado, agora faz frio e estamos em pleno inverno. Faz frio, temos algumas madrugadas gélidas, acordamos com céu nublado ou com neblina. Às vezes chove.  As extremosas, que colorem de rosa as ruas de Porto Alegre no verão, perderam suas flores e folhas. Hibernam. Curiosamente com seus caules nus é mais fácil ver como algumas estão sendo parasitadas por erva-de-passarinho aqui pela zona n...

Cara Maria – XVII – Às vezes bate uma preguiça

Imagem
Cara Maria, Lá se foi mais de ano desde a última vez em que te escrevi. Ou, pelo menos, desde a última vez que lembro que te escrevi.  A questão é que às vezes bate uma preguiça. Não aconteceu nada que seja um grande gatilho para iniciar a escrita. E, também às vezes falta transpiração porque mesmo sem inspiração, a gente pode tentar se esforçar.  E assim estava eu quando veio chegando o prazo para escrever. E resolvi escrever como quem escreve uma mensagem. Mais uma.  São dias de frio. Como se o inverno tivesse chegado, mesmo que oficialmente ele só chegue no próximo dia 20. São dias de desempacotar agasalhos, tirar o pó dos aquecedores e acender lareiras (aqueles de nós privilegiados o suficiente para ter lareiras). Tempos em que me lembro da versão brasileira para a animação O Rei Leão, aquela dos anos 1990. “Desde o dia em que ao mundo chegamos / Caminhamos ao rumo do Sol”. Se a ideia da canção era pensar nos seres vivos que se descobrem e descobrem que precisam do So...

Maio de 2025: a despedida de Mujica e veranico parte 2

Imagem
Eu estava em Montevidéu em março de 2015, quando terminava o mandato de José Mujica na presidência da República Oriental. Gosto muito del paisito ao sul do Rio Grande do Sul, e de sua capital, que fica a uns 850 quilômetros de Porto Alegre.  Naquela ocasião achei comovente como parte da população montevideana se manifestava nas ruas no momento da transferência de poder. Por conta das peculiaridades da política uruguaia era como uma espécie de devolução. Mujica havia recebido o poder de Tabaré Vásquez em 2010, e agora o repassava ao mesmo Tabaré, cinco anos depois.  O tempo a todos nos consome. Tabaré Vásquez concluiu seu segundo mandato presidencial e faleceu seis meses depois, em decorrência de um câncer.  Dentro da política uruguaia, José Mujica foi de militante do Partido Nacional, de direita, até senador e presidente da república pela Frente Ampla, de esquerda, tendo aderido à luta armada nos anos 1960.  Contudo é claro que ele adquiriu a proeminência que adquiri...

Maio de 2025: o veranico, o novo Papa e as bergamotas

Imagem
Escrevo na noite de domingo, 11 de maio.  Na sexta-feira uma frente fria trouxe chuva a Porto Alegre. Com isso acabou-se o que bem poderíamos chamar de veranico de maio. De fato, não vi ninguém comentar, embora certamente muita gente tenha comentado. Foram dias em que a temperatura máxima chegou próxima de 30º. Eu gosto de brincar que deveríamos chamar essa ocorrência de primaverica de maio, em lugar de veranico, uma vez que os dias amanhecem relativamente frios; faz calor de suar no início da tarde; e volta a esfriar ao anoitecer.  Talvez possamos chamar de o primeiro veranico de maio de 2025. Apesar dessa frente fria recente,  desde a sexta-feira, 9, há previsão de que no próximo sábado, 17, a temperatura chegue novamente próxima de  30º. E assim seguimos. Como dizia um amigo parodiando Euclides da Cunha, “o gaúcho é um forte”. Depois completava, jocoso, “principalmente entre aqueles que conseguem sobreviver”.  De qualquer maneira, melhor calor que frio. Pelo ...

