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Auto-Escritor

"Amanhã tenho que passar na editora". São mais ou menos essas as palavras de Paulo, personagem de Carlos Heitor Cony, no livro "Pessach, A Travessia". Um escritor tendo um escritor como personagem é quase metalinguagem.  Mas frase veio recorrentemente à minha mente neste final de 2018.  Um motivo era que a Editora Metamorfose me pediu para retirar os volumes a que teria direito, por conta da antologia "Palavras de Quinta", publicada num sistema de compartilhamento de custos.  Quase simultaneamente, tinham acabado os volumes que eu tinha comigo, de outra antologia em que participei, a "Santa Sede 7, Crônicas de Botequim" (2016) , e entrei em contato com a Editora Buqui, para adquirir mais, já que os autores participantes da antologia podem comprá-los com um bom desconto.  E, de repente, no meio dessas necessidades, acabei realmente por me sentir um escritor. Alguém que já teve textos publicados em livro. Foram três antologias até agora. A...

Jussara Fösch e o paradoxo da rede social

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Esta semana a rede social do livro dos rostos me lembrou do aniversário de Jussara Fösch.  De fato, seriam 59 anos no dia em que escrevo (30 de março).  Recebi o lembrete, e escrevi no perfil dela nessa rede – congelado como um memorial –, expressando minha saudade por uma pessoa que partiu muito mais cedo do que nós esperávamos, ou, pelo menos, que eu esperava.  Afinal era relativamente jovem – mais jovem que a idade média projetada para as mulheres brasileiras –; tinha acesso à medicina preventiva, apesar das condições que vêm com o tempo, a exemplo da hipertensão; não era sedentária.  São as coisas que não se explicam.  Uma mui sumária cronologia, que nesse caso relaciono a mim, diria que os últimos dias de Jussara em 2024 foram seu aniversário, em 30 de março, quando completou 58 anos; a presença com que ela me felicitou no lançamento do meu livro Confinado, um diário da peste, no dia 5 de abril; a notícia que ela teve um mal súbito e foi internada em uma UT...

Diário – show – Papas da Língua Re.união – 30 anos

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Se passam os dias. Não. Esta forma está errada. É gramaticalmente incorreto iniciar frase com pronomes reflexivos átonos. Por isso, ninguém deveria começar uma frase à pessoa amada, dizendo “te amo”. Então, passam-se os dias. Ou, os dias se passam. E assim lá se vão quinze dias desde que assisti o show Re.união dos Papas da Língua, celebrando os trinta anos de carreira da banda.  O show aconteceu na sexta-feira, 14 de março de 2025, no Auditório Araújo Vianna. Marcado para às 22 h, começou realmente por volta de 22:30 e foi até quase uma da madrugada. Umas duas horas de show.  Os Papas da Língua são Sergio Moah, Léo Henkin, Zé Natálio e Fernando Pezão. Além deles, o tecladista Cau Netto é presença constante, mas não tenho certeza se é membro oficial da banda.  O show ainda teve a participação de um guitarrista / violonista convidado, cujo nome me fugiu.  E já pela hora do bis recebeu como convidado no palco Alexandre Carlo, vocalista da Natiruts.  O show começou...

Celebração de 15 anos da Oficina Literária Santa Sede, Crônicas de Botequim

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No momento em que escrevo, já se passaram duas semanas desde a celebração dos 15 anos da Oficina Literária Santa Sede, Crônicas de Botequim. Como é sabido, a Oficina é uma criação do Rubem Penz. Se houvesse uma celebração dessas todo ano, eu poderia apelidá-la de “Rubempalooza”!   Essa celebração ocorreu em um sábado, 8 de março de 2025, um dia tórrido nos estertores do verão porto-alegrense. De fato, o pico de uma onda de calor que tomou conta da cidade naqueles dias. A comemoração se deu por meio de um workshop, no Edifício Força e Luz (que chegou a ser chamado de Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo), na Rua dos Andradas.  O workshop começou com uma palestra do cronista Eduardo Affonso. Affonso vive no Rio de Janeiro e escreve para o jornal O Globo. Além disso, oferece sua própria oficina de crônicas, que se dá por meio virtual, online. Na divulgação do workshop, a palestra de Affonso foi chamada de aula magna. De fato, ele falou sobre a crônica e sobre a trajetória de...

