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Desmascarado

Até quando dura a peste? Numa noite assombrada destas, sonhei com pessoas sem máscara pelas ruas e pelos xópings.  Acordei pensando naquilo. Preocupado.  Quando passou o perigo? Até quando dura a peste? Duas semanas depois visitei um xóping na zona sul da cidade.  A maioria das pessoas andava com o rosto descoberto.  Os amigos que me acompanhavam se constrangeram (ou se sentiram liberados?) com as máscaras e também as guardaram.  Me intimaram a fazer o mesmo.  Contrafeito, temeroso, tirei a de pano.  03/04/2022.

Alívio

Sexta-feira, final de tarde. Ainda lendo o jornal. Também, só eu mesma para assinar jornal do centro do país em papel em tempos de comunicações instantâneas.  Dinossaura. Ou jacaroa, como está em moda.  Leio o texto de uma colunista falando de sua ancestralidade judaica, e de como só com os filhos adultos, a mãe lhes revelou que tinha sido refugiada do nazismo.  Em outra coluna, uma escritora, que costuma criar hipérboles a partir de suas vivências, relata seus dias de doente de covid-19. Muito sofrimento. São mais de 400 mil mortos, quando leio, e contando.  E um artigo de defensoras públicas lembrando os quinze anos do massacre de maio de 2006 em São Paulo. Primeiro uma centena de policiais e agentes penitenciários assasinados, supostamente a mando do PCC, depois a reação e 400 executados em uma semana, provavelmente por policiais organizados em esquadrões da morte.  Afff... Uma mensagem no celular.  Minha neta me avisa que vem matar a saudade de mim! Oás...

Tranco

Naqueles dias soube do agravamento do câncer, sem remédio, do amigo de longa data.  Mais uns dias, teve uma briga séria com a namorada. Resolveram dar um tempo.  Uma semana depois, quando o cachorro morreu, chorou. Muito.  30/11/2020.