Diário - cinema - Homens de Preto 3, Mais do Mesmo e um Pouco Mais
Neste final de semana fui ao cinema assistir à segunda sequência do filme Homens de Preto, o número 3 ("M.I.B. III").
É um pouco mais do mesmo dos dois primeiros filmes da série, mas com um pouco mais de conteúdo. Ou talvez não, mas eu acho que me afeiçoei mais a este filme que aos dois primeiros.
Além dos costumeiros seres extra-terrestres, este carrega um pouco mais na emoção, quando o agente J precisa retornar no tempo para ajudar o agente K, e de quebra salvar o planeta Terra.
De volta a 1969, o filme faz uma bela reconstituição de época, inclusive com uma trilha sonora condizente. O que pode ser uma grande diferença com os filmes anteriores.
E há atuação de Josh Brolin como o jovem agente K. E ele atua otimamente, como costuma fazer (a flexibilidade de Josh Brolin pode ser constatada pelas suas diferentes atuações: um policial corrupto no início da década de 1970 no filme "O Gângster", um vaqueiro que acha uma fortuna de um traficante nos anos 1990 em "Onde os Fracos Não Têm vez", ou um bandido assassino no faroeste "Bravura Indômita").
E há os coadjuvantes de luxo como Tommy Lee Jones (sim, neste filme Tommy Lee Jones é um coadjuvante de luxo) e Emma Thompson.
Para variar, fui ver novamente o filme em cópia 3D, pensando que seria divertido ver os extra-terrestres saindo pela tela. Não funcionou como um imaginei. O 3D não fez uma diferença importante neste filme. Eu poderia ter economizado alguns reais.
Em todo caso, o filme é bom. Não é necessário ter visto os dois primeiros, mas certamente quem os viu desfrutará mais este filme. Vale a pipoca.
28/05/2012.
Novas Voltas em Torno do Umbigo
Um blog para que eu coloque apenas textos que eu escrevi, sucedendo o Voltas em Torno do Umbigo e o Ainda a Mosca Azul. A minha miscelânea. 11/01/2011.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Leituras atrasadas - Cartas da Zona de Guerra, de Michael Moore
Leituras atrasadas - Cartas da Zona de Guerra, de Michael Moore
Quem conhece a obra de Michael Moore, sabe que ele é um realizador um tanto quanto espalhafatoso. Seus diversos documentários o mostram tentando constranger os possíveis causadores dos infortúnios mostrados nos filmes, enquanto os entrevista. Esses documentários incluem "Roger e Eu" sobre a desativação de uma planta da General Motors em Flint, estado de Michigan, desativação esta que causa uma hecatombe econômica na cidade; "Sicko" sobre os problemas do sistema de saúde, ou a falta de um sistema público de saúde, nos Estados Unidos; "Tiros em Columbine" sobre o massacre perpetrado por dois adolescentes em uma escola no estado Colorado e a facilidade da venda de armas nos Estados Unidos; entre outros filmes.
Sua obra inclui também livros, como este "Cartas da Zona de Guerra", que é uma compilação de cartas, na verdade e-meios, de militares, ex-militares e familiares de militares dos Estados Unidos, e na invasão do Iraque, que era recente então.
A obra complementa o filme "Farenheit 9/11", e tem um objetivo de fundo, impedir a reeleição do presidente George W. Bush, então em primeiro mandato. Ambas as conclusões podem ser aferidas a partir das várias citações do filme, e das várias manifestações dos autores das mensagens de votar para impedir a reeleição de Bush. Assim fica claramente parecendo algo de política interna dos Estados Unidos da América. Como sabemos esse objetivo de fundo fracassou.
Afora isso, o livro demonstra algumas coisas interessantes.
