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Mostrando postagens de 2026

Diário – leituras – Os anos

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Annie Ernaux é a escritora francesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2022. E isso me levou a adquirir o livro Os anos há três anos. Os anos há três anos.  Concluí a leitura na primeira quinzena de dezembro passado.  Os anos é um trabalho de memória da autora. É como se ela visitasse seu álbum de fotografias, com imagens que vêm desde sua infância, e isso servisse de estímulo para suas lembranças. As lembranças iniciais são do período logo após o final da Segunda Guerra Mundial, na França. Depois seguem o ciclo de uma vida. A adolescência, a juventude, a vida adulta incluindo a vida profissional, casamento, filhos. Divórcio. Aposentadoria.  Junto com as lembranças pessoais há toda uma rememoração social. Desde a falta de saneamento básico na infância, passando pelo surgimento dos diversos aparelhos elétricos criados para facilitar o trabalhos doméstico, passando também pelos ciclos políticos, da França e do Mundo, passando ainda pelos produtos de consumo.  ...

2026, sexagésimo ano, ano do Cavalo do Fogo

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E assim chego ao sexagésimo ano. Novamente um cavalo de fogo, sessenta anos após o ano em que nasci.  O que pode significar plenitude, um ciclo completo.  Ou simplesmente velhice.  Não reclamo. Apenas constato. Comento.  Não há do que reclamar. Tem sido mais bom do que mau.  Talvez mesmo uma vida acima da expectativa que se tinha quando nasci em 1966. Ano da Graça do Senhor de 1966. Ano do Cavalo de Fogo.  Passando por um cavalo de terra em 1978, um cavalo de metal em 1990, um cavalo de água em 2002 (e lembrando que em 2002 foi o último ano em que a seleçao brasileira de futebol masculino ganhou a Copa do Mundo da categoria), um cavalo de madeira em 2014 (ano do infame 7 a 1, que deixou um tanto de gente traumatizada. Mas o meu trauma em futebol havia sido superado com a conquista de 1994. 1994 não foi ano do cavalo). Agora são tempos de balanços. Já dá para olhar para trás e avaliar perdas e ganhos.  É tempo de se distrair e esquecer pequenas coisas a...

Um Domingo de Ramos no século XXI

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“Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” Tiago já era um homem velho.  De repente, recebeu uma mensagem de um amigo desejando-lhe um Feliz Domingo de Ramos. Surpreendeu-se. Já era o domingo que precedia a Semana Santa novamente.  Tiago pensou no que vivera e das fases que tivera na vida. E pensou no ditado que diz que “o diabo sabe mais por ser velho do que por ser diabo”. Por ser velho, Tiago achava que talvez já soubesse alguma coisa. Entretanto também sabia que nada sabia, repetindo a frase atribuída ao antigo grego chamado Sócrates.  No fim de sua adolescência, Tiago era religioso e idealista. Fervoroso. Fanático alguns poderiam dizer. Achava que se todos fossem cristãos como ele era, o mundo seria melhor. Mas a frase em epígrafe que abre esse texto o marcava. Foi ouvida em alguma pregação lembrada por algum ministro também idealista. Uma frase que era interpretada como uma profecia. Quando Jesus voltasse, talvez nem encontrasse fé em Deus. Na ...

Sobre celebrar São Patrício em 2026

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João já era oficialmente um idoso. Tinha chegado à tal provecta idade há não muito tempo.  Sobre ser idoso, pensa rasamente. Ser idoso é ter lembranças de muitas coisas. Ser idoso é ter de lidar com as crescentes limitações do corpo. Ou talvez pensasse em algo mais profundo. Ser idoso é fazer analogias entre o que ele lembrava que vivera e o que as pessoas que eram idosas quando João era jovem diziam e lembravam. E também fazer analogias sobre o que ele lembrava vivera e o que lera nos livros de História. Se é que isso é pensar mais profundo.  Nesse ano de 2026 João refletia se ele agora se sentia em um mundo como aquele em que as pessoas haviam vivido nos tempos sombrios dos anos 1930.  E João pensava que sim e não. Se a figura de Adolf Hitler era assustadora já em 1938, o ex-cabo austríaco não tinha capacidade de lançar bombardeios em qualquer parte do mundo, assassinar ou sequestrar lideranças de nações com a facilidade com que o autocrata do norte faz hoje.  João...

