segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Diário - filmes - Bling Ring, A Gangue de Hollywood


Diário - filmes - Bling Ring, A Gangue de Hollywood


Assisti esses dias o filme "Bling Ring: A Gangue de Hollywood" ("The Bling Ring", Estados Unidos, 2013), e o considerei bastante divertido, talvez questionador.
O filme, escrito e dirigido por Sofia Coppola, trata de um grupo de adolescentes de classe média de Los Angeles, que começa a invadir as mansões de celebridades locais, para furtar dinheiro e pertences variados - joias, relógios, bolsas, roupas, sapatos, óculos. É baseado em fatos reais, relatados em artigo da revista Vanity Fair. Entre os famosos que têm suas mansões invadidas estão Paris Hilton, Orlando Bloom e Lindsay Lohan. A casa de Paris Hilton, segundo dizem, foi invadida cinco vezes.
Estrelam o filme Katie Chang (como Rebecca Ahn), Israel Broussard (Marc Hall), Emma Watson (Nicki Moore), Taissa Farmiga (Sam Moore) e Claire Julien (Chloe Tainer).
São jovens de classe média alta, que vivem vidas confortáveis, de acordo com as casas que são mostradas no filme. Se fossem pobres, estariam preocupados com a sobrevivência de cada dia. Se fossem ricas não aspirariam à vida das celebridades, seriam as próprias celebridades. Eram jovens de classe média, mas eles queriam mais. Talvez viver como as celebridades que eles podiam ver nos saites de fofoca na internet, ou nas revistas, como a própria Vanity Fair, ou a Vogue.
E se eles aspiravam a ser como as celebridades, por que não invadir as mansões desses famosos, quando eles estivessem fora e pegar algumas "lembranças"? Melhor ainda: comentar com os amigos, e ostentar os novos pertences nas redes sociais.
Uma curiosidade do filme, entre outras, é a mansão de Paris Hilton. Parece que ela cedeu o local para as filmagens. A casa é um verdadeiro altar ao ego de Hilton, com fotos dela espalhadas por todo lado.
Um filme divertido, curto, e que vale como um pequeno tratado de sociologia.




05/02/2017.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Diário - leituras - Toda luz que não podemos ver


Diário - leituras - Toda luz que não podemos ver


"Toda luz que não podemos ver" conta uma história ambientada imediatamente antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Conta a história de Marie-Clare LeBlanc, uma menina francesa, filha de um funcionário do museu natural, moradora de Paris, que fica cega aos seis anos, por uma doença degenerativa. E também conta a história de Werner Pfennig, um menino alemão órfão, cujo pai morreu num acidente nas minas da região do Ruhr.
Ela, por conta da atividade de seu pai, continua uma menina curiosa, e relativamente feliz dentro de suas limitações. Ele é um menino muito esperto que aprende a consertar aparelhos de rádio muito cedo.
Com esse foco em duas crianças, que estão se tornando adolescentes durante a guerra, a história consegue conter uma certa inocência, contra a crueza do que foi aquela guerra na Europa.
Como pano de fundo, a ambientação na cidade francesa de Saint-Malo, e a busca por um raro diamante, que pode conter uma maldição.
“Toda luz que não podemos ver”. Pela metáfora óbvia de uma personagem deficiente visual, mas também pelas divagações físico filosóficas sobre a capacidade do ser humano de enxergar a luz (não enxergamos todo o espectro da radiação), ou, no caso das atividades de Werner, as ondas de rádio.
É uma história cativante, em alguns momentos comovente. Foi uma boa leitura.

DOERR, Anthony. Toda luz que não podemos ver. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.


13/07/2016.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Sully, O Herói do Rio Hudson


Diário - cinema - Sully, O Herói do Rio Hudson

"Sully - O Herói do Rio Hudson" ("Sully", Estados Unidos, 2016) conta a história de Chester Sullenberger, ou "Sully", comandante do vôo 1549 da US Airways, que, em janeiro de 2009, após colidir com um bando de pássaros foi obrigado a pousar no Rio Hudson, num incidente transmitido para televisões de todo o mundo.
Nessa recriação dirigida por Clint Eastwood, somos levados à formação do piloto, passando por seu treinamento como aviador militar, até se tornar um comandante de jato comercial com milhares de horas de vôo.
Somos expostos repetidamente ao acidente, e às decisões que Sully tomou para pousar o avião no rio. Decisões estas que são questionadas durante as investigações das autoridades responsáveis pela segurança da aviação nos Estados Unidos.
O que acaba acontecendo é que Clint Eastwood acaba por erigir um herói. Não um super-homem, ou alguém genial demais, ou destemido ao extremo, mas um homem que, tendo sido colocado sob pressão por uma série de circunstâncias, se sai bem e salva a vida de muitas pessoas.
Detalhe para a sequência da queda do avião no rio. Quem já andou de avião há de ficar comovido, já que todas aquelas orientações feitas antes de cada voo comercial, e muitas vezes tidas como inócuas, podem servir para salvar vidas em uma situação de emergência.

