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Auto-Escritor

"Amanhã tenho que passar na editora". São mais ou menos essas as palavras de Paulo, personagem de Carlos Heitor Cony, no livro "Pessach, A Travessia". Um escritor tendo um escritor como personagem é quase metalinguagem.  Mas frase veio recorrentemente à minha mente neste final de 2018.  Um motivo era que a Editora Metamorfose me pediu para retirar os volumes a que teria direito, por conta da antologia "Palavras de Quinta", publicada num sistema de compartilhamento de custos.  Quase simultaneamente, tinham acabado os volumes que eu tinha comigo, de outra antologia em que participei, a "Santa Sede 7, Crônicas de Botequim" (2016) , e entrei em contato com a Editora Buqui, para adquirir mais, já que os autores participantes da antologia podem comprá-los com um bom desconto.  E, de repente, no meio dessas necessidades, acabei realmente por me sentir um escritor. Alguém que já teve textos publicados em livro. Foram três antologias até agora. A...

Diário – leituras – O rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino

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O título é relativamente autoexplicativo. Este livro junta várias e várias cartas que o jornalista e escritor Otto Lara Resende enviou ao também jornalista e escritor Fernando Sabino ao longo de vários anos. Otto Lara era um missivista compulsivo. Não à toa, os Correios lançaram um selo em homenagem a ele pouco tempo após a sua morte.  As cartas são apresentadas em ordem cronológica, agrupadas pelas cidades de onde Resende escrevia. São cartas a partir de Belo Horizonte, na década de 1940; de Bruxelas, na década de 1950; do Rio de Janeiro, em meados da década de 1960; de Lisboa no final da década de 1960 e início da década seguinte.  Os assuntos são variados, mas principalmente impressões sobre livros, dele Otto, de Sabino e de amigos de ambos; manifestações de saudades; questionamentos sobre o tempo e o clima; combinações de viagens. Entre as cartas de Lisboa, em alguns momentos, transparece o clima anuviado do regime militar no Brasil, com prisões arbitrárias e vida na cland...

Diário – leituras – O Crepúsculo da Águia

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Tudo começou em um balaio de ofertas na Feira do Livro de Porto Alegre de 2024. Não lembro de qual livraria. Certamente um sebo. Vi nesse balaio alguns volumes dessa saga, que conta de maneira romantizada, as vidas e as cortes da casa real inglesa, os Plantagenetas, a partir de meados do século XII, na chamada Baixa Idade Média.  Este livro, O Crepúsculo da Águia, é de fato o primeiro dos que encontrei no balaio do qual falei no parágrafo anterior. Há uma diferença de trinta anos entre as edições dele (de 1977) e a de Prelúdio de Sangue sobre o qual escrevi antes (de 2007).  Neste segundo capítulo da saga a autora continua narrando a vida de Henrique II Plantageneta, agora na sua maturidade. Os conflitos com a esposa Eleanor de Aquitânia, e com os filhos, Henrique, Ricardo e João. E também a relação conflituosa com o rei da França, de que Henrique II é, ao mesmo tempo, vassalo e adversário.  Como eu já disse essa série de livros é baseada em fatos históricos acontecidos ...

Diário – leituras – Semvergonho

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Como é meu costume, meses se passaram entre o fim da leitura do livro Semvergonho e a minha disposição de fazer o registro da leitura. Nesse caso, foram mais de três meses.  Semvergonho: crônicas com e sem noção é o livro de estreia do escritor Tiago Maria. Tiago Maria é cronista e também já se arriscou em uma ficção folhetinesca (Inferninho, que aguarda na pilha de livros, sua vez de ser lido). Trabalha mais com a prosa, mas uma prosa que em alguns momentos toma ares de poesia.  São pouco menos de cem crônicas, agrupadas por temas. O forte do livro são as reminiscências do autor, sejam elas reais ou imaginadas. Em geral são crônicas bem humoradas. Algumas com uma pimentinha, em especial aquelas agrupadas sob o tema “sexualidade”.  E embora o bom humor compareça vigorosamente, também há seriedade e denúncia social, caso crônica Iphome, dentro da temática “nonsense”. Ainda no nonsense, eu destaco Intervenção, tipo de oração torta. Eu falei que o autor é bem humorado? ...

