sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Sully, O Herói do Rio Hudson


Diário - cinema - Sully, O Herói do Rio Hudson

"Sully - O Herói do Rio Hudson" ("Sully", Estados Unidos, 2016) conta a história de Chester Sullenberger, ou "Sully", comandante do vôo 1549 da US Airways, que, em janeiro de 2009, após colidir com um bando de pássaros foi obrigado a pousar no Rio Hudson, num incidente transmitido para televisões de todo o mundo.
Nessa recriação dirigida por Clint Eastwood, somos levados à formação do piloto, passando por seu treinamento como aviador militar, até se tornar um comandante de jato comercial com milhares de horas de vôo.
Somos expostos repetidamente ao acidente, e às decisões que Sully tomou para pousar o avião no rio. Decisões estas que são questionadas durante as investigações das autoridades responsáveis pela segurança da aviação nos Estados Unidos.
O que acaba acontecendo é que Clint Eastwood acaba por erigir um herói. Não um super-homem, ou alguém genial demais, ou destemido ao extremo, mas um homem que, tendo sido colocado sob pressão por uma série de circunstâncias, se sai bem e salva a vida de muitas pessoas.
Detalhe para a sequência da queda do avião no rio. Quem já andou de avião há de ficar comovido, já que todas aquelas orientações feitas antes de cada voo comercial, e muitas vezes tidas como inócuas, podem servir para salvar vidas em uma situação de emergência.

09/01/2017.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Animais Fantásticos e Onde Habitam


Diário - cinema - Animais Fantásticos e Onde Habitam

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" ("Fantastic Beasts and Where to Find Them", Reino Unido/Estados Unidos, 2016), é um filme, baseado em livro homônimo, derivado da série de livros sobre o menino bruxo Harry Potter.
Neste caso, somos apresentados a Newt Scamander (Eddie Redmayne, que está algo afetado nesse papel) um bruxo especialista em, bem, em animais fantásticos, que quer trazer uma abordagem de compreensão para os animais entre os bruxos, em lugar de repressão e destruição.
Como parte disso, ele também estuda os "Obscurus", parasitas que se instalam em crianças com o dom da magia, mas que reprimem esse dom.
A história é ambientada na primeira metade do século XX nos Estados Unidos, onde há uma Sociedade de Magia dos Estados Unidos, presidida por uma mulher negra. Eu acho difícil qualquer sociedade política presidida por uma mulher negra. Presidida por uma mulher negra nos Estados Unidos dos anos 1920 ou 1930, mas, claro, estamos em um mundo de fantasia.
O filme também fala em Gellert Grindewald, um mago das trevas, que assola o mundo bruxo na primeira metade do século XX, e que será citado como um inimigo de Albus Dumbledore nos livros de Harry Potter.
Embora mais fraco que a série original, o filme é simpático. Divertido.
Creio que terá continuação. Ou continuações.

09/01/2017.

Pílulas de política - O Procurador Geral da República Rodrigo Janot é um desequilibrado?

Pílulas de política - O Procurador Geral da República Rodrigo Janot é um desequilibrado?

O jornal O Estado de São Paulo exibe reportagem com o Subprocurador Geral da República e ex-Ministro da Justiça, Eugênio Aragão, onde este narra basicamente o final de uma longa amizade entre ele e o Procurador Geral da República Rodrigo Janot.
Sempre segundo Aragão (Janot não quis se pronunciar ao repórter Luiz Maklouf Carvalho), após o fim do Governo Dilma, Aragão teria voltado à sua origem, o Ministério Público Federal, e tentado tratar com Janot sobre suas novas atividades.
Durante a conversa, Aragão diz a Janot que ele, Janot, tinha sido uma decepção, seletivo nas ações da Lava Jato. Nas respostas Janot assume a carapuça de traíra, diz que não deve satisfações a Aragão, manda Aragão à puta que o pariu, e duas vezes o manda à merda.
Se pode dizer que tudo isso foi dito em uma conversa informal, entre duas pessoas que outrora até desfrutaram de intimidade, mas esse relato parece o de alguém destemperado, sem urbanidade.
A notícia saiu no Estado de São Paulo domingo, dia 15. Até agora não sei de réplica do Procurador Geral da República. A notícia mais recente dele é que está palestrando no Fórum Econômico Mundial, em Davos, convescote da elite financeira mundial. Deslumbramento?