Uma delas é que as queixas em geral vêm dos militares de baixa patente. Em geral são de soldados, ou de cabos, ou de seus familiares as mensagens que compõem o livro. Pela minha conta, só em uma das mensagens foi relacionada a um oficial, ainda assim de baixa patente. Ou seja, não há formados nas academias militares dos Estados Unidos escrevendo para Michael Moore. Além disso, esses militares, ex-militares e familiares que escrevem são pessoas pobres, que ingressaram no serviço militar voluntário, como uma forma de conseguirem juntar dinheiro para cursar faculdade, ou mesmo para aprender algum ofício durante sua estadia nos quartéis. Muitos relatam terem se sentido enganados pelos recrutadores das forças armadas, que prometem mundos e fundos, inclusive uma remotíssima chance de ir para alguma frente de batalha, e, após alistados, essas pessoas descobrem que sim, irão para uma guerra, alguns deles morrerão lá, alguns voltarão incapacitados, muitos voltarão com estresse pós-traumático, e todos terão poucos recursos aos quais recorrer após o serviço militar.
O livro apresenta um certo quadro. Ser soldado do exército ou da infantaria da marinha ("marines") dos Estados Unidos, é ser pobre, ou classe média baixa, em busca de oportunidades de crescimento profissional ou econômico. É comum também que algum outro familiar tenha prestado, ou preste, serviço militar. E também, em geral, significa ser conservador e votar no Partido Republicano.
Contudo, há uma outra questão. Como já foi dito, a missão de não reeleger George Walker Bush falhou. Além disso, o livro apresenta dezenas de mensagens de apoio a Michael Moore, à sua obra, e denunciando a Guerra no Iraque. Mas quantos milhares de outros militares, ex-militares e familiares de militares não se identificaram com a mensagem de Michael Moore e continuaram apoio o então presidente Bush, sem questionar a guerra? Sobre isso só podemos especular.
Por fim, cabe dizer, que em vista dessa questão da Guerra do Iraque, e da reeleição de George W. Bush o livro está um tanto datado. Esse, aliás, é o motivo pelo qual o título deste texto começa com "leituras atrasadas". Teria sido melhor que ele tivesse sido lido antes da eleição de 2004, nos Estados Unidos.
MOORE, Michael (org.). Cartas da Zona de Guerra. São Paulo: Francis, 2004.
16/05/2012.
Minhas Lembranças de Donna Summer
Minhas Lembranças de Donna Summer
No final do ano passado, comentei sobre o falecimento da cantora Andrea True, informando que o “hit” cantado por ela, “More, More, More”, era um dos mais tocados nas reuniões dançantes da Vila Cefer 2, onde passei o final de minha infância e início da adolescência.
Faz cerca de 10 dias foi divulgada a notícia do falecimento da cantora Donna Summer. Ela estava com 63 anos e lutava fazia algum tempo com um câncer. Donna Summer também fez parte da trilha sonora do final de minha infância e início de adolescência na Vila Cefer.
Foram principalmente quatro sucessos.
O primeiro foi “Love to Love You Baby”. Naqueles tempos havia uma gravadora especializada em discos de coletâneas de sucesso pop, a K-Tel. “Love to Love You Baby” veio no disco Dynamite, como todos os gemidos de Donna Summer incluídos, o que, pensando em retrospectiva, é bastante surpreendente para aqueles tempos da ditadura militar brasileira, onde os discos tinham que ser aprovados pela censura antes de serem distribuídos. O disco foi um relativo sucesso, e era mais ou menos fácil tocar naquelas reuniõezinhas dançantes.
Depois o sucesso foi “Last Dance”. Esta canção tinha a peculiariadade de ser lenta nos seus primeiros segundos, e depois se tornar rápida. Eventualmente acontecia nas reuniões dançantes que algum casal desprevenido dessa particularidade da música começasse a dançar de rotinho colado, e lá pelas tantas se ver constrangido a se separar. O ritmo da música mudara...
“Last Dance” também fez parte da trilha sonora do filme “Até que enfim é sexta-feira” (Thank God, it’s Friday”). Era uma comédia aproveitando a onda disco do final daquele final da década de 1970. Eu lembro pouca coisa do filme. Lembro de um automóvel estacionado em frente è discoteca (ou, talvez, “club disco”, ou ainda “boate disco”) do filme, no qual quase todas as pessoas que chegam ao estabelecimento esbarram, e que acaba por se desmanchar, e a participação de Donna Summer cantando “Last Dance”. Não era um grande filme, mas era um filme que eu pude ver. Como dizíamos na época: censura 10 anos. Em contraponto, “Os Embalos de Sábado à Noite”, o estrondoso sucesso com John Travolta exibido no ano anterior tinha limite de idade de 16 anos.
