domingo, 15 de setembro de 2019

Diário - leituras - Stieg Larsson, A Verdadeira História do Criador da Trilogia Millennium


Estive lendo a biografia do escritor da "Trilogia Millennium" - "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", "A Menina Que Brincava Com Fogo", "A Rainha do Castelo de Ar" -, Stieg Larsson, escrita pelo compatriota Jan-Erik Pettersson. 

É uma boa biografia. Fala desde a infância do escritor, até sua morte, em novembro de 2004, em virtude de um mal súbito, suponho que um infarto agudo do miocárdio. 

Começa pelas dificuldades dos pais de poderem criar Stieg, deixado aos avós muito cedo. Depois, indo morar com os pais quando a situação melhora. 

O livro mostra seu ativismo socialista e anti-fascista desde muito jovem, aos 14 anos. 

Depois o trabalho, na juventude com a geração de gráficos e ilustrações para a agência de notícias da Suécia, num tempo em que não se usava softwares para isso. Após, como repórter e editor, da pequena revista Expo. 

Por fim, seu trabalho como escritor de romances de ação, que ele não conseguiu ver publicados. 

Para dar contexto, Pettersson mostra os grupos fascistas suecos, desde a décade de 1930 até o início do século XXI, contra os quais Stieg Larsson viria a mover combate por praticamente toda sua vida. O autor também faz um vistoso inventário dos autores de literatura policial sueca. 

Por fim, ainda comenta rapidamente a desavença entre a família de Larsson, pai e irmão, e a sua companheira, Eva Gabrielsson, sobre herança, e, principalmente o legado literário de Stieg.

Enfim, o que se pode esperar de uma biografia. Um pouco da vida do biografado, e o contexto em que ele viveu. 

A única coisa que senti falta foi de alguma análise dos livros escritos por David Lagercrantz. Já são dois. O primeiro, "A Garota na Teia da Aranha", eu achei muito inferior à trilogia de Larsson. O segundo nem li. É que a biografia foi lançada antes dos livros de Lagercrantz. Talvez Eva Gabrielsson tivesse sido mais exigente com a continuação das histórias de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.


PETTERSSON, Jan-Erik. Stieg Larsson, A Verdadeira História do Criador da Trilogia Millennium. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.


02/08/2018.


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Projetos Literários e Envolvimentos com Escrita


No momento estou envolvido com um grupo de "masterclass" do Projeto Santa Sede. Se trata de um livro homenagem ao jornalista Millôr Fernandes, em que cerca de 150 crônicas curtas comporão um livro em formato de "verbetes", mais ou menos emulando a Bíblia do Caos, uma grande compilação de ditos e descritos de Millôr ao longo de sua longa carreira. 

Também tenho encaminhado um livro de poesias, que está aguardando financiamento para sua publicação. Se trata de um desafio de temas, em conjunto com Bárbara Sanco e Claudia Lobato, no formato poético chamado "poetrix". Poetrix é uma adaptação do haikai, com duas pequenas variações. Tanto um haikai quanto um poetrix são poemas curtos, de apenas três estrofes. As diferenças são as seguintes, haikai não tem título, poetrix tem. No haikai, a poesia é ligada à natureza; no poetrix a temática é livre. O haikai possui 17 versos líricos: cinco na primeira estrofe, sete na segunda, cinco na terceira; sob essa métrica, o poetrix tem como limitação, apenas não poder ter mais de trinta versos líricos. Enfim, um bom exercício. 

Pois é. Poeta. 

Por fim, o projeto do livro solo também está encaminhado. O primeiro é um livro de contos. Ficção. Tenho planos para 2020. Meu medo é ter apenas uns cinco leitores. Os cinco que leem este blogue. 

18/07/2019.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Diário - cinema - O Rei Leão (2019)


Um pouco atrasado, fui assistir à nova animação (animação?) "O Rei Leão" ("The Lion King", Estados Unidos, 2019), sobre as aventuras e a jornada de Simba. Curiosidade: esta nova animação da Disney é dirigida por Jon Favreau, o diretor do primeiro filme do Homem de Ferro (a propósito, ele atua em Homem de Ferro, como Happy Hogan). 