Cara Carol – IV: um ano se passou

Imagem
Porto Alegre, 3 de maio de 2025 Cara Carol, É outono em Porto Alegre. Dias outonais como talvez devessem ser; ou como eu os imagino. Dias de se vestir como cebola. De início as manhãs frias e as roupas quentes. Ao longo da manhã o tempo de ir se desagasalhando; até a metade da tarde. E então pensar em voltar a agasalhar-se.  Nestas manhãs, tenho acordado com o canto de passarinhos. Inclusive parece que esses passarinhos ficam mais animados no outono do que no verão. Nas primeiras horas das manhãs de verão parecia que tudo era silêncio.  Têm sido dias ensolarados. Dias da luz de outono. Mesmo que caminhemos para dias de menos luz solar.  Já se passou um ano do início da catástrofe climática que atingiu Porto Alegre.  Lembras como foi o teu choque com a situação? O meu choque foi pelos vídeos que chegavam compartilhados através do aplicativo de mensagens. Primeiro ao nível do chão. Imagens de um ônibus rodando com dificuldade pela Mauá; esse ônibus quase navegava. Depo...

Início do Outono de 2025

Imagem
4 de abril de 2025, uma sexta-feira, foi o primeiro dia de outono em Porto Alegre neste ano.  Não me entendam mal. Eu sei que oficialmente, pelo movimento dos corpos celestes, Terra e Sol, o outono começou em 20 de março passado. Mas desde então eu me sentia em um prolongamento do verão. Um verão que custava a terminar.  O alívio veio a partir da chegada de uma frente fria, que também gerou uma tempestade, em 1º de abril, terça-feira (não minto).  A tempestade também trouxe transtornos para a cidade. Novos alagamentos. Falta de energia elétrica em diversas regiões. Sobre as duas coisas, há registros que se aproximam do anedótico, no jornal eletrônico Matinal, na edição do dia seguinte à tempestade, do dia 2 de abril.  O alcaide Sebastião Melo declarou candidamente que “que as redes de drenagem da capital não têm capacidade para absorver grande volume de água caindo em pouco tempo. Melo disse que choveu 75 milímetros em 20 minutos em alguns bairros, uma ‘bomba d’água’...

Se passam os dias e vai terminando o verão de 2025

Imagem
Eu gosto dos dias de verão. São dias solares, dias mais longos, dias com mais horas de sol.  Já disse isso, e agora estou repetindo. Mesmo que tenhamos ondas de calor, como essa que nos afligiu entre o final de fevereiro e o início de março.  Os dias abrasadores. Os dias de Forno Alegre. Temperaturas de 36º e sensação térmica de 40º. Dias em que, se é necessário realizar alguma atividade na rua, que a atividade seja realizada antes das nove horas, ou depois das dezesseis. Provavelmente melhor, depois das dezessete.  Mas verão também é para enfrentarmos ondas de calor. Talvez não em março. Talvez não tão intensas. Talvez o calor excessivo se deva à crise climática.  No sul da província de Buenos Aires, na vizinha Argentina, uma frente fria que encerrou a onda de calor por lá, gerou uma tempestade em que choveu em um dia a metade da média para um ano todo. A cidade de Bahía Blanca alagou a ponto de um hospital precisar ser evacuado.  Felizmente, quando por aqui ch...

Fevereiro de 2025, verão em Porto Alegre

Imagem
Gosto dos dias solares. São dias mais longos. Dias de mais horas de sol. Gosto das extremosas, arvorezinhas com flores que cobrem as ruas de cor-de-rosa.  Não é mais primavera, mas há muitas flores nas ruas. As extremosas são as principais. A floração das sibipirunas está acabando. Mas ainda há as bisnagueiras. E os hibiscos.  Se bem que os hibiscos não valem tanto, já que eles têm mais de uma floração ao longo do ano. Parecem não se importar com a estação.  Enfim, gosto do verão em Porto Alegre.  Gosto de Porto Alegre ter quatro estações relativamente definidas. Mesmo que estejamos convivendo com as loucuras feitas pela catástrofe climática.  E gosto do verão em Porto Alegre, mesmo que carinhosamente chamemos a cidade de “Forno Alegre” quando vivemos dias como os que estamos vivendo. Por exemplo, esta segunda onda de calor de fevereiro. Porque, afinal, esta segunda-feira, primeiro dia da segunda onda de calor de fevereiro, nem parece tão mais quente que sexta-f...