Márcio Souza, escritor amazonense

Pensei em chamar este texto de “Márcio Souza, escritor amazônico”, mas fiquei receoso que ficasse parecendo grandioso demais; excessivo.  Sou do tipo de pessoa que costuma comprar livros, sem a intenção de lê-los imediatamente. Já disse e repeti isso. Compro livros e os guardo, esperando por um momento em que eu ache oportuno iniciar a leitura. Um desses gatilhos é a morte do escritor. Pode parecer meio tétrico, mas não acho. É um motivo como qualquer outro. Ruim mesmo é não ler. Usei esse critério, por exemplo, para ler As Meninas, de Lygia Fagundes Telles . E agora voltei a usá-lo para iniciar a leitura das obras de Márcio Souza que estavam por aqui, aguardando a vez de serem lidas.  Iniciei por Galvez, Imperador do Acre; depois li Mad Maria.  Achei interessante que este escritor amazonense tivesse escrito esse dois livros, basicamente em função do Acre. Afinal, Galvez é sobre a tomada do Acre, território que pertencia à Bolívia e foi incorporado ao Brasil; e Mad Maria ...

Junto e misturado: Dia de São Patrício e o Carnaval Extemporâneo de Porto Alegre em 2025

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Neste ano de 2025 aconteceu essa coincidência no calendário de eventos de Porto Alegre. Depois de o prefeito – aquele sob o qual Porto Alegre foi afogada no ano passado – ter proibido o Carnaval, durante o período de Carnaval, sob a orientação do Ministério Público, no bairro boêmio da Cidade Baixa – relatos dão conta que a Brigada Militar reprimiu com violência tentativas de celebração na madrugada de sábado, 1º de março passado  – , as escolas de samba e outras entidades porto-alegrense realizaram seus desfiles nas noites de 14 e 15 de março, na passarela do Porto Seco, na zona norte da cidade.  Bem, aconteceu que esse final de semana é o final de semana que antecede o Dia de São Patrício, ou, em bom português, o Saint Patrick’s Day, o santo padroeiro da Irlanda. E o Saint Patrick’s Day costuma ser um evento que tem sido celebrado em Porto Alegre, mais ou menos desde o início desse século XXI. A data é aproveitada pelas pequenas cervejarias e pubs temáticos, que usam a celeb...

Se passam os dias e vai terminando o verão de 2025

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Eu gosto dos dias de verão. São dias solares, dias mais longos, dias com mais horas de sol.  Já disse isso, e agora estou repetindo. Mesmo que tenhamos ondas de calor, como essa que nos afligiu entre o final de fevereiro e o início de março.  Os dias abrasadores. Os dias de Forno Alegre. Temperaturas de 36º e sensação térmica de 40º. Dias em que, se é necessário realizar alguma atividade na rua, que a atividade seja realizada antes das nove horas, ou depois das dezesseis. Provavelmente melhor, depois das dezessete.  Mas verão também é para enfrentarmos ondas de calor. Talvez não em março. Talvez não tão intensas. Talvez o calor excessivo se deva à crise climática.  No sul da província de Buenos Aires, na vizinha Argentina, uma frente fria que encerrou a onda de calor por lá, gerou uma tempestade em que choveu em um dia a metade da média para um ano todo. A cidade de Bahía Blanca alagou a ponto de um hospital precisar ser evacuado.  Felizmente, quando por aqui ch...

Diário – leituras – Mad Maria

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Mad Maria é o segundo livro de Márcio Souza que leio em pouco tempo. O anterior foi Galvez, Imperador do Acre , cuja leitura foi concluída há pouco mais de um mês. Com isso, acredito que finalizo as leituras de livros desse autor que eu tinha armazenado em casa, e que resolvi ler por conta do seu relativamente recente falecimento.  Só me faltaria encontrar algum outro livro escrito por ele perdido por aqui, mas acho que não vai acontecer.  Mad Maria narra a construção de um trecho da ferrovia Madeira-Mamoré, ferrovia esta que foi construída no início do século XX, como parte de um acordo do Brasil com a Bolívia. Por meio desse acordo, o Brasil assumiu a soberania sobre o território do Acre, cedeu uma parte de terras próximas de onde hoje estão Acre e Rondônia à Bolívia e se comprometeu a construir uma ferrovia. Essa ferrovia seria construída para facilitar o escoamento da exportação de mercadorias bolivianas pela Amazônia até o Oceano Atlântico.  Mad Maria é o nome que fo...