O filme me fez me perguntar qual será o limite para a computação gráfica na criação de realidades. Eu estava assistindo a uma animação, mas me parecia um filme. Enfim, vamos ver o que o futuro nos trará. 

Este "remake" segue basicamente o mesmo roteiro da animação de 1994, com algumas poucas e não muito importantes variações. Isso não é estragar o prazer de assistir. Quem viu o desenho de 1994, viu. Quem não viu, não viu. 

Mas é interessante o efeito do filme em mim, 25 anos depois. 

Naquela época, meu pai recém havia falecido, minha mãe era viva, meu filho um menino ainda não alfabetizado. 

Hoje sou totalmente órfão, e meu filho é um homem. 

A questão de ser filho, a questão de ser pai, a questão da morte se apresentaram para mim de maneira muito diferente da de 1994. Ver, ou rever, este filme traz toda uma carga emocional nova. O que não seria de se esperar de um filme dirigido ao público infantil (o cinema estava cheio de famílias com crianças pequenas, justamente, como aconteceu comigo em 1994). 

Como a versão de 1994, eis um bom filme. Distrai os pequenos, pode fazer os grandes pensarem. 


20/08/2019.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Sessão de Autógrafos - Dentes do Copo de Uísque, de Doralino Souza


Dia 29 de agosto passado, uma quinta-feira, estive no Armazém Porto Alegre, um bar nas escadarias da Viaduto Otávio Rocha, porque ali ocorria a sessão de autógrafos do livro "Dentes no Copo de Uísque", um livro de contos policiais, ou de suspense, ou de horror (escolha), escrito por Doralino Souza, um autor da nossa cidade de Igrejinha. 

Faz algum tempo que tenho acompanhado Doralino Souza nas redes sociais (para algumas coisas, as redes sociais podem ser muito benéficas). Faz pouco tempo ele havia lançado um livro infanto-juvenil, "O Cânion de Dentro", e eu estava na expectativa de um lançamento para adultos; que agora veio. 

No horário em que estive por lá, por volta das oito e meia da noite, o bar estava lotado, e Doralino ocupava uma mesa relativamente discreta, na calçada. Além dos livros, uma pinta de chope pairava sobre a mesa. Doralino foi simpático e acolhedor. Além de autografar o livro e oferecer um marca-páginas temático, tivemos dois dedos de prosa, sobre a carreira dele como escritor, as dificuldades do mercado, o papel dele como formador de leitores com seu livro infanto-juvenil. O momento foi registrado pelo fotógrafo que o acompanhava, a quem agradeço pelas fotos aqui publicadas. 

Como é difícil prever quando lerei o livro todo, resolvi ler o conto que dá título ao livro. Bah! Foi como um soco no estômago! Ou, dando vazão ao título, um soco na boca! Bom, mas tenso. 

Se os demais mantiverem o nível vai ser algo realmente tenso de ler, apesar da qualidade do texto. 






03/09/2019.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Santa Sede 2019 - Masterclass - Por Cima é Millôr - Sarau



Terça-feira, dia 13 de agosto passado, no Bar Apolinário, aconteceu o sarau da Masterclass 2019 da oficina literária Santa Sede. O homenageado e tema desse ano é o escritor, jornalista e também cronista, Millôr Fernandes. 

O livro vai se organizar em função da compilação "A Bíblia do Caos", com crônicas curtas fazendo a função de verbetes do "dicionário" milloriano. 

No sarau, os cronistas leram uma das crônicas que constarão no livro que deve sair lá pelo final de outubro. São quatorze cronistas, Angela Puccinelli, Felipe Basso, Gabriela Guaragna, Gerson Kauer, Jane Ulbrich, João Willy, José Elesbán Rodrigues (eu), Magnus Daniel Pilger, Maria Avelina Fuhro Gastal, Patricia Faccioni, Renata Morsch, Rosane Schotgues Levenfous, Tatiana Druck, Tom Saldanha, mais o editor e organizador Rubem Penz. 