18/01/2017.

Pílulas de política - O presidente da Câmara e os direitos dos trabalhadores


Pílulas de política - O presidente da Câmara e os direitos dos trabalhadores

Segundo notícia do jornal Correio do Povo, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM_RJ) quer votar uma reforma trabalhista com urgência, por conta do atual número de desempregados no Brasil - 14 milhões. Sempre segundo o jornal, o político teria dito que a lei trabalhista atual protege muito o trabalhador, mas tem tirado empregos do Brasil. Segundo Rodrigo Maia, esses empregos estão indo, por exemplo, para o Paraguai.
É um sinal do capitalismo do século XXI que parece querer se assemelhar cada vez mais ao do século XIX. Não é necessário dar proteção aos trabalhadores do Paraguai, é necessário cassar os direitos do trabalhador brasileiro, ou os empresários, capitalistas, levarão os empregos para o exterior.
Vamos ver que tipo de reforma o senhor Rodrigo Maia quer votar, e que direitos ele e a Câmara vão tirar dos trabalhadores brasileiros, que segundo ele, repito, são muito protegidos.

18/01/2017.

Diário - leituras na Piauí - Janeiro de 2017 - Pátria Iletrada


Diário - leituras na Piauí - Janeiro de 2017 - Pátria Iletrada


Da edição de janeiro de 2017 da revista Piauí, a reportagem que achei mais relevante foi a que apresenta a tese de livre docência do professor Renato Perim Colistete da USP, reportagem esta escrita por Rafael Cariello e Tiago Coelho. Na sua pesquisa para a tese, Colistete se pergunta porque a permanência do analfabetismo no Brasil no final do século XIX e início do XX, tempos finais do império e república velha, enquanto as nações mais desenvolvidas estavam combatendo isso com relativo sucesso.
Da pesquisa de Colistete saem algumas informações e ideias relevantes. Uma informação é que muitas câmaras de vereadores receberam solicitações de moradores (hoje chamaríamos de "abaixo-assinados") para que o município providenciasse escolas para as crianças da época. Entretanto os municípios não quiseram ou não puderam providenciar essas escolas na medida das necessidades existentes. Para que essas escolas fossem construídas e se arranjassem professores era necessário o financiamento para tudo isso, mas não havia sistema de impostos suficiente para pagar.
Por que isso? Aí há diversos fatores a serem considerados, a começar pela organização econômica do país de de então, com a economia e o trabalho concentrados no campo, sem a necessidade aparente de uma população alfabetizada para realizar as tarefas requeridas dos agricultores.
Junto com isso uma elite econômica que não desejava a taxação de suas terras ou propriedades urbanas. Taxação essa que poderia ser uma fonte de financiamento para a ampliação do acesso à educação.
Além desses fatores, uma centralização política e administrativa que impedia os cidadãos locais (dos municípios) de terem seus pleitos atendidos. Essa é a parte mais complicada de ser explicada.
O sistema político do Brasil no início do século XX centralizava recursos na união, mas os políticos eram eleitos entre as elites locais, que faziam valer sua preeminência econômica nos estados e municípios. Isso era uma via de mão dupla. Essas elites locais eram as "pessoas importantes" das regiões, e por conta disso, alegavam que traziam recursos para de volta para a região, lhes trazendo prestígio. Mas esses recursos eram mais para benefícios econômicos, estradas, ferrovias, locais de armazenamento; que para desenvolvimento social, o que seria o caso da ampliação do acesso à educação.
Elites interessadas apenas na sua prosperidade econômica e desconfiadas do restante da população. Eis um retrato do Brasil de 1900 e de 2017.
A reportagem me lembrou de outra na mesma revista, do mesmo Rafael Cariello, que abordou os estudos do americano Nathaniel Leff, que justamente pesquisa motivos do atraso de nosso desenvolvimento em relação aos Estados Unidos, comparando as políticas de preço do trabalho nos dois países. Vale lembrar.
O subdesenvolvimento é algo que precisa ser meticulosamente procurado para que possa ser alcançado. Estamos vendo.