Neste início de verão 2025-2026 em Porto Alegre é preciso olhar para cima

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É o início do verão 2025-2026 no hemisfério sul. Verão em Porto Alegre. De novo.  Já tivemos dias de forno, da gente se sentir sendo cozido enquanto exposto ao Sol. E enquanto escrevo passamos por um período de alívio, com a entrada de uma frente fria.  São tempos maus. Gaza aniquilada. Guerra na Ucrânia. Guerra no Iêmen. E agora a pirataria contra a Venezuela. Enfim… Olhar para cima. Não para esperar a vinda de anjos. Ou que Deus venha em nosso socorro (até precisamos do socorro de Deus, mas não vejo Deus se revelando, e muitos daqueles que se arvoram em seus representantes se apresentam a mim como fraudes ou decepções. Divago).  É preciso olhar para cima para ver a floração da sibipiruna. Sabe? Sebipira? Aquela árvore nativa que, em geral, tem mais de seis metros de altura. E tem uma copa com cerca de vinte metros quadrados. No início do verão a sibipiruna floresce. Flores amarelas. Árvore nativa que parece patriota.  Ou pode-se simplesmente olhar para a frente....

Pausa de final de ano 2025

O blogue faz uma pausa nos próximos dias e deve retornar em meados de janeiro de 2026.

A ternura dos ursos pardos

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Como se sabe, ursos pardos fizeram parte do Presépio.  Estavam lá junto com as vacas, as cabras, as ovelhas, os burros, os camelos, galinhas e galos. À época já eram domesticados. Não é possível esquecer que uns novecentos anos antes do nascimento de Jesus, após uma maldição do profeta Eliseu, ursas mataram 42 rapazes naquela parte do mundo.  É isso que explica a onipresença de ursos por todo lado aqui no sul da América do Sul, nesta nossa valerosa Porto Alegre.  Posam sentados, com seus, talvez três metros de altura. Sorrisos discretos. Muitos com toucas de Papai Noel.  Estão espalhados pelas lojas da principal rede de supermercados da região. E também na porta dos principais shopping centers.  Fazem companhia aos papais noéis, estes com seus casacos vermelhos e botas para frio. Muito afim com o verão que acompanha o Natal no hemisfério sul do mundo.  E aí é que está. Os ursos estão por todo lado, mas as demais figuras do presépio foram esquecidas.  N...

Um evento em dezembro: confraternização de fim de ano da Oficina Santa Sede

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Para o registro no blogue: estive na confraternização de final de ano da Oficina Santa Sede, Crônicas de Botequim. Aconteceu dia 5 de dezembro passado, no Mosaico Cultural, onde também vêm sendo realizadas as reuniões/aulas da oficina. O Mosaico Cultural fica na Travessa Octavio Correa, 39, Cidade Baixa, aqui em Porto Alegre.  Foi um momento de confraternizar e trocar livros no tradicional amigo secreto ad hoc. Rubem Penz, o organizador da oficina, fez o balanço de atividades do ano. Foram diversas oficinas com diversos encontros. Três livros coletivos publicados. Mentir para menos, o livro da chamada safra 2025. Calafate, coletânea de crônicas-conto inspiradas pela obra folhetinesca de Nelson Rodrigues. Intromissivas, o livro da masterclass, que homenageou Otto Lara Resende. Além disso houve a publicação das obras solo de Iara Tonidandel, Quando o chão tremer… Voe; e de Edgar Aristimunho, com o livro Hospitalares.  Houve ainda um jubilamento. Foram comemorados os quinze anos ...