Peculiaridade deste sarau, por conta de um choque de agendas, a cronista Jane Ulbrich foi representada pela sua filha Natasha. 

E justamente quando Natasha estava para ler a crônica de Jane, o bar foi invadido pelos "Poetas Vivos", um coletivo de poetas que se apresentam onde conseguirem. Duas poetas tomaram o bar de assalto para apresentar sua poesia, interrompendo (interrompendo?) por alguns minutos o sarau. Não que tenha sido um contratempo. Foi talvez um enriquecimento ao sarau. Ou não. 

Textos lidos, confraternização realizada, livro celebrado, agora é aguardar o lançamento e a sessão de autógrafos. A princípio, em 31 de outubro, no mesmo Apolinário.

Abaixo fotos.


Angela Puccinelli


Felipe Basso


Maria Avelina


João Willy


Gerson Kauer


Tatiana Druck


Magnus Pilger


Patricia Faccioni


Renata Morsch


Gabriela Guaragna


Natasha representando Jane Ulbrich


Tom Saldanha


Faltaram a minha e a da Rosane. Meu filho me registrou.



A Rosane foi retratada pela Vanessa Penz, de quem reproduzo a foto abaixo.



Claro, temos o Rubem...



Então as Poetas Vivas nos invadiram. Abaixo uma delas, cujo nome me escapa.



E algumas fotos do bar...







19/08/2019, 02/09/2019.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Happy Hour e Poetas Vivos


Estava numa noite dessas num bar nas escadarias do viaduto Otavio Rocha. Um bar com mesas no logradouro público. 

"Happy hour" com os colegas. Estávamos às tantas resolvendo os problemas do mundo e do Brasil. Eles secando o Internacional que jogava contra o Nacional do Uruguai, eu torcendo pelo Inter (o Inter superou o time uruguaio e avançou então). 

Então passa uma senhora pedindo dinheiro. Alega doença mental incapacitante. Leva alguns trocados.

Passa-se mais algum tempo e vem um homem vendendo salgadinhos, balas e doces. Nenhum de nós se interessa, afinal estávamos num bar. 

Mais um tempo e somos envolvidos por uma gritaria. Depois viemos a perceber que era uma espécie de jogral. Não lembro exatamente quantos eram, talvez meia dúzia entre entre homens e mulheres, todos bastante jovens. Negros. Era uma performance dos "Poetas Vivos". Não lembro o que declamaram. Só lembro o nome do coletivo. O grupo tem página em rede social  e foi alvo de reportagem do Sul21 . Entre jovens negros do Brasil, muito melhor que estes poetas estejam vivos. 

Os Poetas Vivos levaram mais alguns trocados a título de contribuição. 

Nós continuamos com nossa bebericagem. 


20/08/2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Diário - Leituras - Morri para Viver



Acabei por ler o livro "Morri para Viver", de Andressa Urach, com a ajuda do jornalista Douglas Tavolaro. Foi uma leitura rápida. 

A obra se coloca entre um livro de memórias, um livro de fofocas e um livro de testemunho.

Entre os crentes evangélicos há um tipo de livro clássico, o chamado "testemunho", que no limite se origina na palavra grega "martureo", usada no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, vivia fazendo isso, declarando como fora educado para ser um mestre judeu, se tornou um perseguidor de cristãos, e, por fim, encontrou Jesus e virou cristão. 

Nesse tipo de livro, alguém que teve uma vida que poderia ser considerada "carregada de pecados", como um ladrão ou um traficante de drogas, relata o processo que o levou a encontrar Jesus e mudar de vida. Existe uma variante desse tipo de literatura que é a da pessoa que é proveniente de uma família cristã, não teve uma vida problemática, mas informa como esteve "em missão", seja em uma tribo exótica que não conhecia o cristianismo, ou auxiliando comunidades carentes, ou pregando em lugares em que a criminalidade é alta.