Dia de São Patrício e sexta-feira, 13

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Quando a sexta-feira cai no décimo terceiro dia do mês isso é considerado de mau augúrio. Ou era. Não tenho certeza. Certo é que nesse ano de 2026 já tivemos duas, uma em fevereiro e outra em março. Outra nos aguarda em novembro próximo. O Dia de São Patrício, ou, em bom português, o Saint Patrick’s Day, dia do santo padroeiro da Irlanda, é 17 de março. Que nesse ano de 2026 cai em uma terça-feira.  Sobre sextas-feiras, 13, não consigo lembrar de nada de mau que tenha me acontecido, fosse em 13 de fevereiro, ou no 13 de março. Sempre dá para lembrar a grande guerra na Europa, os ataques ao Irã, e os conflitos quase esquecidos no Sudão ou no Congo. Mas esses eventos estão aí ou há anos, ou entre um dia 13 e o outro.  Como o Dia de São Patrício é dia 17, houve estabelecimentos comerciais celebrando a data desde… A sexta-feira, 13 de março. O que, se não chega a ser um bom augúrio, já é um desafogo. Assim, tenho visto gente celebrando o Dia de São Patrício na sexta-feira, 13; no ...

Um livro que chegou em fevereiro de 2026: 1985: o ano que repaginou a música brasileira

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Durante os tempos da peste, escrevi vários textos. Tantos que um livro surgiu disso. Naqueles dias as tele-entregas e os produtos para levar tiveram uma espécie de apogeu. Entre os textos que escrevi naquela época, houve uma pequena série sobre objetos que chegavam. Inclusive livros . Pois bem, estou relembrando tudo isso porque na segunda quinzena de fevereiro passado recebi o livro 1985: o ano que repaginou a música brasileira. O livro foi publicado no final de 2025, e houve uma sessão de lançamento no início de dezembro na Livraria Bamboletras, à qual não pude ir. Pedi ao colega blogueiro e escritor Emilio Pacheco  que guardasse um exemplar para mim. Nesse dia de fevereiro tivemos a oportunidade de almoçarmos juntos e ele me entregou o livro, que veio com os autógrafos dele mesmo, Emilio Pacheco, mais os autógrafos de Juarez Fonseca, Márcio Pinheiro e Zeca Azevedo, os autores gaúchos; e ainda o autógrafo do organizador, Célio Albuquerque.  O livro é um tijolo de umas quinhe...

Cara Silvia Cambará

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Porto Alegre, fevereiro de 2026 Cara Silvia Cambará Este é um texto cheio de prolegômenos. No ano da Graça de 2025 participei de uma oficina literária de criação de crônicas que homenageou o escritor Otto Lara Resende. Acredito que ele, o Otto, regule de idade contigo. Além de escritor e jornalista ele também foi adido cultural nas embaixadas brasileiras em Bruxelas e Lisboa. Nessa oficina os participantes se dedicaram a escrever crônicas em formato de mensagens. Estas mensagens podiam ser para pessoas vivas ou mortas, reais ou ficcionais. Essas crônicas-mensagem, e outras explorando a etimologia de palavras, geraram um livro.  Foi nesse contexto que primeiramente pensei em te escrever, mas há tanta gente a quem podemos endereçar mensagens, que a mensagem para ti acabou não sendo criada a tempo de ir para o livro. Digamos que foi adiada. Pois aqui vai essa mensagem (vale ressaltar que não sei como se comunicam as pessoas por aí onde estás agora. Sei que em 1946 as pessoas se comuni...

