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Mostrando postagens de julho, 2024

Os inevitáveis Jogos Olímpicos de Verão de 2024

No final da semana passada aconteceu a abertura oficial da Olimpíada de Paris 2024. É a terceira vez que a chamada Cidade Luz sedia os jogos. As edições anteriores foram em 1900 e em 1924.  A abertura dos Jogos Olímpicos deste ano se destacou de edições anteriores por não ter acontecido dentro de um estádio poliesportivo. Os franceses resolveram inovar e montaram um desfile de delegações navegando em barcos de variados tamanhos em um percurso de cerca de seis quilômetros pelo rio Sena.  Foi bonito. A transmissão televisiva alternava o desfile com shows que foram acontecendo. Franceses conseguem fazer coisas com pompa e circunstância. Talvez a própria cidade de Paris seja um exemplo disso.  Estive na cidade pela primeira e única vez em meados de maio deste ano. Diria que ela se destaca pela sua monumentalidade e preservação. Achei impressionante como muitas das ruas pelas quais caminhei talvez não tivessem uma arquitetura muito diferente da testemunhada pelas pessoas que p...

Diário – shows – Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá – As V Estações

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Sábado, 27 de julho de 2024, foi noite para voltar ao Auditório Araújo Vianna para rever os remanescentes da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Junto a eles está André Frateschi que tem sido o vocalista do grupo. Além desses há Mauro Berman (baixo e direção musical), Lucas Vasconcellos (violão e guitarra) e Pedro Augusto (teclados). Berman e Vasconcellos já estavam na formação que esteve por aqui em 2019 .  Escrever sobre esse show é repetir um pouco o que já escrevi sobre o show de 2019. Talvez fosse também escrever sobre o show de 2022 ou 2023, não lembro a data exata, lembro que quando procurei comprar os ingressos, também no Araújo Vianna, eles já estavam esgotados e acabei ficando de fora.  Mas, claro, não dá para repetir tudo, porque não é o mesmo show, os artistas envelheceram, eu envelheci, e possivelmente, como diria Juca Kfouri, a rara leitora, o raro leitor já ouviu falar de Heráclito – filósofo grego pré-socrático e pré-cristão.  André Frateschi ...

Sarau da Masterclass Santa Sede 2024 – homenagem a Cecília Meirelles

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Foi divertido o sarau da Masterclass Santa Sede 2024, em homenagem a Cecília Meirelles. Foram lidas crônicas e os chamados bilhetes – que emulam mensagens dos antigos cartões postais – que aparecerão no livro, a ser publicado no último trimestre do ano. Foi divertido como costumam ser divertidos os saraus da Santa Sede.  Aconteceu na quarta-feira, 24 de julho de 2024, de volta ao Bar do Nito, na Lucas de Oliveira, ali perto da 24 de Outubro.  Os cronistas da masterclass 2024 que se apresentaram no sarau foram André Hofmeister, Angela Puccinelli, Altino Mayrink, Silvia Rolim, Graciella Tomé, Celso Rodrigues, José E. Rodrigues (eu), Carol Anversa, Felipe Basso, Marcel Souza, Maria Lúcia Meirelles, Giancarlo Carvalho e Andrea A. Ferreira. Infelizmente não puderam comparecer Amelia Mano e Nelson Ribas. O mestre de cerimônias, claro, foi o Rubem Penz.  Após o sarau houve música ao vivo.  Os últimos cronistas deixaram o bar quando ele estava fechando e as cadeiras sendo po...

25 de julho de 2024

Em 25 de julho de 2024 será comemorado o aniversário de 200 anos da imigração alemã para o Brasil. Não à toa, dia 25 de julho é feriado municipal em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, primeiro sítio para os imigrantes, que se espalharam dali para boa parte do estado, em especial para o noroeste. Outros municípios gaúchos também têm a data como feriado.  Os imigrantes alemães também chegaram em grande número a Santa Catarina. E há descendentes espalhados por outros estados da federação.  Quando eu penso em alemães penso em um povo que demorou mais que outros europeus a ter um país para chamar de seu. Também penso em cultura refinada de músicos eruditos e filósofos sistemáticos. Infelizmente penso também em Segunda Guerra Mundial e genocídio. Coisas da história.  Uma curiosidade: o idioma alemão é o principal na Alemanha, na Áustria, em Liechtenstein e em parte da Suíça.  Por aqui, os imigrantes alemães ficaram com fama de trabalhadores, talvez até demais. Com uma éti...

Shannen Doherty (1971-2024)

Sábado passado, 13 de julho, faleceu a atriz Shannen Doherty . Ela ficou em nossa memória por interpretar a personagem Brenda Walsh nos quatro primeiros anos da série Barrados no Baile, originalmente Beverly Hills 90210, uma série televisiva de temática adolescente dos anos 1990. O programa era exibido na TV nas tardes de sábado. No Brasil, para essa série, Shannen Doherty era dublada por Marisa Leal. A voz ainda ressoa na minha cabeça. Não lembro de praticamente nenhum episódio, mas ficou a lembrança da atriz com sua beleza e, bem, a voz de Marisa Leal.  Morreu cedo, em decorrência de um câncer. Uma pena.  19, 22/07/2024. 

