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Perplexidade na primavera chuvosa de Porto Alegre em 2023

Em uma noite da primavera chuvosa de Porto Alegre em 2023, um homem acha que precisa escrever.  Contudo, ele não sabe o que escrever.  Ou até sabe, mas não acha que tenha algo a dizer.  Poderia comentar que a primavera chuvosa de Porto Alegre evoca um ar de inverno ou de outono. Comentar que tanta chuva dificulta caminhar para admirar as flores.  Mas o homem está paralisado pela tristeza que vem do noticiário.  Triste pelas centenas de mortes em atentados terroristas. Triste pelas outras centenas de mortes em bombardeios de retaliação.  Triste porque milhares de vozes nas redes telemáticas só se solidarizam com as mortes de um lado dos que guerreiam.  Triste porque não parece haver solução para esse conflito.  Solução teórica há. Solução prática não.  Triste porque essa mais recente guerra, domina as manchetes. E outras guerras continuam ao redor do planeta.  A guerra esquecida no sul da Arábia, com crianças morrendo de fome. A guerra no...

Cara Maria – VIII

Cara Maria, Espero que me desculpes por tantas mensagens. Serei mais breve nesta aqui. É que além do ódio, comentado na mensagem anterior, outras coisas aconteceram e continuam acontecendo.  A privatização da Carris, por exemplo, a até então empresa municipal de transporte de Porto Alegre. Eis que o prefeito Sebastião Melnick, digo, Sebastião Melo se desfez de uma companhia centenária. Com isso se desfaz de uma empresa que poderia ser estratégica para que o transporte coletivo de Porto Alegre possa  ser mantido em momentos de crise. Alguém ainda se lembra de greve de 2014? De fato não tenho certeza se foi em 2014, mas deve ter sido por aí. Alguém lembra, mais longínquo ainda, o locaute que o então prefeito Olívio Dutra enfrentou lá por 1989, mais ou menos? Quem trata dessa privatização em longa coluna no Matinal é o Juremir Machado . Ele, que informa muito ter andado em ônibus, afirma que a melhor companhia a prestar o serviço, na opinião dele, era a Carris. Com base no novo c...

Cara Maria – VII

Cara Maria, Foi, ou tem sido, uma semana de ódio.  Começo por mim. Ódio de secadores lançando fogos de artifício diante da eliminação do S.C. Internacional diante do Fluminense, na Copa Libertadores da América 2023. Digamos que piadinhas sejam okay. As tais corneteadas. Mas foguetes?  Embriagado, tive desejos de morte e aniquilação, destruição em massa. Felizmente a tagarelice ficou restrita a aplicativos de mensagens, sem grande amplitude. Talvez se eu fosse civilizado como um inglês… Ódio é algo que se aprende. Me lembro que quando eu era criança e o Inter venceu o Campeonato Brasileiro de Futebol pela primeira vez, lá por 1975, na Vila Cefer 2, mesmo alguns amiguinhos gremistas comemoraram. Infelizmente perdi o contato com todo mundo. Inclusive o meu amigo que era o paradigma de gremista entre nós morreu em um acidente de moto há vários anos. Assim, as memórias que registro aqui não podem ser validadas por mais ninguém. Mas me lembro assim. Ainda por conta dessas memórias, ...

De táxi de Congonhas ao Centro Histórico

Bem que eu gostaria de saber algo da história dos táxis. Seu surgimento e regulamentações ao redor do mundo.  Há muitas anedotas sobre eles.  Por exemplo, aquela do passageiro que chega a uma cidade pouco conhecida e, do aeroporto (ou da estação de trens ou da rodoviária) pede ao motorista para ir ao hotel onde fez reserva. E lá se vai. Quando chega ao destino, percebe que gastou boa parte do dinheiro que tinha para usar durante a viagem nesse primeiro deslocamento.  E também aquela, clássica, recorrente, do motorista que aumenta o trajeto para ganhar uns trocados a mais. Esta última é muito contada. Seja em que cidade for, seja em que país ou continente. Acredito que para algumas pessoas, ter o trajeto alongado pelo motorista era mais uma história para contar aos amigos sobre a viagem.  Nesses últimos anos, a tecnologia veio mudar isso. Fazer a disrupção.  Os tais aplicativos de carona paga se lançaram ao mercado oferecendo corridas mais baratas, com a garantia...

Cara Maria – VI

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Cara Maria, Como falei contigo, quando tivemos oportunidade de nos encontrar por conta do teu mais recente lançamento, estive viajando semana passada. Como te disse até encontrei o Eduardo no aeroporto. Ele partia para Brasília, enquanto eu retornava.  Por conta da viagem acabei por não publicar nada no blogue na semana passada, a não ser um aviso que não haveria publicação. O que me parece francamente contraditório isso de publicar um aviso que não haverá publicação.  Ainda sobre o lançamento, sim gostei, e teu conto me trouxe algum desconforto. Digo aqui o que eu devo ter dito no lançamento: parabéns! Ou eu não disse? Bom se não disse, acabo de dizer. Se já tinha dito, acabo de repetir. Pois então… Parabéns!  Sabes? Eu bem gostaria que os contos atuais fossem mais longos. Sei que há recomendações para que esses contos sejam baseados em apenas uma cena, e essa cena precisa ser impactante o suficiente para nocautear o leitor (nocautear repetindo a célebre metáfora de São ...

26/09/2023: sem publicação

O blogueiro metido a cronista está de folga.  Se tudo der certo, uma nova crônica deve ser publicada em 3 de outubro de 2023. 

Cara Maria – V

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Cara Maria, Tendo escrevido uma crônica em forma de mensagem à minha falecida irmã esta semana , imaginei que não te escreveria nesta semana. A mensagem à minha irmã é um comentário sobre presentes que ela me deu e ficou fechada, a mensagem, a crônica, nisso.  Contudo não consegui renunciar a te escrever. Esta semana.  Falar de quê? De clima, óbvio.  De trinta graus de temperatura em Porto Alegre na segunda-feira, 11 de setembro, para oito graus em Porto Alegre na madrugada de sexta-feira, 15. Com direito a chuva na quarta-feira, dia 13. Chuva que gerou enchimento do Dilúvio, o arroio. Chuva que fez o Guaíba quase chegar às margens do Cais Central. Guaíba que também avançou sobre ruas na Zona Sul de Porto Alegre. Chuva que assustou. O prefeito Melnick, quero dizer, Melo decretou emergência por conta dos riscos de inundação.  E ainda temos o rescaldo das chuvas e enxurradas da semana passada. O pessoal da revista eletrônica Parêntese publicou três textos sobre as inun...