09/01/2017.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Animais Fantásticos e Onde Habitam


Diário - cinema - Animais Fantásticos e Onde Habitam

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" ("Fantastic Beasts and Where to Find Them", Reino Unido/Estados Unidos, 2016), é um filme, baseado em livro homônimo, derivado da série de livros sobre o menino bruxo Harry Potter.
Neste caso, somos apresentados a Newt Scamander (Eddie Redmayne, que está algo afetado nesse papel) um bruxo especialista em, bem, em animais fantásticos, que quer trazer uma abordagem de compreensão para os animais entre os bruxos, em lugar de repressão e destruição.
Como parte disso, ele também estuda os "Obscurus", parasitas que se instalam em crianças com o dom da magia, mas que reprimem esse dom.
A história é ambientada na primeira metade do século XX nos Estados Unidos, onde há uma Sociedade de Magia dos Estados Unidos, presidida por uma mulher negra. Eu acho difícil qualquer sociedade política presidida por uma mulher negra. Presidida por uma mulher negra nos Estados Unidos dos anos 1920 ou 1930, mas, claro, estamos em um mundo de fantasia.
O filme também fala em Gellert Grindewald, um mago das trevas, que assola o mundo bruxo na primeira metade do século XX, e que será citado como um inimigo de Albus Dumbledore nos livros de Harry Potter.
Embora mais fraco que a série original, o filme é simpático. Divertido.
Creio que terá continuação. Ou continuações.

09/01/2017.

Pílulas de política - O Procurador Geral da República Rodrigo Janot é um desequilibrado?

Pílulas de política - O Procurador Geral da República Rodrigo Janot é um desequilibrado?


O jornal O Estado de São Paulo exibe reportagem com o Subprocurador Geral da República e ex-Ministro da Justiça, Eugênio Aragão, onde este narra basicamente o final de uma longa amizade entre ele e o Procurador Geral da República Rodrigo Janot.
Sempre segundo Aragão (Janot não quis se pronunciar ao repórter Luiz Maklouf Carvalho), após o fim do Governo Dilma, Aragão teria voltado à sua origem, o Ministério Público Federal, e tentado tratar com Janot sobre suas novas atividades.
Durante a conversa, Aragão diz a Janot que ele, Janot, tinha sido uma decepção, seletivo nas ações da Lava Jato. Nas respostas Janot assume a carapuça de traíra, diz que não deve satisfações a Aragão, manda Aragão à puta que o pariu, e duas vezes o manda à merda.
Se pode dizer que tudo isso foi dito em uma conversa informal, entre duas pessoas que outrora até desfrutaram de intimidade, mas esse relato parece o de alguém destemperado, sem urbanidade.
A notícia saiu no Estado de São Paulo domingo, dia 15. Até agora não sei de réplica do Procurador Geral da República. A notícia mais recente dele é que está palestrando no Fórum Econômico Mundial, em Davos, convescote da elite financeira mundial. Deslumbramento?


18/01/2017.

Pílulas de política - O presidente da Câmara e os direitos dos trabalhadores


Pílulas de política - O presidente da Câmara e os direitos dos trabalhadores

Segundo notícia do jornal Correio do Povo, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM_RJ) quer votar uma reforma trabalhista com urgência, por conta do atual número de desempregados no Brasil - 14 milhões. Sempre segundo o jornal, o político teria dito que a lei trabalhista atual protege muito o trabalhador, mas tem tirado empregos do Brasil. Segundo Rodrigo Maia, esses empregos estão indo, por exemplo, para o Paraguai.
É um sinal do capitalismo do século XXI que parece querer se assemelhar cada vez mais ao do século XIX. Não é necessário dar proteção aos trabalhadores do Paraguai, é necessário cassar os direitos do trabalhador brasileiro, ou os empresários, capitalistas, levarão os empregos para o exterior.
Vamos ver que tipo de reforma o senhor Rodrigo Maia quer votar, e que direitos ele e a Câmara vão tirar dos trabalhadores brasileiros, que segundo ele, repito, são muito protegidos.

