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Para o Brasil a Copa 2026 acabou no primeiro domingo de julho

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Quer dizer, não que a Copa tenha acabado. Nem que tenha necessariamente acabado para o Brasil, afinal o Brasil é composto de muita gente e boa parte dessa muita gente vai continuar acompanhando a Copa do Mundo. Mas certo é que a seleção que representa o Brasil foi eliminada no domingo, 5 de julho de 2026, pelo time da Noruega. Agora já foram, são e serão dezenas de debates esportivos a comentar a derrota e as razões da derrota. No rádio, na TV, na internet. Mais dezenas de reportagens relatando a derrota e artigos jornalísticos analisando os motivos da derrota. Certo é que o Brasil foi derrotado porque levou mais gols do que fez. Simples assim. Em um jogo de duas equipes medianas venceu quem foi mais efetivo. Jogos decisivos entre equipes mais ou menos equivalentes se definem nos detalhes, e nos detalhes o Brasil perdeu um pênalti quando o jogo ainda estava empatado, e perdeu uma grande chance de gol, com Endrick, também ainda quando o jogo estava empatado. E aí veio um dos chavões do ...

A Copa do Mundo 2026 vai começar e eu não sinto nada

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“... e eu não sinto nada / não sinto nada, não sinto nada” AnaVitória A Copa do Mundo de Futebol de 2026 vai começar e eu não sinto nada. Sim, começa na próxima quinta-feira, dia 11 de junho. Mas por enquanto não me emociono. Aliás, não só eu. Recentemente a Tati Bernardi publicou um texto em que ela relata sua indiferença com a competição que se aproxima . Uma pessoa das minhas relações que costumava comprar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo a cada Copa do Mundo, me disse que neste ano não se dedicaria ao hobby. No meu caso há alguns fatores. Acho que a idade está me fazendo ficar emocionalmente desapegado desse futebol que aí está. Talvez eu deva pensar também que uma seleção basicamente de jogadores que não jogam no Brasil me deixe desapegado. Não gosto do Flamengo nem do Palmeiras, mas acho que seria melhor uma seleção brasileira em que a maioria dos jogadores jogasse no Brasil, mesmo no Flamengo ou no Palmeiras. Não é o caso. No capitalismo tardio sob o qual vivemos os jogado...

2026, sexagésimo ano, ano do Cavalo do Fogo

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E assim chego ao sexagésimo ano. Novamente um cavalo de fogo, sessenta anos após o ano em que nasci.  O que pode significar plenitude, um ciclo completo.  Ou simplesmente velhice.  Não reclamo. Apenas constato. Comento.  Não há do que reclamar. Tem sido mais bom do que mau.  Talvez mesmo uma vida acima da expectativa que se tinha quando nasci em 1966. Ano da Graça do Senhor de 1966. Ano do Cavalo de Fogo.  Passando por um cavalo de terra em 1978, um cavalo de metal em 1990, um cavalo de água em 2002 (e lembrando que em 2002 foi o último ano em que a seleçao brasileira de futebol masculino ganhou a Copa do Mundo da categoria), um cavalo de madeira em 2014 (ano do infame 7 a 1, que deixou um tanto de gente traumatizada. Mas o meu trauma em futebol havia sido superado com a conquista de 1994. 1994 não foi ano do cavalo). Agora são tempos de balanços. Já dá para olhar para trás e avaliar perdas e ganhos.  É tempo de se distrair e esquecer pequenas coisas a...

Apocalipse do século XXI

Costumo ler os colunistas do jornal Folha de São Paulo. Uma de que sou fã é Fernanda Torres. De fato só lamento que ela escreva quinzenalmente, às quintas-feiras. Eu gostaria que seus textos fossem semanais.  Semana passada ela escreveu, com pompa e circunstância, um texto falando do apocalipse que estamos vivendo . Estamos vivendo? Sim, estamos vivendo.  Vivemos um tempo de incremento da fé religiosa em detrimento do livre pensar; um tempo de radicalismos e falta de diálogo; um tempo de precarização da vida em geral e do mundo do trabalho em especial, e isso, precarização do mundo do trabalho, especialmente no chamado Ocidente e seus satélites, como, por exemplo, o Brasil. De quebra são tempos de nova Guerra Fria (ou nem tão fria assim, em que esse mesmo Ocidente trava uma guerra por procuração contra a Rússia através da Ucrânia). E mais de quebra temos a crise climática, cujo efeito mais palpável para nós, gaúchos, foram as enchentes de maio passado.  Da quinta-feira pa...

