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Diário - leituras - Um Homem Célebre (Contos de Machado de Assis)

Diário - leituras - Um Homem Célebre (Contos de Machado de Assis) Finalmente peguei para ler o pequeno volume com contos de Machado de Assis, publicado pela Editora Mercado Aberto em 1998. São seis contos, incluindo "Um Homem Célebre" que dá título ao livro.   "A Cartomante" é um conto sobre uma relação extraconjugal em que os amantes consultam uma cartomante para se tranquilizar que não haverá nenhum problema com esse desejo proibido.   "O Caso da Vara" conta a história de um rapaz que não aguenta mais a vida num internato católico, e pede a intermediação de uma viúva conhecida de seu padrinho para que seu pai aceite o abandono do internato. Quando diante de uma arbitrariedade da própria protetora, o rapaz se vê diante de um dilema.   "Um Homem Célebre" fala de um músico que procura arranjar tempo para a grande obra de sua vida, enquanto vai compondo músicas que lhe dêem o sustento de cada dia.   Em "O Espelho", que tem co...

300: A Ascensão do Império

300: A Ascensão do Império Lá se vão algumas semanas desde que assisti o filme “300: A Ascensão do Império” (300: Rise of an Empire”, Estados Unidos, 2014). Fazia algum tempo que eu não achava um filme tão ruim. Este novo filme, conta eventos anteriores, concomitantes e posteriores aos acontecimentos narrados na produção “300”, de 2007. O filme de 2007 já era mais baseado na história em quadrinhos de Frank Miller, que nos eventos históricos do século VI a.C. Supostamente narra a invasão da Grécia pelo Império Persa, nesse século, e mostra batalhas que se tornaram famosas, como a de Maratona e a de Salamina. Como ficção histórica, o filme é muito mais ficção que História, muito mais ficção mesmo. Impérios não são construídos e se expandem por desejos de vingança, como o filme induz em seu início, mas por conta do desejo de seus líderes de adquirir mais riqueza e poder. Foi por isso que os persas atacaram a Grécia, e foi por isso que mais tarde, a própria cidade-estado de Atenas...

Max e os Felinos e As Aventuras de Pi - um comentário conjunto

Max e os Felinos e As Aventuras de Pi - um comentário conjunto Não sei se ainda há algo a ser dito sobre a questão das obras “Max e os Felinos”, do brasileiro Moacyr Scliar, e “As Aventuras de Pi”, do canadense Yann Martel. Depois da pŕopria narrativa de Moacyr Scliar sobre o incidente , e da reportagem do The New York Times sobre o assunto, ainda pude ler um texto de Carla Ceres , onde ela comenta o livro de Martel e cita o incidente, além de demonstrar que, se houve plágio da ideia de Scliar, por parte de Martel, o autor canadense não plagiou apenas a Moacyr Scliar, mas também Edgar Allan Poe e Herman Melville. Ceres ainda fala na Bíblia e no Bhagavad Gita. A Biblia: um navio cheio de animais cruzando o Atlântico, no caso de Scliar, ou um navio cheio de animais cruzando o Índico e o Pacífico no caso de Martel, sempre terão como base de referência a Arca de Noé. Ou Utnapshtim antes, na Epopeia de Gilgamesh. É complicada a questão do que é original ou plágio em obras d...

Diário - leituras - Max e os Felinos

Diário - leituras - Max e os Felinos Li o livro "Max e os felinos" de Moacyr Scliar. Trata-se de uma novela em três capítulos, que tem por protagonista Max Schmidt. No primeiro fala de sua infância, adolescência e juventude em Berlim, no segundo de sua viagem para o Brasil fugindo de uma perseguição nazista, no terceiro fala de sua vida no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e na serra na região de Caxias do Sul. Cada um desses capítulos vêm sob a égide de um felino, que pode ser tanto um demônio interior, quanto uma opressão que venha do exterior. Claro os significados hão de mudar, tanto quanto haja experiências de leitores que possam projetar-se dentro da história. O volume ainda incorpora a reflexão de Moacyr Scliar sobre a polêmica por conta de uma certa inspiração (na melhor hipótese) ou plágio (na pior hipótese) do escritor canadense Yann Martel ter usado a história do Scliar, na verdade o capítulo 2 desta novela, para escrever seu livro "A Vida de Pi...

Diário - leituras - As Aventuras de Pi

Diário - leituras - As Aventuras de Pi Depois de ter visto o filme "As Aventuras de Pi" , versão do diretor Ang Lee, para o livro homônimo, e também motivado pela polêmica entre o livro de Yann Martel e o livro "Max e os Felinos", de Moacir Sclyar , resolvi ler o livro que deu origem ao filme. Livros e filmes são obras diferentes, mesmo que uma se baseie na outra. O filme "O Nome da Rosa" conta uma história um pouco diferente da narrada por Umberto Eco no romance homônimo. E o filme Parque dos Dinossauros é bem diferente do livro de mesmo nome, escrito por Michael Crichton, mesmo com Crichton trabalhando como roteirista para o filme. Talvez principalmente por isso. Assim, o livro de Yann Martel é um pouco diferente do filme de Ang Lee. Só um pouco. O livro pode aprofundar detalhes da religiosidade singular de Piscine Patel, com detalhes não possíveis no filme. E o livro conta mais coisas. Sem contar nos enfoques diferentes. Se o filme é u...

Diário - leituras - À margem da linha

Diário - leituras - À margem da linha “À margem da linha" é uma  novela que conta a história de dois irmãos que fogem de casa à procura do pai, que abandonara a familia tempos antes. A história é narrada pelo irmão mais jovem, que, podemos pensar, está vivendo o final da infância e o início da adolescência. O tempo é indefinido, mas é um tempo em que trens são um meio de transporte importante para os subúrbios-periferias, e também um tempo em que era normal crianças vagarem de pés descalços, mesmo quando estivesse frio. O período de tempo que dura a história também é indefinido, podemos pensar em semanas ou em meses em que esses dois meninos vagam seguindo a estrada de ferro em busca de alguma localidade onde esteja vivendo o pai deles. É uma história triste, que na verdade trata das descobertas e do amadurecimento desse irmão mais jovem que vai narrando a história, contando suas desventuras e lembrando a vida difícil que tinha a família muito pobre. E é uma novela que ...

Luiz Gama e a Escravidão Brasileira

Luiz Gama e a Escravidão Brasileira Por conta do relativo sucesso do filme “12 Anos de Escravidão”, a Folha de São Paulo publicou textos neste sábado, 08/03, lembrando o brasileiro Luiz Gama. Nascido em 1830, na Bahia, e livre, Luiz Gama teria sido vendido pelo próprio pai no mercado de escravos em São Paulo. Tendo aprendido a ler com um hóspede de seu senhor, conseguiu os papéis que comprovariam a sua liberdade, se tornou um militante do abolicionismo, inclusive atuando em processos junto à justiça da época, apesar de não ter sido formado em Direito. O filme, levantando a questão se tais coisas teriam acontecido também no Brasil (sim, provavelmente aconteceram e em maior escala. Vieram muitos mais cativos para o Brasil, que foram para o sul dos Estados Unidos), trouxe à tona o nome do brasileiro, cujo conhecimento estava restrito aos pesquisadores de história do direito e de história da escravidão no Brasil. São pequenos textos que relembram um pouco de Luiz Ga...