Neste início de verão 2025-2026 em Porto Alegre é preciso olhar para cima


É o início do verão 2025-2026 no hemisfério sul. Verão em Porto Alegre. De novo. 

Já tivemos dias de forno, da gente se sentir sendo cozido enquanto exposto ao Sol. E enquanto escrevo passamos por um período de alívio, com a entrada de uma frente fria. 

São tempos maus. Gaza aniquilada. Guerra na Ucrânia. Guerra no Iêmen. E agora a pirataria contra a Venezuela. Enfim…

Olhar para cima. Não para esperar a vinda de anjos. Ou que Deus venha em nosso socorro (até precisamos do socorro de Deus, mas não vejo Deus se revelando, e muitos daqueles que se arvoram em seus representantes se apresentam a mim como fraudes ou decepções. Divago). 

É preciso olhar para cima para ver a floração da sibipiruna. Sabe? Sebipira? Aquela árvore nativa que, em geral, tem mais de seis metros de altura. E tem uma copa com cerca de vinte metros quadrados. No início do verão a sibipiruna floresce. Flores amarelas. Árvore nativa que parece patriota. 

Ou pode-se simplesmente olhar para a frente. 

Olhar para a frente para ver a floração da extremosa. Com seus dois metros e meio de altura média, a extremosa fica ao alcance do olhar, se você olhar para a frente. Há cinco meses as extremosas perto de onde moro pareciam mortas. Secas e cheias de ervas de passarinho, isto é, de parasitas. Mas agora se refolharam (existe refolhar?) e se encheram de suas características flores cor de rosa. Variados tons de rosa. As ruas de certa parte da zona norte de Porto Alegre estão cheias de extremosas. 

Moro em um apartamento. Não cultivo um jardim. 

Nesses dias de verão caminho por ruas de Porto Alegre como se estivesse em um jardim. Um jardim que não plantei. Um jardim que alguém plantou por mim. Com o perdão da rima… 

É preciso olhar para cima para apreciar. Ou olhar para a frente e se encantar. Com o perdão da rima, desta vez mais pobre...


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Extremosas em primeiro plano, sibipiruna atrás


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04, 06/01/2026. 

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