A morte do velho erudito
O velho erudito morreu hoje. Recebi a notícia por emeio. Nem era tão velho. Estava com menos de sessenta anos, o que é mais de uma década em relação à idade média da população masculina brasileira. No último encontro que tivemos, o velho erudito celebrava a aposentadoria. Entre tantas questões econômicas, ele lembrava que a imprensa corporativa vivia sempre pregando a postergação dessas aposentadorias. O velho erudito dizia que havia começado a trabalhar sendo ainda menor de idade. Por conta disso, poderia se aposentar antes dos cinquenta anos, mas, por causa das tantas reformas previdenciárias havidas nos últimos trinta anos, foi obrigado a aguardar até quase os sessenta. Reclamava que se fosse em um país civilizado, as tais reformas previdenciárias deveriam valer para quem estivesse iniciando no mercado de trabalho, não para ele que já trabalhava há quinze anos quando a primeira reforma jogou a aposentadoria dele para uns cinco anos após o previsto. Não tinha certeza sobre...