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Mostrando postagens de 2024

Estes dias

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Estes são dias de congestionamento no acesso aos shoppings da cidade De fato, estes são dias de tráfego ruim na cidade Dias de os motoristas se estressarem São dias de corredores cheios nesses centros comerciais climatizados E dias de calor nas lojas do comércio popular (Por quanto tempo persistirá o comércio popular?) São dias de pedidos de doação E para quem já costuma doar, são dias de pedidos de incremento de doação Porque sempre há necessidades a serem sanadas Sempre há pessoas necessitadas Em especial crianças E talvez por elas há tanto trabalho, Por elas pode haver tanto estresse E, talvez, por elas possa valer a pena Pois, afinal, Se aproxima a data em que celebramos (Celebramos?) O nascimento de uma Criança Muito Especial  Então é isso  E ali vem 2025 Feliz Natal!  . Imagem gerada com IA ImageFX . P.S. / aviso: O blogue entra em recesso nos próximos dias, e, em tudo dando certo, retorna em janeiro de 2025. 13, 15/12/2024.

Diário – leituras – Kleiton & Kledir, a biografia

Sigo em busca de diminuir a pilha de livros a serem lidos.  Por exemplo, este Kleiton & Kledir, a biografia foi adquirido junto ao autor no final de 2022, ano de sua publicação. O autor é blogueiro  e meu amigo. A leitura demorou meses por conta das leituras paralelas.  Mas, enfim… Kleiton & Kledir, a biografia é um livro feito a partir de muita pesquisa e é uma obra fundamental para os fãs da dupla de músicos de Pelotas. O autor fez entrevistas e consultou livros, periódicos e saites. Começa com a história da avó deles, e chega até 2022, que é, repetindo, o ano da publicação do livro. Passa pela formação deles, participação em festivais musicais, participação no grupo musical Almôndegas, formação da dupla, separação da dupla, reagrupamento da dupla, e até por um pouco da vida familiar de ambos. São pouco mais de 300 páginas de texto, com longa bibliografia e discografia. Além disso o livro oferece um álbum de fotos. A apresentação é do jornalista Juarez Fonseca....

Talvez tenham lido Nova data para o Dia do Guaíba

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Caro Rubem, Recentemente saiu publicada no jornal O Sul , a notícia que nossos vereadores, aqui em Porto Alegre, aprovaram um “projeto que determina exercícios anuais do sistema de proteção contra cheias”.  Resta ver se o prefeito Sebastião Melo, o homem que afogou Porto Alegre, quero dizer, o homem sob o qual Porto Alegre foi alagada, sancionará o projeto e tomará as devidas providências para que seja executado.  Será que os edis leram tua crônica Nova Data para o Dia do Guaíba , sobre usar o primeiro sábado de maio de cada ano para checar como o está o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre? O projeto da Câmara Municipal estabelece que a data desse exercício anual será 3 de maio, dia do início da inundação que infelicitou a cidade neste ano. Sim, é uma nova data. Não é o Dia do Guaíba que seria o último domingo de novembro. Coincidentemente, 3 de maio de 2025 será o primeiro sábado daquele maio.  Não sei se os vereadores te leram, mas seguiram a tua ideia. Só...

Leituras na Piauí – viver a morte, um perfil da Dra. Ana Claudia Quintana Arantes

Cara doutora, Talvez eu devesse começar pensando que esse é mais um caso de procrastinação. Afinal falamos de um perfil reportagem publicado em abril passado na revista Piauí (a própria editora chama a revista de piauí, assim com minúscula, mas acho que um nome próprio é um nome próprio, mesmo que homônimo de um estado brasileiro), que li, possivelmente, em setembro, e, desde então, deixei a revista sobre a mesa, aguardando que eu escrevesse a respeito, porque eu queria escrever a respeito.  Ou talvez eu devesse começar falando de Jean Claude Bernardet , que me impressionou bastante em um depoimento reportagem na mesma Piauí, anos antes, em julho de 2019 . O depoimento está online, mas, infelizmente, apenas para assinantes. Eu imaginava, na minha cabeça, que então eu tinha escrevido (a propósito, dizem os gramáticos mais ortodoxos que “tinha escrevido” é forma errada de, bem, escrever; que o correto é “tinha escrito”, mas “tinha escrevido” me soa tão melhor!), mas quando procurei p...