Os dois sucessos seguintes foram “Hot Stuff” e “Bad Girls”, ambas músicas do álbum “Bad Girls”. Aí as reunioes dançantes já rareavam. Eu me lembro de um amigo meu que comprara o disco “Bad Girls” que continha as duas músicas. O disco seria ofertado como presente a alguém, e o meu amigo queria fazer uma cópia em fita cassete. Naquele tempo a minha irmã estava montando o enxoval para casar e tinha um aparelho de som 3 em 1. Nós chamávamos “3 em 1” os equipamentos que apresentavam rádio, toca-discos e gravador de fita cassete integrados, uma novidade naqueles dias, e algo relativamente caro. “Hot Stuff” e “Bad Girls” foram as músicas que mais ouvi daquele disco, através de uma cópia em cassete. Cassete esta que não sei que fim levou...
E estas são as minhas lembranças de Donna Summer, ou das músicas de Donna Summer que embalaram o final de minha infância.
Depois disso, me desliguei de Donna Summer, de modo que, com as notícias de seu falecimento, fiquei surpreso que a cantora tenha estado aqui no Brasil no final da década passada, e eu não tivesse me dado conta.
Com 63 anos, nos dias de hoje, a morte de Donna Summer não deixa de ser prematura. Foi uma grande e bela cantora.
27/05/2012.
sábado, 26 de maio de 2012
Meu Mundo
Eu gosto de utilizar representações de nosso planeta, a Terra, com o Pólo Norte voltado para baixo, em lugar do sul, como é mais comum vermos. Já defendi este posicionamento num outro texto.
Claro, que muita gente acha loucura, falta de sentido (em que sentido? He, he, he...), absurdo. Alguns colegas de trabalho em especial, gostam de “endireitar”um pequeno globo que mantenho em cima de minha mesa (obviamente este globo fica com o Pólo Sul para cima), e vez por outra sou surpreendido quando chego para trabalhar e o globo está com o Pólo Norte para cima. Quando eu percebo, por coerência, tenho que corrigir isto. Infelizmente isto causa um pequeno desgaste no globo, a cada endireitada, e cada corrigida. Ou seja, brevemente terei que comprar um globo novo.
Uma colega já me perguntou por quê eu mantinha o “globo virado”. Nós trabalhamos num prédio que fica relativamente bem orientado, com relação aos pontos cardeais. O prédio é uma “caixa” retangular, com alas sul e norte, e os lados maiores orientados para leste e oeste. Eu trabalho na ala norte. Na estrutura do prédio, os banheiros coletivos, masculinos e femininos, ficam orientados para oeste, pelo menos os que eu conheço (sim, porque não conheço todos os banheiros do prédio). Então, voltando àquele questionamento da colega, para responder o porquê, de eu colocar o sul para cima, eu caminhei com ela até próximo da janela que mostrava o norte e perguntei se ela via alguma “subida” que olhava em direção ao norte, e não apenas uma longa planura até onde a vista alcançasse. E de fato, até onde a vista alcança, o que se pode ver é um plano.
Curiosamente, é esta sensação de plano que fez com que se pensasse que a Terra era plana, na Europa Ocidental, durante a Idade Média, com o aval da Igreja Católica de então. Mas a Terra é esférica, ou geóide se quiserem. Uma esfera não possui parte de cima ou de baixo. A Terra pode ser representada, e normalmente o é, tendo o norte para cima, como sendo visualizada a partir de um determinado ponto de vista, em seu eixo de translação em relação ao Sol.
Outro colega já me objetou que a metade sul do plante possui menos terras que a metade norte. Mas isso é totalmente irrelevante para realizar uma representação com o sul para cima. Mesmo que existam menos terras ao sul da linha imaginária do Equador, eu vivo em Porto Alegre, que fica ao sul desta linha. Imaginária como eu disse. E também Montevidéu, Santiago, Buenos Aires, Luanda, Sidney e Durban (na África do Sul, que fica numa latitude muito próxima da de Porto Alegre).