15/01/2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Rogue One


Diário - cinema - Rogue One


A saga "Guerra nas Estrelas", ou "Star Wars" começou, nos cinemas, no já distante ano de 1977, quando foi lançado o primeiro filme. Depois nos demos conta que aquele primeiro filme tinha um subtítulo, "Uma Nova Esperança", e era um capítulo, o "IV". Em 1980 foi lançado "O Império Contra-Ataca" ("Empire Strikes Back", episódio "V"). Depois houve "O Retorno de Jedi" ("Return of the Jedi", episódio "VI"), em 1983. Foi o primeiro "fim" da sega, que então era uma trilogia.
Dezesseis anos depois, 1999, foi lançado o episódio "I", "A Ameaça Fantasma" ("The Phantom Menace"), basicamente uma geração anterior ao tempo dos filmes iniciais. Então, em 2002, tivemos o episódio "II", "Ataque dos Clones" ("Attack of the Clones"). E afinal o episódio III, "A Vingança dos Sith" ("Revenge of the Sith"), de 2005.
Então, em 2013, tivemos o episódio "VII", "O Despertar da Força" ("The Force Awakens"), onde a história avança uma geração em relação à trilogia original, isto é, os episódios IV a VI. E há a promessa de pelo menos mais dois filmes nos anos vindouros para uma nova trilogia.
Para os aficcionados desse universo, ainda há diversos livros e animações para a TV à disposição.
Essa longa introdução é para comentar o filme "Rogue One". "Rogue One" é mais um filme nesse universo. E dentre os lançamentos para o cinema, poderia ser chamado de episódio "3,5". A história contada aqui é imediatamente anterior aos eventos do episódio IV. Nesse caso, ficamos sabendo sobre Jyn Erso (Felicity Jones), uma mulher que quer fugir da guerra entre o Império e a Aliança Rebelde, mas não consegue, a guerra volta a assediá-la; seja pelo recrutamento forçado de seu pai, Galen Erso (Mads Mikkelsen), um engenheiro militar, por parte das forças do Império; seja, anos depois, quando acaba envolvida com soldados da Aliança. Por conta disso, ela acaba fazendo parte de um esquadrão que vai tentar roubar o projeto de uma super-arma.
Além de Felicity Jones e Mads Mikkelsen, são destaques no filme Forrest Whitaker, um senhor de guerra, aliado eventual da Aliança, que criou Jyn durante a infância dela; Diego Luna, como Cassian Andor, um soldado e espião da Aliança; Donnie Yen, como um homem cego que mantém as habilidades de lutar e acredita na Força, que vive invocando como mantra (de fato, ele evoca monges lutadores de kung-fu); e Jiang Weng, como Baze Malbus, guerreiro e parceiro de Chirrut.
Detalhe interessante é a computação gráfica. Peter Cushing, falecido em 1994, volta para atuar em "Rogue One".
E muitos nerds no cinema vibraram com as breves aparições de Darth Vader no filme.
É um bom filme, que faz uma boa ponte entre o episódio III e o IV, sendo que o episódio III fez toda uma movimentação rápida para acertar os ponteiros para o IV. "Rogue One" tem uma narrativa menos truncada.

02, 03/01/2016.

Feliz 2017


Feliz 2017


Mais um ano começa.
Com ranço de 2016, mas enfim, vamos em frente.
Feliz 2017. Tão feliz quanto um ano nas circunstâncias em que estamos vivendo nos permita a felicidade.


15/01/2017.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum


Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum

 

O mês de dezembro é normalmente picotado por dois feriados, e semi-feriados, na sua segunda quinzena. Um é a celebração do Natal, o outro é o Final de Ano. Claro que isso vale para os países que contam o tempo pelo calendário cristão, como o Brasil, ou seja, a maioria de nós está celebrando o nascimento de Jesus Cristo, e comemorando o final do ano 2011 após o nascimento de Jesus.

Embora a exatidão dos dias possa ser contestada, como, por exemplo, não existiu um ano zero, ou Jesus de fato teria nascido uns 4 ou 5 anos antes do que é normalmente contado, normalmente contamos que agora esteja terminando o ano 2011 da chamada era cristã. E dias atrás celebramos o nascimento de Jesus.

