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Mostrando postagens de julho, 2022

27 de julho de 2022

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Naquela quarta-feira, 27 de julho de 2022, não houve o encontro da oficina literária. O filho do professor/coordenador estava se formando em engenharia na UFRGS.  Contudo uma foto de dois alunos publicada em um dos grupos de aplicativo, indicou que estavam no Boteco Apolinário, ao final da tarde.  Eu tinha uma consulta médica naquele final de tarde, no Menino Deus. Do Menino Deus à Cidade Baixa, é um pulo, de forma que me dirigi ao boteco, após a consulta.  O novo Apolinário fica na República entre a José do Patrocínio e a João Alfredo. “É José, é João, é Drummond, é paixão”, talvez cantassem Martinho da Vila e João Nogueira, se por ali passassem.  Quando cheguei estavam por ali o Gian, o Felipe e o Tiago. Rodrigo, o garçom, anotava e trazia os pedidos.  Fui recebido com comentários de que agora “qualquer um pode entrar nesse bar!”, e um beijo afetuoso do Felipe. Como eu poderia negar que estavam deixando qualquer um entrar, se eu estava ali? Um deles comentou que o Apolinário agora pa

“Escombros: Antiga casa de Caio Fernando Abreu é demolida em Porto Alegre”

“Escombros: Antiga casa de Caio Fernando Abreu é demolida em Porto Alegre” Sul21, 18/07/2022, por Luís Gomes – E a casa do Caio F.? – É. A especulação imobiliária não poupa nada, nem ninguém. – Dá uma tristeza. Quando saiu a notícia de manifestação contra a demolição na terça, eles aceleraram o bota-abaixo e destruíram tudo na segunda. – Triste, triste, triste!  – Num grupo de whats, uma pessoa comentou que tem gente que enche a boca para dizer que visitou a casa do Wilde, do Joyce, do Dante, do Prost. Disse que só aqui casa de cultura vira entulho. Quem sabe se quem não mandou derrubar a casa não se jacta de ter visitado a casa de algum literato europeu? – Conheço um cronista que ficou chateado porque não foi selecionado para uma coletânea em homenagem ao Caio, em 2018. Me parece que cada vez que conversamos sobre literatura, ele fala nisso. Segundo o cronista, porque o Caio foi bem importante para uma geração de leitores que foi jovem ali pelos anos 1980 e 1990. Infelizmente, talvez,

A estreia e depois da estreia

Caro Rubem, Não sei se já ouviste o mais recente álbum do uruguaio Jorge Drexler. Se chama Tinta y Tiempo, e é outra renovação na música de um cantor e compositor (os hispanohablantes chamam de "cantautor"), com cerca de três décadas de carreira.  Gostei muito da sequência de clipes que foram feitos, e lançados como "singles", à medida em que Drexler liberava suas canções. Sugiro a todos que vejam em sequência, Tocarte, Cinturón Blanco e Tinta y Tiempo.  Mas em dias como o desta semana, talvez seja oportuno ouvir El Día Que Estrenaste el Mundo. Começa assim: Todo lo fotografiamos Minuciosamente registramos Nuestras vidas al segundo Pero no me quejo Porque acabo de encontrar aquella foto Del día en que estrenaste el mundo E o cantautor acrescenta versos para a jornada de tornar-se pai.  Eu fui um pai que teve o privilégio de fotografar o filho no dia do seu nascimento. Não sei por onde anda aquela foto, mas lembro claramente aquele momento, em que, depois de um parto

Mosqueteiros

Em uma crônica anterior , eu disse que quando o extraordinário se tornasse ordinário, não seria mais necessário narrar nada. Mas acho que há novas peculiaridades aqui. Por isso, torno a narrar.  A noite começa quando termina o trabalho.  E naquele 20 de julho de 2022, minha amiga Dênia estaria lançando dois livros. Além de possuir uma sensível prosa poética, agora ela também escreve livros infantis. E são estes que ela estava lançando. Talvez influência dos netos.  Eu tinha o compromisso da oficina literária às oito da noite, e pensei que poderia passar rapidamente pela sessão de autógrafos de Dênia e pegar um de seus livros. Imaginava uma sessão íntima, com não muita gente, no Dado Bier Food Hall, onde ocorreria o lançamento.  Qual o quê! Chegando ao pub, o local estava lotado. Autêntica muvuca. Depois fiquei sabendo que dez autores estavam lançando livro compartilhando os mesmos horário e local.  Em um outro momento, eu poderia fazer hora, comendo alguma coisa ou bebendo algo, espera

Reflexões de um velho ranzinza – Pescoço

Com 61 anos, e aguardando a aposentadoria, a vida não tem sido fácil.  Naquela sexta, quando cheguei no bar, meu sobrinho já estava lá. Tomando aquela cerveja da garrafinha verde.  – E aí, tio? Tudo bem? – Tudo. E contigo? – Tudo bem. Tu sabe o que significa “long neck”?  – Não tenho certeza…. – Pescoço comprido. Pra ficar mais parecido a gente pode dizer pescoço longo.  – E daí? – Eu tava aqui bebendo a minha cerveja e imaginando…. – O quê? – Tu sabe que lá nos Estados Unidos eles têm um mercado mais desenvolvido, com mais variedade….  – Sim?... – Então! Será que lá eles tem garrafas “short neck”, ou seja, pescoço curto? Me senti meio confuso, e dei um sorriso. Mas achei sem graça. 21/07/2022 

