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Mostrando postagens com o rótulo falecimento

João Antônio Garcia, JAG

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Há momentos em que a vida vem lembrar da outra vida que você já teve. Ou, pelo menos, eu fico com essa impressão. Semana passada o amigo Cláudio me passou a informação de que o amigo João Antônio havia sofrido um AVC e estava em condições muito difíceis, em uma UTI, em um hospital em Canoas. João Antônio… Conheci o João Antônio na minha adolescência, nos anos 1980. Mais exatamente, devo tê-lo conhecido em 1982 ou 1983. A adolescência costuma ser associada à rebeldia, mas, veja só, conheci João em meio a uma busca através da religião. Religiões institucionalizadas costumam ser coisas extremamente hierárquicas, por vezes, reacionárias; por outro lado, também costumam ser meios de submissão. Bem, a busca começou primeiro como católico. Depois em busca da “verdadeira” religião (desde que fosse cristã). Por fim, uma passagem à fé evangélica. Outros amigos estiveram envolvidos nisso. Além do Claudio, já citado, havia o Paulo, o Marco, o Carlos. Uma turma que vivia na Vila Cefer. E que gostav...

Lô Borges (1952-2025)

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No início da década de 1980 entrei em contato com a obra de Milton Nascimento através de amigos. Naquela época, entre esses amigos, estava muito em voga o LP Sentinela. Também naquela época comecei a trabalhar e com a grana dos primeiros salários adquiri o álbum Clube da Esquina 2, então em formato de fita cassete, em um balaio de ofertas da Renner da Otávio Rocha. Foi um álbum de “uau!”. E Clube da Esquina não era só Milton Nascimento. Era Milton Nascimento, era Milton e mais uma turma a qual não prestei muita atenção, mas que estava lá. Ouvi muito aqueles cassetes, que não sei que fim levaram. Lembro muito de Canoa, Canoa, primeira canção do lado B do primeiro cassete.  Depois, não sei quanto tempo depois, adquiri o álbum Clube da Esquina, que, como a nomenclatura indica, precede Clube da Esquina 2. Foi outro “uau!”. E Clube da Esquina não era só Milton Nascimento. Era Milton Nascimento e Lô Borges e Beto Guedes e outros, sem contar o grande Fernando Brant, que usualmente compunh...

Mais alguns de nossos mortos – setembro e outubro de 2025

Eu era criança na década de 1970 e tinha a percepção de meu pai em estado taciturno. Abatido.  Penso nos dias em que ele soube da morte de Lupicínio Rodrigues (1914-1974) e, tempos depois, de Orlando Silva (1915-1978). Dou-me conta agora que esses artistas nasceram pouco antes do meu pai. O velho é de 1916.  O que pensava o meu pai? Não sei. Agora posso ver o que sinto. Sempre me dá uma tristeza, pequena ou grande, quando algum grande artista ou alguma personalidade que marcou época se vai. Têm sido tantos. E parece que cada vez mais.  Robert Redford foi O Galã, se podemos simplificar muito. Parceiro de Paul Newman em Butch Cassidy & Sundance Kid; e de Dustin Hoffman em Todos os Homens do Presidente; filmes que, curiosamente, ou não vi ou não lembro se vi, o que dá no mesmo. Mas lembro que marcou minha adolescência um filme que ele dirigiu, Gente como a gente. Uma das primeiras vezes na minha vida em que eu havia lido o livro que deu origem ao filme. E, claro, o vi em...

Gatinho

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O gato era cinza. E branco. Mais cinza do que branco.  Era um filhote então. Um gatinho. Foi adotado por uma senhora no outono da vida.  Ou, talvez, no inverno da vida.  Para completar o clichê, talvez, uma solteirona que criava gatos. Só no outono de sua vida, aí sim, passou a acolher os felinos. O gato foi tomada por uma gata. Recebeu nome de personagem feminina da novela das oito. Nome esse já esquecido. Um exame mais detalhado constatou: não era uma gata. Um gatinho. Gatinho, o nome ficou. Gatinho, o nome, ficou. Um dia, a dona do Gatinho foi afligida por dores.  Dores no abdômen, dores nas costas. Consulta daqui, pesquisa dali, perscruta acolá, e chegou-se a um diagnóstico. O pâncreas tinha um tumor. E nove meses depois, um tumor no pâncreas levou a dona do Gatinho. Que foi herdado pela ex-cunhada da falecida dona. E foi bem tratado pela ex-cunhada da falecida dona. E ali até viveu bem. Uma vez fugiu. Mas voltou dois dias depois. Ali até viveu bem. Contudo houve...