Sul. Para Cima.
Papai Noel
Hoje, quando saí para o almoço, e ia subindo a Caldas Júnior em direção à Riachuelo, eu vi o Papai Noel.
É estranho ver o Papai Noel em maio, mas se pensarmos no frio que estamos enfrentando por estes dias faz todo o sentido.
Apesar do frio, ele não estava usando sua roupa tradicional, vermelha com botas. Estava disfarçado. Olhando à primeira vista, parecia qualquer um. Vestia uma calça jeans, e uma jaqueta de couro tapando até o pescoço. Estava calçando um par daqueles tênis preto, que diziam antigamente que era para jogar futebol. Não consegui ver a marca. Quem olhasse para ele, veria um velhinho como qualquer outro. Mas aqueles cabelo e barba brancos não deixaram que ele me enganasse.
O Papai Noel estava usando uma muleta. Claro, esse negócio de entrar e sair das casas pela chaminé, só podia dar em acidente de trabalho. Garanto que se eu resolvesse perguntar, ele ia tentar me enganar com uns papinhos tipo "fui atropelado", ou "tô me recuperando de um derrame". Ah é... Vai nessa...
Como estava muito frio, com muito vento, passei por ele rapidamente sem puxar papo, apenas com os olhos fixos naqueles cabelo e barba inconfundíveis. E me perguntando - onde será que ele escondeu o trenó?
Eu havia publicado este texto originalmente no meu blog Voltas em Torno do Umbigo, em maio de 2007.
Sobre ter, ou não ter, filhos
Sobre ter, ou não ter, filhos
Porto Alegre, 24 de maio de de 2012.
Caro amigo,
Não pude deixar de pensar na pergunta que fizeste no almoço a respeito de ter filhos. Ou não. E que estavas avaliando a questão junto com tua esposa.
É. É complexa a questão.
Eu tendo a achar que racionalmente, é melhor não tê-los.
As despesas vão aumentar, e o salário família, para ajudar a criar a criança não compensa o valor. A esposa pode ganhar sobrepeso e perder as formas. O tempo para as tuas atividades de lazer vai diminuir. Os momentos de intimidade do casal, tornado pai e mãe, vão ficar mais restritos.
Eventualmente vai ser necessário acordar no meio da noite. Uma noite ou outra vai ser necessário correr com a criança doente para algum pronto-atendimento médico. Isso nas coisas mais triviais.
Radicalizando o que foi dito acima, e usando do biologismo rasteiro, o feto pode atuar como um parasita sobre a mãe, que eventualmente pode ter sua saúde abalada. Não é incomum que surjam problemas como hipertensão, ou hiper glicemia durante a gravidez.
Pode haver a infelicidade de uma má formação fetal, seja genética, seja congênita, e o filho se tornará uma pessoa dependente por toda a vida. E cada família tem uma forma de responder a isso. Nem todas da forma mais edificante.
Mas aí temos a palavra do poeta, que disse algo como "filhos, melhor não tê-los, mas sem os tê-los, como sabê-lo?"...
Pela minha experiência, um filho enriquece a nossa vida. E julgo que nesses vinte e poucos anos tive mais momentos abençoados que tristes. Até porque a nossa memória é seletiva, e a gente procura lembrar o que houve de bom, e tenta esquecer o que houve de ruim. Sim, há as preocupações e há as doenças. Mas há também as celebrações, os momentos gostosos compartilhados, o companheirismo que acontece por anos. E pode se estender por mais e mais anos.
Eu confesso que o meu filho nasceu mais de uma decisão emocional que racional. Mas a experiência de viver com ele tem sido tudo de bom. Enriquecedora.
Agora, pensando em ti. Eu li teu weblog.
E o teu weblog mostra um aparentemente feliz retrato de família. Talvez até seja uma descrição de fachada, mas espero que não.
E o retrato que tu mesmo traçaste é um retrato de camaradagem, de companheirismo.
Acho um privilégio que um pai e um filho possam fazer uma viagem de moto juntos, cada um na sua respectiva motocicleta.