Diário – leituras – Terra nos cabelos

Terra nos cabelos é uma coletânea de contos de Tônio Caetano. Foi vencedor na categoria contos no Prêmio SESC de Literatura 2020, o que gerou sua publicação pela Editora Record. São quinze contos em que o autor conta histórias protagonizadas por personagens mulheres. Pessoas comuns, como, por exemplo, uma operadora de caixa de supermercado no conto Aclamação; ou uma professora no conto Formação. Há também lembranças de um passado mais ou menos distante como no caso de Acho que era novembro de 1983. E uma história um tanto distópica sob o título  Estômago.  A particularidade desta leitura é que eu conheço o autor, e participei de algumas aulas com ele em uma oficina literária. O conto Aclamação eu li antes de ser publicado.  São história escritas com sensibilidade. Se eu tivesse que eleger o conto que mais gostei, acho que ficaria com No jardim, uma história sobre perdas e continuidades, escrita com bastante sutileza.  Um bom livro, com boas histórias. O prêmio não fo...

Feliz aniversário de 108 anos, pai

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Pai, Feliz aniversário. Se estivesses por aqui seriam 108 anos.  Talvez hoje fosse um bom dia para visitar teu túmulo, mas não vou fazer isso. A meteorologia prevê um calor infernal para este domingo de final de primavera. Talvez a sensação térmica chegue a 38º. Um horror! Se bem que horror mesmo são as carnificinas que continuam ocorrendo, em especial no leste da Europa e no Oriente Próximo. Mas não quero te chatear com isso. Espero que os mortos descansem dessas preocupações e sofrimentos.  Esta semana estive em um aniversário. A irmã mais velha da Lindoia, como tu chamavas. 28 de novembro. Pelo que me lembre o mesmo dia das tuas bodas, embora eu não tenha absoluta certeza. Não lembro se algum dia cheguei a ter em mãos a tua certidão de casamento. Não sei se celebram onde vocês estão os 78 anos que completariam juntos. Já para a aniversariante da semana eu não sei quantos anos se completaram. Talvez 65, talvez 67. Ela está bem. Mas Cronos nos devora a todos. Em algum momento...

Diário – leituras – O Estrangeiro e A Peste

Não sei se a rara leitora ou raro leitor é como eu, capaz de ver um livro em uma livraria e comprá-lo sem pensar em quantos livros já há em casa, ou quando haverá tempo para lê-lo. No caso dessas duas obras que vieram ajuntadas em apenas um tomo foi um caso típico.  Passei pela Livraria Saraiva que existia no calçadão da Rua dos Andradas em 2012. Não sei com que objetivo fui lá. Certo é que devo ter achado tentadora a oferta dessas duas obras clássicas da literatura francesa e mundial. E depois da compra, o volume ficou doze anos aguardando para ser lido. O que finalmente aconteceu.  Albert Camus era um cidadão francês, nascido onde hoje é a Argélia. Durante todo o período da vida dele – de 1913 a 1960 – a Argélia era uma colônia francesa. Escritor, ele se tornou um paradigma do existencialismo francês, junto com Jean Paul Sartre, em meados do século XX.  Por conta dessa sua origem talvez não deva ser estranho que ambas as histórias se passem na então Argélia francesa....