Casualmente este ano, vi na Internet um gaiato que se professa ateu desejar “Feliz Dia do Sol Invicto para você também”. O Sol Invicto era a crença professada pelo Imperador Constantino, imperador do Império Romano entre 306 e 337, que foi talvez o principal responsável pela regularização do cristianismo naquele Estado. Quando o cristianismo foi regularizado o nascimento de Jesus passou a ser celebrado na mesma data do Sol Invicto. Não estou certo que todos os historiadores endossem esta tese, mas ela é mais ou menos aceita por quem tenha algum conhecimento sobre essa época.

Mas, voltando ao nosso título, e ao primeiro parágrafo, neste ano de 2011, o dia 24 e o dia 31, os “semi-feriados” caem no sábado, e os dias 25 e 1º de janeiro de 2012, os feriados caem no domingo. Assim, de maneira excepcional, temos 22 dias apelidados de úteis em dezembro. Se o Banco Central não tivesse decretado feriado bancário no dia 30 de dezembro, para alegados fins contábeis, até os bancos ficariam abertos por 22 dias em dezembro. É um fenônomo raro em dezembro. 22 dias de bancos abertos é coisa para agosto, mês sem feriados!

Ou como me disse alguém, “Natal no domingo devia ser proibido. Se o Natal caísse no domingo, deveria ser adiado para a segunda-feira, e a véspera do Natal para a sexta-feira antecedente.”


Eu acho que concordo.


30/12/201
1.


P.S. Republicando texto que eu havia publicado em dezembro de 2011, pela repetição da circunstância dos dias de Natal e Ano Novo terem caído no domingo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Diário - leituras - Cobras na Cabeça


Diário - leituras - Cobras na Cabeça



"Cobras na Cabeça" é um livro onde Rubem Penz convoca seus "cobras" (o trocadilho é inescapável), para organizar um novo livro de crônicas, comemorando os quarenta anos do surgimento das personagens das cobras (obviamente) de Luís Fernando Veríssimo. Nesse caso, uma tirinha iniciava um capítulo e era a base para seis crônicas. 18 autores escreveram 72 crônicas para este livro.
Vamos aos meus destaques.
"Autobiografia Anônima", de Giancarlos Carvalho Borges, tem um título auto-explicativo, e uma ironia que combina com Luís Fernando Veríssimo.
"Hum...", de José Elias Flores Jr., sobre um casal discutindo a relação é quase uma comédia da vida privada do LFV.
"...", de Camila Leão, sobre uma menina que tem dificuldades no relacionamento com o pai, é um ótimo conto, arrolado como crônica.
"Um Copo que Cai", de Tiago Pedroso, é uma bela e fabulosa crônica em que os utensílios da cozinha discutem quem "matou" o copo.
"Sexta-Feira", de Gabriela Ferreira, comenta os cuidados em família, dentro de um capítulo que explora o conflito de gerações.
"Vou para Paris", sobre um homem em crise de relacionamento, que resolve largar a namorada, e como diz o título, ir para Paris.
"A Foto da Última Viagem", de Tiago Pedroso, é outro bom conto em forma de crônica, sobre, bem, sobre a foto da última viagem.
"Clóvis", de Luciana Farias, conta a história de Clóvis, o segundo melhor funcionário do ano da empresa, que aproveita o prêmio para se aproximar de Sílvia, a supervisora de estoque, que tinha longos cabelos vermelhos e uma fama que ultrapassava o departamento...
"O Feio é uma Honestidade Estética", de Gerson Kauer, é uma reflexão sobre, digamos, a falta de beleza.
Enfim, mais um livro lido.


PENZ, Rubem (Org.). Cobras na Cabeça. Porto Alegre: Buqui, 2015

21/02/2016.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Diário - leituras - Leituras na Piauí, novembro de 2016