Diário – cinema – O Agente Secreto

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Em meados de janeiro passado fui assistir o filme O Agente Secreto, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, e estrelado por Wagner Moura. Eu já havia escrito antes sobre o filme, comemorando suas premiações no Festival de Cinema de Cannes, lá por maio do ano passado . Agora pude assisti-lo.  Um filme com muitas camadas, como talvez diriam especialistas em cinema e em literatura. Uma espécie de thriller político talvez, ou um drama, sendo que em um momento se transforma em horror trash. Difícil dizer. Difícil dizer inclusive o que o diretor quis com tantas tramas. Para mim, a mensagem que ficou é sobre um país violento, onde a morte é banalizada: ponto ilustrado nas cenas iniciais do filme em que o personagem delegado Euclides, lendo a manchete de jornal que informava que até aquele momento no Carnaval de 1977 no Recife 93 pessoas já haviam morrido, comenta que as mortes iriam a mais de 100. Ou ilustrado também na cena inicial do filme, de um cadáver largado junto a um posto d...

03/03/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista está triste. Há muita guerra e muitas mortes causadas por guerras no mundo Se tudo der certo, uma nova crônica deve ser publicada em 10 de março de 2026. 

Um longo Carnaval para Porto Alegre

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  Na anedótica citação de José Simão, o Carnaval na Bahia não termina. Ou termina. Quando um Carnaval termina, imediatamente começa o próximo. Ou talvez ele não tenha dito isso e a minha imaginação esteja inventando. Vai saber. Meu colega Bruno, por outro lado, dizia, talvez ainda diga, que Montevidéu tem o mais longo Carnaval do mundo (vejam como as pessoas são capazes de expressões hiperbólicas). Os montevideanos passam o mês de fevereiro celebrando o Carnaval, com murga e candombe. Mas, em geral, apenas nos finais de semana e em lugares fechados, como parques, praças, ginásios.  E Porto Alegre?  Já se vão vários anos desde que o desfile de escolas de samba de Porto Alegre foi tirado da região central da cidade e levado para a periferia da zona norte, na região do Porto Seco.  Ano passado, o Carnaval foi proibido na Cidade Baixa, justamente o bairro mais boêmio do município. Quem tentou celebrar, em tentativa de resistência, foi violentamente reprimido.  Pois ...

17/02/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista está de folga.  É Carnaval! Se tudo der certo, uma nova crônica deve ser publicada em 24 de fevereiro de 2026. 

Cara Maria – XIX – O Rio sempre merece uma nova vez

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Cara Maria, Assim chegamos à décima nona mensagem.  Como podes ver, gostei das tuas palavras, “o Rio sempre merece uma nova vez”. Acho que o Rio tem alguma coisa do estereótipo de “ame-o ou odeie-o”. Acho que vale tanto para os moradores quanto para os turistas.  Tuas palavras vieram a propósito da tua sugestão de um passeio ao Jardim Botânico de lá, ao qual não fui. E cogitei de uma próxima vez.  “O Rio sempre merece uma nova vez”. Neste passeio mais recente também tínhamos o propósito, eu e o filho, de visitar o Palácio Guanabara. Os cinco dias de chuvas intermitentes e chuviscos fizeram com que desistíssemos. Eis mais um motivo para sempre retornar ao Rio: sua história. Na viagem anterior nosso foco foi o Palácio do Catete, que virou o Museu da República sob o Governo JK. O local onde Getúlio Vargas se suicidou. E, por sinal, um palácio acanhado, pequeno em área construída. Mas com ampla área verde ao redor e muito próximo da Praia do Flamengo. O Palácio Guanabara guar...

Feliz 101 anos, mãe

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Feliz aniversário, mãe. Seriam 101 anos.  Sabes? Não estava pensando muito no teu aniversário até que percebi que esta terça-feira, seria 3 de fevereiro de 2026. Me senti atropelado pelo calendário. O dia em que publico minhas crônicas e reflexões iria cair exatamente no dia do teu nascimento.  Por esses dias pensei em falar sobre minha mais recente ida ao cinema. Fui ver um filme brasileiro, chamado O Agente Secreto. Atualmente estou indo ao cinema uma vez por ano. Muito embalado pela carreira internacional de filmes brasileiros. O filme anterior, em fevereiro de 2025, havia sido Ainda Estou Aqui . É curioso isso. Na juventude cheguei a ir a mais de uma sessão de cinema no mesmo dia, tendo de me deslocar de um cinema a outro, isto é, sem assistir aquelas matinês de dois filmes no mesmo prédio. Mas que dizer? Tu falavas dos filmes do Mazaropi que ias ver no cinema na tua juventude, e, que eu me lembre, nunca me levaste a uma sessão. Quem me iniciou no fascínio das telas grande...