O Antonio Prata, meu domingo e Blackbird

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Era um domingo de outubro. Um domingo de primavera. Agradável, quase quente.  No sábado antes daquele domingo eu li uma crônica de Antonio Prata . Falava sobre a história dos Beatles, o show de Paul McCartney em São Paulo e sobre como acontece uma comoção boa quando Paul canta Blackbird. A canção provoca a mesma reação em tantas mentes diferentes, como diz Prata, “uma chuva de serotonina”. Era um domingo de outubro. Um domingo de primavera. Agradável, quase quente.  Eu havia subido a serra. Almocei em um restaurante de beira de estrada em Picada Café. Comida boa a preço que muitos chamariam de honesto, embora eu não tenha certeza sobre o que seja um preço honesto. Boa companhia. Para chegar lá, e para voltar, a bela estrada no trecho da BR116 que liga Porto Alegre à serra no nordeste, apelidada de Rota Romântica.  No volta, entre Canoas e Porto Alegre peguei a Rodovia do Parque. Entardecer. No rádio começa a tocar Blackbird. No meu cérebro uma chuva de serotonina.   ...

Então, pela primeira vez, é feriado no Dia da Consciência Negra em Porto Alegre

Então é Dia da Consciência Negra E o que você fez? Ontem um preto foi morto E hoje também E é Dia da Consciência Negra E o que você fez? Entrou na justiça para impedir a celebração E um juiz lhe concedeu E é Dia da Consciência Negra E o que você faz? Reclama que não há dia da consciência branca Impressiona do que você é capaz E é Dia da Consciência Negra E o que você faz? Não sei, mas sugiro: aproveite o feriado.* *Esse texto é uma paródia não muito comprometida ou fiel de Happy Christmas (War is Over) de John Lennon e Yoko Ono, aproveitando ainda a versão de Claudio Ferreira Rabello para o português do Brasil, interpretada por Simone.   16, 19/11/2024. 

Diário – leituras – Quem matou meu pai?

A mesma amiga que me emprestou A Vegetariana também me emprestou este pequeno livro, Quem matou meu pai?, do escritor francês Édouard Louis. O autor se tornou um certo tipo de sensação, sendo admirado pela escritora Tati Bernardi, e, bem, por essa amiga que me emprestou o exemplar.  Quem matou meu pai? parece uma espécie de acerto de contas do autor com seu pai e consigo mesmo. Difícil inclusive definir que tipo de livro é. É um depoimento? Uma reflexão? Quanto há de realidade ali? E quanto há de ficção?  Em todo caso, eis um livro que narra bastante sofrimento, como na questão do relacionamento entre pai e filho, ou nas consequências que o pai do autor sofre por conta de um acidente de trabalho.  Também é uma denúncia. Tanto que o livro abre com uma citação que reproduzo abaixo: “Quando lhe perguntam que significado a palavra ‘racismo’ tem para ela, a intelectual americana Ruth Gilmore responde que racismo é a exposição de algumas populações a uma morte prematura. Essa d...

Diário – leituras – A vegetariana

Com a premiação do Nobel de literatura à escritora sul-coreana Han Kang, e após uma conversa, uma amiga me emprestou esse livro. A vegetariana trata de uma mulher jovem adulta que resolve parar de comer carne após uma série de sonhos, ou, talvez, pesadelos. Ela não apenas para de consumir alimentos de origem animal, como também esvazia sua casa desse tipo de comida. O que gera sérios desentendimentos com seu marido. No decorrer do livro veremos que sua decisão de não mais consumir carne, ovos, leite e mel, nem artigos de couro, trará consequências drásticas sobre sua família materna, além de seu marido.  Uma curiosidade sobre essa vegetariana é que a história não é contada por ela mesma, mas por pessoas próximas. Os únicos flashes do pensamento da personagem é quando somos induzidos a pensar que ela exprime o que viu em seus pesadelos. Eu, pelo menos, me senti induzido a isso. Que eu me lembre, o livro não usa a palavra pesadelo, nessa tradução ao português brasileiro. Talvez seja ...