Silvio Tendler, Angela Ro Ro

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Em certos momentos eu me sinto como um escritor de obituários. Nas últimas duas semanas isso ficou bem acentuado. Em uma semana escrevi sobre Luis Fernando Verissimo , e na semana seguinte escrevi sobre Mino Carta . Ainda bem que, além dos obituários, também escrevi sobre a primavera de 2025 chegando  e sobre futebol americano .  Infelizmente sempre tem gente que faz parte das nossas lembranças, do nosso imaginário, morrendo o tempo todo.  Não escrevo, por exemplo, sobre o cartunista Jaguar ou o músico Hermeto Pascoal, não porque não sejam importantes. Foram. Mas não estão inseridos de forma inescapável dentro da minha vida, como as pessoas das quais comento e lamento o falecimento, como acontece neste momento.  Por esses dias morreram mais duas pessoas inescapáveis.  Silvio Tendler (1950-2025) foi um cineasta. Documentarista. Documentários não costumam ser as obras cinematográficas mais vistas, mas Tendler foi bastante bem sucedido nessa área. No início da minh...

Em uma semana Luis Fernando Verissimo, na outra Mino Carta

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Lá se vão quatro anos desde que lamentei as mortes de Tarcísio Meira e Paulo José em um texto neste blogue . Estávamos então no segundo ano da peste, isto é, da pandemia de covid-19.  Pois agora por esses dias vamos nos despedindo de mais pessoas. Ou, pelo menos, eu vou me despedindo. Faz uma semana, comentei e lamentei o falecimento do escritor Luis Fernando Verissimo.  Dias depois veio a notícia da morte do jornalista Mino Carta.  Tornei-me intelectualmente próximo de Mino Carta entre o final do século passado e o início deste século XXI. Foi quando assinei por um tempo sua revista de notícias, a CartaCapital. Não lembro se quando eu assinei a revista sua periodicidade ainda era quinzenal, ou se já havia passado a ser semanal. Sei que eu estava a procura de um veículo informativo um pouco diferente do que eram as revistas Veja e Época à época. Assinei CartaCapital por alguns anos. Mino Carta era a, digamos, alma da revista. E foi por ela que acompanhei o noticiário nos ...

LFV (1936-2025)

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Desde a madrugada de sábado, 30 de agosto, o Brasil ficou um pouco mais triste. Pelo menos para aquela parte que apreciava o humor discreto do escritor Luis Fernando Verissimo. Ele nos deixou naquela madrugada após um relativamente longo ciclo de problemas de saúde, especialmente uma pneumonia e um AVC acontecidos há alguns anos.  Filho de Erico Verissimo, que é talvez o maior escritor sul riograndense de todos os tempos, Luis Fernando se tornou um autor com estilo próprio, diferente do pai. Ambos populares, cada qual a seu modo.  Os obituários tendem a ressaltar um homem econômico ao falar, e essa parece que foi uma característica que Luis Fernando Verissimo fez questão de cultivar.  E as memórias e recordações de amigos e colegas partem dos inícios da carreira. Ele foi colega de redação de muita gente. E trabalhou incansavelmente nessas redações.  Meu período de maior leitor de LFV é dos tempos em que eu costumava ler o jornal Zero Hora impresso. Tempos pré-interne...

Preta Gil, Mário Pirata, Ozzy Osbourne: a vida é sopro

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De fato eu conheço pouco da obra Preta Gil. Tudo que eu sabia era que ela era uma das filhas de Gilberto Gil, e uma figura midiática. Era fácil ver participações dela em programas de variedades televisivos e na internet. Ultimamente tivemos a notícia do desenvolvimento de um câncer de intestino e sua luta contra a doença aconteceu em praça pública.  Apesar de eu viver em Porto Alegre, conheço ainda menos a respeito de Mário Pirata. Mário Augusto Franco de Oliveira, o Mário Pirata, era um poeta e um ativista cultural, com atuação importante na cidade desde os anos 1980.  Ozzy Osbourne é mundialmente conhecido. Primeiro como membro da banda Black Sabbath, depois como cantor solo. Na maturidade chegou a participar de um reality show televisivo mostrando a sua vida.  Estas três pessoas nos deixaram nos últimos dias. Preta Gil e Mário Pirata no domingo, 20 de julho. Ozzy Osbourne na terça, 22. Em poucos dias dezenas, milhares, milhões de fãs ficaram desamparados. Seus ídolos s...