Diário – leituras – relendo Memória de minhas putas tristes e fazendo uma breve comparação com A casa das belas adormecidas

Memória de minhas putas tristes sobre amor e sexo: “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança.”  Sobre envelhecer: “Acontece que a gente não sente por dentro, mas de fora todo mundo vê.” Eu havia lido Memória de minhas putas tristes há três anos . Gostei bastante do livro. Foi então que eu soube que García Marquez teria sido influenciado pelo escritor japonês Yasunari Kawabata, com seu livro A casa das belas adormecidas. Li o livro de Kawabata recentemente  e também gostei. Foi pela recente leitura de Kawabata que resolvi reler o colombiano.  Assim, esse texto é algo como uma pequena comparação entre os livros, além de um marco para essa mais recente leitura.  Clima: o ambiente do livro de Kawabata é invernal. Não consegui identificar exatamente onde se passam as noites do velho Eguchi, personagem protagonista da história. É possível que seja Honshu, onde fica Tóquio, que é bastante fria no inverno. Mas na minha cabeça a história se passa em Ho...

Depois da catástrofe de maio de 2024 – IV

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Quarta-feira, 10 de julho, estive no centro de Porto Alegre para resolver dessas questões do dia a dia. Tomar cafezinho com gerente de banco – ainda é possível fazer isso em banco físico; imprimir documentos – sim, sou do tipo que imprime coisas; almoçar com amigos.  Quando caminho pelo centro de Porto Alegre, algumas vezes, ainda posso me dar ao luxo de flanar, caminhar com pouca preocupação sobre o destino, ou o tempo da caminhada.  Quarta-feira foi um dia típico de inverno porto-alegrense, quando o dia de inverno porto-alegrense parece típico: baixa temperatura – pouco acima de dez graus na máxima; céu nublado, em alguns momentos com uma garoa fina. Felizmente sem vento.  O almoço foi com um amigo, o colega escritor e blogueiro Emilio Pacheco . Almoçamos no Boteco Andradas, em frente a Casa de Cultura Mário Quintana. Nisso já houve uma quebra de padrão, pois em todas as outras ocasiões em que almoçamos juntos, o local foi a praça de alimentação do Rua da Praia Shopping...

Segunda semana de julho de 2024

Vale dizer que estou considerando a primeira semana aquela iniciada na segunda-feira, 1º de julho.  Nesta segunda semana estamos vivendo sob baixas temperaturas decorrentes da entrada de uma massa polar vinda do sul. Parece inverno. Não casualmente é inverno. Os termômetros mostram temperaturas de um dígito durante a noite e a madrugada, e durante o dia essas temperaturas dificilmente vão acima de dez graus.  É um frio que achamos desconfortável, mas nada como o recente inverno boreal, onde, no leste da Europa, russos e ucranianos continuavam se matando, após dois anos. Nada como parte da população de Gaza que teve que enfrentar o inverno em tendas, pois tiveram suas habitações destruídas, isso quando não pereceram junto com as residências. No hemisfério norte agora é verão, mas essas situações do inverno passado continuam acontecendo.  Acho que está frio em Porto Alegre, mas sempre acho que há lugares mais frios. Começando por outros municípios do Rio Grande do Sul, como...

Jeverson Garníze (1961[?]-2024)

Na vida é assim. Tem um tempo que você fica próximo de uma pessoa. A pessoa é quase parente, tipo casado com a irmã da sua esposa. Se frequentam casas, fazem celebrações de aniversário juntas e coisas do tipo.  Depois tem um tempo em que as coisas mudam. Os filhos crescem. A pessoa se separa. Você se separa. A convivência some.  Você fica sabendo de notícias que vêm como telegramas. “Jeverson casou de novo”. “Jeverson pegou covid; foi internado, entubado; ficou entre a vida e a morte na UTI; perdeu muito peso; ficou com sequelas”. “Jeverson tem tido dificuldades até para subir dois andares de escada”.   Hoje a notícia chegou pelo aplicativo de mensagens, também como se fosse um telegrama. “Jeverson faleceu”. E eu perplexo. Sempre vêm os questionamentos automáticos. Como? Quando? Em que circunstância? Nada. Perguntei por velório e sepultamento. Nada. Já tinham acontecido.  Choque. Perplexidade. Tristeza. Eis os sentimentos que explodem dentro da nossa cabeça e fa...

Diário – filmes – Godzilla Minus One

E eis-me levado de volta às minhas primeiras recordações de filmes na TV durante a infância. Eu devia ter uns seis anos de idade, quando vi o primeiro filme de Godzilla, na primeira televisão, em preto e branco, que entrou na nossa casa. Isso lá pela primeira metade da década de 1970. Obviamente não lembro praticamente nada dos filmes da décadas anteriores – 1950 ou 1960 – que as emissoras transmitiam.  Pelo que entendi esse Godzilla Minus One (Japão, 2023) é também uma celebração dos setenta anos do primeiro filme com o dinossauro atômico.  Com direção e roteiro de Takashi Yamazaki, e estrelado por Ryunosuke Kamiki (Shikishima) e Minami Hamabe (Noriko), além de ser um filme de monstro, também é um tremendo dramalhão, eu diria bem em um estilo japonês, em que os personagens sofrem, choram, mas, mesmo assim, tentam se conter ao máximo. A propósito, para quem espera muito do monstro, o filme se concentra mais nos dramas dos humanos que no bichão radioativo.  No final da Seg...