Fly me to the Moon

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Não foi bem um piquenique. Aliás, não foi nada um piquenique. A começar pelo treinamento. Ser submetido a forças centrífugas, ficar pendurado e rodando ao redor de um eixo, usar equipamento pesado dentro de uma piscina. Sempre sob o escrutínio do pessoal encarregado do tal treinamento. E a turma era irônica. Gostavam de tocar Rocket Man e Space Oditty nos momentos de folga. Adoro a canção do Bowie, mas certamente ela não era bom augúrio.  Nada era confortável. O espaço era apertado, a comida não era saborosa – de fato nem tenho certeza se dá para chamar de comida –, tivemos que usar fraldas e sondas urinárias.  O elevador até a cápsula parecia que não ia parar de subir.  Era dezembro, mas a temperatura até era amena na Flórida.  O baque da partida foi mais forte que qualquer turbulência que eu já tinha enfrentado.  A viagem foi relativamente equilibrada, uns quatro dias para ir, quase quatro dias por lá, no satélite, e outros quatro dias para voltar. Coletamos u...

Eu, a Oficina Santa Sede e a 70ª Feira do Livro de Porto Alegre

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Sábado retrasado foi 2 de novembro de 2024. Segundo dia da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre e também Dia de Finados.  Começando à tarde, e se estendendo pela noite desse dia, a Oficina Literária Santa Sede, Crônicas de Botequim esteve lançando uma série de livros.  Às 16 horas, foram lançados os livros da chamada Safra, no caso a Safra 2024. Após o fim da pandemia de covid-19 se tornou comum que a Safra gerasse dois livros. Um livro produzido por uma turma de cronistas que se reúne no bar que hospeda a oficina. Outro livro produzido por uma turma virtual, que se reúne por teleconferência. Antes da pandemia não havia turma virtual. Pelo menos, pelo que eu me lembre.  O livro da turma do botequim se chama Outra vez, jamais, e foi escrito por Bete Flor, Carmen Gonzalez, Eladir Rodrigues, Elaine Rosner Silveira, Janice Dornelles de Castro, Jéssica Fontoura, Luciano Sclovsky, Nayara Monteiro Pinheiro e Tânia Mattos Veloso. Todos os oficineiros da turma presencial comparecera...

País do Atlântico, não pacífico

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Caro Emanuel Estava eu almoçando em um restaurante na esquina da Rua da Junqueira com a Calçada da Ajuda,  a poucos metros de distância da margem norte do Tejo, quando passou pela calçada, caminhando, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Estava acompanhado apenas de uma oficial militar. Imagino que essa militar deveria ser uma ajudante de ordens, e possivelmente também atuasse como guarda-costas. Acho que o palácio presidencial fica na região. Fiquei espantado, e pensei em ir atrás para pedir que pudesse tirar uma foto com ele. Como eu ainda não tinha terminado de comer, e sem ser essa pessoa extrovertida, desisti.  É fato que o presidente da república de Portugal manda muito menos que o presidente do Brasil. Em Portugal, o chefe de governo é o primeiro-ministro. Mas que diferença para o Brasil onde até governadores e prefeitos de capitais vivem cercados por um séquito de assessores e seguranças.  O fato do presidente da república andar a pé, acompanhado apenas por uma a...

Sábado literário na Editora Metamorfose – outubro de 2024

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No dia 26 de outubro de 2024 eu estive no salão social do prédio onde fica a sede da Editora Metamorfose para o “sábado literário” dessa editora. Sim, era sábado.  Houve lançamento dos livros Crianças Pequenas, uma coletânea organizada pelo Marcelo Spalding; Gramática para a escrita, de Neiva Tebaldi Gomes; Viverindades, de Paula Regina Jancowski; Minicontos Periciais, de Ana Mello; e Viagens, Crônicas e Descobertas, de Marcelo Spalding.  Eu já havia adquirido Viagens, Crônicas e Descobertas remotamente, sem ter a perspectiva desse evento promocional. Adquiri os Minicontos Periciais de Ana Mello lá. Além disso adquiri outros seis livros da Editora Metamorfose, e ganhei um de bônus.  Agora é ter tempo para ler. Já tenho mais livros que anos de vida pela frente. Mas continuo comprando livros. É isso aí, vida breve, arte perene.  . Ana Mello autografando Marcelo Spalding autografando . 29/10/2024, 02/11/2024. 