27/01/2026: sem publicação

O blogueiro metido a cronista está de folga.  Se tudo der certo, uma nova crônica deve ser publicada em 3 de fevereiro de 2026. 

Em 20 de janeiro de 2026 não haverá publicação

O blogueiro estará de folga. 

Diário – leituras – Hospitalares

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Edgar Aristimunho é conhecido nos meus registros. Há um texto sobre minha leitura de seu livro O Homem Perplexo . Há referências ao seu Diário do Confinamento nos textos que compõem o meu Diário da Peste . Além disso participei junto com ele na coletânea de crônicas conto Histórias Stanislawianas publicada em 2023 . Edgar Aristimunho distribuía o Diário do Confinamento via aplicativo de mensagens, como se fosse uma newsletter. O confinamento acabou e ele iniciou os Diários Ocasionais pelo mesmo veículo de comunicação. Então parei de receber os Diários Ocasionais. Imagino que ele os tenha parado de escrever.  Agora ele publicou pela Santa Sede Editorial este livro chamado Hospitalares. Ou com um subtítulo, Hospitalares (fragmentos). Para mim ler esse livro foi como ouvir a voz de Aristimunho, como quando eu ouvia em minha cabeça cada vez que lia algum capítulo dos Diários do Confinamento ou dos Diários Ocasionais. Contudo, se é a mesma voz, as circunstâncias são diferentes. Se nos ...

XXI, o primeiro quarto do século se passou

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Um pensamento que me ocorreu nesses primeiros dias de janeiro de 2026 foi que um quarto do século XXI já se encerrou. Para quem, como eu, nasceu na segunda metade do século XX, isso é um pouco espantoso.  Um pouco espantoso… Uma das mais antigas lembranças de minha infância é sobre um álbum de figurinhas sobre a Corrida Espacial, aquela que se desenrolou entre o final dos anos 1960 e início da década seguinte, quando os Estados Unidos levaram astronautas a caminhar sobre a Lua.  E foi também nessa época que alguém me disse (quem?) que eu teria pouco mais de trinta anos no ano 2000. Obviamente para uma criança em fase de alfabetização, pensar nela mesma com trinta anos era uma grande abstração, algo inimaginável. Mas essa informação ficou na minha cabeça.  Alguns anos mais tarde, no final da infância, passou pela minhas mãos um livro direcionado ao público infanto-juvenil. Uma publicação do final dos anos 1960. Não lembro o nome. Um livro grande, de capa dura e ilustrado. ...

Início de 2026, um balanço de leituras

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Início de ano é sempre época de balanços e avaliações.  Primeiros dias de janeiro de 2026 e retornei ao começo do livro Diário Estoico, escrito por Ryan Holiday e Stephen Hanselman. Se trata de um livro de reflexões a partir de citações de filósofos estoicos da Antiguidade, em especial Sêneca e Epíteto. Sendo este um livro de reflexões diárias, retornar ao início significa que voltei para janeiro, depois de tê-lo lido de janeiro a dezembro de 2025. Ué? Mas já não leu? Sim, li e esqueci a maior parte do que li nos 365 dias de 2025. Retornando, como eu disse no ano passado , e agora há pouco, é um livro de reflexões filosóficas. Muitas pessoas religiosas se dedicam a ler livros de reflexões religiosas. Para as pessoas religiosas, estes livros são chamados de devocionais. Quando eu era jovem e crente havia um livro assim, chamado Mananciais no Deserto, escrito por Lettie Cowman. Eu nunca o li (li outros devocionais), mas muitas pessoas passavam, e possivelmente ainda passem, o ano len...

