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Diário - leituras - Havana (pós-Fidel)

Adquiri este livro na Feira do Livro de Porto Alegre de 2017. Fazia pouco tempo que eu havia sido apresentado ao autor, e soube que ele estava lançando este livro, e fiquei curioso.  Mas fiquei um pouco decepcionado. Não que seja propaganda enganosa, mas eu esperava mais sobre o quadro político de Cuba. E o que o livro realmente é? Um diário de viagem turística à Havana. Mais ainda, um livro que foi publicado originalmente em 2009, com base em uma viagem naquele ano, com pequenas notas de atualização de uma viagem realizada em 2016.  O livro não é ruim, pelo contrário. A prosa de Airton Ortiz é fluente e divertida. E o autor ainda tem um afeto amoroso por Havana.  E como guia de viagem é funcional.  Como fonte de informação sobre Cuba, me pareceu de acordo com a velha Trilogia Suja de Havana , de Pedro Juan Gutierrez, que li faz algum tempo.  Enfim, vou repetir, é um livro divertido, cuja leitura flui, escrito com afeto, desde Havana.  ORTIZ, Airton. Havana...

Convite Especial

Eu tinha recebido o convite por uma rede social. "Venha compartilhar comigo o lançamento de meu livro Contos Sem Nexo. Farei sessão de autógrafos no próximo dia 3 de dezembro, uma quinta-feira, dois dias após o meu aniversário de 60 anos. Venha celebrar comigo." Dos contatos que venho mantendo com João, sempre mais por redes sociais ou aplicativos de mensagens que frente a frente, ele costumava reclamar da vida, dos muitos momentos de solidão.  Reclamava que depois da aposentadoria, os encontros com os antigos colegas de trabalho tinham rareado muito. Eu costumava responder que em um país como o nosso, ele era uma espécie de privilegiado por ter conseguido se aposentar, inclusive mais jovem que a idade mínima estabelecida pela mais recente reforma das aposentadorias.  Sarcástico, ele dizia que era verdade. E que se depender desses políticos de agora, vão fazer reformas de cinco em cinco anos, para que em um futuro não muito distante não haja aposentados, e todos tenham que tr...

Sobre redes sociais, Bettega, Carver e Sanco

Cara Bárbara,  Uma noite dessas, eu estava dedicando às redes sociais os cerca de quinze a trinta minutos que costumo dedicar a essa atividade.  Curiosamente passou pela minha linha de tempo um linque para uma entrevista do Amilcar Bettega. Sabes? Conheço o Amilcar Bettega por apenas um conto, O Voo da Trapezista, que a Cíntia Moscovich apresentou em uma aula, como um conto exemplar. Tenho um livro do Bettega na estante que aguarda o momento de ser lido. Chama-se Prosa Pequena.  Então, como eu dizendo, fui ler a entrevista com o Amilcar Bettega, onde ele rememora sua obra, comenta que ele já seja usado como literatura de referência para o vestibular. E cita Carver. Carver? Disparou alguma fagulha entre meus dois neurônios. Coloquei o nome no oráculo dos dias de hoje, e lá veio Raymond Carver.  Raymond Carver (1938-1988), escritor americano. Principalmente de contos. Mas também poeta e ensaísta. Associam os contos dele a minimalismo.  Acabei por adquirir um livro...

Plano de Negócios

Cansados dos bicos, se juntaram para montar um negócio. Uma loja de bebidas de conveniência. Projetaram faturamento de seis mil. Fizeram empréstimos, com aval de familiares. Parcelas de 1800.  Alugaram e ajeitaram o ponto.  O tal faturamento nunca passou de quatro mil. Lucro bruto de dois mil. Quando o movimento favorecia.    29/12/2020.

Canção do Confinamento

Minha praça tem palmeiras Onde grasna a caturrita De outras aves eu não sei Mas o seu grasnar me irrita Não importa se há cores Se há frescor se há odores O grasnar da caturrita É uma sessão de horrores Nos passeios de intervalo Aqui já não há cavalo Esse som sem confundir O grasnar em seu badalo  Não, não é uma periquita Nenhum bichinho discreto Não, não é nada secreto O grasnar da caturrita P.S. Se você não conhece, este poema crônico é uma paródia da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias. A Canção do Exílio é um dos poemas fundadores da poesia brasileira.  07/01/2020. 

Diário - leituras - Quase tudo: memórias

"Quase tudo" é o livro de memórias de Danuza Leão, como diz o título. Sua trajetória relembrada, desde a infância no interior do estado do Espírito Santo, até a vinda para a então Capital Federal.  A vocação precoce por se tornar modelo; o amor pela cidade de Paris; o casamento com o jornalista Samuel Wainer, com quem teve três filhos; os trabalhos que desenvolveu para além de modelo fotográfica e de modas.  E de relance aquela sociedade que eu recém havia lido, na biografia de Zózimo Barroso do Amaral, dos anos dourados e dos anos de decadência do Rio de Janeiro.  Uma coincidência acabou por me ligar à Danuza, lendo este livro. Ela também é a última sobrevivente de um núcleo familiar de quatro pessoas, ela, os pais e a irmã, todos falecidos quando o livro foi escrito.  Ela tinha 72 anos quando o livro foi publicado. Tem 87 atualmente. Segundo o livro, bem vividos. LEÃO, Danuza. Quase tudo: memórias. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.   27/10/2020.

Riscos

No parque, o bípede marombado usava focinheira.  Já o musculoso pitbull, tinha a boca livre. O quadrúpede parecia pacífico.  24/12/2020.