Diário – leituras – Sol na parede

Na primeira quinzena de outubro terminei de ler o livro Sol na parede (o autor deu o título de “sol na parede”. Creio que são opções artísticas. Enfim) , coletânea de contos de Jorge Bledow. Bledow, além de escritor, é engenheiro e militar reformado.  Em geral os contos são ambientados em comunidades rurais, provável influência da infância e da adolescência do autor, nascido e criado na cidade de Três Passos, no norte do Rio Grande do Sul, não muito longe das fronteiras com a Argentina e com o estado vizinho de Santa Catarina.  Dentre esses contos há a questão de conhecer as plantas ao redor, como no conto salsaparrilha, que abre o livro. A questão das distâncias, e das aventuras, ou desventuras, que estas distâncias criam, aparece nos contos porquinho melado, em que um menino precisa levar um leitão ao vizinho; e sol na parede, o que dá nome ao livro, em que um rapaz precisa acompanhar o avô a uma festa de casamento. Há também no livro histórias fantásticas como é o caso dos ...

Em uma semana aviação e eleição – o Aeroporto Salgado Filho e o prefeito

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Recente reportagem do periódico eletrônico Matinal comentava das desventuras em série enfrentadas pelo Mercado Público de Porto Alegre . Nos últimos pouco mais de dez anos: um incêndio em 2013; a pandemia de covid-19 em 2020, 2021; por fim, a inundação de 2024.  Cada catástrofe, na sua escala, é um marco na história recente da cidade de Porto Alegre. O incêndio afetou parte dos lojistas do Mercado e seus clientes mais fiéis. A pandemia parou o mundo. A inundação paralisou Porto Alegre por semanas.  A inundação paralisou Porto Alegre por semanas. Talvez um terço do território da cidade ficou inundado, inclusive boa parte de sua área central. As águas alcançaram o Aeroporto Internacional Salgado Filho que teve suspender suas atividades por meses. Foram dias em que o único meio para entrar e sair da cidade foi a rodovia RS 040 que liga Porto Alegre a Viamão e parte do litoral norte do estado. Foram dias sem fornecimento de água e energia elétrica em boa parte da cidade.  Em ...

Lançamento do livro A Morte em Pleno Verão de Yukio Mishima com tradução de Andrei Cunha

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No sábado, 19 de outubro passado, estive na Livraria Taverna, que fica junto à Casa de Cultura Mário Quintana, no centro de Porto Alegre, para a sessão de autógrafos e lançamento do livro A Morte em Pleno Verão de Yukio Mishima. Mishima é um escritor japonês nascido em 1925 e falecido em 1970. Assim, essa sessão de autógrafos era para o tradutor, o professor Andrei Cunha. Antes dos autógrafos houve um bate-papo com o tradutor mediado por André Günther. Nesse bate-papo Andrei Cunha falou de seu envolvimento com a cultura japonesa e o tempo em que viveu e estudou no Japão. A conversa também versou bastante sobre a obra de Mishima, como era de se esperar.  Mas talvez o aspecto mais interessante tenha sido as explicações sobre a edição anterior de A Morte em Pleno Verão lançada no Brasil nos anos 1980. Segundo Cunha, aquela tradução havia sido feita a partir de outra tradução, a versão ao inglês, feitas por tradutores dos Estados Unidos e esses tradutores estadunidenses eram pessoas li...

16 de outubro de 2024

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E a primavera sempre retorna. E então é outubro outra vez. E então o dia 16 chega e se mostra a você. E você se assusta.  É 16 de outubro de 2024. É aniversário da Siloni. Seriam os primeiros sessenta anos neste ano. Siloni não está mais entre nós, exceto, talvez em alguns de nossos corações.  O estranho foi a sensação de surpresa. De olhar para alguma tela, possivelmente algum celular, e lá estar a data: 16 de outubro.  Talvez eu devesse apenas publicar por mais um ano o texto Outubro antigamente era assim , mas não dessa vez.  Os sessenta anos de Siloni chegaram sem que eu percebesse. Pegaram-me de surpresa. E sessenta anos são, talvez, um sinal de plenitude. Pelo menos, talvez, segundo o horóscopo chinês. Segundo essa tradição, aos sessenta anos a pessoa já viveu o suficiente para passar pelos doze signos e pelos cinco elementos. Eu já falei sobre isso em um texto em que, de alguma maneira, felicitava alguém por completar… 61 anos! E como a Esfera Azul não para, s...