Diário - leituras - Leituras na Piauí, novembro de 2016


A revista Piauí de novembro de 2016 trouxe alguns textos bem interessantes: mais um excerto de livro da escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch; o diário da convivência de uma mãe argentina com seu filho radicado no Japão; uma reportagem perfil da filósofa estadunidense Martha Nussbaum; um perfil literário do escritor V. S. Naipaul; e um texto da escritora Ana Cássia Rebelo, também excerto de um livro sendo publicado, no caso, "Ana de Amsterdã".
Com dois excertos de livros, é possível parabenizar a revista como veículo de publicidade.
Acho que para contrabalançar, a revista publica reportagem de Júlia Dualibi sobre a advogada Janaína Paschoal. Coisa que não consegui ler.
O texto de Aleksiévitch é mais uma vez muito interessante. "O Fim do Homem Soviético" repete a fórmula dos livros anteriores da escritora bielorrussa publicados por aqui, "Vozes de Chernobil" e "A Guerra não tem Rosto de Mulher". Como nos outros livros, ela dá voz a diversas pessoas que teve condições de ouvir, para elaborar e publicar. Nessas vozes ela dá um sentido humano a eventos que costumamos pensar como abstrações. A peculiaridade deste livro é que ele mostra como uma série de pessoas atravessaram e sofreram o fim da União Soviética, de alguma maneira me esclarecendo como foi isso. Contemporaneamente eu também vivi o fim da União Soviética, mas essa era uma realidade distante. Afinal como foi o fim daquilo? A mídia aqui narrou como uma grande "libertação", o fim de uma ditadura. Mas foi isso mesmo? As pessoas passaram a viver melhor ou pior? Também, excepcionalmente, nesse livro, Alesiévitch dá seu próprio depoimento aos dias do fim da União Soviética. Para completar o assunto, a revista publica um pequeno artigo do historiador Orlando Figes, onde ele comenta a obra e critica um pouco da falta de método de Aleksiévitch. Como se ela estivesse preocupada em seguir metodologias de História. Aparentemente não está.
Mori Ponsory, escritora argentina, narra seus dias durante cerca de 15 dias no Japão, junto com seu filho, um admirador da cultura nipônica. O rapaz estava vivendo no país como uma espécie de bolsista do governo japonês. Ela narra seu estranhamento com o país, com as poucas pessoas fluentes em outro idioma que não o japonês, com o sentimento de ser iletrado num país que tem um sistema de escrita muito diferente do alfabeto latino. E por fim, a descoberta que seu menino não é mais o seu menino, mas um homem que aprendeu a viver só num país distante. "Okasan" é o título dessa edição de diários.
A reportagem biogŕafica, escrita por Rachel Aviv, sobre a filósofa Martha Nussbaum me surpreendeu pela minha ignorância. Segundo esse texto, Nussbaum é uma filósofa prolífica, que já escreveu sobre diversos assuntos, da estética ao feminismo, passando pela desigualdade econômica. Mas eu nunca havia ouvido falar nela. Sendo ela aparentemente tão importante, talvez eu devesse saber.
Alejandro Chacoff escreve um perfil literário do escritor caribenho-britânico Vidiadhar Surajprasad Naipaul, ou mais simplesmente V. S. Naipaul. É um perfil curioso porque aparentemente Chacoff não procurou seu perfilado, mas tratou de compilar reportagens. Naipaul é nascido na ilha de Trinidad (aquela que forma com a outra ilha, Tobago, um pequeno país no Caribe), em família de origem indiana. Naipaul procurou se tornar um escritor importante na Inglaterra, e não apenas na sua Trinidad natal. Mas, segundo Chacoff, em grande parte rejeitou suas origens, para tentar se projetar como um escritor branco, num país de elite branca. Chacoff fala principalmente dos romances que Naipaul escreveu, e depois deixou de escrever, principalmente "A House for Mr. Biswas", possivelmente inspirada na vida do pai de Naipaul. Eu, por exemplo, conheci a obra de Naipaul por seus relatos de viagens, "Entre os Fiéis" ("Among the Believers: An Islamic Journey") e "Além da Fé" ("Beyond Belief: Islamic Excursions among the Converted Peoples"). Ambos falando de países não árabes, cuja população, em sua maioria professa a fé islâmica: Irã, Paquistão, Indonésia, Malásia.
Por fim, há o excerto de "Ana de Amsterdã". O livro "Ana de Amsterdã" foi recentemente lançado no Brasil. Se trata de uma seleção de textos que a escritora portuguesa Ana Cássia Rebelo publicou em seu blogue, entre 2006 e 2014. Aqui acabamos compartilhando um pouco da intimidade, das tristezas e alegrias, de Ana, que na época usou o blogue como um desabafo.
Foi uma edição boa da revista.

25/12/2016.