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Duque

Às vésperas do dia em que se comemora a Proclamação da República no Brasil, Avelina publicou uma crônica chamada "A rua onde nunca morei" . Uma crônica memorialística celebrando as suas lembranças da rua que está na acrópole do centro da cidade de Porto Alegre.  A rua em que ela nunca morou, mas palmilhou, sendo levada pela mãe na infância, depois, junto com as colegas como estudante secundarista, por fim, como profissional, trabalhando na Praça que está no centro político do Rio Grande do Sul.  A crônica de Avelina disparou na minha cabeça a canção Credo, de Milton Nascimento e Fernando Brant (“Caminhando pela noite de nossa cidade / Acendendo a esperança e apagando a escuridão / Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade / Viver derramando a juventude pelos corações (….)”). Eu conheci a música no álbum Clube da Esquina 2. Um dos primeiros álbuns que adquiri.  Essa rua em que nunca morei também já foi minha.  Aliás, nunca morei na região central da cidade.  M...

Carta à mãe em novembro de 2021

Oi, mãe.  Hoje é 23 de novembro de 2021. Há pouco tempo era 19 de novembro. Para o Brasil, Dia da Bandeira. Para mim, data da tua morte. Que na minha cabeça nunca ficou claro se foi mesmo dia 19 de novembro de 1995, ou talvez dia 18. Sei que foi por dias assim. Eram dias quentes de novembro de 1995. Era primavera, mas se fosse verão não faria diferença.  A morte depois de alguns dias de agonia. Solitária no hospital. De um câncer originário de mama, mas que já distribuíra metástases inclusive para o teu cérebro.  O final do processo que começou com um nódulo no seio, que decidiste não tratar, porque afinal, “já não tinhas motivo para continuar a viver depois de enterrar mãe, pai e marido”. Deves ter dito isso lá para 1991, pouco tempo depois do falecimento do pai.  Disseste isso, e estávamos ainda ali. Eu, minha irmã, e teu neto. Todos teus. Todos saídos de ti. Não teres motivo para viver me doeu.  Por que escrevo tudo isso agora?  Bem, como eu disse, há po...

Disparo

O joão-de-barro não pareceu temer quando o caçador lhe fez mira. Continuou pulando sobre o gramado. Eventualmente parava, depois continuava.  Em determinado momento virou a cabeça e pareceu ficar encarando quem lhe cercava.  O apanhador enquadrou o passarinho e, em uma fração de segundos, disparou.  O bicho deu mais um passo. E continuou com seus pulinhos.  O olheiro vislumbrou a tela de cristal líquido. Não gostou do resultado. Apagou.  24/11/2021.

Diário da Peste (LIV) - Lançamento da Safra Sede 2021: Outros Presentes

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Nesta quinta-feira, 18 de novembro, foi dia de lançamento do livro Outros Presentes, coletânea de crônicas da Oficina Literária Santa Sede. Como a cada ano um livro é lançado, ele é chamado de safra.  O lançamento aconteceu no Shopping Olaria, usando as instalações da Livraria Bamboletras e do Bar e Restaurante Torre de Pizza.  Este ano houve uma peculiaridade: a publicação de um livro relativo à realização da oficina literária na cidade de Canela. Dois dos oficineiros de Canela estiveram no lançamento de Porto Alegre, Fernando Gomes e Silvia Rolim. O livro de Canela se chama Não olhe para trás.  Os autores da Safra 2021 em Porto Alegre (teremos oficina em Canela anualmente daqui para a frente?) são Eugênia Câmara, Marcel Souza, Fernanda Quadros, Viviane Intini, Greta Guimarães, Noara Lisboa, Camila Mossi, Patrícia Neumann e Regina Lydia.  Pude rever o Rubem e a Vanessa. Esperava encontrar o Gian e o Tiago. Talvez a Avelina. Talvez o Ed. Mas não os encontrei. Quem sa...

Crônica publicada na revista Paranhana Literário

E uma crônica que escrevi foi publicada na Paranhana Literário . A Paranhana Literário  é uma revista literária (sim, como está no título) bimestral que publica artigos, reportagens, entrevistas, crônicas, poemas, contos. Faz uma grande curadoria.  Sua equipe incansável, liderada pelo Doralino Souza, divulga e incentiva a escrita e a leitura. A edição deste bimestre, novembro e dezembro de 2021, tem 86 páginas.  Minha crônica O fotógrafo e o Guardinha na Esquina está na página 46.  Antes e depois muito conteúdo, como, por exemplo, a Carta Resposta Sobre as Estrelas Desertas, da iluminada Michele Iost, na página 42.  Agradeço à equipe da revista, em especial ao Doralino, pela publicação.  22/11/2021. 

Experiência Chocante

110 volts.  Sobrevivi.  Como um beliscão misturado com um comichão.  Não sei como seria a 220.  17/11/2021. 

Diário da Peste (LIII) - Fim da Peste?

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A multiplicidade de cartazes anunciando shows sobre os tapumes de um terreno onde já funcionou um posto de combustíveis na Avenida Assis Brasil dá uma sensação de janeiro de 2020.  São anunciados Nei Lisboa, João Bosco, e outros. Me chama a atenção em especial o anúncio do espetáculo Abba Experience.  Os covers musicais para aqueles de nós que não fomos contemporâneos, ou não pudemos assistir a shows das bandas originais. Queen, Abba, Beatles, Bee Gees. Acrescente os que você gosta e sente saudades.  Os shows nas nossas casas de espetáculos mais populares (populares nesse caso não quer dizer necessariamente baratas), o público de volta aos estádios de futebol, as escolas retomando aulas presenciais. Tudo isso acontecendo sem que haja acréscimos de vulto nas internações hospitalares, ou superlotação das UTIs.  É. A vacinação está funcionando.  Para muita gente é como se a peste já tivesse ido embora.  Ela ainda está por aí, mas já não assusta como outrora. C...