Jean-Claude Bernardet: medicina, vida e morte

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E morreu no sábado retrasado, 12 de julho, Jean-Claude Bernardet. Intelectual relativamente conhecido, sua morte foi lamentada em cadernos culturais de veículos de comunicação Brasil afora. Escritor, foi crítico cinematográfico, ensaísta, roteirista. Também foi diretor cinematográfico. Ultimamente também passou a atuar em frente às câmeras. O noticiário informa que ele não se considerava exatamente como um ator, mas uma espécie de “performer”. Belga de nascimento, se tornou brasileiro por adoção – naturalizou-se.  Nos variados obituários lamentando sua morte, em geral o foco se dá sobre sua relação com o cinema. Primeiro como crítico e ensaísta, depois como roteirista, diretor e ator (ou “performer”, como citaram). Um intelectual ativo, curioso e provocador.  Minha relação com Jean-Claude Bernardet não foi assim. Conheci-o por meio de um longo depoimento que ele deu à revista Piauí em 2019, comentando sua relação com o corpo doente. Na época em que o depoimento foi publicado, ...

Cara Maria – XVIII – Estamos no inverno de 2025 em Porto Alegre

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Cara Maria, Na semana passada não publiquei o texto que costumo chamar de crônica semanal. Na semana passada não houve crônica semanal. Deveria eu chamar este texto de quinzenal? Eu estive entre a falta de inspiração, a preguiça e a expectativa e preparação de uma viagem de folga. Folga no meu caso atual, e imagino que também seja o teu caso, é sair um pouco da rotina a que nos dedicamos cotidianamente. Sabes, não? Enfim, após explicações e desculpas esfarrapadas, volto a escrever.  Se na mensagem anterior  eu comentava naquele início de junho que fazia frio como se o inverno já tivesse começado, agora faz frio e estamos em pleno inverno. Faz frio, temos algumas madrugadas gélidas, acordamos com céu nublado ou com neblina. Às vezes chove.  As extremosas, que colorem de rosa as ruas de Porto Alegre no verão, perderam suas flores e folhas. Hibernam. Curiosamente com seus caules nus é mais fácil ver como algumas estão sendo parasitadas por erva-de-passarinho aqui pela zona n...

Maio de 2025: a despedida de Mujica e veranico parte 2

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Eu estava em Montevidéu em março de 2015, quando terminava o mandato de José Mujica na presidência da República Oriental. Gosto muito del paisito ao sul do Rio Grande do Sul, e de sua capital, que fica a uns 850 quilômetros de Porto Alegre.  Naquela ocasião achei comovente como parte da população montevideana se manifestava nas ruas no momento da transferência de poder. Por conta das peculiaridades da política uruguaia era como uma espécie de devolução. Mujica havia recebido o poder de Tabaré Vásquez em 2010, e agora o repassava ao mesmo Tabaré, cinco anos depois.  O tempo a todos nos consome. Tabaré Vásquez concluiu seu segundo mandato presidencial e faleceu seis meses depois, em decorrência de um câncer.  Dentro da política uruguaia, José Mujica foi de militante do Partido Nacional, de direita, até senador e presidente da república pela Frente Ampla, de esquerda, tendo aderido à luta armada nos anos 1960.  Contudo é claro que ele adquiriu a proeminência que adquiri...

Cid Moreira se foi na primavera de 2024

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Em meados dos anos 1970 eu ainda era criança, mas me lembro vagamente de meu pai circunspecto quando da morte de Lupicínio Rodrigues, falecido em 1974, e da de Orlando Silva, em 1978. Acho que deveria ser pesado para o Velho ver irem-se seus ídolos de juventude. Meu pai constantemente cantava Nervos de Aço à capela.  Talvez a impressão que tive de peso e circunspecção tivesse a ver com o fato de o pai também estar entrando na velhice. Em 1974 ele tinha 58 anos. Fico pensando nisso quando percebo tanta gente ao meu redor morrendo, e, em geral, por velhice ou enfermidades relacionadas à velhice.  Acho que o caso mais recente foi o do jornalista Cid Moreira. Durante boa parte da minha infância e adolescência eu via Cid Moreira lendo notícias no Jornal Nacional, na Rede Globo. Ao final de cada edição vinha o seu (da parte dele) “boa noite”. Conheci gente que respondia boa noite a ele. E alguém que nos marca nessa tenra idade, marca para sempre.  A nossa memória sempre perde e...