Depois da catástrofe de maio de 2024 – II

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Neste início de junho, as chuvas e o frio de maio parece que ficaram para trás.  São dias de certo calor, que pode haver gente que chame de veranico de junho. Me parece mais uma primaverica, pois, se esquenta ao meio-dia, à noite a temperatura cai.  É tempo de limpeza, reconstrução e reflexão.  Voltou ao vocabulário da cidade o “abobado da enchente”. Recebi duas explicações para essa expressão. A primeira que ouvi foi que, na enchente de 1941, muitas pessoas que tiveram contato com as águas acabaram se contaminando com doenças que geraram problemas neurológicos.  A outra tese, que me parece mais simples, é mais palatável para mim. Abobados da enchente seriam as pessoas que viveram a chegada das águas invadindo tudo, e ficaram chocadas com as perdas emocionais e patrimoniais. Muitas vezes, perdas de toda uma vida.  Quando tenho caminhado ou passado de ônibus pelos lugares que foram inundados e que agora secaram, eu me sinto esse abobado da enchente, o que se choc...

O Guaíba no capitalismo de desastre

Na semana passada – 21/05/2024 – mestre Rubem lançou uma ideia em sua crônica semanal : criar um Dia do Guaíba. Seria no primeiro sábado de maio porque as piores enchentes da cidade, em 1941 e agora em 2024, foram em maio. Nessa data, a cada ano, o sistema de contenção de enchentes seria revisado e testado, ou testado e revisado. Ele propõe inclusive a realização de simpósios anuais em que especialistas debateriam com o público a relação da cidade com o corpo aquático que a banha.  Eu apoio a proposta. Contudo sou cético a respeito de que uma iniciativa dessas possa avançar. Nos últimos anos o que temos visto são eleições de políticos conservadores, e ainda alguns francamente reacionários. Apesar do rótulo “conservador”, tais políticos estão mais para extrativistas ou colonizadores, pois são esse tipo de interesse, extração de recursos naturais, que eles representam. Em todos os níveis de governança o que se tem visto são leis para facilitar desmatamento, reduzir ou fazer desaparec...

Os fios de Porto Alegre

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Os fios… Já viu? Não? Chegue próximo de um poste. Olhe para cima. É grande a possibilidade que haja uma massaroca de fios presos ao alto do poste. Afinal, por ali passa a rede elétrica, a telefonia, a internet e a TV a cabo.  Às vezes, resta pendurado um rolo de cabeamento, possivelmente para alguma expansão futura.  Outras vezes, pássaros conseguem fazer ninho no meio da massaroca.  Então, a poluição visual é grande. Algumas vezes gritante. Dependendo do logradouro, ao malefício do excesso de fios pendurados, se junta a estreiteza da calçada. Nesses casos acontece de alguém morar no segundo andar de algum edifício e ter sua janela obstruída pela fiação passando rente.  Os fios não precisam necessariamente ficar pendurados em postes pela cidade. Podem ser enterrados, como fazem em algumas metrópoles. Me parece que é o caso de Nova York.  A fiação enterrada também oferece o risco de acidentes bizarros. Do tipo alguém tomar choque ao encostar em algum ponto de ace...

Sobre redes sociais, Bettega, Carver e Sanco

Cara Bárbara,  Uma noite dessas, eu estava dedicando às redes sociais os cerca de quinze a trinta minutos que costumo dedicar a essa atividade.  Curiosamente passou pela minha linha de tempo um linque para uma entrevista do Amilcar Bettega. Sabes? Conheço o Amilcar Bettega por apenas um conto, O Voo da Trapezista, que a Cíntia Moscovich apresentou em uma aula, como um conto exemplar. Tenho um livro do Bettega na estante que aguarda o momento de ser lido. Chama-se Prosa Pequena.  Então, como eu dizendo, fui ler a entrevista com o Amilcar Bettega, onde ele rememora sua obra, comenta que ele já seja usado como literatura de referência para o vestibular. E cita Carver. Carver? Disparou alguma fagulha entre meus dois neurônios. Coloquei o nome no oráculo dos dias de hoje, e lá veio Raymond Carver.  Raymond Carver (1938-1988), escritor americano. Principalmente de contos. Mas também poeta e ensaísta. Associam os contos dele a minimalismo.  Acabei por adquirir um livro...

Matando Preto no Dia da Consciência Negra

Não exatamente no Dia da Consciência Negra, mas na véspera. O que você pensaria se alguém querido seu fosse assassinado a socos às vésperas do Natal? Pois ontem, dia 19 de novembro de 2020, uma quinta-feira, um cidadão negro, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi assassinado em um supermercado na zona norte aqui de Porto Alegre.  O mercado, filial de uma rede de lojas espalhada por todo o Brasil, se eximiu da culpa, responsabilizando a empresa terceirizada pelo incidente, inclusive com rompimento imediato do contrato. Informando ainda que dará toda assistência à família do assassinado. Aqui vale um parêntese: essa rede precisa rever seus protocolos, pois é o terceiro incidente grave em que está envolvida nos últimos anos. Em 2018, um segurança de uma loja matou um cachorro de rua que rondava uma loja em Osasco a pauladas. Em agosto deste ano, um funcionário teve um mal súbito em uma loja no Recife. Em lugar de fechar a loja, o corpo foi isolado, em uma tentativa de escondê-lo...