12 de outubro de 2024

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12 de outubro de 2024 caiu em um sábado. Em Porto Alegre foi um dia lindo, ensolarado e de temperatura agradável, como talvez um dia de primavera devesse ser. 12 de outubro é feriado no Brasil. Se celebra o Dia das Crianças e a Senhora de Aparecida.  Nesse dia, resolvi almoçar fora. Fui a um shopping aqui na Zona Norte. O mais antigo shopping grande de Porto Alegre, inaugurado há mais de quarenta anos, e continuamente ampliado e reformado desde então. Convenientemente moro perto. É possível ir a pé.  O shopping estava cheio. Filas para o estacionamento. A praça de alimentação norte lotada (agora há uma praça de alimentação sul, mas não fui conferi-la). Filas de espera nos restaurantes. Os corredores por onde muitas pessoas se deslocavam. Me lembrou o filme Cenas em um Shopping  , dos anos 1990. Só faltaram as filas para o cinema. Na minha cabeça o nome do filme era Cenas de um Shopping. Engraçado que somente agora, pensando nisso, me dei conta que o título e a temática re...

Diário – leituras – Crônicas de viagem, 1

Este livro é o primeiro volume de uma seleção de crônicas de viagens escritas por Cecília Meireles para a imprensa, em meados do século XX. Segundo as datas informadas ao final de cada crônica, os textos foram escritos entre 1941 e 1952. É um período que coincide com a chamada era de ouro da crônica no Brasil, em que cronistas de destaque publicavam nos jornais da então Capital Federal, isto é, a cidade do Rio de Janeiro.  São dezenas de crônicas, relatando viagens para México, Estados Unidos, Uruguai, Argentina, Senegal, Espanha, Portugal e outros lugares.  Meireles tenta ser mais viajante que turista, mas, às vezes, cai no lugar comum desse tipo, o turista. Seu olhar muitas vezes mira o pitoresco. E, bem, ela é uma mulher do seu tempo, uma mulher relativamente rica, brasileira, que pode fazer viagens internacionais quando isso não era algo trivial, e muito menos gente se arriscava além fronteiras do que hoje. Carregava os preconceitos da elite intelectual a que pertencia....

Cid Moreira se foi na primavera de 2024

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Em meados dos anos 1970 eu ainda era criança, mas me lembro vagamente de meu pai circunspecto quando da morte de Lupicínio Rodrigues, falecido em 1974, e da de Orlando Silva, em 1978. Acho que deveria ser pesado para o Velho ver irem-se seus ídolos de juventude. Meu pai constantemente cantava Nervos de Aço à capela.  Talvez a impressão que tive de peso e circunspecção tivesse a ver com o fato de o pai também estar entrando na velhice. Em 1974 ele tinha 58 anos. Fico pensando nisso quando percebo tanta gente ao meu redor morrendo, e, em geral, por velhice ou enfermidades relacionadas à velhice.  Acho que o caso mais recente foi o do jornalista Cid Moreira. Durante boa parte da minha infância e adolescência eu via Cid Moreira lendo notícias no Jornal Nacional, na Rede Globo. Ao final de cada edição vinha o seu (da parte dele) “boa noite”. Conheci gente que respondia boa noite a ele. E alguém que nos marca nessa tenra idade, marca para sempre.  A nossa memória sempre perde e...

A próclise

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“Te amo prá sempre Te amo demais Até daqui a pouco Até nunca mais” George Israel e Paula Toller Te amo! Te odeio! Me sinto indiferente em relação a ti.  Me emociono. Às vezes, não muito.  Me sinto confuso. Me sinto com raiva. Em especial quando o corretor ortográfico do editor de texto me diz que não se inicia períodos com próclise.   . Imagem gerada através do ImageFX . 22/09/2024, 01/10/2024. 