A onda de calor do verão porto-alegrense em fevereiro de 2025

Imagem
Na semana passada eu escrevia como se escrevesse um diário, comentando como janeiro de 2025 havia sido um mês de verão relativamente ameno. Ameno quando pensamos no verão de Porto Alegre, que nos seus picos tem temperaturas de 37 graus, sensação térmica de de 40 e umidade do ar de 95 por cento, situação em que a roupa gruda no corpo e temos a impressão de que vamos derreter. Janeiro teve uns três ou quatro dias com marcas próximas dessas que acabei de descrever, mas foram próximas, e breves. Breves, importante enfatizar.  Se na semana passada eu falei o que repeti acima sobre janeiro, neste início de fevereiro uma onda de calor nos atinge. Não é breve, a previsão é de mais de sete dias com calor intenso. Onda de calor, bolha de calor, tenha o nome que tiver. Em Porto Alegre a sensação térmica atingiu mais de 40 graus. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, em especial o oeste do estado, essa sensação esteve ao redor de 50 graus, como me comentou uma amiga, em São Borja. Na viagem...

12 de outubro de 2024

Imagem
12 de outubro de 2024 caiu em um sábado. Em Porto Alegre foi um dia lindo, ensolarado e de temperatura agradável, como talvez um dia de primavera devesse ser. 12 de outubro é feriado no Brasil. Se celebra o Dia das Crianças e a Senhora de Aparecida.  Nesse dia, resolvi almoçar fora. Fui a um shopping aqui na Zona Norte. O mais antigo shopping grande de Porto Alegre, inaugurado há mais de quarenta anos, e continuamente ampliado e reformado desde então. Convenientemente moro perto. É possível ir a pé.  O shopping estava cheio. Filas para o estacionamento. A praça de alimentação norte lotada (agora há uma praça de alimentação sul, mas não fui conferi-la). Filas de espera nos restaurantes. Os corredores por onde muitas pessoas se deslocavam. Me lembrou o filme Cenas em um Shopping  , dos anos 1990. Só faltaram as filas para o cinema. Na minha cabeça o nome do filme era Cenas de um Shopping. Engraçado que somente agora, pensando nisso, me dei conta que o título e a temática re...

Primavera Austral 2024

Imagem
Escrevo em 22 de setembro de 2024. Início da primavera no hemisfério sul. Início do outono no hemisfério norte.  A previsão do tempo para hoje em Porto Alegre, RS, Brasil, é um dia de sol, com temperatura máxima de 31ºC, e sensação térmica de 36ºC. Afff! Início de primavera com temperaturas de verão.  E assim estamos nós. Vindos de um inverno quase sem frio (ou será que a minha sensibilidade térmica mudou?) e de um outono que afogou boa parte do Rio Grande do Sul; o outono das águas que trouxeram destruição, isolamento, desalento. A maioria de nós sobreviveu; infelizmente não todos.  E com o início da que talvez devesse ser a melhor estação – dias ensolarados, com cada vez mais horas de luz e temperaturas que deveriam ser amenas, de calor agradável – seguimos vivendo (sobrevivendo?), fatalistas talvez, em direção ao abismo sem que nos sintamos em condições de fazer nada.  A maior parte do território brasileiro vive uma das maiores secas da história, talvez a maior. T...