Diário – leituras – O rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino

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O título é relativamente autoexplicativo. Este livro junta várias e várias cartas que o jornalista e escritor Otto Lara Resende enviou ao também jornalista e escritor Fernando Sabino ao longo de vários anos. Otto Lara era um missivista compulsivo. Não à toa, os Correios lançaram um selo em homenagem a ele pouco tempo após a sua morte.  As cartas são apresentadas em ordem cronológica, agrupadas pelas cidades de onde Resende escrevia. São cartas a partir de Belo Horizonte, na década de 1940; de Bruxelas, na década de 1950; do Rio de Janeiro, em meados da década de 1960; de Lisboa no final da década de 1960 e início da década seguinte.  Os assuntos são variados, mas principalmente impressões sobre livros, dele Otto, de Sabino e de amigos de ambos; manifestações de saudades; questionamentos sobre o tempo e o clima; combinações de viagens. Entre as cartas de Lisboa, em alguns momentos, transparece o clima anuviado do regime militar no Brasil, com prisões arbitrárias e vida na cland...

Diário – leituras – O Crepúsculo da Águia

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Tudo começou em um balaio de ofertas na Feira do Livro de Porto Alegre de 2024. Não lembro de qual livraria. Certamente um sebo. Vi nesse balaio alguns volumes dessa saga, que conta de maneira romantizada, as vidas e as cortes da casa real inglesa, os Plantagenetas, a partir de meados do século XII, na chamada Baixa Idade Média.  Este livro, O Crepúsculo da Águia, é de fato o primeiro dos que encontrei no balaio do qual falei no parágrafo anterior. Há uma diferença de trinta anos entre as edições dele (de 1977) e a de Prelúdio de Sangue sobre o qual escrevi antes (de 2007).  Neste segundo capítulo da saga a autora continua narrando a vida de Henrique II Plantageneta, agora na sua maturidade. Os conflitos com a esposa Eleanor de Aquitânia, e com os filhos, Henrique, Ricardo e João. E também a relação conflituosa com o rei da França, de que Henrique II é, ao mesmo tempo, vassalo e adversário.  Como eu já disse essa série de livros é baseada em fatos históricos acontecidos ...

Diário – leituras – Semvergonho

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Como é meu costume, meses se passaram entre o fim da leitura do livro Semvergonho e a minha disposição de fazer o registro da leitura. Nesse caso, foram mais de três meses.  Semvergonho: crônicas com e sem noção é o livro de estreia do escritor Tiago Maria. Tiago Maria é cronista e também já se arriscou em uma ficção folhetinesca (Inferninho, que aguarda na pilha de livros, sua vez de ser lido). Trabalha mais com a prosa, mas uma prosa que em alguns momentos toma ares de poesia.  São pouco menos de cem crônicas, agrupadas por temas. O forte do livro são as reminiscências do autor, sejam elas reais ou imaginadas. Em geral são crônicas bem humoradas. Algumas com uma pimentinha, em especial aquelas agrupadas sob o tema “sexualidade”.  E embora o bom humor compareça vigorosamente, também há seriedade e denúncia social, caso crônica Iphome, dentro da temática “nonsense”. Ainda no nonsense, eu destaco Intervenção, tipo de oração torta. Eu falei que o autor é bem humorado? ...

Neste início de verão 2025-2026 em Porto Alegre é preciso olhar para cima

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É o início do verão 2025-2026 no hemisfério sul. Verão em Porto Alegre. De novo.  Já tivemos dias de forno, da gente se sentir sendo cozido enquanto exposto ao Sol. E enquanto escrevo passamos por um período de alívio, com a entrada de uma frente fria.  São tempos maus. Gaza aniquilada. Guerra na Ucrânia. Guerra no Iêmen. E agora a pirataria contra a Venezuela. Enfim… Olhar para cima. Não para esperar a vinda de anjos. Ou que Deus venha em nosso socorro (até precisamos do socorro de Deus, mas não vejo Deus se revelando, e muitos daqueles que se arvoram em seus representantes se apresentam a mim como fraudes ou decepções. Divago).  É preciso olhar para cima para ver a floração da sibipiruna. Sabe? Sebipira? Aquela árvore nativa que, em geral, tem mais de seis metros de altura. E tem uma copa com cerca de vinte metros quadrados. No início do verão a sibipiruna floresce. Flores amarelas. Árvore nativa que parece patriota.  Ou pode-se simplesmente olhar para a frente....