Primavera Austral 2024

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Escrevo em 22 de setembro de 2024. Início da primavera no hemisfério sul. Início do outono no hemisfério norte.  A previsão do tempo para hoje em Porto Alegre, RS, Brasil, é um dia de sol, com temperatura máxima de 31ºC, e sensação térmica de 36ºC. Afff! Início de primavera com temperaturas de verão.  E assim estamos nós. Vindos de um inverno quase sem frio (ou será que a minha sensibilidade térmica mudou?) e de um outono que afogou boa parte do Rio Grande do Sul; o outono das águas que trouxeram destruição, isolamento, desalento. A maioria de nós sobreviveu; infelizmente não todos.  E com o início da que talvez devesse ser a melhor estação – dias ensolarados, com cada vez mais horas de luz e temperaturas que deveriam ser amenas, de calor agradável – seguimos vivendo (sobrevivendo?), fatalistas talvez, em direção ao abismo sem que nos sintamos em condições de fazer nada.  A maior parte do território brasileiro vive uma das maiores secas da história, talvez a maior. T...

É uma partida de futebol!

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Dia 6 de setembro passado aconteceu pela primeira vez no Brasil, de fato pela primeira vez no hemisfério sul do planeta, uma partida da Liga Nacional de Futebol – National Football League, NFL para os íntimos, o campeonato daquele futebol praticado nos Estados Unidos. O jogo envolveu as equipes do Philadelphia Eagles e do Green Bay Packers.  Muita gente torce o nariz para esse tipo de futebol, e considera a realização dessa partida por aqui algo sem sentido. Sem conhecer as regras, consideram esse esporte apenas uma sucessão de violências.  Seja como for, essa primeira partida acontecida no Brasil, realizada no Estádio do Corinthians, na cidade de São Paulo, teve ingressos esgotados rapidamente por venda online. O esporte tem um bom número de fãs no Brasil. Imagino que isso tenha acontecido através das transmissões dos jogos nos Estados Unidos através da TV por assinatura. Foi o meu caso.  O jogo não é uma sucessão de violências. Há regras. Muitas regras. E uma equipe de ...

The little things that give you away

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O céu é uma nuvem de fumaça, saído dos pesadelos de Blade Runner 2049. Há não muito tempo o céu tinha nuvens de chumbo. E de algodão. E delas caía água. Caía água sem parar. Água que encheu rios. E afogou cidades. E matou gentes e animais e plantas. E desabrigou gentes e animais.  Há alguns meses as águas afogaram Porto Alegre.  Há um ano as águas tentaram e as defesas de Porto Alegre resistiram.  Há pouco mais de um ano, o mundo saía dos dias da peste. Os dias da pandemia que parou o mundo.  Ouço falar muito em crise. Crise climática, crise econômica, daqui a pouco crise demográfica. Fim de mundo. Distopia.  Em uma tarde chuvosa de inverno, sem ser fria, pensei comigo mesmo: o Apocalipse não virá. Ele já está aqui.  “Sometimes The end is not dawning It’s not coming The end is here”  (“Às vezes O fim não está chegando Não está vindo O fim está aqui”) . . 14/09/2024. 

Lançamento do livro Sol na parede de Jorge Bledow

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Na quarta-feira, 4 de setembro de 2024, à noite, houve o lançamento do livro Sol na parede, de Jorge Bledow, no Ser Gastropub, que é um bar, ou um pub, na Rua Tomaz Flores, 331, ali no Bomfim, nesta nossa Porto Alegre. Lançamento e sessão de autógrafos.  Bledow e família receberam leitores. Lá estiveram colegas de oficinas literárias e ex-colegas de trabalho, em número razoável. Entre os que compareceram, a notável presença de um sósia do ator Morgan Freeman; um doppelgänger? Eu não contei, mas estimo que havia umas quarenta pessoas no reservado do Ser. O número é tanto melhor porque era uma noite para relembrar o poeta inglês Edward Bulwer-Lytton, com sua frase clichê “it was a dark and stormy night”, que eu poderia traduzir para “era uma noite escura e chuvosa”. Noite escura e chuvosa, mas não muito fria, apesar de ainda ser inverno. Repetindo outro clichê, choveu a cântaros naquela quarta-feira.  O livro contém dezessete contos, prefácio do cronista Tiago Maria e orelha do ...