Refletindo sobre algumas figuras públicas que nos deixaram em julho e agosto de 2024

Mais gente faleceu, e mais gente a gente sente falta, ou percebe o falecimento. Eis alguns que nos deixaram nas últimas semanas.  Xicão Tofani  era um jornalista, que era conhecido como colunista social televisivo e figura boêmia na noite porto-alegrense. No início de julho teve um infarto ao qual não resistiu.  Caçulinha  era um músico instrumentista conhecido no Brasil, e passou a ser ainda mais conhecido ao participar por vários anos do programa Domingão do Faustão na televisão nas tardes de domingo. Também um infarto o levou neste início de agosto. O músico estava com 86 anos.  Adílio  era jogador do Flamengo. Jogou com Zico e Júnior, e fez parte da equipe que foi multicampeã nos anos 1980. Morreu em decorrência de câncer no pâncreas. Tinha 68 anos.  Delfim Netto  foi ministro de estado e deputado federal entre outras atividades. Era o último sobrevivente da reunião ministerial de dezembro de 1968 que marcou a decretação do AI-5, isto é, da di...

Shannen Doherty (1971-2024)

Sábado passado, 13 de julho, faleceu a atriz Shannen Doherty . Ela ficou em nossa memória por interpretar a personagem Brenda Walsh nos quatro primeiros anos da série Barrados no Baile, originalmente Beverly Hills 90210, uma série televisiva de temática adolescente dos anos 1990. O programa era exibido na TV nas tardes de sábado. No Brasil, para essa série, Shannen Doherty era dublada por Marisa Leal. A voz ainda ressoa na minha cabeça. Não lembro de praticamente nenhum episódio, mas ficou a lembrança da atriz com sua beleza e, bem, a voz de Marisa Leal.  Morreu cedo, em decorrência de um câncer. Uma pena.  19, 22/07/2024. 

Jeverson Garníze (1961[?]-2024)

Na vida é assim. Tem um tempo que você fica próximo de uma pessoa. A pessoa é quase parente, tipo casado com a irmã da sua esposa. Se frequentam casas, fazem celebrações de aniversário juntas e coisas do tipo.  Depois tem um tempo em que as coisas mudam. Os filhos crescem. A pessoa se separa. Você se separa. A convivência some.  Você fica sabendo de notícias que vêm como telegramas. “Jeverson casou de novo”. “Jeverson pegou covid; foi internado, entubado; ficou entre a vida e a morte na UTI; perdeu muito peso; ficou com sequelas”. “Jeverson tem tido dificuldades até para subir dois andares de escada”.   Hoje a notícia chegou pelo aplicativo de mensagens, também como se fosse um telegrama. “Jeverson faleceu”. E eu perplexo. Sempre vêm os questionamentos automáticos. Como? Quando? Em que circunstância? Nada. Perguntei por velório e sepultamento. Nada. Já tinham acontecido.  Choque. Perplexidade. Tristeza. Eis os sentimentos que explodem dentro da nossa cabeça e fa...

Ismail Kadaré (1936-2024)

Esta semana foi publicada a notícia da morte do escritor albanês radicado na França Ismail Kadaré . Ele teria falecido na segunda-feira, 1º de julho, de uma parada cardíaca, possível infarto.  Escreveu vários livros, e talvez o mais famoso, ao menos para nós brasileiros, tenha sido Abril Despedaçado, que gerou uma adaptação cinematográfica nacional, adaptada à realidade do sertão nordestino.  Dele eu li O Dossiê H. Nesse livro pesquisadores irlandeses chegam ao então Reino da Albânia, na década de 1930, em busca dos últimos aedos que viveriam na região. Para se ter uma ideia, Homero, a quem são atribuídas as autorias da Ilíada e da Odisseia, seria um aedo e um tipo de padrão para os aedos.  Teve vida longa. Espero que tenha se sentido tão pleno quanto lhe foi possível.  05/07/2024. 