Dívida

O valor é impagável Não há fiança possível A confiança é irrecuperável Poema do tipo poetrix que escrevi para o livro Ménage Atroz, da Editora Metamorfose, publicado em parceria com Bárbara Sanco e Claudia Lobato.

Ismail Kadaré (1936-2024)

Esta semana foi publicada a notícia da morte do escritor albanês radicado na França Ismail Kadaré . Ele teria falecido na segunda-feira, 1º de julho, de uma parada cardíaca, possível infarto.  Escreveu vários livros, e talvez o mais famoso, ao menos para nós brasileiros, tenha sido Abril Despedaçado, que gerou uma adaptação cinematográfica nacional, adaptada à realidade do sertão nordestino.  Dele eu li O Dossiê H. Nesse livro pesquisadores irlandeses chegam ao então Reino da Albânia, na década de 1930, em busca dos últimos aedos que viveriam na região. Para se ter uma ideia, Homero, a quem são atribuídas as autorias da Ilíada e da Odisseia, seria um aedo e um tipo de padrão para os aedos.  Teve vida longa. Espero que tenha se sentido tão pleno quanto lhe foi possível.  05/07/2024. 

Diário – leituras – A casa das belas adormecidas

A casa das belas adormecidas é uma novela de Yasunari Kawabata, autor japonês. Conta a história de Eguchi, um sexagenário que começa a frequentar uma singular casa de prostituição em que homens idosos pagam para dormir ao lado de mulheres jovens, às vezes adolescentes, nuas e sedadas. Eguchi frequenta o lugar e reflete sobre sua vida. As mulheres com quem se envolveu, a esposa, as filhas, em especial a filha caçula. Isso em um país que eu presumo que seja o Japão após a Segunda Guerra Mundial – o autor não dá muitas pistas, mas a história cita telefones e cobertores elétricos.  Resolvi ler esse livro porque ele teria inspirado Gabriel Garcia Márquez a escrever seu Memória de minhas putas tristes . O livro de Kawabata é citado em epígrafe no de Garcia Márquez. Segue a epígrafe: “Não devia fazer nada de mau gosto, advertiu a mulher da pousada ao ancião Eguchi. Não devia colocar o dedo na boca da mulher adormecida nem tentar nada parecido.” A casa das belas adormecidas é um livro razo...

Diário – filmes – Sob as águas do Sena

Esta semana assisti o filme Sob as águas do Sena (“Sous la Seine”, França, 2024), suspense dirigido por Xavier Gens, roteirizado por Xavier Gens e Yannick Dahan, e estrelado por Bérénice Bejo. Ela encarna Sophia, uma cientista que tem sua equipe de pesquisa dizimada por um tubarão no Pacífico, e, anos depois, precisa evitar que um tubarão que surgiu no Rio Sena, em Paris, cause um massacre sobre os nadadores de uma prova de triatlo.  Achei o filme bem ruim. De fato Sob as águas do Sena me levou para minha adolescência, quando vi Tubarão 2 nos cinemas e achei o filme tão inverossímil que, brincando com palavras, o filme suspendeu a minha suspensão da descrença que necessitamos para poder desfrutar de algumas histórias que nos contam, inclusive no cinema. No filme dos anos 1970, me aconteceu quando o tubarão atacou um helicóptero. No caso do filme francês, o tubarão no rio Sena ataca um barco.  O roteiro ainda tenta dar umas pinceladas ecológicas na produção denunciando uma ilha...

Apocalipse do século XXI

Costumo ler os colunistas do jornal Folha de São Paulo. Uma de que sou fã é Fernanda Torres. De fato só lamento que ela escreva quinzenalmente, às quintas-feiras. Eu gostaria que seus textos fossem semanais.  Semana passada ela escreveu, com pompa e circunstância, um texto falando do apocalipse que estamos vivendo . Estamos vivendo? Sim, estamos vivendo.  Vivemos um tempo de incremento da fé religiosa em detrimento do livre pensar; um tempo de radicalismos e falta de diálogo; um tempo de precarização da vida em geral e do mundo do trabalho em especial, e isso, precarização do mundo do trabalho, especialmente no chamado Ocidente e seus satélites, como, por exemplo, o Brasil. De quebra são tempos de nova Guerra Fria (ou nem tão fria assim, em que esse mesmo Ocidente trava uma guerra por procuração contra a Rússia através da Ucrânia). E mais de quebra temos a crise climática, cujo efeito mais palpável para nós, gaúchos, foram as enchentes de maio passado.  Da quinta-feira pa...