The little things that give you away

Imagem
O céu é uma nuvem de fumaça, saído dos pesadelos de Blade Runner 2049. Há não muito tempo o céu tinha nuvens de chumbo. E de algodão. E delas caía água. Caía água sem parar. Água que encheu rios. E afogou cidades. E matou gentes e animais e plantas. E desabrigou gentes e animais.  Há alguns meses as águas afogaram Porto Alegre.  Há um ano as águas tentaram e as defesas de Porto Alegre resistiram.  Há pouco mais de um ano, o mundo saía dos dias da peste. Os dias da pandemia que parou o mundo.  Ouço falar muito em crise. Crise climática, crise econômica, daqui a pouco crise demográfica. Fim de mundo. Distopia.  Em uma tarde chuvosa de inverno, sem ser fria, pensei comigo mesmo: o Apocalipse não virá. Ele já está aqui.  “Sometimes The end is not dawning It’s not coming The end is here”  (“Às vezes O fim não está chegando Não está vindo O fim está aqui”) . . 14/09/2024. 

Segunda semana de julho de 2024

Vale dizer que estou considerando a primeira semana aquela iniciada na segunda-feira, 1º de julho.  Nesta segunda semana estamos vivendo sob baixas temperaturas decorrentes da entrada de uma massa polar vinda do sul. Parece inverno. Não casualmente é inverno. Os termômetros mostram temperaturas de um dígito durante a noite e a madrugada, e durante o dia essas temperaturas dificilmente vão acima de dez graus.  É um frio que achamos desconfortável, mas nada como o recente inverno boreal, onde, no leste da Europa, russos e ucranianos continuavam se matando, após dois anos. Nada como parte da população de Gaza que teve que enfrentar o inverno em tendas, pois tiveram suas habitações destruídas, isso quando não pereceram junto com as residências. No hemisfério norte agora é verão, mas essas situações do inverno passado continuam acontecendo.  Acho que está frio em Porto Alegre, mas sempre acho que há lugares mais frios. Começando por outros municípios do Rio Grande do Sul, como...

3 de fevereiro de 2024. Se isso fosse um diário…

Não é um diário. É só um momento de recordações e comentários. Mas bem poderia ser uma entrada em um diário.  Em 3 de fevereiro de 1925 nasceu minha mãe. Portanto hoje é aniversário dela. Se estivesse neste mundo dos vivos, faria 99 anos.  Em 3 de fevereiro nasceu meu novo, recente, amigo, Carlos Leão. De fato, não me lembro que idade ele tem, mas, de qualquer forma, parabéns para ele por mais um ano de vida. Sempre é tempo de celebrar a vida.  Ontem, 2 de fevereiro, foi feriado municipal em Porto Alegre. Feriado religioso, católico: Dia da Senhora dos Navegantes. Também foi aniversário do amigo de longa data, Claudio Machado. Quantos anos? Eu chutaria 63, mas não tenho certeza. Amigo, provavelmente desde 1982, ou seja, há mais de quarenta anos. Se bem que houve aí um longo período sem nos comunicarmos. Não foi briga, são aqueles afastamentos que a vida gera vez por outra. Tudo bem. Hoje voltamos a nos comunicar.  E assim o tempo passa. 22 de janeiro passado se compl...

Cara Maria – XIII

Imagem
Cara Maria, 2024 chegou e nós estamos como? Escrevendo, claro.  E eu vou escrevendo sobre aquele assunto mais ou menos conhecido, e mais ou menos repetido: tempo; clima.  Deves ter visto a manchete do início deste ano, informando que 2023 foi o ano mais quente da história , desde que as medições têm sido feitas. E temos tido cada vez mais tempestades cataclísmicas.  Vamos sobrevivendo.  E eu nem queria escrever sobre catástrofes.  É que em um dia desses, do início de janeiro, me vi pensando em Porto Alegre. Aqueles momentos epifânicos, momentos eureca. Acho que já deve ter acontecido antes. Aconteceu de novo.  Era um dia de desses de calor insuportável (se bem que suportamos) do verão na cidade. Aqueles dias em que chamamos carinhosamente esta praça de Forno Alegre. Nesse dia, por conta desse calor terrível, saí para a minha caminhada de saúde após as dezessete horas. Momento em que a temperatura ia lentamente diminuindo (não que diminuísse muito, mas enfim...