Doralino Souza

Por esses dias faleceu o Doralino Souza. Não sei exatamente em que dia. Não sei o que causou sua morte. Só sei que lamento.  Doralino era escritor e divulgador de literatura. Um agitador cultural. Publicava com regularidade a revista eletrônica Paranhana Literário, onde divulgava graciosamente a obra de uns tantos escritores aqui do Rio Grande do Sul. Em um dos números até eu fui publicado.  A única vez que estive em contato com ele foi quando ele lançou seu livro Dentes no Copo de Uísque, em um boteco nos altos do Viaduto Otávio Rocha, aqui em Porto Alegre. Depois os contatos foram sempre virtuais. Lamento que não tenham acontecido outros encontros.  Uma grande perda, de um homem talentoso e relativamente jovem (acredito que aí pelos seus cinquanta e poucos). Lamentável. Que descanse em paz.  23, 24/06/2024. 

Jussara Fösch partiu em 16 de abril de 2024

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Viver traz perdas. Quanto mais vivemos, mais perdas vamos tendo. É um clichê, é um truísmo. Até que nós mesmos chegamos ao fim. Tenho inventariado as pessoas que partem. Deixam-me . Há pouco mais de um ano, se foi a Barbara Sanco . Há poucos dias, se foi Jussara Fösch.  Trabalhamos na mesma área em processamento de dados por mais de vinte anos. Nos últimos dez ou doze anos de trabalho, ficávamos praticamente um de frente para o outro. Muito chimarrão ela me ofereceu antes da pandemia condenar as cuias compartilhadas. Era uma convivência em geral boa. Tivemos nossos atritos, mas mais nos ajudávamos que brigávamos. De fato, essa é uma das principais lembranças, a colaboração nos projetos que precisávamos desenvolver.  E conversas. Muitas conversas. Entre colegas sempre se conversa sobre salários, sobre o sistema de promoções da empresa, sobre apadrinhamentos (ou não). Sobre outros colegas (ou não). Em todo grupo social há o ditado que, se você não comparece a uma reunião, pode s...

Refletindo sobre algumas figuras públicas que nos deixaram no primeiro quadrimestre de 2024

Os sete ou oito leitores que acompanham o que escrevo sabem que tenho certa fixação sobre pessoas com alguma influência, pessoas públicas em algum sentido, e que partiram. Como alguém já brincou, sou aquele que lê obituários, e, mais que isso, escreve obituários para pessoas queridas que nos deixam. Neste ano de 2024, em que abril vai terminando, mais algumas pessoas que de alguma maneira me marcaram morreram. Comento sobre elas a seguir. Samuel Pinheiro Guimarães foi diplomata . Era um homem nacionalista e patriota. Por conta disso foi associado a esquerdismo e socialismo, e ainda por conta disso, meio que ficou na geladeira do Ministério das Relações Exteriores no governo FHC. Como era um intelectual combativo, escrevia artigos criticando o que via de errado na diplomacia brasileira e nas relações políticas mundiais. Tinha 84 anos. Faleceu no final de janeiro.  Wilson Fittipaldi  talvez seja mais conhecido como o irmão do Emerson, Emerson que foi o primeiro piloto brasileiro...

Cara Maria – VI

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Cara Maria, Como falei contigo, quando tivemos oportunidade de nos encontrar por conta do teu mais recente lançamento, estive viajando semana passada. Como te disse até encontrei o Eduardo no aeroporto. Ele partia para Brasília, enquanto eu retornava.  Por conta da viagem acabei por não publicar nada no blogue na semana passada, a não ser um aviso que não haveria publicação. O que me parece francamente contraditório isso de publicar um aviso que não haverá publicação.  Ainda sobre o lançamento, sim gostei, e teu conto me trouxe algum desconforto. Digo aqui o que eu devo ter dito no lançamento: parabéns! Ou eu não disse? Bom se não disse, acabo de dizer. Se já tinha dito, acabo de repetir. Pois então… Parabéns!  Sabes? Eu bem gostaria que os contos atuais fossem mais longos. Sei que há recomendações para que esses contos sejam baseados em apenas uma cena, e essa cena precisa ser impactante o suficiente para nocautear o leitor (nocautear repetindo a célebre metáfora de São ...