18/01/2017.

Diário - leituras na Piauí - Janeiro de 2017 - Pátria Iletrada


Diário - leituras na Piauí - Janeiro de 2017 - Pátria Iletrada


Da edição de janeiro de 2017 da revista Piauí, a reportagem que achei mais relevante foi a que apresenta a tese de livre docência do professor Renato Perim Colistete da USP, reportagem esta escrita por Rafael Cariello e Tiago Coelho. Na sua pesquisa para a tese, Colistete se pergunta porque a permanência do analfabetismo no Brasil no final do século XIX e início do XX, tempos finais do império e república velha, enquanto as nações mais desenvolvidas estavam combatendo isso com relativo sucesso.
Da pesquisa de Colistete saem algumas informações e ideias relevantes. Uma informação é que muitas câmaras de vereadores receberam solicitações de moradores (hoje chamaríamos de "abaixo-assinados") para que o município providenciasse escolas para as crianças da época. Entretanto os municípios não quiseram ou não puderam providenciar essas escolas na medida das necessidades existentes. Para que essas escolas fossem construídas e se arranjassem professores era necessário o financiamento para tudo isso, mas não havia sistema de impostos suficiente para pagar.
Por que isso? Aí há diversos fatores a serem considerados, a começar pela organização econômica do país de de então, com a economia e o trabalho concentrados no campo, sem a necessidade aparente de uma população alfabetizada para realizar as tarefas requeridas dos agricultores.
Junto com isso uma elite econômica que não desejava a taxação de suas terras ou propriedades urbanas. Taxação essa que poderia ser uma fonte de financiamento para a ampliação do acesso à educação.
Além desses fatores, uma centralização política e administrativa que impedia os cidadãos locais (dos municípios) de terem seus pleitos atendidos. Essa é a parte mais complicada de ser explicada.
O sistema político do Brasil no início do século XX centralizava recursos na união, mas os políticos eram eleitos entre as elites locais, que faziam valer sua preeminência econômica nos estados e municípios. Isso era uma via de mão dupla. Essas elites locais eram as "pessoas importantes" das regiões, e por conta disso, alegavam que traziam recursos para de volta para a região, lhes trazendo prestígio. Mas esses recursos eram mais para benefícios econômicos, estradas, ferrovias, locais de armazenamento; que para desenvolvimento social, o que seria o caso da ampliação do acesso à educação.
Elites interessadas apenas na sua prosperidade econômica e desconfiadas do restante da população. Eis um retrato do Brasil de 1900 e de 2017.
A reportagem me lembrou de outra na mesma revista, do mesmo Rafael Cariello, que abordou os estudos do americano Nathaniel Leff, que justamente pesquisa motivos do atraso de nosso desenvolvimento em relação aos Estados Unidos, comparando as políticas de preço do trabalho nos dois países. Vale lembrar.
O subdesenvolvimento é algo que precisa ser meticulosamente procurado para que possa ser alcançado. Estamos vendo.


15/01/2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Diário - cinema - Rogue One