Aqui no Sul

Eu nunca saí daqui. No máximo um trem para o Cassino. Nem pra Pelotas eu fui.  É a minha vida aqui. Morar na Cidade Nova. Trabalhar quando dá. Pedreiro. Servente. Um bico aqui, outro lá.  Fim de semana um futebolzinho na várzea. Eu até que não sou ruim de bola. Centre-forward pela direita. Sempre que dava eu chutava. Às vezes dava gol. Às vezes eu deixava o cara na cara do gol, era só fazer. Era bom. Era divertido. Depois descansar, tomando uma cachaça no bar do português. Quando tinha uns trocados a mais, o que era difícil, a gente tomava cerveja. O português colocou um rádio no bar. Aí a gente ouve música e notícia. Atire a primeira pedra do Orlando Silva. Eu gosto dessa. E as notícias da guerra. Nunca soube de ataque por aqui, mas toda noite tem black-out. Será que algum dia eu vou poder comprar um rádio? Tudo aqui na Cidade Nova, à beira da Lagoa. A gente diz que é lagoa, mas sempre o mar entra e a água fica salgada. É por aqui que o pessoal pesca camarão.  Vivo numa ...

Passeio de despedida

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O sábado, 17 de agosto de 2024, era um dia de inverno. Estava frio e nublado. Foi em um período em que se faziam queimadas na Amazônia e a fumaça dessas queimadas chegava até aqui. A fumaça das queimadas da Amazônia chegava a lugares tão longínquos quanto o Rio Grande do Sul.  Nesta tarde de um sábado frio, ele me levou a passear.  Primeiro à Redenção. Nosso parque tão central e tão característico em Porto Alegre. Lugar onde tive o registro dos meus primeiros passos, literalmente, lá nos anos 1960.  A Redenção ou Parque Farroupilha é um lugar central na vida dos porto-alegrenses. Aos finais de semana sempre há muita gente por ali. Caminhando, levando os cachorros a esticar as patas, andando nos pedalinhos do pequeno lago. Eventualmente acontece algo mais. Naquele sábado, por exemplo, havia um grupo se exercitando e, ao mesmo tempo, se exibindo. Coisas que acontecem na Redenção.  Depois da minha caminhada pelo parque, voltei a ele.  Deveríamos voltar para casa, n...

Os Bondes da Cidade de Rio Grande, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil – por Allen Morrison

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A cidade de Rio Grande fica em uma estreita península próxima ao final sul da Lagoa dos Patos, a maior lagoa da América do Sul [ veja o mapa do estado ]. A península tem cerca de 2 km de largura e 7 km de comprimento[ veja o mapa da área ]. Rio Grande fica a 18km do Oceano Atlântico, a 60 km de Pelotas, a 320 km de Porto Alegre, que está no limite norte da lagoa, e cerca de 5.000 km distante dos sistemas de bondes mais ao norte do Brasil, que operavam em Manaus e Belém. É a cidade grande mais ao sul do Brasil e um dos seus mais movimentados portos. Em 1910 a população de 40.000 pessoas tornava-a a segunda cidade mais populosa do estado do Rio Grande do Sul. Seus atuais 200.000 habitantes a colocam como a décima naquele estado em grande crescimento.  Como sua vizinha Pelotas e como Porto Alegre, Rio Grande teve linhas de bonde antes de ter linhas ferroviárias de longa distância. Um industrial local chamado Antônio Candido Sequeira queria desenvolver uma infraestrutura de transportes...