O livro de Urach e Tavolaro deveria se encaixar no primeiro caso. Narra uma infância sofrida, onde houve inclusive abusos por parte de um familiar, um casamento que acabou se frustrando, sua iniciação e práticas no mundo da prostituição, até se tornar uma espécie de celebridade, passando pelo que ela chama de "vício em cirurgias plásticas". E fala de como uma séria crise de saúde a levou a se tornar uma membra da Igreja Universal, aquela presidida pelo bispo Edir Macedo. 

A obra procura não se comprometer. O local onde ela começou a se prostituir não é nomeado. Os clientes não são nomeados com uma única exceção. 

Literariamente a narrativa é cheia de adjetivos, o que pode cansar, mas faz parte da lógica do texto, de querer apelar à emoção do leitor. 

No início, o leitor também se depara com vários parênteses (parênteses esses não claramente sinalizados, mas dados pelo ritmo do texto) para a colocação de testemunhos sobre Andressa Urach, dados por familiares, médicos e enfermeiros que cuidaram dela enquanto esteve internada no Hospital Conceição em Porto Alegre.

Na sua nova vida, Andressa pede perdão a muita gente, declara gratidão a Deus, fala em Deus, e fala nos ministros e membros da Igreja Universal. Talvez tenha sido falta de atenção minha, mas ela falou pouco em Jesus, central na maioria dos livros de testemunhos cristãos evangélicos. Sinal de alívio doutrinário?

O livro vendeu bastante, mas não creio que tenha satisfeito boa parte do público a que se poderia se destinar, segundo imagino. Isto é, os curiosos pela vida de celebridades devem ter ficado frustrados pelas informações genéricas e quase impessoais sobre a vida de Urach. Os evangélicos em geral podem ter achado que os autores falam pouco em Jesus. Já clero e demais membros da Igreja Universal devem ter ficado satisfeitos. 

Lançado em 2015, o livro ainda se tornou oportunidade para Andressa Urach participar de vários programas de TV e rádio para a divulgação.


10/11/2017.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Aquela noite


Foram a uma cervejaria. Comeram, beberam, dançaram. Ao chegar em casa, transaram. Foi uma noite feliz, mesmo não sendo Natal. Ainda mais que foi a derradeira. 

02/08/2019.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Diário - leituras - A Barca e a Biblioteca


"A Barca e a Biblioteca" é um livro que mistura gêneros. Por conta da ocorrência de um crime, poderia ser rotulado como um romance policial. Mas, por conta da peculiaridade da história mais ou menos recente do Brasil, mistura elementos de denúncia política. 

Numa cidade não nomeada, que eu associo à litorânea Rio Grande, um crime acontece no campus de uma universidade. Por conta da história das personagens, fatos da história do país são trazidos à luz.

O livro denuncia torturas, assassinatos, vandalismos, todo tipo de crime perpetrado por agentes do estado. 

Diria que é um bom romance. A leitura flui, e o autor consegue nos transportar para o seu mundo. 


CORRÊA, Gilson. A Barca e a Biblioteca. Porto Alegre: Editora Metamorfose, 2017.

08/06/2018.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Rompendo minha própria tradição: Santa Sede em 2019



Segunda-feira, 5 de agosto, foi o sarau de lançamento da "safra" 2019 da publicação da coletânea de crônicas da Santa Sede. O tema deste ano foi "família".

Desde que participei da safra 2016, tenho estado nos saraus da Santa Sede. Como participante em 2016, como espectador em 2017 e 2018.

Em 2017 eu me considerava "veterano" da turma daquela turma, embora eu não esteja certo que os participantes tinham essa noção a meu respeito. E o tema daquele ano me era muito caro, "Tempo". Quis até participar de novo, mas não era possível/permitido. 

Em 2018 havia a amiga Jane Ulbrich. 

E sempre há o Rubem, o bar, a boemia. 

Me atrapalhei, e não pude comparecer. Fiquei um pouquinho chateado. 

Meu parceiro de "masterclass' este ano, Tom Saldanha, esteve presente. 

Há de haver quem diga que três anos não chegam a formar uma tradição. Na minha cabeça estavam formando. 

Mas faltei por uma boa razão. Razão do coração. 


07/08/2019.