Diário - cinema - Rogue One


A saga "Guerra nas Estrelas", ou "Star Wars" começou, nos cinemas, no já distante ano de 1977, quando foi lançado o primeiro filme. Depois nos demos conta que aquele primeiro filme tinha um subtítulo, "Uma Nova Esperança", e era um capítulo, o "IV". Em 1980 foi lançado "O Império Contra-Ataca" ("Empire Strikes Back", episódio "V"). Depois houve "O Retorno de Jedi" ("Return of the Jedi", episódio "VI"), em 1983. Foi o primeiro "fim" da sega, que então era uma trilogia.
Dezesseis anos depois, 1999, foi lançado o episódio "I", "A Ameaça Fantasma" ("The Phantom Menace"), basicamente uma geração anterior ao tempo dos filmes iniciais. Então, em 2002, tivemos o episódio "II", "Ataque dos Clones" ("Attack of the Clones"). E afinal o episódio III, "A Vingança dos Sith" ("Revenge of the Sith"), de 2005.
Então, em 2013, tivemos o episódio "VII", "O Despertar da Força" ("The Force Awakens"), onde a história avança uma geração em relação à trilogia original, isto é, os episódios IV a VI. E há a promessa de pelo menos mais dois filmes nos anos vindouros para uma nova trilogia.
Para os aficcionados desse universo, ainda há diversos livros e animações para a TV à disposição.
Essa longa introdução é para comentar o filme "Rogue One". "Rogue One" é mais um filme nesse universo. E dentre os lançamentos para o cinema, poderia ser chamado de episódio "3,5". A história contada aqui é imediatamente anterior aos eventos do episódio IV. Nesse caso, ficamos sabendo sobre Jyn Erso (Felicity Jones), uma mulher que quer fugir da guerra entre o Império e a Aliança Rebelde, mas não consegue, a guerra volta a assediá-la; seja pelo recrutamento forçado de seu pai, Galen Erso (Mads Mikkelsen), um engenheiro militar, por parte das forças do Império; seja, anos depois, quando acaba envolvida com soldados da Aliança. Por conta disso, ela acaba fazendo parte de um esquadrão que vai tentar roubar o projeto de uma super-arma.
Além de Felicity Jones e Mads Mikkelsen, são destaques no filme Forrest Whitaker, um senhor de guerra, aliado eventual da Aliança, que criou Jyn durante a infância dela; Diego Luna, como Cassian Andor, um soldado e espião da Aliança; Donnie Yen, como um homem cego que mantém as habilidades de lutar e acredita na Força, que vive invocando como mantra (de fato, ele evoca monges lutadores de kung-fu); e Jiang Weng, como Baze Malbus, guerreiro e parceiro de Chirrut.
Detalhe interessante é a computação gráfica. Peter Cushing, falecido em 1994, volta para atuar em "Rogue One".
E muitos nerds no cinema vibraram com as breves aparições de Darth Vader no filme.
É um bom filme, que faz uma boa ponte entre o episódio III e o IV, sendo que o episódio III fez toda uma movimentação rápida para acertar os ponteiros para o IV. "Rogue One" tem uma narrativa menos truncada.

02, 03/01/2016.

Feliz 2017


Feliz 2017


Mais um ano começa.
Com ranço de 2016, mas enfim, vamos em frente.
Feliz 2017. Tão feliz quanto um ano nas circunstâncias em que estamos vivendo nos permita a felicidade.


15/01/2017.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum


Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum

 

O mês de dezembro é normalmente picotado por dois feriados, e semi-feriados, na sua segunda quinzena. Um é a celebração do Natal, o outro é o Final de Ano. Claro que isso vale para os países que contam o tempo pelo calendário cristão, como o Brasil, ou seja, a maioria de nós está celebrando o nascimento de Jesus Cristo, e comemorando o final do ano 2011 após o nascimento de Jesus.

Embora a exatidão dos dias possa ser contestada, como, por exemplo, não existiu um ano zero, ou Jesus de fato teria nascido uns 4 ou 5 anos antes do que é normalmente contado, normalmente contamos que agora esteja terminando o ano 2011 da chamada era cristã. E dias atrás celebramos o nascimento de Jesus.

Casualmente este ano, vi na Internet um gaiato que se professa ateu desejar “Feliz Dia do Sol Invicto para você também”. O Sol Invicto era a crença professada pelo Imperador Constantino, imperador do Império Romano entre 306 e 337, que foi talvez o principal responsável pela regularização do cristianismo naquele Estado. Quando o cristianismo foi regularizado o nascimento de Jesus passou a ser celebrado na mesma data do Sol Invicto. Não estou certo que todos os historiadores endossem esta tese, mas ela é mais ou menos aceita por quem tenha algum conhecimento sobre essa época.

Mas, voltando ao nosso título, e ao primeiro parágrafo, neste ano de 2011, o dia 24 e o dia 31, os “semi-feriados” caem no sábado, e os dias 25 e 1º de janeiro de 2012, os feriados caem no domingo. Assim, de maneira excepcional, temos 22 dias apelidados de úteis em dezembro. Se o Banco Central não tivesse decretado feriado bancário no dia 30 de dezembro, para alegados fins contábeis, até os bancos ficariam abertos por 22 dias em dezembro. É um fenônomo raro em dezembro. 22 dias de bancos abertos é coisa para agosto, mês sem feriados!

Ou como me disse alguém, “Natal no domingo devia ser proibido. Se o Natal caísse no domingo, deveria ser adiado para a segunda-feira, e a véspera do Natal para a sexta-feira antecedente.”


Eu acho que concordo.


30/12/201
1.


P.S. Republicando texto que eu havia publicado em dezembro de 2011, pela repetição da circunstância dos dias de Natal e Ano Novo terem caído no domingo.