“James Caan, ator de 'O Poderoso Chefão' e 'Louca Obsessão', morre aos 82”

“James Caan, ator de 'O Poderoso Chefão' e 'Louca Obsessão', morre aos 82” Folha de São Paulo, 7 de julho de 2022. Nos anos 1940, Santino é brutalmente assassinado, com uma saraivada de tiros, em uma emboscada, quando para em um pedágio, em um país continental do hemisfério norte. Seu assassinato é fruto de disputas entre gangues do crime organizado.  Na primeira década dos anos 2000, Little Brou é assassinado a tiros de fuzil, em um atentado que sofreu após sair da academia, em um país continental do hemisfério sul. Seu assassinato é fruto de disputas entre gangues do crime organizado.  “A violência é tão fascinante, e nossas vidas são tão normais….”, como cantava certo bardo nos anos 1980. A vida imita a arte, ou a arte imita a vida?  No caso aqui, felizmente, o atentado do primeiro parágrafo é uma cena de uma obra ficcional. O outro, infelizmente, aconteceu.  Na cena impressionante do filme “O Poderoso Chefão”, Santino “Sonny”, filho do chefão Vito é assassinado com

Comunhão

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Quando cheguei já havia uma pizza, isto é, um pão sobre a mesa. Me restou pedir vinho.  Dos meus comensais, três bebiam cerveja, e um refrigerante. Entre os que bebiam cerveja, um bebia cerveja sem álcool. De forma que houve dois abstêmios. Um por convicção, o que bebia refrigerante. Um por conveniência, o que bebia cerveja sem álcool (precisaria dirigir depois). Carol veio me socorrer e compartilhar do vinho. Assim pude ter a mais completa comunhão.  Mais uma vez a oficina de criação literária vai chegando ao fim. É bom quando começa, é bom enquanto acontece (e eu estou nessa pelo trago), é bom quando termina. Mas é uma pena quando termina. Mesmo que tudo termine.  Foi uma noite de não muitos textos. A maioria de nós já completou a quota necessária para a oficina e a produção do livro.  Além dos textos, resta-nos conversar. E como conversamos! Sobre música, e dentro disso, sobre ritmo. Vale ter um mestre cronista que também é baterista.  E sobre mais música, e sobre literatura, e sobr

Sobre o inferno – 3

Na mais recente vez que vi o fauno, ele não estava sobre montes ou colinas, querendo pregar a multidões, ou a públicos de qualquer tamanho. Estava em um bar, bebendo com um amigo.  Bebeu um gole de cerveja de um copo que ia pela metade.  Pude ouvir quando falou ao amigo.  – Eu vivo falando que o inferno é como um lugar onde as coisas caem no chão e tenho de juntá-las.  – Mudou de ideia? -- Perguntou o amigo.   – Não. Semana passada virei uma garrafa destampada de óleo de soja no chão da cozinha.  – E?  – Situação ainda mais infernal!  04/07/2022.

Primaverica de julho de 2022

Se passam os dias, e nessa semana não achei nada de muito excepcional para a minha crônica. Sim, a guerra continua no leste da Europa. Às vezes a cacofonia dos governos parece que vai nos levar à Terceira Guerra Mundial. Às vezes a algazarra diminui de tom. Sim, a peste continua ao redor. Agora Porto Alegre distribui a segunda dose de reforço de vacina, também conhecida como quarta dose de vacina. E assim a vacina se torna periódica. Uma dose a cada quatro meses. Como as gripes (influenza, H1N1, ...), parece que a covid se tornou um foco de preocupação para idosos e imunodeprimidos. As máscaras protetoras são usadas cada vez menos.  Sim, ainda há um antigoverno no Brasil. Às vezes a cacofonia da ameaça de um possível golpe militar cresce. Às vezes a algazarra diminui de tom. Fica a pergunta: reeleger isso que está aí para quê mesmo? No fim importa que neste início de maio a temperatura, no sentido literal, aumentou em Porto Alegre, embora ainda tenhamos bastante umidade.  Não tivemos v

Dropes de política – Elio Gaspari, o Governo Dilma e Lula – 02/07/2022

“Numa conversa recente, Lula disse que se considera um homem de sorte. Ele lembrou que seu futuro na política foi preservado pelo ministro Gilmar Mendes em 2016, quando impediu que ele assumisse a chefia da Casa Civil, nomeado por Dilma Rousseff. Se Lula tivesse tomado posse, iria para o olho do furacão que acabou arrastando o governo da senhora.” O que foi acima é um trecho da coluna do jornalista Elio Gaspari, publicada online em 02/07/2022, e que deve sair na edição impressa do jornal Folha de São Paulo, em 03/07/2022.  As hipóteses sobre o que poderia ter acontecido, se o que aconteceu não tivesse acontecido, são várias.  Pela hipótese acima, pelo que entendi, o ex-presidente Lula teria dito que teve sorte por não ter assumido como ministro da presidenta Dilma.  Pode ser.  Também pode ser que, se ele tivesse assumido como ministro, o governo Dilma tivesse conseguido chegar até a eleição de 2018 recuperando popularidade. Então Lula poderia ter sido eleito presidente outra vez. Em 20