É legal a cumplicidade de vocês terem ido comprar o teu carro juntos. Conferirem eventuais consertos que necessitassem ser realizados. Escolherem o som que equiparia o possante...
É bem legal vocês terem tido ocasião de fazer churrasco enquanto acompanhavam uma competição automobilística em Tarumã.
Em favor da hipótese dos virtuais filhos, pensando na melhor hipótese, desejando a melhor hipótese, em Deus permitindo que o melhor aconteça, que tal um futuro assim contigo e teu filho daqui há uns 20 ou 30 anos? E, melhor ainda, com a possibilidade do teu pai estar junto?
Pois é. Mas tudo isso compete a ti e à tua esposa decidir.
Só escrevi isso tudo porque a questão ficou martelando na minha cabeça.
Espero que a vida te dê tudo de bom!
José.
Diário - leituras - O Brasil holandês
Diário - leituras - O Brasil holandês
Como o próprio nome diz, é um livro sobre a ocupação holandesa no Nordeste do Brasil (1630-1654).
O diferencial deste livro é que nele Evaldo Cabral de Mello é um organizador a mostrar todo o período da invasão holandesa aos domínios portugueses na margem oeste do Atlântico Sul através de textos do século XVII, ou seja contemporâneos ao período abrangido. São crônicas, relatos, correspondências e relatórios militares que o autor selecionou para falar daquele período.
Evaldo Cabral de Mello é um especialista no assunto, tendo publicado alguns livros a respeito do assunto, entre os quais “O Negócio do Brasil” e “Olinda Restaurada”.
Assim por meio destes textos do século XVII, ele fala da invasão holandesa. Fala do período de impasse do início da ocupação (1630-1632), a consolidação da ocupação holandesa (1632-1637), o período do governo de Maurício de Nassau, considerado o apogeu da ocupação holandesa no Nordeste brasileiro (1637-1644), e a rebelião luso-brasileira (1644-1654).
A abordagem de Evaldo Cabral relembra aqueles personagens que são relativamente conhecidos para quem estudou História do Brasil no ensino fundamental ou no secundário: Fernandes Vieira, Henrique Dias, e Felipe Camarão (que nós, portoalegrenses, gostamos de dizer que acabaram batizando uma série de ruas do Bom Fim, o antigo bairro judeu da cidade) . O próprio Maurício de Nassau é personagem importante, e conseguiu conter quaisquer ímpetos rebeldes nos luso-brasileiros durante seu governo. Além disso, fala dos nomes menos conhecidos, aqueles da Holanda, como, por exemplo, o general von Schkoppe, que acabou derrotado nas duas famosas batalhas de Guararapes.
Mas é interessante também por colocar a invasão à colônia portuguesa no contexto dos problemas europeus. Por exemplo, os holandeses invadiram o Nordeste brasileiro durante o período da União Ibérica, quando o Felipe II, rei de Castela, isto é, da Espanha, tomou a coroa do Reino de Portugal, após uma crise sucessória neste país. E é pouco depois da restauração da autonomia portuguesa que a rebelião contra os batavos inicia.
Evaldo Cabral relembra que a invasão do Nordeste se dá sob a égide de uma companhia de cotas de capitais, uma espécie muito particular de empresa privada, capaz de, sob autoridade dos Países Baixos, controlar uma grande extensão de territórios, monopolizar áreas de comércio, exercer poder militar e fiscal. Assim era a Companhia das Índias Ocidentais, responsável pela ocupação do Nordeste, e pela possível exploração de seus recursos, no caso, principalmente o açúcar.
O livro conta com bilbiografia selecionada. Até porque o autor informa que uma bibliografia relativamente completa, poderia chegar a dois volumes (ele toma por base uma bibliografia compilada por José Honório Rodrigues, em 1949, sobre o assunto, que gerou um livro. Segundo Mello, uma atualização geraria um segundo volume).
Não é a obra mais completa sobre o assunto, nem a melhor síntese, mas é uma bela obra. Digna de ser lida.
MELLO, Evaldo Cabral de (org.). O Brasil holandês. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
19/03/2012.
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